Archive for outubro \27\UTC 2006

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Tudo ao mesmo tempo agora…

27 outubro, 2006

A Última Noite

Oi acabei de chegar da cabine para jornalistas do filme de Robert Altman “A Última Noite” (Prairie Home Companion EUA/2006) Genial, como Altman sempre foi. Depois faço uma resenha com mais calma já que o filme só vai estrear pro meio de novembro em circuito fechado (SP, Rio, Curitiba e Porto Alegre). Os diálogos são simplesmente impagáveis. Ótimo, ótimo.

The Promise

Fora o filme, o que me chamou MUITO a atenção foi o trailler do próximo lançamento da Imagens Filmes (distribuidora) The Promise uma produção sino-americana, dirigido por Kaige Chen no melhor estilo “O Tigre e o Dragão”, “A Casa das Adagas Voadoras” e “Herói”.

Deleite visual garantido, cenas belíssimas de deixar qualquer um sem fôlego e história mitológica chinesa, cheia de tragédias, amores, maldições E MUITO KUNG FU impossível…ADOOOOOOROOOOOOOO!

The Promise conta a história de uma orfã que é criada por uma feiticeira que dá a ela o dom da beleza, mas em troca a menina não pode se apaixonar por homem algum. Eis que dois guerreiros caem de amores pela china girl e ai, já viu…vão lutar por ela e tentar libertá-la da maldição. Conto de fadas delicioso que eu tô realmente LOUCA PRA VER. Cacei o trailler no youtube, é claro:

Esse domingo tem show do YEAH YEAH YEAHS no Tom Brasil (Tim Festival) – EU VOUUUUUUUUU… Eu sou apaixonada por Karen O. Eu quero ser Karen O… eu vou agarrá-la…arrrrghhhhh! LINDA!

Encontro de Super-Autores

Amanhã vou estar às 15h na Saraiva do Shopping Morumbi prestigiando meu chefe, o incrível Manuel de Souza (autor do livro: Loucuras dos Seriados de TV e editor da revista MUNDO DOS SUPER-HERÓIS, da qual sou a mais nova integrante do quadro de colaboradores)

Quem puder, apareça lá! Depois a gente toma um chops e come dois pastel.

Beijo, bom findi!!! Arrasem, sempre.

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A gente somos inútel…ainda

26 outubro, 2006

Pois é. O Rafa tem o “alegrias que o google me dá” e eu tenho o Search Engine Terms, que garante minha cota de gargalhadas semanais, quiçá diárias.

Porque algo além do governo e de minha conta bancária tem que me fazer gargalhar nessa vida… ao menos gargalhar de alegria e não de nervoso, enfim.

Todo final de mês prometo selecionar as melhores e postar aqui :> )

“gordos pelados e fofos”

Meu lado Polyanna, (que não existe porque eu faço questão de mata-lo com requintes de crueldade toda vez que ele insiste em aflorar) quer acreditar que essa pessoa estava procurando coisas relacionadas a ursinhos ou bebês…é. É isso né? É sim…

“Steve vai baixar”

Eita!!! É a globalização! Até a macumba tá internacional agora . Antes eram a pomba-gira, o tranca-rua ou zé pilintra que baixavam…agora é o Steve! Hum-hum, máisônny!

“Jucelino goes”

…to heaven? To hell? Home? To school?… Students, fill in the blanks…

“o sorriso anal de Mona Lisa”

Eis algo que nem Dan “asshole” Brown conseguiu decifrar…aliás, será este o VERDADEIRO Código daVinci?

Terá sido “La Gioconda” uma versão medieval de “Todos os Olhos” de Tom Zé? (cuja lenda e glamour foram destruídos pois o próprio fotógrafo da capa do disco acabou revelando que se tratava de uma boca e não de um cu…)

Estará o pobre incauto insinuando que, a bela (er…) dama retratada por Leonardo daVinci, um quadro considerado um dos maiores patrimônios culturais da humanidade, possui cara de cu?

