Archive for setembro \30\UTC 2006

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Ele faz chorar

30 setembro, 2006

Eric Clapton? Jimmy Page? Jeff Beck? Steve Vai? Satriani? Steve Stevens? Eddie Van Halen? Eric Johnson, Mark Knopfler, Blackmore, Randy Rhoads, Chuck Schuldner, Paul Gilbert, Zakk Wylde, George Harrison, Stanley Jordan, Metheny, Steve Ray Vaughan, Lifeson, Albercrombie, Santana, Steve Morse…isso sem falar dos clássicos…Hendrix, Buddy Guy,B.B King, Muddy Waters…e a lista segue…Acrescente o seu preferido. Na boa? Se você nunca ouviu Rory Gallagher, você está perdendo. E MUITO.

Não, apesar do nome ele não tem/tinha nada a ver com os famigerados irmãos-metralha-Gallagher, do Oasis. Aliás, era o oposto deles.

Esse irlandês nascido em Ballyshannon no condado de Donegal, pode ser considerado um dos maiores guitarristas de blues, rock e, vá lá, folk do século passado. Suas principais influências foram os precursores do estilo, verdadeiros desbravadores, gênios talvez insuperáveis, como os já supracitados Muddy Waters, Buddy Guy, Albert King, John Lee Hooker, entre outros.

Começou a tocar com mais ou menos 9 anos de idade, aos 15 participou de grupelhos na escola mas só fez um relativo sucesso mais tarde, na década de 60, quando formou o trio Taste, que era claramente inspirado no Cream, dos também geniais Clapton, Bruce e Baker. Após excursionar por um tempo pelos EUA e Europa nos anos 70, Gallagher deixou a banda e resolveu seguir carreira solo, o que, sinceramente, foi a melhor coisa que ele fez.

Eu não sou lá muito amante de virtuosismo musical, principalmente porque cresci no meio de músicos e percebi o quanto a busca infrene pela genialidade e perfeição a qualquer custo pode ser tornar algo doentio, capaz de asfixiar por completo a beleza do talento puro, nato, primal, instintivo. E ao escutar Rory pela primeira vez, lá pelos idos de 90 e alguma coisa, por meio de um ex-namorado guitarrista, percebi que ele era justamente assim, algo raro: aptidão em sua forma bruta. Muita técnica é claro, dedicação e aprendizado, pois sem disciplina não se faz boa música, mas que nunca, de modo algum sufocavam seu dom natural. Ao contrário, o destacavam.

Apesar de ser um verdadeiro deus da guitarra, ele não perdia tempo em demonstrações egocêntricas, solos intermináveis e todas aquelas perfomances exageradas e entediantes que só guitarristas-chatos-pra-caralho têm a proeza de executar. Era simples, direto, humilde na medida do possível e tocava com a alma. Já me peguei completamente extasiada ao assistir às suas apresentações hipnóticas. Ele e sua companheira inseparável, uma Fender Stratocaster véia-pra-diabo, toda descascada, carcomida, usada, abusada, escavada, arruinada, corroída, como uma velha amante, uma escrava passíva e consciente, que se deixa consumir enquanto chora docemente nas mãos de seu amante e feitor. Rory morreu em 1995, após um transplante de fígado, o que não deixa de ser uma morte digna a todo irlandês que se preze. Procurem: Rory Gallagher é o cara.

