Arquivo da categoria ‘Gonzo Rules!’

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Vitaminado

16 Abril, 2008

Um de meus filósofos prediletos é Friederich Wilhelm Nietzsche. Sim, aquele mesmo, aquele que morreu louco, doido varrido e que, dizem por aí, as idéias inspiraram o nazismo. Mas muitas idéias inspiraram o nazismo, enfim…

Gosto da filosofia de Nietzsche porque, como eu, ele sempre foi um inconformado com o status quo , um apaixonado pela vida em sua totalidade. Uma ironia, pois foi engolido por suas próprias idéias na ilusão de alcançar o tão almejado equilíbrio, mental, filosófico, espiritual e intelectual. Na ilusão de querer mudar o mundo.

Pouco antes de desenvolver problema mentais, ele escreveu a um amigo: “Outros precisam fazer melhor minha vida e meus pensamentos”…(E e aqui estamos nós, seus fiéis seguidores…) e em seguida, tudo aconteceu rapidamente, como num videoclipe acelerado: ele não conseguiu mais ter equilíbrio. O filósofo do “martelo” refugiou-se novamente no cristianismo que tanto combateu, transmutou-se mais uma vez com espuma na boca à condição de “leão” e gritou seu não! Num espaço vazio e sem eco.

Algo nele de repente queria tomar as rédeas do mundo. Ele escreveu bilhetes confusos a pessoas com as quais não convivia há tempos e os assinou como “o crucificado”.

Almejando alcançar a “insustentável leveza do ser”, o pai do “eterno retorno” tomou o peso para si, no esfolamento de seus invólucros revelou-se a ele subitamente um espírito do fardo.

Em Turim, Nietzsche viu pela janela de sua hospedaria, um cocheiro chicoteando sem misericórdia seu cavalo; ele abraçou a pobre criatura e então caiu no fogo escuro de seu próprio “abismo”.

Dez anos depois de perder a razão, passando a viver uma vida vegetativa sob os cuidados de sua mãe e irmã, Friedrich Nietzsche morreu em 25 de agosto de 1900. Mas sua filosofia contudo, sobrevive com portas e janelas, sempre, sempre abertas.

Eis algumas “vitaminas filosóficas” de Nietzsche que gostaria de compartilhar com vocês:

-Just do it (foi Nietzsche quem criou o slogan da Nike)

“Não confie num pensamento que vem quando você está sentado”. Estar em movimento para Nietzsche, não significa necessariamente viajar, caminhar, correr e andar, mas sobretudo PENSAR. A prática é tudo. Os pensamentos estão aí para ser colocados em prática. A filosofia pode e deve transformar-nos. Preste atenção se um pensamento apenas ensina e informa ou se vitaliza, propulsa e o leva a entrar em ação.

E aja.

-Não subestime os pequenos começos

O efeito da transformação é profundo, portanto, ela deve ser paulatina, através de um treinamento constante. Nietzsche defende as pequenas mudanças. Mega-projetos, novos e complexos são naturalmente belos, mas em geral não mudam de verdade nosso comportamento. O filosofar nietzschiano abre nossos olhos para o que está próximo e é habitual. Fique alerta e tome pequenas doses.

-É melhor ser alegre que ser triste…

O espírito do fardo está ligado ao dever. Em Gaia ciência o filósofo nos ensina a ter alegria de viver, leveza e exatidão. As grandes verdades não existem. Portanto, com disposição e alegria, nós podemos sair em busca das pequenas verdades da vida. Cometer erros e fracassar faz parte do trabalho. Persevere e não minta para si próprio.

-Não se reprima…

Nenhuma mudança acontece sem causar incômodo. Nietzsche nos desafia e nos exorta a permitir esse incômodo, pois somente inquietos e incomodados nos movemos rumo à mudança. Sua própria filosofia é um incômodo. Primeiro transforme-se, a compreensão do que aconteceu só vem depois…quando vem.

-O importante é o que importa

Nietzsche sugere que nos lembremos daqueles momentos nos quais de fato estivemos felizes ou amamos verdadeiramente para sempre voltarmos a experimentar esses sentimentos, genuínos, para não nos deixar enganar. Sendo assim, irradiamos suas remiscências sobre o que fazemos no presente e no futuro. É preciso se concentrar no que se quer, de verdade.

