Posts de Outubro, 2006

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Dente cariado (ou fragmentos de uma mente DDA-ísta)

30 Outubro, 2006

‘Cause I’ve prayed days, I’ve prayed nights
For the lord just to send me home some sign
I’ve looked long, I’ve looked far
To bring peace to my black and empty heart

(The Dancer - PJ Harvey)

Achei um começo de cárie no meu dente. Lá no fundo. Lá atrás, o último do lado esquerdo…ó… dá pra ver? Consigo sentir pra um treco ieênte-huando-eu-arrú-a-íngua. Que merda. Eu nunca tenho dente cariado. Nunca. Agora vou ter que ir na bosta do dentista. Mais um item pra lista de coisas que tenho que fazer e que só faz aumentar, aumentar, aumentar sem nunca chegar no “ganhar na Mega-Sena”…

Tô com raiva dessa gente. Porque esse diabo de cidade tem que ter tanta, tanta gente? Que porra é essa? Pequim? Todas as cabeças desse lugar poderiam explodir nesse exato momento. Cada uma delas. Os miolos voando e tingindo as paredes dos vagões do metrô de vermelho…aquele mar de sangue e pequeninos pedaços de ossos e carne em forma de camarõezinhos invadindo os trilhos….ah, menos a cabeça do condutor, claro. Ele vai ter que continuar a repetir: “Estação Trianon-Masp. Estação Brigadeiro, Estação Paraíso…” Rá. O Paraíso! E aí eu sairia pisando os miolinhos de todos com meus coturnos. Gabie, a estranha.

Tô estranha, sou estranha, na verdade. Tô é ficando paranóica. Tem um cara me seguindo. Ele ficou me olhando de um jeito esquisito e depois deu uma daquelas risadinhas macabras, saca? Não? Você é muito ingênuo, tsc. A porta abriu. Ele saiu atrás de mim..ó lá! Tenho que apertar o passo. Ele tá ficando pra trás. Eu sei, isso é uma tática. Ele quer que eu o perca de vista. Vou parar aqui, vou falar com esse cara: - “Oi … tem horas? Não? Pois é, eu também. Não tenho hora pra porra nenhuma. Eu sempre perco a hora aliás, eu passo da hora, eu extrapolo a hora, eu mato as horas, eu estico as horas, eu desperdiço as horas…as horas…essas malditas…. as horas…sou mastigada, engolida, consumida e regurgitada pela porra das horas…as horas são as Fúrias que nos perseguem dia após dia, saca? As Fúrias, não sabe? Fúrias são divindades das profundezas ctônicas, forças primitivas da natureza que sobrevoam um plano acima do nosso mas que aparecem por aqui pra se vingar de cada um de nós a fim de nos fazer pagar por nossos crimes hediondos…. e elas não vão descansar enquanto nosso sangue não for devidamente derramado de forma violenta e pavorosa, de preferência… sim, as horas….as horas são furiosas… mas obrigada de qualquer forma, o cara que também queria me esgoelar já se foi…tô mais tranqüila agora. Tchau!”

“Você vê os meus cachos? Me olhe de novo”– diz o outdoor idiota. Porque eu iria querer olhar pros seus cachos? Se você for interessante eu vou te olhar de qualquer jeito, mesmo você sendo careca, sua cacheada superficial. Eu vou olhar pra quem eu quiser, aliás. Eu vou olhar na tua cara e dizer tudo o que ta entalado aqui ó. Que você é um hipócrita. Você e esse seu retratinho de família feliz. Você é tão nojento. Você sempre disse: o segredo é nunca esperar nada de ninguém. Bem, eu o segui à risca, nunca esperei nada de você a não ser que fosse ao menos verdadeiro consigo mesmo e veja só, nem isso você conseguiu. Pobre diabo. Enjoei de você. Chega.