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La “meme” chose

29 setembro, 2006

A Tata me passou novamente a meme de falar 6 coisas sobre mim. Antes eram 8..agora já são 6…será que um dia chega a só uma? Segundo ela, se eu não fizer, depois das doze badalada “notúrnica” uma maldição cairá sobre minha vida…como eu já tô mais cagada do que pau de galinheiro, pé-de-pato-mangalô-trêis-vêis e vamo nessa:

-Eu sou uma pessoa desvairada, desbocada e boca-suja
-Eu odeio shopping centers
-Eu sou chocólatra
-Eu já quase morri. Mais de uma vez. Da última, fiquei em coma por dois dias e acordei falando inglês no hospital.
-Riam o quanto quiserem, mas o esporte no qual eu mais me dava bem na escola era o basquete, que aliás, adoro até hoje. Era uma ótima armadora e tinha uma mira estupenda. Pena que sempre levava toco…. : /
-Estou cheia dessas memes

E agora? Pra quem eu passo? Ahhhh vou passar pra minha marida!!!! É isso aí, a Gi – que, sim, merece todo um texto introdutório, lindo, lindo porque se trata de uma das pessoas que MAIS AMO nessa minha vida – tá com blog novo. E se chama Suando na Neve. Gi, a bola vai pra vc! Te amo. Ah, e pro Társis e lembre-se trevoso: se não fizer seu pinto vai cair…

Aproveitando o ensejo (er..não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas enfim, nada do que eu faço ou penso tem necessariamente a ver) Vocês conhecem o StumbleUpon?

É o seguinte: É uma mistura de Google, com Orkut e com Delicious. É simplesmente fantástico. Você se cadastra e ao mesmo tempo participa de comunidades sobre assuntos de seu interesse e acha sites INCRÍVEIS sobre qualquer coisa que queira na net. O legal é que os sites são indicados pelas pessoas que participam da ferramenta de busca e compartilham dos mesmos gostos, portanto, não é como o Google onde você digita, sei lá: “Patagônia” e junto com um site sobre a longínqua região vem o url de uma granja de patos no interior de Quixeramobim…sacou?

Você encontra só coisa boa, estritamente dentro do que você procura. ÓTIMA ferramenta de pesquisa internética.

Vai nessa e tropeça aqui tb! Eu já tô lá! http://www.stumbleupon.com/

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Macca e o sentido da vida

28 setembro, 2006

Esse aqui vai pro Helder que comentou no post “Things to Remember” sobre o sentido da vida…e que fez um post SENSASIONAL SOBRE! LEIAM!

Eram os psicodélicos anos 60. Num quarto de hotel nos EUA, cinco mitos se encontravam: Bob Dylan conhecia os 4 garotos de Liverpool.

Dylan, mais safo (ou seria safado mesmo?) e com um pouco mais de tempo de estrada, em meio a viagens filosóficas, trocas de acordes e experiências sobre música e sobre tudo, tratou de introduzir os meninos a outro personagem notório da época: a maconha.

Seria a primeira vez, seguida de milhares de outras, em que John, Paul, George e Ringo ficariam chapados.

Do alto (bem alto, aliás) da “viagem” de ganja, McCartney,sempre muito sensível, teve um insight e disse ter encontrado “o sentido da vida”.

Pediu a Brian Epstein um bloquinho para anotar sua maravilhosa e revolucionária descoberta, afinal, não é todo dia que se encontra “o sentido da vida” assim, num lampejo, ou melhor, numa baforada.

Escreve, escreve…. a noite se estendeu e Paul largou o bloquinho em cima de uma mesa.

E então todos ficaram brisados, seguindo à risca o conselho de Dylan (ev’rybody must get stoned...) felicíssimos, beberam pra caramba, cantaram baladas dos ídolos Elvis e Woody Guthrie abraçados, disseram uns aos outros que se amavam e…sabe-se-lá-deus que outro tipo de bizarrice rolou naquela madrugada memorável.

Bob se foi, tinha show no dia seguinte. Os meninos ingleses adormeceram. Pela manhã, com a cabeça badalando tal qual o Big Ben, Paul achou o tal bloquinho e lembrou-se de que havia encontrado “o sentido da vida”. Resolveu ler, claro.

Estava escrito: “There are seven levels…” em letras cavalares e borradas.

Eis o sentido da vida, segundo Paul McCartney: “Existem sete níveis…”

Cabe, portanto, a cada um de nós definir de/do que.