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Coisas que escondemos

27 Janeiro, 2008

Outro dia estava vendo um debate no GNT que me incitou a essa pergunta. O que nós, mulheres, escondemos dos homens? Não estou falando de coisas simples, prosaicas ou óbvias como uma traição, celulite ou nossa idade, por exemplo, mas daquelas que guardamos dentro de nós e que, por algum tipo de insegurança, medo de sermos mal-interpretadas ou não-aceitas, acabamos escondendo. Vou arriscar algumas aqui, endossem ou retruquem:

Força - Eu acho que um de nossos segredos mais bem guardados dos homens e talvez o principal deles, seja nossa força. Não a física, obviamente, mas a emocional. Por vivermos numa cultura tipicamente machista que não sei porque diabos se esbalda em demonstrar força e poder, ficamos meio que acabrunhadas em demonstrar nossa força com medo de que eles não nos entendam e muitas vezes nos fazemos de fracas para não “anularmos” o senso de proteção deles. Acho isso curioso.

Fraquezas - Em contraponto à força, vem o fato de escondermos nossas fraquezas. Parece estranho, mas é verdade. Somos fortes, mas tudo tem limite. Essa tal de “mulher moderna e independente” que inventaram aí parece que não tem o direito de demonstrar qualquer fragilidade, a mínima que seja. É desmedido, concordo, mas é o preço que pagamos pela tal “igualdade” entre sexos, pelo qual sempre lutamos (ou lutaram, porque eu não acho que somos iguais…enfim, já escrevi sobre isso aqui).

O engraçado é que parece que fazemos questão de esquecer que qualquer ser humano, independente do sexo, tem fraquezas! Às vezes nos incomodamos em coisas pequenas e temos medo de, justamente pelo fato delas serem pequenas, sermos taxadas de medíocres e fracas. Ciúmes, medo, inseguranças, nóias, traumas e outros fantasminhas que nos atacam vez ou outra (não sempre) e que precisam ser confessados. E quando o são, são um alívio. Um abraço e um olhar compreensivo curam tudo e você fica bem. Ao menos até o próximo surto. O cara não entendeu? Porra, então ele tem mais problemas que você. Larga desse traste.

Inteligência - (e isso engloba: competência, e demais inúmeras capacidades) Ah, eis um quesito polêmico. Eu nunca tive que passar por isso, porque sempre caguei e andei para caras do tipo,(sempre os assustei, na verdade) mas sei de amigas que precisaram “se fazer de burras” para conseguir com que algum idiota inseguro (mas bonitinho) que ficava intimidado com o nível de cultura delas ou pela posição social, ou até profissional, se aproximasse.

Esse assunto também é antigo. Não preciso dizer que, ao longo da História, a mulher muitas vezes teve que se fazer de morta para comer o cu do coveiro. Ou preciso? Mulheres inteligentes sempre foram uma ameaça para governos, sociedades, estruturas familiares, negócios e comunidades em geral. Primeiro, porque somos altamente manipuladoras, o que não deixa de ser um traço de inteligência. Segundo, porque nossa moeda de barganha (as feministas mal-comidas que me perdoem) sempre foi o sexo. E difícil o homem que não se rende a ele. Com ele, a maioria das mulheres sempre conseguiu o que quis, de um modo relativamente rápido e..não tão difícil.

Homens que precisam estar sempre por cima, (oops) sentir-se superiores e que não conseguem lidar com o fato de que existem mulheres tão ou muito mais cultas, inteligentes e bem sucedidas que eles são uma BOSTA COMPLETA. E o pior é que para não ficar sozinha, tem muita mulher fazendo esse joguinho da “Maria-sem-braço”. Eu digo que não há nada mais FEIO numa mulher do que o desespero. Ah, não tem. Nem bota branca, nem raiz do cabelo aparecendo. Nada bate o desespero.

