Posts de Julho, 2007

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A tal fidelidade

27 Julho, 2007

Depois da série que escrevi sobre casamentos, muita gente me questionou sobre o assunto fidelidade, por não ter mencionado ou não ter ido mais a fundo no tema, o tão temido fantasma que assombra 11 entre 10 casais.

É claro que, como eu disse, não costumo acreditar em nenhuma regra para coisa alguma, especialmente  em se tratando de relacionamentos, matéria extremamente subjetiva e variável. Se eu fizer 30 tópicos abordando o tema, vão faltar outros 50 igualmente super-importantes com assuntos diversos e por aí vai. Não dá pra dar fórmula de porra nenhuma. A vida é assim: cada um criando sua própria maneira de encarar e levar as coisas.

Em minha humilde opinião, de quem já traiu e foi traída, traição é um risco que todo casal corre. Assim como um acidente qualquer. E igualmente como um acidente qualquer, pode ser evitado. Mas, infelizmente, não há garantias. Em nenhum relacionamento há garantias aliás…a não ser que que você faça um contrato pré-nupcial ou algo que o valha…

Enfim, o que eu quero dizer é que não adianta ficar paranóico (a), possuído (a), possessivo (o), doente. Não adianta querer trancar o cônjuge em casa, vigiar seus passos, fuçar na bolsa, na carteira, no celular, no orkut, chegar de surpresa para pegar em flagrante, viver com medo, sob a sombra da tragédia.

Se tiver que acontecer, VAI acontecer, você não vai conseguir impedir e pode não ser o fim do mundo, se você não quiser.

Pessoas traem por razões diversas. Mas a maioria é porque está descontente com o relacionamento.  Fato. Muito raro o caso de trair porque se apaixonou perdidamente pelo affair. Acontece, claro. Mas aí é caso de se perguntar  se fulano (a) amava mesmo, entre outras.

Não porque “quem ama não trai” – MENTIRA. Trai sim. Porque quem ama, também se sente só, também se sente incompreendido, também se sente sufocado, também se sente cobrado, também pode ter uma vida sexual escabrosa, também pode estar atolado em inúmeros problemas E… acaba procurando refúgio, alívio, escape, fuga – em outro relacionamento, mesmo que este seja passageiro e puramente sexual.

Na verdade, para quem trai é mais fácil fugir e procurar com outra pessoa, com quem não se tem histórico algum, portanto, compromisso algum, aquele vigor perdido nos primeiros anos de relacionamento, quando tudo estava bem.

Acontece também da pessoa simplesmente trair por trair. Afinal, o oceano está tão cheio de peixes e tal… pura infantilidade e insegurança.

Existe também aquele tipo de pessoa eternamente apaixonada. Apaixonada por tudo: pela vida, pelas pessoas, pelas artes, pelo toque, pelo sexo, pelas sensações…aquela pessoa intensa, flamejante que “quer mastigar a vida e ser engolido por ela”…

Esse tipo de pessoa precisa ter disciplina para não sair traindo por aí. Porque é difícil. Eu lhes digo por experiência própria. Não porque somos devassos vagabundos, (ou talvez sejamos…a sociedade é hipócrita e aponta o dedo sujo de merda para tudo que adoraria fazer MAS NÃO TEM CORAGEM – rótulos são os outros que dão. Quem os aceita ou não, somos nós) mas porque queremos sensações. Simples assim.

Nada justifica e tudo justifica. Depende de que lado você está.

Aí entra uma outra coisa na história que aprendi a duras penas: RESPEITO. E isso varia de casal para casal. Eu não traio hoje e não pretendo trair, porque RESPEITO o meu companheiro.

 Porque temos uma relação duradoura, verdadeira, transparente, deliciosa e UMA HISTÓRIA INCRÍVEL. E eu simplesmente não quero destruir tudo isso por uma trepada, para ter uma sensação gostosa de novidade ou qualquer coisa que seja. Já passei dessa fase. Até porque estou plenamente satisfeita em todos os sentidos.

Mas tem gente que não.

Portanto, antes  de terminar seu relacionamento por conta de uma traição, analise os fatos. Talvez haja um problema entre vocês que acabou propiciando essa situação e haja cura. Vai ser demorado, dolorido, difícil, terrível, excruciante, massacrante, porém, não impossível.

