As pessoas são engraçadas.
Acho que elas transferem a necessidade de se relacionar com alguém, ou contigo, no caso, para seu blog. Caso você tenha um, obviamente. Se não, pode esperar, porque elas vão acabar transferindo para qualquer outra ferramenta que por acaso te exponha no mundo virtual: Orkut, MSN, Google Talk Twitter, Skype, Del.ici.ous, Limão…e-mail, qualquer coisa que possa te ligar a elas. Qualquer coisa.
Mesmo que sua exposição seja comedida, discreta e até mesmo ficcional. Tais indivíduos acabam criando um laço melodramático e pseudo-sólido contigo por meio dela. Uma espécie de casamento virtual. MEDO.
As pessoas são malucas.
No começo, elas elogiam seu blog, seu texto, sua pessoa, suas opiniões, chegam a ficar excitadas! Como num flerte, um começo de namoro. Só no xaveco. E aí, na cabeça delas, pra você aceitar a corte basta responder aos elogios. Um simples “obrigada”, soa, para os freaks, como um: “sim, eu aceito ser sua amiga/confidente/mulher/namorada/amante/puta virtual para todo o sempre!”
As pessoas são assustadoras.
Aí vem a parte realmente doentia e chata da coisa: como em qualquer outro relacionamento, começam as cobranças: “Porque você escreveu aquilo?” “Não gostei do que você falou”, “Você anda muito chata, sem criatividade e xoxa no blog” , “Você poderia ter sido um pouco mais assim/assado naquele texto”,”Esperava mais agressividade de você”, “Porque você precisa ser tão agressiva?, Você tem problemas psicológicos”, “eu esperava isso, isso e aquilo de você”, Você me decepcionou profundamente…” blábláblá.
Então, em suas mentes doentias, o “relacionamento” acaba porque eu “não correspondi às expectativas” e assim, elas “te abandonam”, vagando pela internet à caça de outros (as) parceiros (as) para preencher seu vazio emocional-existencial.
As pessoas são tristes. E rasas. E simplistas.
Não entendem que uma bosta de blog é só mais um espaço onde alguém pode escrever o que bem entender, do jeito que bem entender, como e quando bem entender. E que, o que se escreve não necessariamente precisa refletir a opinião do escritor sobre determinado assunto. É um lugar de liberdade. Ao menos o meu, é. Não escrevo para agradar/desagradar ninguém.
Escrevo o que eu quiser, merda! Já leu o meu “about me/ Who’s that girl?” Então leia.
Um escritor pode e deve assumir vários papéis quando está escrevendo. Como se “recebesse” um santo, criasse uma persona, se pusesse no lugar de outro para ter uma ótica diferenciada, para simplesmente SAIR DO COMUM, criar uma narrativa diferente, irregular, estilizada…
Pode querer escrever um texto para provocar, instigar, excitar, fazer chorar, questionar, fazer rir. Mil coisas, mil emoções. É com isso que o escritor mexe. Tal qual um pintor, um compositor, um dançarino, um escultor…
O artista não pode ser responsável pela reação que sua obra provoca. Isso é muito subjetivo. Depende da interpretação de cada um. E isso é realmente um tiro no escuro.
Mas as pessoas não entendem isso. Se eu escrever aqui algo como: eu quero que todo mundo morra - vou ser encarada como uma genocida em potencial, uma louca desvairada, apesar de nunca ter matado um mosquito em toda minha vida.
Mas eu vou estar apenas usando uma figura de linguagem. Posso estar com raiva, posso estar aflita. Ou posso apenas querer que as pessoas pensem qualquer outra coisa, apesar de eu estar perfeitamente sã e bem. Eu quero que todos vocês, que não entendem nada do que eu escrevo, morram.
Quero ter a liberdade de escrever o que eu quiser, sem ser taxada de porcaria nenhuma.
As pessoas não sabem o que é um CONTEXTO. - do Lat. contextu s. m. - encadeamento das ideias de um texto; contextura; entrecho;
Gram: enquadramento sintagmático de uma unidade do discurso;
situação de comunicação; argumento.
Interpretam (quando o fazem…) um texto de modo literal, sem pensar ou se preocupar com o que o escritor quis dizer nas entrelinhas, qual papel assumiu na narrativa, quais reações quis provocar.
As pessoas se endureceram.
As pessoas perderam a poesia.
As pessoas levam tudo muito a sério.
As pessoas são um saco.