Desejo - Outro fruto da sociedade imatura, hipócrita e machista em que vivemos. A mulher “correta”, “de família”, “decente”. tem que ser praticamente uma “santa”. Sei que parece exagero e discurso do século passado, mas não é. Ainda hoje, para a grande maioria, é assim que funciona. A mulher tem que se vestir de modo recatado, não ceder aos avanços dos homens, não demonstrar quando sente desejo, fantasia ou tara sexual e, na cama, só fazer o básico. Essa sim, é a “pra casar”. Por outro lado, enquanto elas se preocupam com o que eles vão pensar, eles procuram as “putas”, as “avançadinhas” e as “faladas” para se divertir. Irônico, não? Ou trágico, sei lá.

Bem, não tenho nem o que falar sobre isso. Certos homens simplesmente não conseguem lidar com a liberdade e o domínio que a mulher tem sobre seu próprio corpo e sexualidade. Estranham o fato de gostarmos de sexo e logo vão nos olhando com aquela cara de “hmmm, safada!” - simplesmente porque falamos sobre o assunto com a mesma naturalidade com que falamos sobre gastronomia ou literatura, por exemplo.

Algumas mulheres tem fantasias sexuais incríveis (aliás, as fantasias sexuais femininas são, de longe, mil vezes mais sujas e excitantes que as masculinas) e se reprimem por medo de serem taxadas de vagabundas pelos maridos e namorados. É realmente triste. E por conta disso e de outras coisas é que o Brasil figura o ranking (preciso confirmar a posição, não é pequena não, mas só pelo fato de estar no ranking é podre) de países onde habitam as mulheres mais insatisfeitas sexualmente no mundo.

Alguns homens não conseguem lidar com o fato de que a mulher é dona do próprio corpo, e pode transar com quem ela quiser, na hora que quiser, do jeito que quiser, quantas vezes quiser e aonde ela quiser. Ela não precisa pedir permissão, nem pagar promessa, nem levar mil chibatadas, nem rezar dez milhões de Ave-Marias. Ela é LIVRE para sentir prazer. Como os homens são.

O mais triste é que nem as próprias mulheres tem consciência disso. São raras e incrivelmente felizes as que tem.

Pode reparar. A gente reconhece quando uma outra mulher transpira sensualidade. Não estou falando de vulgaridade e sim do real e verdadeiro sex appeal. O modo de andar, de sorrir, de olhar, os gestos, as caras e bocas, os cheiros que ela exala, as roupas que ela usa, o cuidado com a aparência. Sua simples presença é magnética. É bonito de se ver uma fêmea que tem consciência das armas que possui e as usa com maestria, na dose certa, na hora certa, com as pessoas certas.

Mas as recalcadas vão logo taxá-la de prostituta, maldita, ladra de homens e outros adjetivos que denotam a mais pura e vil INVEJA e INCOMPETÊNCIA da parte delas.

Não conseguem admitir que a outra conseguiu chegar em um patamar que elas sempre almejaram, mas que, por medo (ou de si mesmas ou dos homens e da sociedade) não se permitiram.

Esse assunto é vasto e rende muito. Mas acho o fato da maioria das mulheres esconder o “furacão” que carrega dentro de si, um crime contra elas mesmas.

Perceberam como a gente se auto-sabota? É incrível!

E então, o que mais vocês acham que escondemos dos homens? Opinem! Confessem! Salve-se quem puder! E quiser.

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Séquiço na História

25 Janeiro, 2008

A História Mundial foi pontuada pelo sexo. Reis e rainhas, comandantes e conquistadores, escritores, dramaturgos, músicos e todo o tipo de artista… todos eles, em algum momento, por puro interesse político ou por pura putaria, se renderam aos prazeres da carne e deixaram seu rastro (urgh) na história da humanidade Eis alguns relatos interessantes sobre alguns personagens de nossa história…

