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50 primeiras vezes

11 setembro, 2006

Vou tentar, de tempos em tempos, postar algumas breves linhas sobre as minhas “primeiras experiências” em diversas àreas. Aqui vai uma:

– A primeira vez que vi um bingulim –

Eu tinha 5 aninhos e passava o dia na casa de uma tia, brincando com um priminho da mesma idade, que me fazia as vezes de irmão, já que sou filha única.

Playmobil, piscina Regan, pistola d’água, bicicleta, guerra de almofada, pular em cima da cama, ver desenho na TV, desenhar, brincar de casinha, brincar de luta, esconde-esconde, massinha, tomar lanche com nescau e bolo e no final da tarde: banho.

Não sei dizer o motivo de nunca havermos tomado banho juntos antes. Não me lembro a razão. Provavelmente porque meus tios temiam por nossa integridade física, pelo estado do banheiro e pela conta de àgua no fim do mês. Judeuzada, sabe como é…

Só sei que, na hora marcada, minha tia entrou no banheiro, abriu o box e o chuveiro e disse:

-Vâmo, vâmo! Todo mundo tirando a roupa, rapidinho, rapidinho… – ela parecia estar com pressa.

Meu primo atendeu prontamente à ordem arrancando a camiseta e os shorts com aquela destreza que só os meninos têm. Incrível. Zupt. Enfiou-se debaixo da ducha esfregando a barriga e cantarolando.

Eu demorei um pouco mais, sabe como é. Primeiro, tive vergonha. Ele ia ver minha periquita. Aquilo era inaceitável. Hesitei. Respirei fundo. Virei de costas para o box enquanto ele se refestalava lá dentro e gritava meu nome, me chamando para a folia.

Nesse ínterim, minha tia já havia deixado o recinto. Portanto, eu me encontrava ali, sozinha, semi-nua, prestes a mostrar minha periquita para um menino. E agora? Minha mãe tinha me dito que se na escola alguém me pedisse para vê-la, era para eu NÃO MOSTRAR e ir correndo contar para a “tia”. Fiquei sem saber o que fazer.

Bem, se eu estava na casa da minha tia, que era da família e ela não havia falado nada a respeito, ponderei: “Ele é meu primo. Ele pode.” – e entrei no box.

Brincamos de fazer penteados punk com os cabelos molhados, de jogar água um no outro e de fazer o chuveirinho de microfone, a água fazia a voz ficar engraçada e a gente morria de rir. De repente, nos percebemos ali, a sós. E nos demos conta de que éramos diferentes.

O fato é que fiquei embasbacada ao ver o pipi do meu primo. Era estranho. Balançava. Era uma coisa pra fora do corpo, uma minhoca branca e ainda por cima parecia que tinha boca! Meus lábios se entreabriram, numa surpresa involuntária. Eu quis pegar.

-Não pode! – Ele falou, escondendo o peru com as mãos em concha.

-Por quê? Machuca? – Fiquei preocupada. Imaginei que ter aquilo, assim, supenso, devia pesar, incomodar…sei lá. Não queria machucá-lo

-Não! É que o médico falou que só eu posso fazer a “ginástica” e mais ninguém.

Ginástica? Meu deus, aquilo estava ficando bizarro. Ele se referia à “coisa” como a um ser à parte de seu corpo, como se tivesse vida própria. Imaginei que ele devia cuidar daquilo como um bichinho de estimação: dava de comer, punha pra dormir, fazia ginástica…

Por fim observei o procedimento ainda incrédula e curiosa. Ele contou até quinze enquanto puxava a pelinha pra cima e pra baixo. Depois, lavou e tudo bem. Aí chegou a minha vez de ser interrogada. Ele me olhou nos olhos, depois deu a famosa “fechada na prochaska” e perguntou:

-Como é que você faz xixi? – Pois é. O xixi. Havia me esquecido dele. Como ele devia fazer também?

-Ué, eu sento na privada e faço – Expliquei sem entrar em detalhes. Eu era tímida naquela época…

-Mas como? Por onde sai? – Ele ainda queria saber

-Ué, daqui – Apontei. Ele se abaixou e se aproximou para averiguar. Não se convencendo muito, resolveu desconversar disfarçando e fazendo uma palhaçada: encheu a boca d’agua e cuspiu em mim.

E você? – Perguntei, passando a mãozinha no rosto, mais interessada em desvendar aquele mistério do que em revidar a cusparada.

-Eu? Eu faço assim: Virou-se de lado, segurou o bilau, inflou o peito e fez um jato de xixi em forma arco diretamente no ralo do box, olhando pra mim, todo orgulhoso.