(Os fatos narrados aqui são reais, foram retirados do livro Dylan, uma Biografia)

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As Torres Gêmeas

27 setembro, 2006

Ontem fui na cabine para jornalistas do filme Torres Gêmas (World Trade Center) de Oliver Stone, que aliás está em cartaz no Festival do Rio e estréia no circuitão na próxima sexta (29/09)

Bem, eu fui porque era Oliver Stone. E o que me deixou “puta da minha cara” (como diz o Dalborga) foi justamente o fato de um de meus diretores prediletos ter feito tamanha merda.

O filme é TERRÍVEL gente. Terrível no sentido de ser ruim mesmo, uma bomba (ok, com o perdão do trocadilho, vai) gente do céu acho que vai ter um efeito mais devastador do que os próprios ataques de 11 de setembro tiveram.

Não há o que dizer. Não dá pra falar: “olha, a história foi abordada do ponto de vista blábláblá” não consigo achar nenhum ângulo pelo qual possa analisar um filme que parece mais um capítulo de Páginas da Vida do que uma obra cinematográfica. Não dá. Não faltam nem os depoimentos no final.

O filme se preocupa, é claro, em mostrar o quanto os americanos e o mundo inteiro ficaram abalados com os ataques. Até aí, não dá pra fugir muito do lugar comum. O roteiro se concentra em meia dúzia de personagens centrais, policiais, bombeiros, que, como sabemos, estiveram entre as principais vítimas e participantes do processo de busca e salvamento de todos os envolvidos. Mostra também o impacto da tragédia na vida dos famíliares, o sofrimento, a sensação de impotência geral, o despreparo das forças armadas, do governo, o caos geral e completo, enfim,tudo o que, convenhamos, estamos cansados de ver e ouvir em depoimentos, retrospectivas jornalísticas e programas de televisão, ad infinitum, a cada aniversário da fatídica investida. Se o filme ainda divulgasse alguma informação nova, mas não.

A impressão que tive foi de que: ou Stone levou uma BOLADA muito, mas MUITO grande pra fazer isso sob encomenda, ou que, no mínimo o filme foi feito para ser um especial de TV e os produtores acharam que poderiam lucrar transpondo a novelinha pra a telona. Sem brincadeira.

A maior parte do filme mostra Nicholas Cage e Michael Pena, os dois policiais em cujos relatos o filme foi baseado, soterrados por 6 metros de escombros. Até aí o filme poderia ter sido salvo caso os diálogos valessem a pena. Vejam bem, não estou pedindo nada demais aqui, não estou banalizando algo que foi real e absurdamente terrivel em todos os sentidos.

É claro que, porra, vc ali, com uma laje de trocentos quilos no peito em meio a toneladas de ferro retorcido, com o corpo todo quebrado sem a mínima esperança de ser encontrado por ninguém em menos de 24 horas não é uma situação muito propícia a grandes insights de genialidade. Mas acho que foi justamente nisso que Stone errou. Quis ser real DEMAIS e reproduziu o diálogo de ambos, sem pé-nem-cabeça, inócuo e muitas vezes piegas, na íntegra. Não é um filme, porra? Não dava pra usar alguns elementos ficcionais ali? Ahh, dava.

Sei lá, acho que de real já bastavam as cenas chocantes dos prédios desabando, sob a perspectiva de pessoas que estavam lá dentro, na hora. É realmente desesperador, não há como negar. Mas precisava passar mais da metade do filme mostrando o diálogo esquisito e insosso de dois políciais á beira da morte? Não dava pra tentar melhorar aquilo ali? Tentar ao menos causar outro tipo de impacto no público? Sinceramente.

É ruim. Piegas, lugar-comum, apelativo e é claro, tem todo aquele discursinho americanóide com o papo de “uma verdadeira história de sobrevivência, superação e coragem nunca dantes vistos na história da humanidade” Horrível, horrível, horrendo, pavoroso. Preserve-se.

