
Aranha Emo
7 Maio, 2007
Fomos assitir Homem-Aranha 3, no domingão, depois de almoçar capelleti na mamma. Me & Bob McGee.
O cinema estava relativamente cheio, sentamos ao lado de um simpático garotinho de 9 anos que nos alugou veementemente durante todo o tempo da projeção, aliás. Mas, isso não nos incomodou, aproveitamos para catequizá-lo nos quadrinhos : ) e para divulgar a revista na qual trabalhamos, of course (Mundo dos Super-Heróis).
Homem-Aranha 3 é, sem dúvida, o mais fraco da trilogia. Acho que, por ser o último, a história ficou meio confusa, muito cheia de personagens. Decerto Sam Raimi quis queimar todos os cartuchos e escolheu as figuras mais interessantes do HA para dirigir, antes que outro diretor assumisse a franquia, já que seu contrato (e o dos atores) chegou ao final.
Mas o mais engraçado é que isso não torna o filme ruim de forma alguma.
Vilões clássicos das histórias do Aranha, Homem Areia (interpretado por um incrivelmente bombado Thomas Hayden-Church) e Venom (Topher Grace, o hilário Eric Foreman de That 70’s Show), sem falar do Duende Macabro, (James Franco) filho do Duende Verde, protagonizam cenas assustadoramente vertiginosas de ação, daquelas - com o perdão do lugar comum - de tirar o fôlego, MESMO. De fazer você esmagar a mão do namorado, ou na falta de um, o braço da poltrona.
A velocidade e o dinamismo das cenas é tamanho que você chega a ficar zonzo. A movimentação de câmera também é bem legal, com ricochetes, planos inusitados e a dispensa do “camera still” ou do tripé (o que faz com que as imagens fiquem levemente tremidas) e dá aquela sensação de “realidade”. Achei essa linguagem sofisticada para um mero filme baseado em HQ, muito boa.
Por falar em HQ, como já devo ter mencionado em textos anteriores que, em minha opinião, oAranha é a MELHOR adaptação do gênero para o cinema. Sem discussões. Desde o primeiro filme, eu que sou leitora e colecionadora regular (leia-se: nerd), tive a sensação de que as histórias haviam simplesmente saltado das páginas dos quadrinhos para a telona. Perfeito. E isso continua no 3.
Dispenso purismos e nerdices que ditam que um filme baseado em HQ precisa ser IGUALZINHO às revistas porque tratam-se de linguagens completamente diferentes (apesar de ambas serem seqüenciais). Há mudanças significativas sim, como por exemplo, o fato de Gwen Stacy (Brice Dallas-Howard) aparecer só agora (nos quadrinhos, ela é anterior à M.J.) mas essa, entre outras mudanças, não influenciam em nada a história. HA continua sendo pura HQ no cinema.
Por sua vez, os efeitos especiais estão animalescos. Destaque para as sequências em que Flint Marko se transforma em Homem Areia e o simbionte toma o corpo do Aranha e de Topher Grace, transformando-o no Venom. Muito, muito bonitas. A fotografia também é bem legal e é claro, viva a computação gráfica!
Sam Raimi, no final das contas, é ótimo para esse tipo de filme porque sabe dosar magistralmente comédia, ação e drama. Mas com certeza, dentre todos, Homem-Aranha 3 é o mais dramático.
Ele lida com sentimentos densos como vingança, a força destrutiva do ódio, orgulho, abnegação, amizade verdadeira, bondade e maldade inatos e o poder transformador do perdão. Que só te transforma quando você perdoa a si próprio e aos outros.
Lida também com erros. O fato de que todos erramos e de que o Homem-Aranha, apesar de ser um super-herói, também é falho, fraco em alguns aspectos. Ele é humano, afinal.
A parte em que o simbionte - um alienígena que “gruda” no corpo de Peter fazendo aflorar seus piores sentimentos - domina o bom moço é ao mesmo tempo engraçada, totalmente puritana (americana, claro) e densa. Só acho que eles exageraram na caracterização. Quando está sob domínio do ser estranho, o inocente e angelical Peter Parker ganha cabelos pretos, uma leve franjinha caída na testa e olhos levemente escurecidos por kajal Ou seja, vira EMO. Meio forçado.
Analisando o total, me emocionei, mas o roteiro poderia ser melhor. Aranha é um personagem apaixonante e repleto de dilemas, um herói dentro de um homem, um homem dentro de um herói. Ver um personagem que te acompanhou durante a infância e adolescência ganhar vida no cinema é sempre, sempre bom, apesar de eleger o 2 como meu predileto. Ah! Stan Lee (criador do Aranha) aparece mais dessa vez e tem até um diálogo com Peter Parker. O velhinho merece.
O resto dos exageros (e são muitos) são totalmente perdoáveis, afinal é quadrinhos bêibe. Deliciosamente irreal e altamente simbólico. (leiam O PODER DO MITO!)
De real já basta a vida, certo? Às vezes acho que ela é real até DEMAIS…
Enfim, espero que você goste.


