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As Torres Gêmeas

27 setembro, 2006

Ontem fui na cabine para jornalistas do filme Torres Gêmas (World Trade Center) de Oliver Stone, que aliás está em cartaz no Festival do Rio e estréia no circuitão na próxima sexta (29/09)

Bem, eu fui porque era Oliver Stone. E o que me deixou “puta da minha cara” (como diz o Dalborga) foi justamente o fato de um de meus diretores prediletos ter feito tamanha merda.

O filme é TERRÍVEL gente. Terrível no sentido de ser ruim mesmo, uma bomba (ok, com o perdão do trocadilho, vai) gente do céu acho que vai ter um efeito mais devastador do que os próprios ataques de 11 de setembro tiveram.

Não há o que dizer. Não dá pra falar: “olha, a história foi abordada do ponto de vista blábláblá” não consigo achar nenhum ângulo pelo qual possa analisar um filme que parece mais um capítulo de Páginas da Vida do que uma obra cinematográfica. Não dá. Não faltam nem os depoimentos no final.

O filme se preocupa, é claro, em mostrar o quanto os americanos e o mundo inteiro ficaram abalados com os ataques. Até aí, não dá pra fugir muito do lugar comum. O roteiro se concentra em meia dúzia de personagens centrais, policiais, bombeiros, que, como sabemos, estiveram entre as principais vítimas e participantes do processo de busca e salvamento de todos os envolvidos. Mostra também o impacto da tragédia na vida dos famíliares, o sofrimento, a sensação de impotência geral, o despreparo das forças armadas, do governo, o caos geral e completo, enfim,tudo o que, convenhamos, estamos cansados de ver e ouvir em depoimentos, retrospectivas jornalísticas e programas de televisão, ad infinitum, a cada aniversário da fatídica investida. Se o filme ainda divulgasse alguma informação nova, mas não.

A impressão que tive foi de que: ou Stone levou uma BOLADA muito, mas MUITO grande pra fazer isso sob encomenda, ou que, no mínimo o filme foi feito para ser um especial de TV e os produtores acharam que poderiam lucrar transpondo a novelinha pra a telona. Sem brincadeira.

A maior parte do filme mostra Nicholas Cage e Michael Pena, os dois policiais em cujos relatos o filme foi baseado, soterrados por 6 metros de escombros. Até aí o filme poderia ter sido salvo caso os diálogos valessem a pena. Vejam bem, não estou pedindo nada demais aqui, não estou banalizando algo que foi real e absurdamente terrivel em todos os sentidos.

É claro que, porra, vc ali, com uma laje de trocentos quilos no peito em meio a toneladas de ferro retorcido, com o corpo todo quebrado sem a mínima esperança de ser encontrado por ninguém em menos de 24 horas não é uma situação muito propícia a grandes insights de genialidade. Mas acho que foi justamente nisso que Stone errou. Quis ser real DEMAIS e reproduziu o diálogo de ambos, sem pé-nem-cabeça, inócuo e muitas vezes piegas, na íntegra. Não é um filme, porra? Não dava pra usar alguns elementos ficcionais ali? Ahh, dava.

Sei lá, acho que de real já bastavam as cenas chocantes dos prédios desabando, sob a perspectiva de pessoas que estavam lá dentro, na hora. É realmente desesperador, não há como negar. Mas precisava passar mais da metade do filme mostrando o diálogo esquisito e insosso de dois políciais á beira da morte? Não dava pra tentar melhorar aquilo ali? Tentar ao menos causar outro tipo de impacto no público? Sinceramente.

É ruim. Piegas, lugar-comum, apelativo e é claro, tem todo aquele discursinho americanóide com o papo de “uma verdadeira história de sobrevivência, superação e coragem nunca dantes vistos na história da humanidade” Horrível, horrível, horrendo, pavoroso. Preserve-se.

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6 comentários

  1. Gabi… Adoro filme catástrofe. Chego a sentar no encosto do sofá, de tanta ansiedade. Mas, catástrofes à parte, todo filme americano (sem exceção) exalta a “poderosa” capacidade do americano de ser um super herói. Mesmo que seja para abrir um vidro de palmito. Deixa o filme chegar na locadora (ainda não posso ir ao cinema… você sabe) e então a gente conversa. Não estou duvidando, de forma alguma, do seu gosto, mas eu, extra profissão jornalismo, vou assistir sem.. ai… como dizer sem desmerecer sua crítica, como mera espectadora. (ficou bom???).
    Beijos


  2. Enfim, gosto é gosto e não se disctute, só se lamenta. Filme catástrofe é uma coisa, San…filme sobre UMA CATÁSTROFE que aconteceu, em minha opinião, é masoquismo.

    Mas vá, espere sair na locadora e veja oras. Você não vai ver nada de diferente do que viu em todos esses anos nessa indústria vital, sobre o 11 de setembro. É mais uma retrospectiva do que a gente tá cansado de ver, mas bem, pelo jeito é disso que o povo gosta…talvez por isso tantas coisas importantes que estão acontecendo no mundo hj fiquem fora das pautas dos grandes jornais…pq o povo gosta de repetição, de ver a mesmíssima noticia dia após dia..enfim

    Sobre o discurso americanóide, não é bem assim não. Viu As Pontes de Madison, por exemplo? Ok..muito fora do assunto…Viu Pecados de Guerra? Veja.
    Ás vezes eles sacam que é exagero e maneram no discursinho e até sai algo bom…o que me espanta é um diretor como Oliver Stone, que fez Nascido a 4 de Julho e Assassinos por Natureza (o que não deixa de ser uma crítica ao american way of life) se render a esse papinho…contradição total. Mas…não vou questionar as razões, certo? Que devem ter sido MUITO ALTAS, aliás.
    É isso : )


  3. Gabi, sabe de uma coisa curta e grossa? Eles que se fodam. Beijocas fulas da vida


  4. Eu não tenho a MENOR vontade de ver filmes sobre o 11/9, não importa o que digam… agora você me fez ter certeza de que não perdi nada.


  5. “O inferno na Torre ” dá de 10.
    Daqui a pouco filmam um Tsunami real e fazem um longa.


  6. EU acho que esse atentado vai entra para Historia eu tenho 14 anos e acho que quando meus neto irrão saber desse atentado que o Estados unidos sofreu em 11 de setembro de 2001….
    Eu sou uma amante disso tudo adoro saber acada dia mais sobre essas estorias que aconteceram no mundo…
    Lamento muito pelas pessoas que perderam familiares….



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