  • Comecemos pela sempre enigmática Cleópatra, que, dizem os arqueólogos, era feia, nariguda e tinha cabelo ruim. Cléo começou sua vida sexual como as menininhas de hoje em dia: aos 12 anos de idade, e pior, com seu irmão, Ptolomeu. Pegou tal gosto pela coisa que nunca mais parou, criou fama e deitou na cama. Em várias, aliás. Diz a lenda que a rainha aprimorou seus dotes num bordel de Alexandria e que era capaz de receber 100 homens em uma única noite….e nenhum se decepcionava. Eis uma b*** abençoada pelos deuses, digam lá…
  • Mas isso é pouco perto de outro tarado, o Rei Salomão, que durante seus 40 anos de reinado teve cerca de 700 esposas e mais de 300 concubinas. Dizem que ele podia passar dois anos de sua vida sem dormir com a mesma mulher. As “minas” do Rei Salomão, no entanto, brigavam entre si para ver quem o monarca iria escolher para passar a noite com ele. Saia até morte! Vale dizer também que, apesar de tanto desfrute, Salomão ainda teve tempo de escrever 2 livros da Bíblia (Eclesiastes e Cântico dos Cânticos), reconstruir Israel, construir um dos maiores e mais belos templos da antiguidade, ser considerado um dos homens mais sábios que já existiu e ainda por cima ser humilde e concluir que era “tudo, tudo vaidade.” - Eita cabra bom!!!!
  • Já na contramão da coisa toda, a Rainha Victoria (tataravó da rainha Elisabeth II da Inglaterra) foi uma rainha orgulhosa e frígida e por isso, uma terrível repressora sexual. Pra vocês terem uma idéia, a véia não fazia a menor idéia de que lesbianismo existia até que lhe apresentaram uma lei anti-homossexualismo para aprovar. Como não sabia o que era lesbianismo e nem queria descer do salto e perguntar para seus súditos do que se tratava, tirou toda e qualquer referência ao lesbianismo da tal lei. Por causa da ignorância sexual da rainha e de seu orgulho, o homossexualismo se tornou ilegal em todo o Reino Unido, enquanto o lesbianismo é perfeitamente legal.
  • Espancamento e outros fetiches sado-masoquistas eram o máximo do prazer para o filósofo e romancista francês Jean-Jacques Rousseau, iniciado no masoquismo aos 11 anos por conta de uma professora primária que o espancava cada vez que ele soletrava uma palavra de modo errado.
  • Outro que adorava um sofrimentozinho: Fiódor Dostoiévski, que se realizou vivendo uma vida tuberculosa e casando-se com uma russa feia, frígida e sado-masoquista.
  • Fotografar bundas alheias era com nosso amiguinho Adolf Hitler, que mantinha em secreto uma coleção de fotos delas. Inclusive algumas reais, conservadas em formol, dizem. Ele ainda adorava botas, chicotes, livros (livros???) e filmes pornográficos, em especial os judaicos (rá!). Consta que, apesar de ter se casado, morreu virgem. Isso praticamente explica toda a II Guerra Mundial e o Holocausto.
  • Charles Chaplin era chegado em ninfetas. E conseguia todas elas. Pior, com aquela cara de bobo, adorava mesmo era uma suruba das boas. Agora sim, tá explicado o modo engraçado com o qual ele andava.
  • Napoleão Bonaparte gostava de sexo animal: rápido, furioso e barulhento. Dizem também que, para não quebrar uma célebre tradição francesa, gostava de mulheres fedidas, vide os famosos bilhetes que mandava para sua amante, Desirèe onde ordenava: “Chego hoje. Não tome banho” - URGH! A festa do baixinho porém, acabou cedo. Aos 40 anos, uma disfunção das glândulas endócrinas acabou por reduzir seu pênis a pouco mais de 2 cm. Eis o porque ele optou por ficar de quatro e acabou perdendo a guerra.

  • Aprendam com o mestre! O grande conquistador Casanova usava metade da casca de um limão como anticoncepcional: além de funcionar como barreira, fornecia a acidez necessária para matar os espermatozóides. Mas tem que ser um limão rosa, vá…se for um siciliano….fudeu!
  • O grande e majestoso imperador Júlio César (aquele mesmo que Cleópatra traçou) era chamado de “o marido de todas as mulheres e a esposa de todos os homens”. Era pura política, baby!
  • Hipócrates, aquele mesmo, o pai da medicina, não era lá muito chegado em sexo. Ele chegou a descrever o orgasmo como uma ” pequena epilepsia”…bem que ele poderia ter sido um pouco mais romântico, como os franceses, por exemplo,que o chamam de “pequena morte”.
  • George Bernard Shaw foi seduzido aos 29 anos por uma viúva rica e véia (seduzido?..hmm..sei) Ele odiou tanto a experiência que ficou traumatizado, tornando-se celibatário, tendo repulsa ao sexo e nunca, jameis, em hipótese alguma, escrevendo sobre.
  • Nerds will be nerds - Dizem que Isaac Newton e Emmanuel Kant nunca transaram. Nem entre eles, nem com mais ninguém…o que explica todo o tempo que tiveram para escrever aquela pataquada toda como lei da gravidade e tratados da putaqueopariu.
  • Goethe tinha ejaculação precoce. Não me perguntem como é que descobriram isso.
  • A mulher de James Joyce, Nora Bernade, dizia em alto e bom som que o marido não entendia lhufas de mulheres. Dizem ainda que Joyce gostava de Wando e que mantinha calcinhas no bolso do paletó, para cheirá-las de vez em quando. Calcinhas sujas.