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Things to Remember*

27 setembro, 2006

Eles se conheceram num porão negro, sujo e enfumaçado onde era impossível se enxergar um palmo à frente do nariz, a não ser pelo estrobo, que revelava vez ou outra rostos fantasmagóricos tentando desesperadamente se refugiar da vida, de si mesmos, de tudo e de todos, ali, in the shadows.

A trilha-sonora devia ser alguma canção obscura de alguma banda soturna que exagerava nos efeitos climáticos e sintéticos dos teclados dando a impressão de que todos estavam num baile em algum castelo da Transilvânia ou numa cena de Rock Horror Picture Show.

Ela vestia vinil negro, usava uma coleira de tachinhas e coturnos e tinha os cabelos vermelho-cereja curtinhos e espetados para cima. Bebia uma bebida azul muito ruim e extremamente forte. Os olhos estavam pesadamente marcados de negro. Os lábios idem. Ela fugia. Fugiu da turba que se remexia extasiada pela música na pista e resolveu espairecer num lugar mais vazio ou “menos cheio” talvez…algo impossível de se achar ali, especialmente numa noite de sábado.

Resolveu subir até o mezzanino. Velas vermelhas e negras derretidas em castiçais de ferro fundido iluminavam mal e porcamente o local e todos se olhavam e conversavam de um modo incrivelmente blasè, como se mais nada na vida importasse, afinal, estavam todos mortos.

Eram altas horas da madrugada e ela já devia estar meio bêbada. Parou perto da escada que dava para a pista de dança e viu que descer aqueles degraus de madeira toscos naquele breu e no estado etílico no qual se encontrava seria praticamente suicídio. Foi aí que ele apareceu.

Vinha na direção contrária, subindo as escadas. Vestia uma camiseta preta com o nome Bauhaus estampado em branco, calças jeans rasgadas e coturnos, claro. Tinha os cabelos cor de mel escuro, com uma franja longa que cobria seu olho direito…moda naqueles tempos darks.

Estava suado, exausto. Havia acabado de fazer um show…era o tecladista de uma banda queridinha da “cena”, na época. E ela o desprezava por isso. Nunca gostou de lamber botas de ninguém. Odiava os pops, ignorava os famosos. Não seria agora que daria bola para um gotiquinho que se achava o Andrew Eldrich** da periferia. Levou o canudinho aos lábios negros e dirigiu o olhar a ele, despretenciosamente. Ele parou de subir. Olhou diretamente pra ela e sorriu. Seus olhos brilhavam, estavam alertas, transbordando adrenalina eram cheios de esperança e de uma puerilidade difícil de se encontrar naquele mètier de zumbis insolentes. Ela sorriu de volta. Sim, góticos sorriem. Mas só quando estão bêbados.

-Qual o sentido da vida? – Ele perguntou com a voz grave, inclinando de leve a cabeça, tentando dar um ar de seriedade à cantada mais filosófica que já havia passado na vida.

-Não faço a mínima… – ela respondeu rindo, dando de ombros, meio alta, desprendendo de leve o canudinho dos lábios e desarmando-se frente aquele flerte realmente digno de nota.

-Ahh… a gente pode descobrir juntos, o que você acha? – ele completou, piscando e estendendo a mão para ajudá-la a descer as escadas.

Ela sorriu, deu lhe a mão. E não fugiu mais.

Anos se passaram. Eles se tornaram grandes, melhores amigos. Mais tarde, inevitavelmente se afastaram. Amadureceram, passaram por poucas e boas na vida, aprenderam algumas coisas, outras nunca vão aprender, deixaram de pensar que eram descendentes de alguma estirpe de vampiros da Romênia, de vestir só preto e de frequentar lugares que vendiam whisky chamado “Ajax.”