Morri de inveja.

Nossa pesquisa científica foi interrompida por minha tia, claro, que chegou inspecionando nossa orelhas, axilas, bumbuns e pescoços. Fechou a torneira e aí o assunto desceu pelo cano, junto com a água do banho.

Mais tarde, minha mãe passaria por lá para me levar de volta para casa, que era bem longe, em outro município. Diferentemente dos outros dias, quando não queria ir embora de jeito nenhum, não via a hora disso acontecer. Afinal, precisava contar para ela o que havia descoberto.

Ouvi o barulho do carro e me animei no ato. Beijei tio, tia e o primo. Saí correndo e entrei no jipe.

-Mãe, mãe…você não sabe! – Disse, excitada

-O que foi? O que aconteceu? – Ela perguntou, fingindo um interesse exagerado

-Mãe, eu vi a periquita do João Mário….e ela é pendurada!

E assim a história entrou para os anais da família e é contada e recontada em todas as reuniões da mesma, o que reforça minha aura de menina atrevida ano após ano por toda a eternidade, amém.

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20 comentários

  1. mais ‘um’ texto delicioso:)
    mto bom bonitona…
    vc escreve pra kralio! literalmente hahahah!
    bjao
    tati


  2. Do caralho. Digo, do pipiu.
    🙂


  3. realmente, periquita pendurada é ótima! nao importa quantas vezes eu ouvir essa história, sempre vai ser engraçada Gabs….


  4. Ah, isso pq ela é mto reservada e não gosta de falar de si mesma! AHAHAHAH! História fofa! beijos mi amor!


  5. Muito bom. Eu vi a da minha prima mais ou menos na mesma idade, mas não me impressionou muito… Achei visualmente pobre…


  6. A história dos bingulins entrou para os anais?? hahahaha


  7. Hahahahahaha. Muito boa a história.

    A sua mãe era prevenida, né? Você já sabia que não podia mostrar, mesmo que lhe pedissem…


  8. Pô, Gabs… muito bom mesmo! Você escreve bem, danada! Me diverti pra caramba lendo.


  9. Cara…quem mais poderia retratar uma história tão singela de forma cômica!!! VC!!! Quero ver vc contar a primeira vez q teve q guerriar com uma periquita!!! Vai ser o máximo!!! Te amo piriquita véia!!!! Huahuahau


  10. Putz, relação entre primos sempre gera historias gozadas. Quero dizer, engraçadas… ah, ve me entendeu, rsrs…


  11. Divertida história. Estou ansioso para conhecer suas outras 49 primeiras vezes. Se todas forem hilárias quanto essa, tornar-me-ei leitor assíduo. Abraços,


  12. Ia dizer a mesma coisa que a Juju. Ao vivo, eu me escangalhei de rir. Lendo, também.

    Besos.


  13. Huauauauauauauuauaua… periquita do João Mário foi histórico. Muito show.

    Eu não tive esse momento, sei lá. Acho que por ser filha de médico, desde pequenininha me acostumei a mexer nos livros da época de faculdade do meu pai, onde não só eu encontrava uns pênis (em livro médico é pênis), como eram adultos e, freqüentemente, cobertos de berebas horrorosas. Ao vivo eu não lembro, por isso deduzo que não foi lá muito marcante.


  14. Acho que primeira vez que eu vi uma periquita minha cabeça entrou em curto e meu comprido entrou em parafuso.. entendeu, né?

    Não teve graça. Eu já era velhinho quando descobri para que servia isso.

    Ficou muito bom. Vc é super. Beijo


  15. Gabi, um dia isso rende livro… beijo!


  16. é BIGULINHO que fala!
    :>/


  17. Hahaha, desde pequena já demonstrava o que ia ser…Muito boa a estória, e muito bem contada.


  18. Gabi, a primeira impressão é a que pica? Nesse caso, eu gostaria de conferir, em um dos outros 49 posts dessa série, das suas impressões ao ver, pela primeira vez, o dito cujo em estado de impávido colosso, seja lá como isso foi (revista, filme, foto na caixa do sucrilhos, etc…)

    beijos!


  19. Gabs, demais este texto! Outra “primeira vez” sua que você TEM que reproduzir aqui é a da sua estréia de contato com as ondas do mar. rs

    ps: Tuca, caixa de sucrilhos com este tipo de figura??? Dááááá-lhe Tony! O verdadeiro “Tigrão”!! Haha!

    Bacio.


  20. oi foi muito bom esse



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