h1

O melhor do Festival do Rio

25 setembro, 2006

Eu ia escrever um texto enooorme comentando cada filme do Festival do Rio, mas, quer saber? Não vou fazer isso.

Primeiro, porque não tem nenhum editor ameaçando comer meu fígado se eu não entregar essa matéria em 20 minutos (o que tira toda a graça da coisa), segundo, porque eu não vou ganhar absolutamente NADA pra escrever algo que vai demorar pacas, demandar uma pesquisa ferrenha, apuração de informações e hoje é sábado, estou de TPM, de pijama, pantufas, me acabando num pote de Nutella e ouvindo Yo La Tengo…

MAS acima de tudo, e o mais importante é que você não depende de mim para porra nenhuma nessa vida e pode ter acesso a esse e a qualquer outro tipo de informação em jornais impressos ou guias de entretenimento e cultura na net ou até mesmo em blogs jornalísticos, cultos, densos e cabeçóides (que não é o caso desse, caso você não tenha percebido ainda) Não é o máximo? Pois então… ficam portanto aqui, meras dicas PESSOAIS e nada mais.

Dália Negra – a resenha tá aqui. Mas é um Brian de Palma e vale a conferida. Divertir-se ao menos você vai.

Volver – Almodóvar é sempre Almodóvar. Eu geralmente adoro seus filmes e acho que todo o cinéfilo que se preze deve dar uma xeretada, apesar da data de estréia no circuitão já ter sido marcada para 10 de novembro. Penélope Cruz tem boca torta e pescoço de girafa, mas está com uns petchones e uma bela de uma bunda. Ui! E adorei a trilha-sonora.

The Wind that Shakes the Barley – Ken Loach. O filme do britânico Loach (Pão e Rosas e Meu nome é Joe) tem sido muito elogiado lá fora e ainda abocanhou a Palma de Ouro em maio, em Cannes. Eu veria porque estou curiosa para analisar o olhar inglês sobre os conflitos em prol da independência da Irlanda e porque gosto de seu estilo realista e seco. Além de, é claro, amar música celta, presente em grande parte da trilha-sonora incidental. Adivinha quem é o herói? Isso mesmo, Liam Neeson. Vai ver.

Babel – de Alejandro Gonzales Iñarritu (dos ótimos 21 Gramas e Amores Brutos) esse levou o prêmio de melhor direção em Cannes. Parece uma história bem interessante que se passa em três lugares bem diferentes: Tunísia, Marrocos, Japão e México…eu veria pelo diretor.

UPDÊITE – (Acabei de ver o trailler de Babel, do Iñarrito. Caraca, parece ser ANIMAL. O elenco é estelar (Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael Garcia Bernal e aquele japa que fez Oldboy. O roteiro lembra um Crash – No Limite. Mas MUITO, INFINITAMENTE MELHOR. VÃO VER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Fonte da Vida – de Darren Aronofsky (do estupendo: Réquiem para um Sonho) Deus, como eu QUERO ver esse filme! O visual (figurino/fotografia/direção de arte) parece ser matador e o roteiro bem interessante. São três histórias retratadas paralelamente em épocas diferentes ao longo de milhares de anos abordando temas como ciência, amor e espiritualidade. Fez algum sentido? Não!? Então deve ser ótimo. O estilo de direção de Aronofsky é maravilhoso, eu realmente tenho Requiem para um Sonho entre meus filmes prediletos.

Parece que o Panorama Brasil também tem seus destaques com: Fabricando Tom Zé, Muito Gelo e dois dedos d’água, O Cheiro do Ralo (adaptação do livro homônimo do roteirista e quadrinista maldito Lourenço Mutarelli) e O ano em que meus pais saíram de férias. Além disso tem a animação Wood & Stock, Sexo Orégano e Rock’n Roll, que esteve por aqui (SP) no Anima Mundi arrancando muitos elogios. Mas esse e outros filmes estão restritos à mostra Midnight Movies, que engloba os proibidões para menores de 18 anos. Pelo que andei lendo tem muita coisa interessantemente bizarra a começar pela animação dinamarquesa que mistura desenho e cenas reais Irmão Padre, Irmã Puta de Anders Morgenthaler e Anjos Exterminadores do francês Jean-Claude Brisseau um pornô cult baseado em fatos reais que aconteceram na vida do diretor.