Eu tenho sérios problemas. Sérios problemas. Não deve ser normal uma pessoa ter zilhões de pensamentos por segundo sem que nenhum deles esteja necessariamente correlacionado. “I love when you can read my mind, honey”, Mallory disse pro Mickey e eles fuzilaram todos na loja. Lindo. “See you at the bitter end” diz o refrão…e depois tem aquele riff de guitarra…pananananannnnn. Eu te amo até a última batida do meu coração. Esse mosaico tem praticamente 2 mil seiscentos e sete pastilhas azuis. Não consegui me concentrar o bastante pra contar o resto. Estou com vontade de beber aquele novo refrigerante..como é que se chama? Ahh, H2O. Será que se eu chegar naquele bar e perguntar “Você tem H20?” – O cara vai me encher um copo daqueles de pinga com água da torneira e me dar? Bah, vai nada. Ele lá sabe o que é H20? Lá sabe que o corpo dele é composto de 70% disso? O restante é de merda, provavelmente.

O meu também. O meu aliás é exatamente o contrário. 70% de merda e o resto de água. É isso que corre em minhas veias. Água. Água suja. De fossa. Não, não. É esse lugar que tem cheiro de fossa. Esse lugar e esses prédios que se curvam sobre mim gritando – “Você não vai sair, não vai sair, não consegue, não vai conseguir. É um ratinho assustado que não consegue fugir da fuckin gaiola e volta ,sem ter escolha, praquela roda ridícula e corre, corre, corre…sem sair do lugar. Nisso se resume sua existência.”

O horizonte parece tão longe eu não consigo avistá-lo daqui. Preciso subir, subir..preciso olhar de cima, por cima. Lembra daquele dia no alto do prédio? Dava pra ver a cidade inteira…inteira. Um oceano de concreto coberto por uma névoa cinza. E chovia. E você disse: - “quero fazer amor com você aqui”. Você disse isso mesmo ou fui eu quem pensou? Nem sei…as ondas eletromagnéticas influenciaram minha memória.

Trinta anos e eu ainda me sinto tão deslocada nesse mundo como quando tinha quinze. Que ridículo. Quando é que vai acabar essa adolescência eterna? Essa maldita sensação de que estou sendo levada pela correnteza? De que todos cresceram e são adultos com suas vidas estabelecidas e eu fiquei, inclusive no que diz respeito ao tamanho….? Que horror, é o inferno isso, só pode ser. Onde eu assino o atestado de perdedora? Aqui na linha pontilhada? Não dá pra deixar só a impressão digital? Molho meu dedão na tinta preta e tchuf. Mais fácil. Odeio a curva do meu G…além disso eu misturo letras de forma e de mão. Isso deve ser um claro sinal de esquizofrenia. Tenho letra de estudante primária e pernas de moleque. Elas vivem roxas porque eu me bato involuntariamente nas coisas, tenho uma péssima noção espacial… tropeço, sou estabanada, destrambelhada, desorganizada, desarranjada. Disparatada.

Tenho a sensação de que tudo deu errado, sabe? Tudo. Eu tentei e tentei e tudo deu simplesmente errado. Eu só fiz o que eu quis, mas nada realmente saiu como eu quis. Meu sonhos sempre tiveram que ser adaptados. Versão Beta. Versão 3.5. Versão da putaqueopariu. Até quando eu quis me matar deu errado. RÁ! Não é o cúmulo? A adaptação do sonho de minha morte é o momento que estou vivendo agora.

E mais esse dente cariado. Tá ali, lá no fundo, do lado esquerdo…não tá doendo ainda, mas tá me incomodando. Não sei quando vou poder arrumá-lo. Não sei quando vou conseguir me arrumar. Preciso descansar. Eu quero tanto, tanto, tanto descansar. Eu fecho os olhos, mas eles estão em eternos R.E.M…queria voar, queria cair, sem nunca, nunca ter que atingir o chão. Eterna queda livre. Me sinto assim quando você me beija. Mas aí você vai embora e eu me espatifo. Eu sou suja e uma libertina. É o que todos pensam. Mas eu só sou uma menina. Uma menina com o dente cariado. Uma menina com alma senil. Viu? Nem isso se encaixa. Nem isso faz sentido. Assim como aqueles ditados bestas, já repararam? - “Ta com frio bota a bunda no rio..” Cacete se o sujeito tá com frio porque diabos vai botar a bunda num rio? Nunca entendi isso. Nunca.

