
Se eu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do amor tomava um trago a cada dia,
Com calma, em paz, em cálida alegria,
Se eu fosse sóbria, sim,
Isso eu faria.
Se eu fosse sóbria e séria, se sensata,
Dos cultos a verdade aceitaria,
Um bom pastor, não Deus pra ser meu guia,
Se eu fosse sábia, sim,
Eu buscaria.
Se eu fosse sóbria e séria, se sensata,
Casada e gorda, comportada e fria,
Um mundo bom, o amor de uma família,
Se eu fosse séria, sim,
Eu já teria.
Mas a paixão não quer a sobriedade
Nem seriedade sabe o coração
E quem busca o calor da divindade
Não se consola com religião.
E não sou sóbria e séria e nem sensata,
Eu meço a hipocrisia dos contentes
E ao justo criador nada mais peço
Que a luz do Sol pra me afiar os dentes.
(Patrícia Clemente)*
* Presto homenagem à Patrícia, que tive o prazer de conhecer e que infelizmente faleceu há tempos, mas tornou-se imortal através de sua obra. Viva Patrícia!
Desenho: “Ophelia” do grande mestre do desenho erótico Hajime Sorayama.
Essa poesia sou eu.