E para fechar com chave de pêlos, digo, de ouro:

  • Vocês sabia que existiam perucas púbicas? Pois é, no alto do século 17, as mulheres que achavam que a perseguida precisava de um pouco mais de…volume, criaram as ditas que acabaram se chamando bowser. Havia de várias cores, com fitinhas e lacinhos. Coisa de inglês. E olha que inglês nem gosta de sexo!

* (Pesquisa feita através de fontes diversas, desde números antigos da Revista Nova até alguns sites de curiosidades da Internet)

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Segunda.

3 Dezembro, 2007

Nunca fui fanática por futebol, como meu avô era, por exemplo. Gosto de assistir, gosto de torcer, entendo o bastante para discutir jogadas e regras mas nunca fui doente pelo ludopédio.

O que não dá pra negar é que ele é preferência nacional. Queiram os pais ou não e até as crianças gostando ou não, acabam sendo criadas dentro do universo do futebol. Através do apelo da TV, da escola, dos colegas, de outros parentes…

Por essas e outras me lembrei de meu avô ontem, já que foi ele a primeira pessoa a me apresentar ao esporte. E ao meu time.

O Corinthians.

Me lembro da camisa preta listrada de branco que ganhei dele quando era pequena. Usei até puir e não me servir mais. Depois, quando meu umbigo já aparecia, ela passou para as minhas bonecas…depois se desintegrou e eu tive que jogar fora.

Também me lembro como se fosse hoje, de meu avô sofrendo, ficando vermelho feito um peru, ajoelhando-se e cruzando os dedos de cara para a TV frente a um lance decisivo ou jogando o copo de whisky ou a latinha de cerveja na parede, (ou qq coisa que tivesse à mão) xingando em espanhol, quando de um passe errado, erro do juiz (ou o quando ele julgava ser um erro do juiz..rsrs) ou gol perdido.

E tinha o papagaio também. Não me lembro o nome dele, só me lembro de que o bicho cantava o hino do time de cor e salteado, às vezes empacando numa estrofe por horas a fio:

“..o campeão dos campeões, o campeão dos campeões, o campeão dos campeões…currupaco!” - andando de um lado para o outro, nervoso, no poleiro.

Meu avó se transformava quando o Corinthians jogava. Ficava afável e dadivoso quando o time ganhava e irado e impetuoso quando este perdia. Era 8 ou 80. Terrível. Nossa sorte na semana era ditada pelo jogo do Corinthians no domingo.

Mesmo assim, acho que foi essa paixão que me inspirou. Eu também queria sentir aquilo, torcer, ser arrebatada e me expressar daquele jeito. Meu avô não era um homem lá muito carinhoso e na minha cabeça de criança se eu também fosse corinthiana teríamos algo em comum e quem sabe, fôssemos mais próximos.

Só sei que sempre associei o Corinthians à paixão, festa, arroubos animalescos de raiva e conquistas. Intensidade. Fogo nas entranhas.

Fui um sentimento paradoxal o que me tomou ontem, quando meu time caiu para a segunda divisão.

Fiquei triste, obviamente, já que se trata de algo nada agradável o que aconteceu. Mas, para quem já vem acompanhando a trajetória do time de uns tempos para cá, até que achei bom.