Nunca entendi nada. Nada. Sempre me esforcei tanto, sempre fui tão fundo em tudo em todos…pra continuar sem resposta alguma. Nunca entendi, por exemplo, o porque de você não ter me deixado partir em 31 de novembro de 2003. Eu acordei entubada e sozinha. E adivinha? Três anos se passaram e eu continuo entubada e sozinha. E agora com um dente cariado. Saco. Ninguém nunca me amou como você. Não como você…porque você ainda insiste em mim? Porque quando eu paro e me pergunto qual a única razão de eu ainda estar aqui ouço você me dizer: “Porque eu ainda acredito em você?”

Porque eu ainda te ouço, aliás? Pensei que você tivesse se calado pra sempre. Mas acho que, por ter me afastado, me esqueci de quem você é. Você é o sempre. Você é o intangível. Você é o grande abismo. O tudo e o nada que me engole. Aquele mesmo, aquele que o bigodudo maluco disse que quando a gente olha pra ele, ele olha de volta pra gente… I can still feel you even so far away… I can still feel you. Tenho um dente cariado agora. Preciso de cuidado. Preciso. Cuidado. Cuida de mim. Tô quebrada. Boa noite.

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Tudo ao mesmo tempo agora…

27 Outubro, 2006

A Última Noite

Oi acabei de chegar da cabine para jornalistas do filme de Robert Altman “A Última Noite” (Prairie Home Companion EUA/2006) Genial, como Altman sempre foi. Depois faço uma resenha com mais calma já que o filme só vai estrear pro meio de novembro em circuito fechado (SP, Rio, Curitiba e Porto Alegre). Os diálogos são simplesmente impagáveis. Ótimo, ótimo.

The Promise

Fora o filme, o que me chamou MUITO a atenção foi o trailler do próximo lançamento da Imagens Filmes (distribuidora) The Promise uma produção sino-americana, dirigido por Kaige Chen no melhor estilo “O Tigre e o Dragão”, “A Casa das Adagas Voadoras” e “Herói”.

Deleite visual garantido, cenas belíssimas de deixar qualquer um sem fôlego e história mitológica chinesa, cheia de tragédias, amores, maldições E MUITO KUNG FU impossível…ADOOOOOOROOOOOOOO!

The Promise conta a história de uma orfã que é criada por uma feiticeira que dá a ela o dom da beleza, mas em troca a menina não pode se apaixonar por homem algum. Eis que dois guerreiros caem de amores pela china girl e ai, já viu…vão lutar por ela e tentar libertá-la da maldição. Conto de fadas delicioso que eu tô realmente LOUCA PRA VER. Cacei o trailler no youtube, é claro:

Esse domingo tem show do YEAH YEAH YEAHS no Tom Brasil (Tim Festival) - EU VOUUUUUUUUU… Eu sou apaixonada por Karen O. Eu quero ser Karen O… eu vou agarrá-la…arrrrghhhhh! LINDA!

Encontro de Super-Autores

Amanhã vou estar às 15h na Saraiva do Shopping Morumbi prestigiando meu chefe, o incrível Manuel de Souza (autor do livro: Loucuras dos Seriados de TV e editor da revista MUNDO DOS SUPER-HERÓIS, da qual sou a mais nova integrante do quadro de colaboradores)

Quem puder, apareça lá! Depois a gente toma um chops e come dois pastel.

Beijo, bom findi!!! Arrasem, sempre.

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A gente somos inútel…ainda

26 Outubro, 2006

Pois é. O Rafa tem o “alegrias que o google me dá” e eu tenho o Search Engine Terms, que garante minha cota de gargalhadas semanais, quiçá diárias.

Porque algo além do governo e de minha conta bancária tem que me fazer gargalhar nessa vida… ao menos gargalhar de alegria e não de nervoso, enfim.

Todo final de mês prometo selecionar as melhores e postar aqui :> )

“gordos pelados e fofos”

Meu lado Polyanna, (que não existe porque eu faço questão de mata-lo com requintes de crueldade toda vez que ele insiste em aflorar) quer acreditar que essa pessoa estava procurando coisas relacionadas a ursinhos ou bebês…é. É isso né? É sim…

“Steve vai baixar”

Eita!!! É a globalização! Até a macumba tá internacional agora . Antes eram a pomba-gira, o tranca-rua ou zé pilintra que baixavam…agora é o Steve! Hum-hum, máisônny!