Muita gente não admite ser traído. Já dá a sentença ao relacionamento e aí, não tem volta. Tem gente se volta única e exclusivamente para o problema. Fica amargo, abdica da vida, não se dá outra chance. Essas pessoas precisam entender que todo mundo erra, em maior ou menor grau, mas erra. Até elas mesmas. Precisam ser menos inflexíveis e tentar se por no lugar do outro. Sempre existe uma razão, por mais bizarra que seja.

Tais pessoas precisam rever as escolhas feitas, principalmente referente à escolha do cônjuge. Tudo o que acontece em nossa vida é fruto de nossas escolhas.

 Talvez você soubesse de certas coisas e tenha feito vista grossa, talvez pensou que pudesse mudar o outro… amiga (o),  isso nunca acontece. O outro muda SE QUISER. Do contrário, continuará o mesmo e acabou.

São mil razões para uma traição acontecer. Não dá para enumerar uma por uma e dar o remédio da cura. Quem dera.

Mas lembre-se: um casamento nunca acaba somente por conta de uma das partes.  E nem sempre uma traição é razão para se terminar um relacionamento.

Existem bactérias bem menores, mínusculas e imperceptíveis que são ofuscadas pelo monstro da infidelidade e que vão roendo a relação sem que o casal perceba…e aí, quando os dois se dão conta, já é tarde demais. Não sobra nada. A única coisa a qual o casal partilha é a pura existência.

E o fim, de qualquer coisa, sempre é muito, muito triste.

Bem, essa é minha opinião sobre um assunto tão controverso e difícil.

Cada um tem a sua. Cada um escolhe como vai lidar com isso. Só faço votos de que seja da melhor forma possível.

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Tá acabando (a série de posts!)

23 Julho, 2007

Continuando (e quase acabando, pq já deu) a série de posts sobre dicas para casais : )

(UAU, tô me sentindo aquela véinha tarada do GNT com seu programa de dúvidas sexuais… como ela chama mesmo? Sue Johanssen, acho.)

10 – O sexo fica melhor, sim. Mas como tudo, é preciso querer.

Muita gente reclama da falta de desejo sexual depois que se casa. Acho que rola um paradoxo aí. Quando a gente é solteiro, a gente tenta trepar o máximo de vezes possíveis, afinal, não temos idéia de quanto tempo o namoro ou caso vai durar nem de quando vamos ter sexo bom, seguro e garantido tão cedo.

Já quando nos casamos, a coisa está ali, acessível. Pode ser a qualquer hora, em qualquer cômodo da casa, sem ter que se preocupar se seus pais vão ouvir na sala ao lado ou se não se tem dinheiro pra pagar motel naquele dia.

 Acho que essa disponibilidade, essa facilidade do sexo a qualquer momento acaba “tranquilizando” a galera, que dá uma diminuída na freqüencia de relações, o que é normal (contanto que não caia de 4 vezes por dia para ZERO!)  mas isso não pode ser pretexto para diminuir a qualidade dessas relações, pô!

Novamente: criatividade, vontade, ousadia e tesão (claro) fazem parte do pacote.

Se tem algo que MATA o sexo no casamento, é a maldita ROTINA.  Não aquela rotina gostosa, familiar, mas aquela totalmente prática e sacal: contas a pagar, levar o cachorro no pet shop, reforma em casa, fazer faxina… tem que ter disciplina, pois se vocês se deixarem engolir por essas coisinhas pequenas que vão comendo o casório pelas beiradas, em menos de três anos vocês estarão em frangalhos, cansados da presença um do outro, achando que casamento é um amontoado de obrigações ridículas e vão se perguntar o que aconteceu com aquele fogo todo do começo de namoro. Vão relaxar.

E por falar em namoro, eis um dos segredos do bom sexo ao longo do casamento: NAMORAR É FUNDAMENTAL.

Saiam sozinhos, tenham tempo só pra vocês, longe das obrigações, filhos, sogra, cachorro e galinha. Se dêem presentes, fora de época, claro. Não deixem de lembrar das datas de vocês, pequenas demonstrações de carinho e atenção ajudam a manter a chama acesa.

Continuem pensando e fazendo sacanagens (de sexo, de sequiço!)  Vocês se casaram, não entraram para um convento… (agora, se vocês nunca pensaram ou fizeram sacanagens, bem…tenho pena de vocês)

E experimentem, sempre. Não tenham medo. Usem a intimidade e a solidez do relacionamento a favor de vocês. Aí é só relaxar e gozar, como diria nossa ministra (e sexóloga!)  Marta Suplicy.

