
Why so serious?
16 Julho, 2008Pois é, fui na cabine de “Batman - O Cavaleiro das Trevas”, de Christopher Nolan, que estréia nos cinemas nesta sexta-feira (18/07) e …pirei.
Como vocês vão sofrer praticamente uma enxurrada de críticas sobre o filme (a net já está lotada delas) vou deixar aqui só minha leve opinião.
Se quiserem mais infos sobre enquadramentos, luz, trilha-sonora, figurino e blábláblá, leiam por aí. Se é que alguém dá importância a essas coisas num blockbuster, enfim…
Bem, como direi? São duas horas e meia de pura adrenalina, sem encheção de lingüiça. É right to the point, um soco no baço. No escuro, ainda.
Pra vocês terem idéia, saí do cinema pilhada, transtornada mesmo, devido ao ritmo frenético e às cenas de ação completamente loucas do filme. Levei algumas horas para me acalmar. Não me lembro de ter saído de um filme assim, tão nervosa, desde Seven, os Sete Pecados Capitais, de David Fincher, um de meus diretores prediletos.
Em Batman as cenas são absurdas. Absurdas no bom sentido. São tantos elementos em um mesmo take que você fica meio baratinado, não consegue prestar atenção em todos os detalhes, o jeito é tentar pegar a idéia geral (do tipo: “Batman está ali tentando salvar fulano de tal e derrubar os planos do Coringa, por exemplo) pra não se perder, porque vc fica tonto, facinho, facinho.
O roteiro é cheio de meandros, reviravoltas e sutilezas, muito, muito bom. Tem pitadas de graphic novels clássicas como: “Cavaleiro das Trevas”, “Batman, Ano Um” , “Batman Asilo Arkham” e “A Piada Mortal”, visíveis em algumas falas, retiradas ipsis literis dos quadrinhos (só quem é fã mesmo vai reconhecê-las).
O Coringa rouba totalmente a cena. Aliás, o filme deveria se chamar: “Batman meets the Joker”, porque, é inegável o magnetismo e a interpretação sublime do finado Heath Ledger na pele do melhor vilão de quadrinhos de todos os tempos. Sua personalidade exuberantemente doentia sobrepuja o espírito taciturno e contido de Batman e o relega a um mero papel coadjuvante. Crucial, mas secundário.
A catarse de Heath Ledger chega a ser tocante, digna de palmas, tive vontade de me levantar e gritar “BRAVO!” no cinema. Como fâ inveterada de quadrinhos, tive muito orgulho e lamentei terrivelmente pela morte de alguém tão, tão talentoso. Aliás, isso já havia ficado bem claro em “O Segredo de Brokeback Mountain”. O cara era bom.
Se depois de ter visto a interpretação de Ledger ,Jack Nicholson ainda insistir em dizer que a sua é insuperável, trata-se de sinal latente de esclerose múltipla o que faz da declaração (e do declarante) algo digno de pena.
O Coringa de Ledger É o Coringa. É o personagem encarnado em seu mais profundo grau de insanidade e demência. A caracterização, os trejeitos, a risada nervosa, a maquiagem, o raciocínio capenga, tá tudo ali.
Incomparável.
Bem, o resto…o resto fecha toda a trama num filme de ação delicioso e um baita de um tributo a um dos maiores heróis de quadrinhos do mundo.
Simplesmente obrigatório para quem gosta do gênero.
Vai lá.