Arrumaram empregos com crachá e seguro social, e entenderam de uma vez por todas que melancolia e rebeldia não pagavam as contas. Mas lá no fundo, nunca, nunca deixaram de sonhar, de gostar das mesmas coisas, dos mesmos livros, das mesmas músicas, de tudo. Inclusive um do outro. Por conta dessas voltas malucas que a vida dá, se reencontraram e ainda hoje, procuram o sentido da vida. E quem aqui, afinal, pode dizer onde está ele? Talvez esteja nisso tudo, baby…talvez esteja nisso.

* (Título de uma música de Peter Murphy (essa aqui, se quiser baixar)

**Líder do grupo The Sisters of Mercy

Esse texto é dedicado a um dos melhores amigos que eu tenho e já tive na vida. Por coincidência ou simplesmente pra provar que o mundo é uma kitchenete, temos o Ina como amigo em comum. E nenhum dos três sabia disso…! (mas não, gente, o Ina nunca foi gótico hauhaha)

Esse texto foi baseado em fatos reais. Foi assim que nos conhecemos de verdade. O blog dele ainda está no comecinho, precisa de uns ajustes e tal. Mas eu garanto que vai ser MUITO BOM.

Bem-vindo à blogsfera… Társis Schwald, seu trevoso do caraco. Te adoro!

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A vida é uma questão de timing…*

26 setembro, 2006

FEDRA
(…)
Eu quereria à vossa frente caminhar.
Fedra, descida ao labirinto só convosco,
Só seria convosco encontrada ou perdida.

HIPÓLITO
Deuses! mas que oiço eu? Senhora, já esqueceis
Que Teseu é meu pai e que é o vosso esposo?

FEDRA
Por que supondes vós que perdi a memória?
Acaso, príncipe, deixei de ser quem sou?

HIPÓLITO
Senhora, perdoai-me. Confesso, corando,
Que ofendi sem razão inocentes palavras.
Minha vergonha não suporta o vossa olhar;
Senhora, eu vou…

FEDRA
Cruel! Ah! Tu bem me entendeste.
Falei bastante claro p’ra que duvidasses;
Ah! Vais conhecer Fedra em todo o seu furor:
Amo. Amo-te. Não penses que neste instante,
Inocente a meus olhos, me aprovo a mim mesma,
Nem que do louco amor que me turva a razão
Cobarde complacência nutra o seu veneno.
Objecto de infortúnio das iras celestes,
Abomino-me mais do que tu me detestas.
As minhas testemunhas são Deuses, os Deuses
Que acenderam em mim fogo fatal à estirpe.
Os Deuses que se gabam da cruel vitória
Sobre este coração duma frágil mortal.
Em espírito, tu próprio, recorda o passado.
Não chegava fugir de ti; cruel, expulsei-te.
Eu quis que me julgasses odiosa, inumana;
E, p’ra te resistir, teu ódio provoquei.
Afinal, que lucrei, com inúteis cuidados?
Tu odiavas-me mais, eu não te amava menos.
Infortúnio de novos encantos te vestia.
Enlanguesci, sequei nos fogos e nas lágrimas.
E, p’ra que o saibas, só precisas dos teus olhos,
Se um momento os teus olhos me pudessem ver.
Que digo? A confissão que acabo de fazer-te,
Indigna confissão, julga-la voluntária?
(…)
Olha o meu coração: fere-o com tuas mãos.
Impaciente já de expiar sua ofensa,
Sinto que sai do peito, ansioso desse gesto.
Vé, fere. Mas, se o julgas indigno dos teus golpes,
Se teu ódio me inveja um suplício tão doce,
Se de sangue tão vil não te quiseres manchar,
À falta do teu braço, dá-me a tua espada.
Dá-ma.

(Texto de Racine (1639-1699) para Fedra, de Eurípedes)

* – Paráfrase sobre uma das maiores verdade que ouvi nos últimos tempos. Frase do personagem Mr.Chow do filme 2046 de Wong Kar-Wai

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O melhor do Festival do Rio

25 setembro, 2006

Eu ia escrever um texto enooorme comentando cada filme do Festival do Rio, mas, quer saber? Não vou fazer isso.