11- O amor nem sempre é o suficiente para sustentar um casamento

É a mais pura verdade. Sempre me lembro de uma música do Van Halen quando penso nessa frase (Not Enough). Às vezes há amor, mas não há compreensão, comunicação, apoio, sinceridade, admiração nem respeito, nem dinheiro. É triste, mas muitas vezes um  casamento não sobrevive sem dinheiro. Já dizia minha avó “Nosso Amor e uma Cabana é muito bonito no cinema”, mas não rola na vida real. Não que todo mundo precise ganhar na Mega Sena pra casar, mas é preciso garantir o mínimo de conforto e condições para se ter uma família, ou então vai ser tudo um sofrimento só e o amor vai ser sufocado por outras necessidades.

12 – O custo de uma mentira geralmente é muito maior do que qualquer vantagem em dizê-la.

Isso é foda. É claro que não estou falando das “white lies”, inofensivas e divertidas  e sim daquelas que podem afetar o outro total e diretamente. Fiquei sabendo de um caso de uma menina que mentiu para o noivo que não podia ter filhos, tudo porque a dondoca não queria engravidar e engordar, enquanto o cara era LOUCO por crianças e daria tudo para ser pai. É claro que ela não aguentou a culpa de ver o cara se lamentando e dando todo cuidado a ela (na doce ilusão de que ela também estaria triste) e contou a verdade, disse que não queria ter filhos e ponto. É claro que eles se separaram, pois nesse caso não havia negociação.

O resto, se perdoa, se trabalha para esquecer e os dois se curam juntos porque  CONFIANÇA É ALGO QUE  LEVAMOS ANOS PARA CONSTRUIR E SEGUNDOS PARA DESTRUIR. E se se você tem dificuldade em PERDOAR as pessoas, querido (a), faça terapia e NÃO SE CASE.

É isso. Sejam felizes!

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Casar continua sendo bom…(apesar da propaganda contra)

20 Julho, 2007

Continuando minha série de conselhos inúteis para casadoiras ou pessoas que desejam ter um relacionamento estável e duradouro:

8 – Combinado não é caro (atenção!): AS ÚNICAS REGRAS NUM CASAMENTO SÃO AQUELAS QUE O CASAL ESTIPULA.

É isso mesmo. Ao contrário do que a sociedade e as religiões insistem, o casamento ou a relação estável, não é uma instituição engessada e imutável. 

É um relacionamento entre duas pessoas diferentes,  com cargas emocionais e criação muitas vezes opostas, problemas, traumas, idiossincrasias e que, apesar disso tudo, ainda acham que podem se tornar pessoas melhores e felizes convivendo, trocando experiências, aprendendo, crescendo e sendo companheiros.

Portanto, se para muitos casais, a suruba, casamento aberto, serem swingers, morar em casas separadas, dormir em quartos separados, ter duas privadas no banheiro para cagarem em união, roubar comida do prato um do outro, não ter filhos, ter pencas de filhos, morar no interior sem luz elétrica, morar no Centro de São Paulo ou adotar qualquer outro tipo de filosofia de vida e de regras próprias para o relacionamento foi algo perfeitamente combinado entre eles e todos vivem felizes com isso, questionar o modo de vida dos outros NÃO É DA CONTA DE NINGUÉM.

Aí o problema é quando um ou outro foge ao combinado. Quanto a isso, ler parágrafo - ”Todo mundo briga”…

Aprendam e se meter com a própria vida e sejam realizados e felizes  com o que lhes cabe nesta existência. Tenho dito.

9 – Compromisso não é prisão, é escolha.

Se tem uma coisa que espanta qualquer um que pense em casamento, é o tal do “compromisso”. Na minha opinião, ele se encaixa no tópico acima: é um combinado feito entre casais. Se vocês combinaram serem fiéis um ao outro e uma das partes (ou ambas, vai saber? Mas aí é caso de mudar o combinado, certo?) simplesmente NÃO CONSEGUIR, então é questão de se conversar, e muito. E se perguntar sobre o rumo da sua vida e do outro.

Acho que pelo simples fato de se encarar o compromisso como sendo escolha e não algo imposto já ameniza bastante sua carga. Muito do “peso” atribuído ao casamento vem de  lendas e  exemplos de uniões infelizes. Dividir´a vida com alguém é difícil, sim, óbvio. Mas viver só também é. É questão de balancear os prós e contras e ver o melhor para os dois. Viver com alguém, ou viver só. Vai de cada um.

Invente, tente, faça um casamento diferente. Existe felicidade e vida pós-casamento. Você nunca vai descobrir se não tentar.