A verdade está lá fora…

“Quero homem e mulher transando juntos”

Aqui está algo realmente RARO de se ver nos dias de hoje. Parabéns! Até que enfim alguém esqueceu os elefantes, garrafas-térmicas, nabos e cabos de guarda-chuva e apostou no trivial! Ganhou meu respeito, rapaz. Só falta parar de procurar essas coisas na internet e partir pra prática, seu nerd punheteiro.

“graxa para os cabelos”

“Na melhor rede de borracharias perto de você!”

” qual o sentido da vida”

Eu realmente gostaria de saber o que leva uma pessoa a procurar “o sentido na vida” no Google, uma porra de uma ferramenta de busca da merda da internet que acabou sendo alçada à posição de Oráculo de Delfos do séc XXI…

Vou acabar registrando um domínio “qualosentidodavida.com” só pra postar uns impropérios e zoar com esse tipo de gente…arrghh!

“uma gozada engraçada”

A do palhaço “Carequinha”…RÁ!

“Física fogo dedo experiencia”

Mais uma daquelas frases que te deixam com a pulga atrás da orelha…Qual experiência envolvendo “dedo e fogo” seria usada para provar alguma lei da Física? Fogo+ dedo = queimadura de terceiro grau? Cruzes….

“Christina Aguilera fazendo xixi”

Preciso comentar? Nojento.

“richard clayderman morreu ou nao morreu?”

Huahahhaa o cara não desiste!!!! E pior, só cai AQUI! hahahaha…

“mulheres peidando fedido”

Querido (a): sim, nós mulheres peidamos e muitas vezes peidamos fedido…(tô explicando porque tenho um amigo que achava que mulheres não peidavam…vai saber?)

Nada contra você procurar fotos de mulheres que “pareçam” estar peidando na internet, já disse: cada um com suas taras… agora, amor, coração, cutchi-cutchi da Gabi: COMO DIABOS VOCÊ VAI SABER SE É FEDIDO OU NÃO, PELA NET, CRIATURA?…afe. Somebody shoot me…

“Mascaras corpo inteiro Halloween”

Honey, pensa com a titia: Se é pro corpo inteiro, então não é “máscara”, certo? Usamos esse termo somente para designar peças que tenham a finalidade de cobrir o ROSTO… pro corpo inteiro seria melhor a palavra – “fantasia”…idiota!!!

“igreja universal e a historia da hello kitty”

Ah! Essa é ótima! Parece que o povo da Universal tem uma história para justificar o sucesso da personagem Hello Kitty pelo mundo e associá-la ao capeta, certamente. Porque pra esse povo só o Bispo Macedo tem direito a ser rico (às custas do dinheiro deles, pois sim) O resto é tudo coisa do demo.

Pois então, resumindo: a lenda diz que a filha da designer que criou a gatinha sofria de um caso raro e sério de câncer de boca. A mãe então, desesperada, após tentar todos os meios possíveis e imagináveis para curar a doença (isso tudo no Japão, atentem….) recorreu à bruxaria (tem macumba no Japão?) a fim de salvar a vida da filha.

Na sessão macabra eis que o próprio cramulhão, em enxofre e cascos, apareceu pra mulher e disse que ela deveria criar um personagem/desenho/símbolo que selasse o pacto entre eles (romântico, vai dizer?) e o dedicasse a ele, o principe das trevas. Mas com uma ressalva:caso a mulher criasse uma figura animal ou humana, NÃO PODERIA TER BOCA. E foi assim que a doce, meiga e inofensiva Hello Kitty nasceu….BWAHAUAHAHAHAA (risada a lá Vincent Price) HAVE FEAR! (mais informações, tratar com Bia)

“tocar as musicas salvas”

Sorry baby. Eu só toco músicas perdidas…

“cenas reais chocantes”

Dá uma olhada pela janela, lindinho…onde vc mora? Mônaco?

“DICIONARIO ON LAIN”

HAUAHAUAHAHAUAHAHAUAHAHAHA…. deus…sem condições….

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Updêite: Já ouviram Built to Spill, Calexico, Band of Horses, Bergmans e Club 8? Não?

Super baixem então.

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Conversa…

24 outubro, 2006

(Para ler ouvindo: Protège-moi, do Placebo)

Deliciosa A.

(gosto de A…é feminino. É a primeira letra do alfabeto… e seu nome quer dizer “defensora da humanidade”…não sei porque mas isso me conforta de certa forma…)

Sabe, existem dias em que tudo o que eu mais queria era ser medíocre. Ser uma dessas mulherzinhas que se vê na rua. Normais. Sem grandes pretensões. Ao menos sem aquelas grandes pretensões que, no final, se você for analisar, também são medíocres…é tudo o que se espera delas, oras.

Outras então, nem pretensões têm! Mas sabe que prefiro estas? Melhor não querer ser nada do que ser algo que na verdade são os outros que pedem ou esperam que você seja…algo inconscientemente (será?) imposto, requerido pelo status quo…

Mas então, eu queria ser medíocre por alguns minutos… simplesmente pra saber como é ser compreendida, amada, aceita. Pra saber como é sentir-se “certa”. Queria ser medíocre, simplesmente para não me sentir tão fora de lugar nesse mundo.

Porque aí sim, eu seria tudo o que as pessoas sempre esperaram que eu fosse. O que sociedade esperava que eu fosse. O que Deus e o mundo esperavam que eu fosse. O que “ele” esperava que eu fosse… e eu seria bem sucedida, afinal. Seja lá o que “sucesso” signifique, enfim…talvez sendo medíocre seja mais fácil definí-lo. Ser medíocre deve facilitar tudo!

Deve ser bom, sabe? Deve ser confortável ser medíocre. Porque nadar contra essa maré bravia e fétida – não porque se faz questão disso, mas porque algo dentro de você te impede de seguir o fluxo “normal” das coisas – cansa. Deus, como cansa!

Queria matar esse monstro dentro de mim. Esse monstro que sussurra insistentemente no meu ouvido: “Você pode tudo, TUDO. Se quiser DE VERDADE. Pode custar muito. Mas tudo na vida custa muito..inclusive o conformismo…então viva, não tenha medo”. Porque eu tenho medo, sabe? Tenho muitos. A diferença é que eu os enfrento. E os medíocres são paralisados por eles.

Queria ser medíocre. Me contentar com as migalhas que me oferecem. Em todos os sentidos. Queria não amar até a medula, não querer com todas as forças, não queimar até o fim do pavio.

Tenho receio de que, de tanto me doar… não reste mais nada em mim…

Queria parar de pulsar.

Porque um dia, assim como qualquer outro corpo celeste que brilha e consome tudo a seu redor…eu sei que vou acabar explodindo….

Eu sei.

Te amo, sempre.

G.

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My name is Elektra Natchios…

23 outubro, 2006

Eu amo quadrinhos. A maioria dos leitores desse blog sabe disso. Sou colecionadora compulsiva mas já fui pior, em tempos de vacas obesas, até porque os mix de revistas de hoje não compensam, são caros e mal planejados – (Mix: hisórias de personagens diferentes publicadas numa mesma revista: ex: Demolidor (que eu amo) e Pantera Negra (que não gosto muito).

Coleciono mais ou menos desde os 6 anos de idade. Tenho mais quadrinhos em casa do que juízo na cachola ou dinheiro na conta. Mais que o último, com certeza. O outro, por mais que alguns achem que não, ainda sobra um pouco.

Eu comecei a ler com quadrinhos. E não foram os da Turma da Mônica. Foi com Heróis da TV, se não me engano. História do Super-Homem. Nem preciso dizer que quando descobri Turma da Mônica, não achei a menor graça.

Me interessavam muito mais os dilemas enfrentados pelos super-heróis do que a raiva que a Mônica sentia quando roubavam seu coelho. Que chatice aquilo! Preferia mil vezes o plano infalível do Dr. Destino para conquistar o mundo do que o do Cebolinha e do Cascão para pregar peças nos outros. Sem comparação. Desde criança já revelava traços de megalomanía…

Fazia sucesso com os moleques da sala (já naquela época! Hohohoho) e também, desde cedo, conquistei a antipatia das meninas, porque passava bastante tempo com os garotos.

