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A praga do prog rock

24 agosto, 2006

                                      

 A teoria é a seguinte: A tolerância a certos gêneros musicais vai diminuindo a medida que vamos envelhecendo. Pra mim, uma ouvinte ávida e eclética, jornalista especializada em música que escuta desde canções folclóricas do Yêmen até The Brazilian Girls, a teoria se aplica a diversos estilos. Mas a nenhum com tanta veemência quanto ao… Prog Rock. Isso aí. Kiss my delicious ass, amantes de Pink Floyd, Focus, Procol Harum, Premiata Forneria Marconi, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e afins. Eu simplesmente NÃO CONSIGO mais escutar um prog rock por 2 minutos que seja (e isso, em termos de prog rock, equivale a praticamente a 1/4 da introdução da música…). Tudo começou quando eu estava ouvindo minha rádio personalizada no Yahoo (sim, eu tenho uma e, modéstia à putaqueospariu, é bárbara). E começou a tocar Aqualung, do Jethro Tull. Meu nível de estresse foi à toposfera.

Pra mim, prog rock se resume basicamente a um tipo de masturbação musical… horas e horas num mesmo acorde, um mesmo efeito de teclado, uma notinha de flauta ou até em vocais estranhíssimos (como os do Focus na famigerada ‘Hocus Pocus’, por exemplo). É claro que a musical masturbation não se aplica somente ao prog.

Guitarristas, como aquele imbecilóide do Yngwie Malmsteen, são versados nisso. Só falta tocar a guitarra com peidos. Um peido em fá, um peido em sol…em mi menor, ré com sétima…e por aí vai. Horrível. O jazz tem isso de monte também, não me venham dizer que não, ainda assim não chega a ser tão irritante. A questão é: Precisa? Puro exibicionismo. O cara faz uma música durar, sei lá, 40 minutos e quando você pega a tablatura/partitura da bicha, (só pra ter certeza) e vê a variação de acordes, tá lá: Dois ou três, no máximo. Isso não é nada. Os caras querem inovar mesmo, é no ritmo, claro. A música começa num, vá lá, 4/4 básico e termina num “prog do roqueiro doido”, cheio de quebras rítmicas, longas pausas (eu já fui enganada várias vezes, pensando que a música havia chegado ao fim, quando de repente levava um baita susto com um solo de guitarra ou teclado vindo do nada…), o maldito “syncopation”: escalas absurdas, tempos sobrepostos, do tipo: 5/8-7/8-5/8-5/8-7/8…quem estudou/estuda/entende música sabe…é de enlouquecer. Ok, não tiro o mérito dos caras. Nem poderia. A maioria dos grandes prog são diabolicamente difíceis de serem tocados. É preciso, no mínimo, ser uma mistura de Mozart e Einstein pra compor e interpretar músicas assim. Coisa de gênio. Por isso mesmo enche o saco.

Eu sei, eu sei. Vocês querem me queimar em praça pública, de preferência ao som de “Garden of Dreams” do Flower Kings (detalhe: a música tem 64 minutos divididos em ..18 seções…) Eu sei que o prog foi uma puta inovação quando surgiu como evolução do psychadelic e que tem em seu DNA grandes estilos como jazz, música clássica, e até um pouco de metal e country. Eu sei que “a onda” nos anos 70 era gerar álbuns conceituais como The Lambs Lies on Broadway do Genesis (em tempo: amo Genesis…mas, mais pra fase pop) ou Metropolis, do Dream Theater (esses eu odeio..ergh), com letras densas, praticamente poesias concretas, que falavam de viagens astrais, alienígenas, ácido, guerras, traumas… Mas enfim, apesar de saber tudo isso, eu SIMPLESMENTE ODEIO, não tenho mais paciência! Já passou o tempo, os anos 70 produziram grandes, grandes bandas, muitas delas eu amo muito, por outras eu simplesmente tenho asco, mas o prog rock, hj em dia, parece uma máquina de escrever esquecida no almoxerifado de uma fábrica de computadores. Hoje, toda a tecnologia que eles usavam, desde teclados, canhões de laser à telas com projeções enigmáticas e subliminares não são mais nada perto da música eletrônica, por exemplo. Só referência.
Eu gosto de algumas músicas do Pink Floyd (Comfortably Numb), do Rush (várias…quase todas de Moving Pictures) e do Genesis então, muitas. (Carpet Crowlers, está entre minhas prediletas ever), gosto até de Yes!(algumas..) mas, hoje em dia, depois de ouvir putaquilhões de bandas dos quatro cantos do planeta (muitas que, inclusive bebem diretamente da fonte do prog rock…e o melhoram…como o Radiohead) eu cansei. É isso.Cansei de demostrações megalomaníacas de talentos dados pelos deuses. Quero algo possível. E toda vez que ouço Aqualung, tenho vontade de enfiar aquela maldita flauta no cu do Ian Anderson. Será que tô véia?

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3 comentários

  1. Hahaha, eu me lembro desse texto, claro. Não vamos discutir por tão pouco, não é mesmo?


  2. Muito bom, acho que concordo em varias coisas.


  3. Só concordo com a flauta no cu do Ian Anderson. O resto é tudo uma enorme crise de TPM. 😉 Ps: Vou te fazer uma serenata floydiana, só de sacanagem. Começo com o Ummagumma todinho e depois, dependendo do sucesso… eu repito.



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