“Jucelino goes”

…to heaven? To hell? Home? To school?… Students, fill in the blanks…

“o sorriso anal de Mona Lisa”

Eis algo que nem Dan “asshole” Brown conseguiu decifrar…aliás, será este o VERDADEIRO Código daVinci?

Terá sido “La Gioconda” uma versão medieval de “Todos os Olhos” de Tom Zé? (cuja lenda e glamour foram destruídos pois o próprio fotógrafo da capa do disco acabou revelando que se tratava de uma boca e não de um cu…)

Estará o pobre incauto insinuando que, a bela (er…) dama retratada por Leonardo daVinci, um quadro considerado um dos maiores patrimônios culturais da humanidade, possui cara de cu?

A verdade está lá fora…

“Quero homem e mulher transando juntos”

Aqui está algo realmente RARO de se ver nos dias de hoje. Parabéns! Até que enfim alguém esqueceu os elefantes, garrafas-térmicas, nabos e cabos de guarda-chuva e apostou no trivial! Ganhou meu respeito, rapaz. Só falta parar de procurar essas coisas na internet e partir pra prática, seu nerd punheteiro.

“graxa para os cabelos”

“Na melhor rede de borracharias perto de você!”

” qual o sentido da vida”

Eu realmente gostaria de saber o que leva uma pessoa a procurar “o sentido na vida” no Google, uma porra de uma ferramenta de busca da merda da internet que acabou sendo alçada à posição de Oráculo de Delfos do séc XXI…

Vou acabar registrando um domínio “qualosentidodavida.com” só pra postar uns impropérios e zoar com esse tipo de gente…arrghh!

“uma gozada engraçada”

A do palhaço “Carequinha”…RÁ!

“Física fogo dedo experiencia”

Mais uma daquelas frases que te deixam com a pulga atrás da orelha…Qual experiência envolvendo “dedo e fogo” seria usada para provar alguma lei da Física? Fogo+ dedo = queimadura de terceiro grau? Cruzes….

“Christina Aguilera fazendo xixi”

Preciso comentar? Nojento.

“richard clayderman morreu ou nao morreu?”

Huahahhaa o cara não desiste!!!! E pior, só cai AQUI! hahahaha…

“mulheres peidando fedido”

Querido (a): sim, nós mulheres peidamos e muitas vezes peidamos fedido…(tô explicando porque tenho um amigo que achava que mulheres não peidavam…vai saber?)

Nada contra você procurar fotos de mulheres que “pareçam” estar peidando na internet, já disse: cada um com suas taras… agora, amor, coração, cutchi-cutchi da Gabi: COMO DIABOS VOCÊ VAI SABER SE É FEDIDO OU NÃO, PELA NET, CRIATURA?…afe. Somebody shoot me…

“Mascaras corpo inteiro Halloween”

Honey, pensa com a titia: Se é pro corpo inteiro, então não é “máscara”, certo? Usamos esse termo somente para designar peças que tenham a finalidade de cobrir o ROSTO… pro corpo inteiro seria melhor a palavra - “fantasia”…idiota!!!

“igreja universal e a historia da hello kitty”

Ah! Essa é ótima! Parece que o povo da Universal tem uma história para justificar o sucesso da personagem Hello Kitty pelo mundo e associá-la ao capeta, certamente. Porque pra esse povo só o Bispo Macedo tem direito a ser rico (às custas do dinheiro deles, pois sim) O resto é tudo coisa do demo.

Pois então, resumindo: a lenda diz que a filha da designer que criou a gatinha sofria de um caso raro e sério de câncer de boca. A mãe então, desesperada, após tentar todos os meios possíveis e imagináveis para curar a doença (isso tudo no Japão, atentem….) recorreu à bruxaria (tem macumba no Japão?) a fim de salvar a vida da filha.