Primeiro, porque não tem nenhum editor ameaçando comer meu fígado se eu não entregar essa matéria em 20 minutos (o que tira toda a graça da coisa), segundo, porque eu não vou ganhar absolutamente NADA pra escrever algo que vai demorar pacas, demandar uma pesquisa ferrenha, apuração de informações e hoje é sábado, estou de TPM, de pijama, pantufas, me acabando num pote de Nutella e ouvindo Yo La Tengo…

MAS acima de tudo, e o mais importante é que você não depende de mim para porra nenhuma nessa vida e pode ter acesso a esse e a qualquer outro tipo de informação em jornais impressos ou guias de entretenimento e cultura na net ou até mesmo em blogs jornalísticos, cultos, densos e cabeçóides (que não é o caso desse, caso você não tenha percebido ainda) Não é o máximo? Pois então… ficam portanto aqui, meras dicas PESSOAIS e nada mais.

Dália Negra – a resenha tá aqui. Mas é um Brian de Palma e vale a conferida. Divertir-se ao menos você vai.

Volver – Almodóvar é sempre Almodóvar. Eu geralmente adoro seus filmes e acho que todo o cinéfilo que se preze deve dar uma xeretada, apesar da data de estréia no circuitão já ter sido marcada para 10 de novembro. Penélope Cruz tem boca torta e pescoço de girafa, mas está com uns petchones e uma bela de uma bunda. Ui! E adorei a trilha-sonora.

The Wind that Shakes the Barley – Ken Loach. O filme do britânico Loach (Pão e Rosas e Meu nome é Joe) tem sido muito elogiado lá fora e ainda abocanhou a Palma de Ouro em maio, em Cannes. Eu veria porque estou curiosa para analisar o olhar inglês sobre os conflitos em prol da independência da Irlanda e porque gosto de seu estilo realista e seco. Além de, é claro, amar música celta, presente em grande parte da trilha-sonora incidental. Adivinha quem é o herói? Isso mesmo, Liam Neeson. Vai ver.

Babel – de Alejandro Gonzales Iñarritu (dos ótimos 21 Gramas e Amores Brutos) esse levou o prêmio de melhor direção em Cannes. Parece uma história bem interessante que se passa em três lugares bem diferentes: Tunísia, Marrocos, Japão e México…eu veria pelo diretor.

UPDÊITE – (Acabei de ver o trailler de Babel, do Iñarrito. Caraca, parece ser ANIMAL. O elenco é estelar (Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael Garcia Bernal e aquele japa que fez Oldboy. O roteiro lembra um Crash – No Limite. Mas MUITO, INFINITAMENTE MELHOR. VÃO VER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Fonte da Vida – de Darren Aronofsky (do estupendo: Réquiem para um Sonho) Deus, como eu QUERO ver esse filme! O visual (figurino/fotografia/direção de arte) parece ser matador e o roteiro bem interessante. São três histórias retratadas paralelamente em épocas diferentes ao longo de milhares de anos abordando temas como ciência, amor e espiritualidade. Fez algum sentido? Não!? Então deve ser ótimo. O estilo de direção de Aronofsky é maravilhoso, eu realmente tenho Requiem para um Sonho entre meus filmes prediletos.