Já na mostra Expectativa que pretende lançar novos diretores no mercado eu veria – Red Road, de Andrea Arnold,o primeiro do projeto Advance Party, da produtora de Lars Von Trier, em que três diretores diferentes desenvolvem roteiros com os mesmos personagens. Deve se legal.

O país homenageado nesse ano pelo Festival é o Canadá e dessa mostra eu veria Loucos de Amor, candidato a cult de Jean-Marie Vallée. No original, chama-se C.R.A.Z.Y e parece fazer jus ao título. Adoro!!!

Da mostra de documentários Limites e Fronteiras eu veria: Meu País em Ruínas e Sob a Sombra das Palmeiras do Iraque ambos abordam a dificuldade da nascente democracia iraquiana e o resultado dos ataques americanos. Deve ser meio pesado e cansativo, mas acho legal a título de info. Não necessário. Necessário no caso é ter um bom senso crítico…existe outro tipo de mostra de documentários, não tão focalizada em guerras e conflitos que talvez seja um pouco menos tensa, sei lá, é a Dox onde eu destacaria um documentário sobre o fanático líder religioso Jim Jones, lembra dele? Jonestown, Vida e Morte no Templo do Povo. Deve ser interessante.

Já em Novas imagens do Irã eu veria a comédia Nariz à Iraniana de Mehrdad Oskuei, que mostra uma nova etapa da sociedade do Irã, na qual as mulheres, que agora não são mais obrigadas a cobrir o corpo com o xador (ou chador?) e a burka, se preocupam com a beleza e mostram-se aficcionadas em cirurgias-plásticas (em especial as do nariz) como qualquer outra mulher ocidental. Interessantíssimo!

É muita coisa gente, muitos filmes… mas o Festival ainda conta com mostras deliciosas e imperdíveis como Sci-Fi Mex, de filmes de ficção científica mexicanos, Cinema que Pensa com destaque para o filme Anémic Cinéma de Michel Duchamp, datado de 1926 e mais um monte…. já tô até ficando frustrada. Isso porque eu nem vou ver filme algum..ao menos agora!

Da mostra Mundo Gay eu veria Bonequinhas de Papel, de Tomer Heymann. O filme conta dos transexuais das Filipinas que foram à procura de trabalho em Israel. Só este ano ganhou os prêmios de júri popular no Los Angeles Independent Film Festival e no Festival de Berlim.

E eu nunca, é claro, deixaria de ver a retrospectiva dedicada ao mestre italiano Luchino Visconti, que, este ano será duplamente homenageado: pelo centenário de nascimento e pelos 30 anos de morte. A retrospectiva não é completa, mas inclui raridades como Vagas Estrelas da Ursa, de 1965.

Outra retrospectiva, também parcial, mas que eu NÃO PERDERIA POR NADA NO MUNDO é a dos filmes do gênio chileno Alejandro Jodorowski – Fando e Liz, El Topo e A Montanha Sagrada.

Para quem não sabe, Jodo, além de cineasta também é escritor e roteirista de quadrinhos, criador da CRÁSSICA HQ de ficção-científica O Incal magistralmente ilustrada por ninguém menos que Jean Giraud, mais conhecido e adorado (por mim, ao menos) como o grande Moebius. Aleluia-Salve-Salve.

Bem…espero ter ajudado. Go cariocas! Estoy aqui me corroendo de inveja dupla: por não morar aí é claro e por não poder ver o Festival.

Anúncios

4 comentários

  1. Valeu amore! Agora é correr pras bilheterias e rezar para ainda conseguir ingressos nos horários razoáveis.


  2. Pô, quanto filme! É daqueles posts que tenho que mandar para a impressora. Tb gosto do Ken Loach e do Almodóvar e acho mais ou menos a Cruz ex-Cruise. Iñarritu é o melhor diretor jovem que está por aí e um ciclo do Visconti seria tudo o que desejaria para passar os próximos dias.

    Mas, enfim, também não estou no Rio. Putz.


  3. O dia que você vier dormir em casa, pode trazer as pantufas… Para fazermos uma festa, já que o povo desta casa (excluindo a Rebecca, que já tem patinha peluda) usa!!!

    Beijos.


  4. Hum, poisé. Eu me peguei pensando, que se fosse viajar agora seria pro Rio!só pra ver uns dois filmes pelo menos. Um deles seria “Volver” do Almodóvar…e algum outro do Iraque.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: