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Ele faz chorar

30 setembro, 2006

Eric Clapton? Jimmy Page? Jeff Beck? Steve Vai? Satriani? Steve Stevens? Eddie Van Halen? Eric Johnson, Mark Knopfler, Blackmore, Randy Rhoads, Chuck Schuldner, Paul Gilbert, Zakk Wylde, George Harrison, Stanley Jordan, Metheny, Steve Ray Vaughan, Lifeson, Albercrombie, Santana, Steve Morse…isso sem falar dos clássicos…Hendrix, Buddy Guy,B.B King, Muddy Waters…e a lista segue…Acrescente o seu preferido. Na boa? Se você nunca ouviu Rory Gallagher, você está perdendo. E MUITO.

Não, apesar do nome ele não tem/tinha nada a ver com os famigerados irmãos-metralha-Gallagher, do Oasis. Aliás, era o oposto deles.

Esse irlandês nascido em Ballyshannon no condado de Donegal, pode ser considerado um dos maiores guitarristas de blues, rock e, vá lá, folk do século passado. Suas principais influências foram os precursores do estilo, verdadeiros desbravadores, gênios talvez insuperáveis, como os já supracitados Muddy Waters, Buddy Guy, Albert King, John Lee Hooker, entre outros.

Começou a tocar com mais ou menos 9 anos de idade, aos 15 participou de grupelhos na escola mas só fez um relativo sucesso mais tarde, na década de 60, quando formou o trio Taste, que era claramente inspirado no Cream, dos também geniais Clapton, Bruce e Baker. Após excursionar por um tempo pelos EUA e Europa nos anos 70, Gallagher deixou a banda e resolveu seguir carreira solo, o que, sinceramente, foi a melhor coisa que ele fez.

Eu não sou lá muito amante de virtuosismo musical, principalmente porque cresci no meio de músicos e percebi o quanto a busca infrene pela genialidade e perfeição a qualquer custo pode ser tornar algo doentio, capaz de asfixiar por completo a beleza do talento puro, nato, primal, instintivo. E ao escutar Rory pela primeira vez, lá pelos idos de 90 e alguma coisa, por meio de um ex-namorado guitarrista, percebi que ele era justamente assim, algo raro: aptidão em sua forma bruta. Muita técnica é claro, dedicação e aprendizado, pois sem disciplina não se faz boa música, mas que nunca, de modo algum sufocavam seu dom natural. Ao contrário, o destacavam.

Apesar de ser um verdadeiro deus da guitarra, ele não perdia tempo em demonstrações egocêntricas, solos intermináveis e todas aquelas perfomances exageradas e entediantes que só guitarristas-chatos-pra-caralho têm a proeza de executar. Era simples, direto, humilde na medida do possível e tocava com a alma. Já me peguei completamente extasiada ao assistir às suas apresentações hipnóticas. Ele e sua companheira inseparável, uma Fender Stratocaster véia-pra-diabo, toda descascada, carcomida, usada, abusada, escavada, arruinada, corroída, como uma velha amante, uma escrava passíva e consciente, que se deixa consumir enquanto chora docemente nas mãos de seu amante e feitor. Rory morreu em 1995, após um transplante de fígado, o que não deixa de ser uma morte digna a todo irlandês que se preze. Procurem: Rory Gallagher é o cara.

4 comentários

  1. saiu um dvd dele com uns shows em Montreaux, vc viu???


  2. Vi sim, Manoel…pela ST2, né? Vou atrás de um pra mim… : ) Valeu pela dica


  3. Muito bom esse texto sobre o Rory Gallagher!!! Realmente ele foi um excelente guitarrista uma lenda do blues rock e totalmente diferente da maioria das outrs lendas, não trocava por nada um show em um pub fedoronte por uma arena lotada!!! Por essa e outras Rory é um dos melhores…


  4. Maravilhoso seu texto! Difícil superar sua descrição do Rory Gallagher. Parabéns!



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