
Sexo no Cativeiro
10 Abril, 2007
(*Foto do meu adorado - Helmut Newton)
É sabido que, biologicamente, a paixão nada mais é do que resultado de uma reação química e que, por conta disso, tem um tempo curto de vida.
Ultimamente (o que não indica necessariamente que a situação tenha sido diferente em outras épocas, enfim) tenho recebido inúmeras notícias de que casais amigos meus, casados ou namorados de longa data, se separaram, por várias razões, entre elas a temível “perda da paixão”. E isso me entristece. Muito.
Por mais que eu aceite numa boa que certas coisas e pessoas sejam transitórias em nossa vida, fico me perguntando se a falta de paixão é o bastante para terminar com uma relação duradoura (só quem já passou por uma separação sabe o quanto ela é dolorosa) já que paixão e amor são coisas distintas, e se não vale a pena tentar se “re-apaixonar” pelo parceiro ou estender o tempo de sobrevida da paixão.
Vamos pela lógica: já que se trata de uma reação química, devem existir catalisadores capazes de reativar os componentes e fazê-los reagir, certo?
Por outro lado, isso dependeria da concentração e quantidade dos mesmos. E às vezes, a relação está tão desgastada que há consumo total. Não sobra nada para reagir.
Observando pessoas, reparei que quando se trata de discutir paixão, existem praticamente dois times: os românticos e idealistas, que acham que sem paixão é impossível viver e conviver com alguém e os realistas e complacentes, que se conformam com o esfriamento dela e prezam mais pela segurança e a constância do que pela intensidade num relacionamento.
É aquele velho discurso de nossos pais e avós: ”o que vale é o companheirismo, ter alguém com quem contar no fim da vida, a paixão é efêmera”.
E aí, com o passar dos anos, você se pergunta se não teria sido melhor ter dividido a vida com um amigo do peito ou contratado um enfermeiro particular do que ter passado por todo aquele perrengue e devastação que só os relacionamentos amorosos têm o poder de proporcionar…
Eu, como sou questionadora e tinhosa, fundo e fico no time do meio: o dos que acham que é possível sim, manter a paixão. Sim, pela mesma pessoa. E ser companheira dela, sem desenvolver um relacionamento meramente fraternal e deserotizado.
Deve haver um jeito de manter aquele erotismo saudável que gera o “fogo nas entranhas” e aquele brilho nos olhos essencial a todos nós. (E a pele! Ah, a pele fica linda!).
Eu quero acreditar no “pra sempre”. Só que sei que ele não vem naturalmente. Como tudo na vida, é preciso lutar. E estou disposta a isso. Já fui romântica e lancei sobre o parceiro uma tonelada de expectativas. Já fui realista e vivi relacionamentos rasos e inúteis. Hoje, quero apenas ser feliz.
Estou lendo um livro que fala sobre tudo isso, que tem me agradado MUITO e que mostra que eu não estou querendo demais, afinal, como sempre pensei. Existem de fato catalisadores para estender a sobrevida da paixão e fazê-la queimar durante muito, muito tempo.
Quando me deparei com ele na prateleira pela primeira vez, pensei que fosse outra pataquada d o tipo auto-ajuda e, como tenho um preconceito fodido com esse tipo de literatura, nem liguei. Pouco tempo depois, por coincidência li um artigo sobre ele no The New York Times e resolvi dar uma segunda olhadela. Adorei, cobicei e acabei ganhando-o de presente do meu amor.
Sexo no Cativeiro- Driblando as armadilhas do casamento - É um livro fascinante. É escrito pela terapeuta familiar Esther Perel, PhD em psiquiatria, que é Belga, estudou em Israel mas mora e clinica em Nova York, além de ser casada com o diretor do Programa Internacional de Estudos do Trauma da Universidade de Columbia, (do qual também faz parte) que dá assitência a refugiados de guerra. Ela brinca que o marido lida com a dor e ela com o prazer.
Como se não bastasse, a doutora é lindíssima, a cara da Michelle Pffeifer. Creio que isso deva ser um problema pra ela..ou para seus pacientes…enfim…
O livro tenta dar algumas respostas baseadas em dados científicos e casos clínicos à perguntas como:
-Porque o sexo já não é tão bom quanto no ínicio? Porque a chegada do primeiro filho pode significar um desastre erótico? É possível desejar o que já temos? A boa intimidade ou intimidade demais sempre leva ao bom sexo?
Para quem quer saber e se interessa pelo assunto, é um banquete. Você vai se surpreender, porque as respostas são tão contraditórias à cultura do “casamento moderno” que às vezes chega a dar raiva.
Ao mesmo tempo em que você se choca, acaba admitindo a legitimidade da coisa. É um livro sem fórmulas ou respostas prontas, (odeio isso!) do contrário, ele te faz pensar.
Só não vale encher o saco do cara querendo “discutir a relação” (eu juro que mato o idiota que inventou esse termo) a toda hora porque aí você vai praticamente assassinar a paixão, minha filha! Leia e ponha em prática…de outra forma. Garanto que ambos vão adorar.
Sexo no Cativeiro - Driblando as armadilhas do casamento-
Autor: Esther Perel
Ed Objetiva
R$ 34,00