Na sessão macabra eis que o próprio cramulhão, em enxofre e cascos, apareceu pra mulher e disse que ela deveria criar um personagem/desenho/símbolo que selasse o pacto entre eles (romântico, vai dizer?) e o dedicasse a ele, o principe das trevas. Mas com uma ressalva:caso a mulher criasse uma figura animal ou humana, NÃO PODERIA TER BOCA. E foi assim que a doce, meiga e inofensiva Hello Kitty nasceu….BWAHAUAHAHAHAA (risada a lá Vincent Price) HAVE FEAR! (mais informações, tratar com Bia)

“tocar as musicas salvas”

Sorry baby. Eu só toco músicas perdidas…

“cenas reais chocantes”

Dá uma olhada pela janela, lindinho…onde vc mora? Mônaco?

“DICIONARIO ON LAIN”

HAUAHAUAHAHAUAHAHAUAHAHAHA…. deus…sem condições….

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Updêite: Já ouviram Built to Spill, Calexico, Band of Horses, Bergmans e Club 8? Não?

Super baixem então.

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Conversa…

24 Outubro, 2006

(Para ler ouvindo: Protège-moi, do Placebo)

Deliciosa A.

(gosto de A…é feminino. É a primeira letra do alfabeto… e seu nome quer dizer “defensora da humanidade”…não sei porque mas isso me conforta de certa forma…)

Sabe, existem dias em que tudo o que eu mais queria era ser medíocre. Ser uma dessas mulherzinhas que se vê na rua. Normais. Sem grandes pretensões. Ao menos sem aquelas grandes pretensões que, no final, se você for analisar, também são medíocres…é tudo o que se espera delas, oras.

Outras então, nem pretensões têm! Mas sabe que prefiro estas? Melhor não querer ser nada do que ser algo que na verdade são os outros que pedem ou esperam que você seja…algo inconscientemente (será?) imposto, requerido pelo status quo…

Mas então, eu queria ser medíocre por alguns minutos… simplesmente pra saber como é ser compreendida, amada, aceita. Pra saber como é sentir-se “certa”. Queria ser medíocre, simplesmente para não me sentir tão fora de lugar nesse mundo.

Porque aí sim, eu seria tudo o que as pessoas sempre esperaram que eu fosse. O que sociedade esperava que eu fosse. O que Deus e o mundo esperavam que eu fosse. O que “ele” esperava que eu fosse… e eu seria bem sucedida, afinal. Seja lá o que “sucesso” signifique, enfim…talvez sendo medíocre seja mais fácil definí-lo. Ser medíocre deve facilitar tudo!

Deve ser bom, sabe? Deve ser confortável ser medíocre. Porque nadar contra essa maré bravia e fétida - não porque se faz questão disso, mas porque algo dentro de você te impede de seguir o fluxo “normal” das coisas - cansa. Deus, como cansa!

Queria matar esse monstro dentro de mim. Esse monstro que sussurra insistentemente no meu ouvido: “Você pode tudo, TUDO. Se quiser DE VERDADE. Pode custar muito. Mas tudo na vida custa muito..inclusive o conformismo…então viva, não tenha medo”. Porque eu tenho medo, sabe? Tenho muitos. A diferença é que eu os enfrento. E os medíocres são paralisados por eles.

Queria ser medíocre. Me contentar com as migalhas que me oferecem. Em todos os sentidos. Queria não amar até a medula, não querer com todas as forças, não queimar até o fim do pavio.

Tenho receio de que, de tanto me doar… não reste mais nada em mim…

Queria parar de pulsar.

Porque um dia, assim como qualquer outro corpo celeste que brilha e consome tudo a seu redor…eu sei que vou acabar explodindo….

Eu sei.

Te amo, sempre.

G.

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My name is Elektra Natchios…

23 Outubro, 2006

Eu amo quadrinhos. A maioria dos leitores desse blog sabe disso. Sou colecionadora compulsiva mas já fui pior, em tempos de vacas obesas, até porque os mix de revistas de hoje não compensam, são caros e mal planejados - (Mix: hisórias de personagens diferentes publicadas numa mesma revista: ex: Demolidor (que eu amo) e Pantera Negra (que não gosto muito).

Coleciono mais ou menos desde os 6 anos de idade. Tenho mais quadrinhos em casa do que juízo na cachola ou dinheiro na conta. Mais que o último, com certeza. O outro, por mais que alguns achem que não, ainda sobra um pouco.

