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50 Primeiras Vezes

23 setembro, 2006

A primeira vez que vi o mar

Eu tinha dois ou três anos. E é óbvio que não me lembro do episódio. É uma daquelas coisas que mães contam pra gente.

Na época, morávamos no Guarujá e mamãe quis me levar à praia. É claro que fui acompanhada de minha comitiva: Vovó, que levava minha necessáire com itens imprescindíveis como mamadeira de chá-verde, fraldas e gororobas macrobióticas que mamãe preparava do tipo: “couve com nabo, sementes de gergelim e fécula de araruta” , vovô com máquina fotográfica, titia e titio saradão com tatuagem de dragão no braço acompanhado de sua namorada gostosa que estava achando toda aquela babação na pirralha (no caso eu, a primeira criança da família, ora essa!) um saco. Mal sabia ela que meu tio saía com a vizinha…mas..beleza. Vingança é uma papinha que se come fria.

Lá fui eu, gostosa como sempre, calcinha de biquini vermelha com babadinhos brancos na bunda e chapeuzinho branco com abas de babadinhos vermelhos, tudo combinandinho, claro, porque eu nasci estilosa. O chapéu era para proteger meu cucuruto semi-carequinha porque eu quase não tinha cabelo quando bebê, e o pouco que tinha era beeeem ralinho. Nasci e permaneci careca por um bom tempo, uma espécie de mini-Sinéad O’ Connor. Depois, para inaugurar a sucessão de fatos estranhos que aconteceram e ainda acontecem comigo ao longo da vida, fui acometida por uma espécie de mutação genética alienígena que fez meus cabelos nascerem em profusão de uma hora para outra e virei o primo Coisa da Família Adams..mas daí me tosaram e ..bem, isso é assunto para uma próxima primeira vez….”a primeira vez que fui tosada”, pode ser…enfim…

Mami me levou pela mão até a beira da praia e o primeiro choque foi pisar naquela coisa molenga e molhada, também conhecida como areia. Fiz careta e fiquei levantando os pezinhos, olhando pra ela em desespero como que pedindo: – “dá pra me tirar desse chão de gelatina?”, – enquanto todos emitiam aqueles grunhidos primais, involuntários de prazer e euforia que insistimos em dar frente à situações ou criaturas enternecedoras – totalmente alheios, evidentemente, à minha total agonia.

Então aconteceu o segundo choque: uma marola, que, por meras razões proporcionais, para mim parecia mais um tsunami, ( E NADA DE BRINCADEIRAS DO TIPO – “Ahh Gabi, até hoje, vai?” – Cês não tem imaginação, não?) veio e eu levei um baita susto. Arregalei os olhos, segurei fortemente as mãos de minha mãe, mas fui uma menina bonita e não chorei. Na verdade, adorei. Pronto. Ali despertava meu leve vício em adrenalina e minha paixão desenfreada pelo mar. Brinquei um pouco na água, era gelada e tinha muita espuma e aquilo me divertiu deveras. Meus olhinhos ardiam, mas eu nem ligava. Tinha um acesso de riso, daqueles de perder o fôlego, cada vez que a marola vinha e batia em minhas perninhas gorduchas.

Isso, uma vez. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis – Foi aí que finalmente me virei para minha mãe e perguntei:

-Quando pára de fazer isso? – me referindo obviamente a repetição infinita das ondas

Pois é. Essa sou eu. Desde bebê já entediada com a mesmice da vida. E depois dizem que a personalidade da criança não se manifesta nessa idade….

6 comentários

  1. 🙂 (adorei este texto)


  2. Eu não falo nada!! Juro!!! Nem uma palavrinha sequer… Nem ousaria tocar neste assunto! Prometo. Agora, eu posso imaginar a sua carinha, franzindo o nariz quando pisou na areia. Mas… sobre as ondas, nem pensar!!! Ziper.. fui… hahahahahahahaha

    Beijos


  3. =0*

    fofa!


  4. genial, genial.. tinha que ser voce Gabi, tinha!


  5. Adoro o seu jeito de contar as estórias!


  6. Puxa… adorei, Gabs. Adorei. Olha… eu lembro direitinho de quando vi o mar pela primeira vez. E lembro também que, medrosa de plantão que sou, custei a entrar. Meu pai, com muito custo, me convenceu. Eu adorei. Hoje, se tem uma coisa que gosto e que definitivamente não me mete medo é água, seja do mar, de piscina, de rio, de cachoeira…



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