Sei lá, ficou um sentimento de que “quem sabe agora, amargando, caindo, chegando ao fundo do poço o time não recupere o brilhantismo de outrora, a garra e o talento que faltavam atualmente e que no passado fizeram sua fama.” Sou daquelas que sempre tira uma lição das derrotas. E força. Sempre.

Também fiquei triste pela nação corinthiana, “fiel, maloqueira e sofredora”. Fiquei triste por essa gente humilde cuja única alegria se resume às conquistas do time do coração, já que não sobra mais nada nem no bolso nem no cérebro, nem no espírito para tomar alguma atitude útil e válida na vida. Não que isso justifique um monte de coisas…mas generalizar também não seria justo. Então, resta tentar compreender. E se entristecer.

Paradoxal porque fiquei feliz e triste por meu avô não ter durado o bastante para ver seu time do coração cair para a segunda divisão.

Porque, com certeza, se o homem estivesse vivo, teria batido as botas de desgosto ontem.

Espero que agora, mais do que nunca, a estrofe: ” teu passado é uma bandeira, seu presente, uma lição” seja gravada a ferro e fogo nos corações corinthianos que “não se enganam, doutor.”

É isso aí. Bola pra frente. Em direção ao gol, de preferência.

Salve o Corinthians,
O campeão dos campeões,
Eternamente
Dentro dos nossos corações.

Salve o Corinthians
De tradição e glórias mil;
Tu és o orgulho
Dos esportistas do Brasil.

Teu passado é uma bandeira,
Teu presente, uma lição
Figuras entre os primeiros
Do nosso esporte bretão.

Corinthians grande,
Sempre Altaneiro
És do Brasil
O clube mais brasileiro.

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Um blog é um blog, é um blog, é um blog…

31 Outubro, 2007

Vira e mexe isso acontece, estou meio cansada de blogar. Não porque não tenho nada a dizer, pelo contrário, mas ainda assim, por mais que eu ameadore escrever, prefiro dizer pessoalmente, num bom papo entre amigos, numa mesa de bar, ou em casa numa noite especial, regada a muita música boa, bebidas e presenças sempre queridas.

Prefiro interagir, reparar em expressões e gestos, em sons de risadas e gritos, em palavras carinhosas ou desafiadoras, sentir cheiros, gostos, humores, o clima.

Estou meio de saco cheio dessa blogsfera onde todo mundo tem que saber do último assunto do momento e ter uma opinião super hiper engraçada ou capciosa sobre ele.

Ou até mesmo inventar assunto. E uma opinião sobre. E uma polêmica, pra agitar.

Nada contra blogs de poesia e contos, por exemplo,  porque aí é arte pura e por isso, sempre benvinda (er..nem todos os blogs são arte pura mas, enfim…fazendo a generosa…)

Às vezes não tenho opinião sobre as coisas logo de cara. Outras vezes não quero falar sobre o assunto, ele pode ser muito chato, muito pedante e minha opinião é que todos já deviam ter opinião sobre ele, ué. A minha não vai ajudar em nada.

Tampouco me sinto confortável em  ficar falando sobre minha vida, relacionamentos, episódios… sobre a vida dos outros então, nem se fala. Odeio isso. Cada um que cuide de seu próprio mundo.

Sobre artes em geral, bem, está todo mundo careca de saber que adoro cinema, quadrinhos, pintura, dança, teatro e literatura. Nem por isso quero me sentir obrigada a fazer uma resenha de cada filme que vejo, exposição que visito ou espetáculo que assisto.

Por isso, por vezes, posto videos de música, ou uma poesia, ou uma foto, ou uma frase ou passo dias, semanas, sem postar porra nenhuma.

Nesses dias de overdose de informações, acho que estou ficando cada vez mais low profile. Ou seria slow profile? - As notícias me cansam. Sério. Pode até ser encarada como uma falta grave tal revelação ser feita por uma jornalista, mas cansam.

Em todo lugar existe todo o tipo de notícia sobre todo o tipo de coisa …e infelizmente a maioria delas com o mesmo enfoque, o mesmo tom, o mesmo assunto. 

E não quero que esse blog seja mais um agente da mesmice mundial.

Não há nada de novo debaixo do sol, a maioria dos veículos de comunicação não apresenta nada desafiador, que faça refletir, nada capaz de mudar formas de pensar ou até instigar o pensamento, capaz de mudar a vida de alguém.