Eu comecei a ler com quadrinhos. E não foram os da Turma da Mônica. Foi com Heróis da TV, se não me engano. História do Super-Homem. Nem preciso dizer que quando descobri Turma da Mônica, não achei a menor graça.

Me interessavam muito mais os dilemas enfrentados pelos super-heróis do que a raiva que a Mônica sentia quando roubavam seu coelho. Que chatice aquilo! Preferia mil vezes o plano infalível do Dr. Destino para conquistar o mundo do que o do Cebolinha e do Cascão para pregar peças nos outros. Sem comparação. Desde criança já revelava traços de megalomanía…

Fazia sucesso com os moleques da sala (já naquela época! Hohohoho) e também, desde cedo, conquistei a antipatia das meninas, porque passava bastante tempo com os garotos.

Trocávamos figurinhas e gibis e discorríamos durante horas sobre poderes de um e de outro super-herói: “eu sou esse”, “eu sou aquele”, “fulano é mais forte que cicrano”, “é nada! Beltrano é indestrutível”, “meu poder anula o seu”, “você não pode ser esse, ele é loiro!”, “você não pode ser ele, você é mulher!” - Machistas. Mas era verdade. Eram poucas as heroínas que eu admirava. Pra falar a verdade, nunca gostei de mulheres muito certinhas, totalmente altruístas. Isso me soava hipócrita. Não acreditava na existência de alguém tãão bom.

Eu gostava era das vilãs, mas tinha medo de admitir. Afinal, todo mundo queria ser herói, porque diabos eu tinha que ter aquela queda pelo “lado negro” da força? Eu gostava era da Mulher-Gato. Adorava. Ela era linda, poderosa e manipulava o Batman. Gostava da Mística também. E da Rainha Branca (Emma Frost)..ai, ai

A medida que fui ficando mais velha, já adolescente, fui conhecendo outros tipos de quadrinhos, que apresentavam narrativas e ilustrações diferenciadas. Will Eisner, Robert Crumb, Chayken, Spiegelman…

Europeus… Asterix, O Incal… quadrinhos eróticos: Manara, Serpieri, Crepax. Diversas graphic novels, minisséries (cuja diferença eu já expliquei neste post) e alguns quadrinhos mais complexos, densos para “adultos” como as de Moebius, Sandman, Monstro do Pântano, Orquídea Negra, Asilo Arkham, Watchmen, V de Vingança, American Flagg etc, etc, etc…..muita coisa. Impossível listar. Nem vou me lembrar.

Foi numa dessas pesquisas que acabei conhecendo uma das minisséries que mudou minha vida e me deu minha “ídala” definitiva: Elektra Assassin - Escrita pelo MESTRE Frank Miller (Sin City, 300 de Esparta, Cavaleiro das Trevas) e ilustrada magistralmente por Bill Sienkiewicz, pra mim um dos melhores ilustradores de quadrinhos EVER. Sem comparações.

Elektra (clara alusão ao mito grego de Electra, filha de Agaménon e Clitemnestra, que induz o irmão a matar a mãe para vingar o pai) na verdade foi uma personagem secundária criada por Miller para apimentar o título mensal de Demolidor que ele escrevia na época (anos 80) para a Marvel. Até então, e por isso mesmo, ela não parecia ter muito futuro, tanto que logo morreu na cronologia oficial. (revista mensal do Demolidor)

Mas eis que Frank resolve dedicar uma minissérie só pra ela, tentando explicar sua origem, suas atitudes, revelar realmente quem era aquela mulher que surgiu do nada, abalou a vida de Matt Murdock e se foi. E eis que, o que antes parecia ser uma personagem sem graça, sem brilho e completamente dispensável, ganhou vida - e que vida! - e background estupidamente surrealistas nas mãos da dupla Miller/Sienkiewicz.

O título foi originalmente lançado em 1986, mas eu fui ler uns três ou quatro anos depois. E agradeço por isso. Não teria aproveitado tanto, caso tivesse lido mais nova.

Elektra Assassin me abalou em vários sentidos. Talvez muito por conta da época em foi lida. Eu era uma adolescente com grandes quantidades de agressividade e rebeldia reprimidos por circunstâncias que não vem ao caso agora. Eu era uma verdadeira bomba-relógio. Que mais tarde explodiu. E talvez continue explodindo até hoje. Explosões menores e agora inofensívas…mas ainda assim, explosões…e eu me identifiquei com aquilo. De imediato.

Elektra Assassin é psicodélico, psicótico, surreal e animalesco em vários ângulos. Uma história surpreendente que mistura política, corrupção, artes marciais, sexo, violência, manipulações, traumas de infância, drogas, loucura, amor, entrega e morte. É altamente conceitual. Uma obra-prima da arte sequencial. Narrativa fragmentada seguida de desenhos ultra-realistas formando um mosaico perfeito entre arte e enredo, coisa pouco comum no meio.

As ilustrações de Bill conseguem expressar completamente toda a densidade e loucura do roteiro de Miller. Em muitas páginas, inclusive, não há texto algum. Somente sua arte. E ele extrapola, pira o cabeção. Usa técnicas diferenciadas, aquarela, fotocópias, fotos, colagens, grampos, nanquim e até desenhos feitos em guardanapos.

É muito difícil expressar em palavras toda concepção e valor artístico que Elektra Assassin carrega.

E Elektra…ela é um caso à parte. Depois que a descobri, ela me tomou por inteiro, não sobrou mais nem um espacinho para qualquer outra personagem de HQ. Ela não é uma heroína. Tampouco uma vilã. Ela é um anti-heroína. É justamente as duas coisas. Flutua, oscila, vagueia entre sentimentos, atitudes, valores e princípios totalmente opostos. É antagônica. É confusa. É traumatizada, doente. Terrivelmente humana.

Ao mesmo tempo que é uma ninja fodíssima, altamente treinada capaz de ler mentes e matar qualquer um em segundos, é extremamente frágil. Apaixonada. Sente medo, sente falta do pai. Projeta no ser amado (Demolidor) a proteção da qual sente falta mas se recusa a admitir. Tem com ele uma relação complicada, de amor e ódio, eternamente mal-resolvida. Toma atitudes movidas por um impulso primal e assassino que a consome, cega, que preenche seu tempo e que ironicamente a mantém viva.

Eu me apaixonei. Não houve como fugir. Era ela. Depois de ler Elektra Assassin, corri atrás de TUDO sobre a personagem. Várias outras revistas, colecionei todos os títulos, outras GN como Elektra Vive, Roots of Evil, minisséries como Elektra Saga. Tudo, tudo, tudo. Nenhum, NUNCA se equiparou à Elektra Assassin.

Se você viu aquela merda de filme que fizeram sobre ela então, esqueça. Aquela boçal retratada ali NÃO É a Elektra. Acredite.

Tenho pôsteres, tenho sketchbooks do Sienkiewicks, tenho camisetas, cheguei até a ter a réplica de suas armas. Entrei no Kung Fu por causa dela. Fiz 5 anos e a primeira arma que quis aprender a manejar foram as adagas Sai, a arma dela.

Eu havia finalmente achado minha heroína. Meu modelo. Alguém confusa e incompreendida que parecia sofrer tanto quanto eu, mas que lutava, lutava bravamente contra isso. Lutava, ainda que por meio pouco ortodoxos, para não pirar de vez. Era uma guerreira. Era durona. Ao menos exteriormente…

E tem mais: fiquei extremamente feliz. Porque ela não era real. Minha “ídala” era alguém que não existia. E aí, me senti ainda mais parecida com ela.

É claro que depois, mais velha, amadureci (será?) e aprendi admirar pessoas reais que de fato fizeram e fazem diferença no Planeta Terra ou ao menos em meu microcosmo…mas ela ainda está lá…É minha predileta. E toda vez que eu pego essa maldita minissérie pra reler, consigo sentir o frio na barriga, exatamente como na primeira vez. É meu quadrinho predileto. Sem dúvida alguma. É isso.

Aqui está o site do Sienkiewicz

Depois escrevo sobre 300 de Esparta, também de Miller e eventualmente sobre outras HQs igualmente importantes para mim.

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Deus está entre nós…

22 Outubro, 2006

Porque hoje é dia de música e…do que eu estava falando mesmo?

Arcade Fire & Bowie.

Cortesia da Pati Köhler