Trocávamos figurinhas e gibis e discorríamos durante horas sobre poderes de um e de outro super-herói: “eu sou esse”, “eu sou aquele”, “fulano é mais forte que cicrano”, “é nada! Beltrano é indestrutível”, “meu poder anula o seu”, “você não pode ser esse, ele é loiro!”, “você não pode ser ele, você é mulher!” – Machistas. Mas era verdade. Eram poucas as heroínas que eu admirava. Pra falar a verdade, nunca gostei de mulheres muito certinhas, totalmente altruístas. Isso me soava hipócrita. Não acreditava na existência de alguém tãão bom.

Eu gostava era das vilãs, mas tinha medo de admitir. Afinal, todo mundo queria ser herói, porque diabos eu tinha que ter aquela queda pelo “lado negro” da força? Eu gostava era da Mulher-Gato. Adorava. Ela era linda, poderosa e manipulava o Batman. Gostava da Mística também. E da Rainha Branca (Emma Frost)..ai, ai

A medida que fui ficando mais velha, já adolescente, fui conhecendo outros tipos de quadrinhos, que apresentavam narrativas e ilustrações diferenciadas. Will Eisner, Robert Crumb, Chayken, Spiegelman…

Europeus… Asterix, O Incal… quadrinhos eróticos: Manara, Serpieri, Crepax. Diversas graphic novels, minisséries (cuja diferença eu já expliquei neste post) e alguns quadrinhos mais complexos, densos para “adultos” como as de Moebius, Sandman, Monstro do Pântano, Orquídea Negra, Asilo Arkham, Watchmen, V de Vingança, American Flagg etc, etc, etc…..muita coisa. Impossível listar. Nem vou me lembrar.

Foi numa dessas pesquisas que acabei conhecendo uma das minisséries que mudou minha vida e me deu minha “ídala” definitiva: Elektra Assassin – Escrita pelo MESTRE Frank Miller (Sin City, 300 de Esparta, Cavaleiro das Trevas) e ilustrada magistralmente por Bill Sienkiewicz, pra mim um dos melhores ilustradores de quadrinhos EVER. Sem comparações.

Elektra (clara alusão ao mito grego de Electra, filha de Agaménon e Clitemnestra, que induz o irmão a matar a mãe para vingar o pai) na verdade foi uma personagem secundária criada por Miller para apimentar o título mensal de Demolidor que ele escrevia na época (anos 80) para a Marvel. Até então, e por isso mesmo, ela não parecia ter muito futuro, tanto que logo morreu na cronologia oficial. (revista mensal do Demolidor)

Mas eis que Frank resolve dedicar uma minissérie só pra ela, tentando explicar sua origem, suas atitudes, revelar realmente quem era aquela mulher que surgiu do nada, abalou a vida de Matt Murdock e se foi. E eis que, o que antes parecia ser uma personagem sem graça, sem brilho e completamente dispensável, ganhou vida – e que vida! – e background estupidamente surrealistas nas mãos da dupla Miller/Sienkiewicz.

O título foi originalmente lançado em 1986, mas eu fui ler uns três ou quatro anos depois. E agradeço por isso. Não teria aproveitado tanto, caso tivesse lido mais nova.

Elektra Assassin me abalou em vários sentidos. Talvez muito por conta da época em foi lida. Eu era uma adolescente com grandes quantidades de agressividade e rebeldia reprimidos por circunstâncias que não vem ao caso agora. Eu era uma verdadeira bomba-relógio. Que mais tarde explodiu. E talvez continue explodindo até hoje. Explosões menores e agora inofensívas…mas ainda assim, explosões…e eu me identifiquei com aquilo. De imediato.