Parece que o Panorama Brasil também tem seus destaques com: Fabricando Tom Zé, Muito Gelo e dois dedos d’água, O Cheiro do Ralo (adaptação do livro homônimo do roteirista e quadrinista maldito Lourenço Mutarelli) e O ano em que meus pais saíram de férias. Além disso tem a animação Wood & Stock, Sexo Orégano e Rock’n Roll, que esteve por aqui (SP) no Anima Mundi arrancando muitos elogios. Mas esse e outros filmes estão restritos à mostra Midnight Movies, que engloba os proibidões para menores de 18 anos. Pelo que andei lendo tem muita coisa interessantemente bizarra a começar pela animação dinamarquesa que mistura desenho e cenas reais Irmão Padre, Irmã Puta de Anders Morgenthaler e Anjos Exterminadores do francês Jean-Claude Brisseau um pornô cult baseado em fatos reais que aconteceram na vida do diretor.

Já na mostra Expectativa que pretende lançar novos diretores no mercado eu veria – Red Road, de Andrea Arnold,o primeiro do projeto Advance Party, da produtora de Lars Von Trier, em que três diretores diferentes desenvolvem roteiros com os mesmos personagens. Deve se legal.

O país homenageado nesse ano pelo Festival é o Canadá e dessa mostra eu veria Loucos de Amor, candidato a cult de Jean-Marie Vallée. No original, chama-se C.R.A.Z.Y e parece fazer jus ao título. Adoro!!!

Da mostra de documentários Limites e Fronteiras eu veria: Meu País em Ruínas e Sob a Sombra das Palmeiras do Iraque ambos abordam a dificuldade da nascente democracia iraquiana e o resultado dos ataques americanos. Deve ser meio pesado e cansativo, mas acho legal a título de info. Não necessário. Necessário no caso é ter um bom senso crítico…existe outro tipo de mostra de documentários, não tão focalizada em guerras e conflitos que talvez seja um pouco menos tensa, sei lá, é a Dox onde eu destacaria um documentário sobre o fanático líder religioso Jim Jones, lembra dele? Jonestown, Vida e Morte no Templo do Povo. Deve ser interessante.

Já em Novas imagens do Irã eu veria a comédia Nariz à Iraniana de Mehrdad Oskuei, que mostra uma nova etapa da sociedade do Irã, na qual as mulheres, que agora não são mais obrigadas a cobrir o corpo com o xador (ou chador?) e a burka, se preocupam com a beleza e mostram-se aficcionadas em cirurgias-plásticas (em especial as do nariz) como qualquer outra mulher ocidental. Interessantíssimo!

É muita coisa gente, muitos filmes… mas o Festival ainda conta com mostras deliciosas e imperdíveis como Sci-Fi Mex, de filmes de ficção científica mexicanos, Cinema que Pensa com destaque para o filme Anémic Cinéma de Michel Duchamp, datado de 1926 e mais um monte…. já tô até ficando frustrada. Isso porque eu nem vou ver filme algum..ao menos agora!

Da mostra Mundo Gay eu veria Bonequinhas de Papel, de Tomer Heymann. O filme conta dos transexuais das Filipinas que foram à procura de trabalho em Israel. Só este ano ganhou os prêmios de júri popular no Los Angeles Independent Film Festival e no Festival de Berlim.

E eu nunca, é claro, deixaria de ver a retrospectiva dedicada ao mestre italiano Luchino Visconti, que, este ano será duplamente homenageado: pelo centenário de nascimento e pelos 30 anos de morte. A retrospectiva não é completa, mas inclui raridades como Vagas Estrelas da Ursa, de 1965.

Outra retrospectiva, também parcial, mas que eu NÃO PERDERIA POR NADA NO MUNDO é a dos filmes do gênio chileno Alejandro Jodorowski – Fando e Liz, El Topo e A Montanha Sagrada.

Para quem não sabe, Jodo, além de cineasta também é escritor e roteirista de quadrinhos, criador da CRÁSSICA HQ de ficção-científica O Incal magistralmente ilustrada por ninguém menos que Jean Giraud, mais conhecido e adorado (por mim, ao menos) como o grande Moebius. Aleluia-Salve-Salve.

Bem…espero ter ajudado. Go cariocas! Estoy aqui me corroendo de inveja dupla: por não morar aí é claro e por não poder ver o Festival.