É tudo fast food. Processado com sabor, cor e odores propícios para a deglutição e  satisfação imediata da fome de informação, sem maiores cerimônias, sem calma, sem reflexão, sem degustação, sem fazer pensar.

Não vejo jornal, leio raras revistas, e de vez em quando leio jornal impresso. Fico sabendo das coisas ou por releases que recebo ou pela internet, que também é super a jato. Boa e ruim ao mesmo tempo… depende de quem lê.

E quem lê, se quiser mais, acaba ficando com fome.

O problema do povo receber notícias em tempo real e de forma ininterrupta é que não tem respaldo cultural nem intelectual para formar qualquer opinião sobre qualquer tipo de assunto. Sabe por que?  Aí é o axioma de Tostines: porque se acostumaram a não se aprofundar em nada, porque tudo lhes foi passado de supetão, pela metade,  goela abaixo.

Todo mundo sabe de tudo um pouco, mas só por cima, só de ouvir falar. E aí, em consequência disto, acabam gerando  mais informações e opiniões capengas, unilaterais, pobres, pela metade, inúteis.

Mas, bah..quem sou eu, não é mesmo? Vou ficando por aqui. Nesse mundo tão cheio de opiniões mega relevantes sobre assuntos totalmente fúteis, creio que a minha não vá fazer a mínima falta.

Au revoir.

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Alguém merece?

15 Outubro, 2007

Não fui ver Tropa de Elite. Nem quero ver e pra falar a verdade não estou nem um pouco interessada na nova mania nacional.

Talvez eu assista, se algum amigo meu me emprestar o piratão, mas não pago cinema pra assistir essa bosta. No way.

Por que? Porque eu acho isso tudo uma hipocrisia sem tamanho.

Quem tem o mínimo de interesse em assuntos como criminalidade, ação da polícia, política e violência urbana no Brasil, sabe o enredo do filme de cor e salteado. Aliás, está cansado de assistí-lo. Se fosse um tema diferente, quem sabe eu me interessaria…

E porque esse frisson todo em cima de um tema tão batido?

O poder do marketing. A elite descobriu que mora num paiseco de  3º mundo e não em Mônaco. Descobriu que é vulnerável e que tem medo de morrer como qualquer pé- rapado. Descobriu que  não pode sair por aí desfilando e ostentando seus bens como se estivesse num vilarejo europeu, porque aqui corre perigo de vida.

Porque nesta república de bananas se mata e se morre por dinheiro. Aliás, se mata e se morre por qualquer coisa que dê o mínimo de estabilidade e esperança.

É um país de desesperados e desesperançosos, que elege, num ritmo frenético, ídolos capengas e ignóbeis, simplesmente porque não possui e não sabe o que são valores, não têm a mínima idéia de sua serventia. Não tem referência de nada.

É um país sem consciência. Débil, demente, perdido, esquecido, louco.

Hoje de manhã vi a capa da Revista Época na banca e quase morri de rir. Mas foi aquela risada nervosa, desesperada, quase psicótica, sabe? Não foi uma risada saudável.

A tal capa ostentava a foto do apresentador e empresário Luciano Huck, que, pobrezinho, teve seu relógio Rolex de $48 mil roubado num farol de trânsito em SP, com a seguinte manchete, que indagava:

“Ele merecia ser roubado?”

Ora, peloamordesantocristo, alguém poderia fazer o grande obséquio de me elucidar o PORQUE DIABOS ALGUÉM MERECERIA SER ROUBADO?

O que dizer sobre os milhares de brasileiros que são roubados TODO SANTO DIA, que muitas vezes acabam mortos por um par de tênis, um carro ou qualquer outra coisa de valor muito menor que o Rolex do incauto (sei…) mauricinho?

Devemos viver em universos paralelos, não é possível. A elite NÃO SABE que o povo passa fome, que morre de frio, que tem barraco soterrado, que perde tudo na enchente, que está sem eira nem beira? Sem perspectiva, sem vida? Meu deus, meu deus…mêodeos.

Eu tenho vontade de chorar. Mas nem sei se é de tristeza. Talvez seja de vergonha.

Sei lá…