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A História do Amor

6 setembro, 2006

Tenho um amigo querido que, além de ser brilhante, culto e engraçadíssimo sofre da terrível mania de ser exagerado. Isso pode até ser encarado como defeito em alguns casos, mas, no que vou relatar abaixo, com certeza não : )

Por ocasião de meu aniversário este ano, ele me deu não um, mas três livros. Os Filhos de Anansi (pq ambos somos fanáticos pelo Gaiman), A História do Mundo em 6 Copos (pq ambos somos bebuns e gostamos de História) e A História do Amor (pq ambos somos apaixonados. Não um pelo outro… também, mas como amigos…enfim…)

Li Os Filhos de Anansi com sofreguidão e vou te contar, me decepcionei. Não é tão profundo quanto Sandman, nem tão fantasioso quanto Stardust tampouco detalhista como Neverwhere e nem tão cheio de ação e bem amarrado como Deuses Americanos. Gaiman usa justamente um dos personagens coadjuvantes deste último (o deus-aranha, Anansi) e conta sua história, cheia de episódios interessantes e engraçados, mas longe de ser tão enérgico e intenso quanto D.A.

Voltando aos livros que ganhei: Não li a História do Mundo em 6 Copos (ainda – estou lendo Reações Psicóticas de Lester Bangs) e passei direto para A História do Amor, de Nicole Krauss. (Cia das Letras – 320 páginas) O que se deu foi que não consegui largar e o terminei em dois dias. Há muito tempo, talvez desde a primeira vez que li…sei lá, Garcia Marquez, não havia me deparado com assuntos tão densos narrados com tanta poesia, simplicidade e bom humor.

A História do Amor fala de juventude e suas descobertas, da velhice e suas decepções, dos horrores da guerra, da infância, de sonhos perdidos, paixões esquecidas e do amor de um modo geral, é claro. Tudo isso de uma forma deliciosa e nada piegas. Lembra um pouco Paul Auster, mas…com um toque feminino. Tem citações geniais, filosóficas e divertidíssimas. É capaz de te fazer rir e chorar ao longo de suas 320 páginas. Ás vezes você se pega fazendo as duas coisas juntas, aliás. Te comove, te toca. Te marca. Muda tua vida. Como só um bom livro é capaz de fazer.

O livro conta basicamente a história de um jovem polonês que, inspirado pelo sentimento que nutre por uma garota de seu vilarejo, escreve um relato sobre o amor e a existência. Quando seu país é tomado pelos nazistas, ele é obrigado a deixar para trás o manuscrito e consequentemente a paixão que o inspirou.

Ao longo do tempo, o manuscrito perdido tomará rumos surpreendentes e marcará a vida de diversos refugiados espalhados no exílio e mesmo daqueles que nasceram após a II Grande Guerra, interligando, na história, a vida de todos. Léo Gursky, um velho imigrante morador de NY, Litvinoff, um professor de literatura no Chile, Alma Singer, a filha adolescente de uma tradutora de livros, Isaac Moritz, um escritor americano de grande prestígio e Bird o irmão de 7 anos de Alma.

Com essa diversidade de ritmos, culturas, vozes e sintaxes A História do Amor torna-se praticamente um estudo sobre memória, sobre esse monstro chamado destino e principalmente sobre o poder da arte (no caso, da literatura) na vida das pessoas.

O melhor de tudo é que a autora, Nicole Krauss é uma americana linda de 33 anos e este é apenas seu segundo livro. O primeiro – Man Walks Into a Room (ainda sem título em português) foi lançado em 2002 sem muito buxixo. Ao contrário do último, que já foi traduzido para mais de 20 línguas e inclusive teve seus direitos vendidos para o cinema.

Gostaria de transcrever alguns trechos aqui, mas infelizmente fiquei indecisa sobre qual deveria, pois são todos geniais. Então fica uma frase de Leo Gursky com a qual me identifiquei deveras – “Gosto de pensar que o mundo não estava preparado para mim, mas talvez a verdade seja que eu não estava preparado para o mundo”

Fica aqui então a dica de uma leitura inesquecível, digna de ser colocada no seu perfil de “livros preferidos” no Orkut : )

Hey…obrigada, Bru, pelo livro!

5 comentários

  1. Adorei essa resenha de A História do Amor. Deu vontade de sair daqui e ir direto pra livraria. vou colocar na lista.


  2. esse vai pra lista de livros a serem lidos 🙂

    =0*


  3. ai ai… preciso parar de ler blos ou minha listinah de livros que eu quero, preciso, muito ler nao vai parar de crescer nunca!!!


  4. O livro vale mesmo a pena ser lido. Thanks Gabi!


  5. Fuçando na internet, entre de novo neste seu post. Porque EU TINHA QUE DEIXAR MEU COMENTÁRIO SOBRE ELE. Eu li por sugestão sua, e ele me marcou para sempre.
    Preciso ter um exemplar só meu para poder ler todo dia um trecho.
    A realidade, e a beleza, e a crueza, me fizeram apaixonar por cada pobre diabo da história.
    Gi



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