Elektra Assassin é psicodélico, psicótico, surreal e animalesco em vários ângulos. Uma história surpreendente que mistura política, corrupção, artes marciais, sexo, violência, manipulações, traumas de infância, drogas, loucura, amor, entrega e morte. É altamente conceitual. Uma obra-prima da arte sequencial. Narrativa fragmentada seguida de desenhos ultra-realistas formando um mosaico perfeito entre arte e enredo, coisa pouco comum no meio.

As ilustrações de Bill conseguem expressar completamente toda a densidade e loucura do roteiro de Miller. Em muitas páginas, inclusive, não há texto algum. Somente sua arte. E ele extrapola, pira o cabeção. Usa técnicas diferenciadas, aquarela, fotocópias, fotos, colagens, grampos, nanquim e até desenhos feitos em guardanapos.

É muito difícil expressar em palavras toda concepção e valor artístico que Elektra Assassin carrega.

E Elektra…ela é um caso à parte. Depois que a descobri, ela me tomou por inteiro, não sobrou mais nem um espacinho para qualquer outra personagem de HQ. Ela não é uma heroína. Tampouco uma vilã. Ela é um anti-heroína. É justamente as duas coisas. Flutua, oscila, vagueia entre sentimentos, atitudes, valores e princípios totalmente opostos. É antagônica. É confusa. É traumatizada, doente. Terrivelmente humana.

Ao mesmo tempo que é uma ninja fodíssima, altamente treinada capaz de ler mentes e matar qualquer um em segundos, é extremamente frágil. Apaixonada. Sente medo, sente falta do pai. Projeta no ser amado (Demolidor) a proteção da qual sente falta mas se recusa a admitir. Tem com ele uma relação complicada, de amor e ódio, eternamente mal-resolvida. Toma atitudes movidas por um impulso primal e assassino que a consome, cega, que preenche seu tempo e que ironicamente a mantém viva.

Eu me apaixonei. Não houve como fugir. Era ela. Depois de ler Elektra Assassin, corri atrás de TUDO sobre a personagem. Várias outras revistas, colecionei todos os títulos, outras GN como Elektra Vive, Roots of Evil, minisséries como Elektra Saga. Tudo, tudo, tudo. Nenhum, NUNCA se equiparou à Elektra Assassin.

Se você viu aquela merda de filme que fizeram sobre ela então, esqueça. Aquela boçal retratada ali NÃO É a Elektra. Acredite.

Tenho pôsteres, tenho sketchbooks do Sienkiewicks, tenho camisetas, cheguei até a ter a réplica de suas armas. Entrei no Kung Fu por causa dela. Fiz 5 anos e a primeira arma que quis aprender a manejar foram as adagas Sai, a arma dela.

Eu havia finalmente achado minha heroína. Meu modelo. Alguém confusa e incompreendida que parecia sofrer tanto quanto eu, mas que lutava, lutava bravamente contra isso. Lutava, ainda que por meio pouco ortodoxos, para não pirar de vez. Era uma guerreira. Era durona. Ao menos exteriormente…

E tem mais: fiquei extremamente feliz. Porque ela não era real. Minha “ídala” era alguém que não existia. E aí, me senti ainda mais parecida com ela.

É claro que depois, mais velha, amadureci (será?) e aprendi admirar pessoas reais que de fato fizeram e fazem diferença no Planeta Terra ou ao menos em meu microcosmo…mas ela ainda está lá…É minha predileta. E toda vez que eu pego essa maldita minissérie pra reler, consigo sentir o frio na barriga, exatamente como na primeira vez. É meu quadrinho predileto. Sem dúvida alguma. É isso.

Aqui está o site do Sienkiewicz

Depois escrevo sobre 300 de Esparta, também de Miller e eventualmente sobre outras HQs igualmente importantes para mim.

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Deus está entre nós…

22 outubro, 2006

Porque hoje é dia de música e…do que eu estava falando mesmo?

Arcade Fire & Bowie.

Cortesia da Pati Köhler

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Quando eu morrer

19 outubro, 2006

Quando eu morrer, ao contrário do que diz o samba, não me enterrem na Lapinha. Nem na latinha, segundo o “virundum” do mesmo. A não ser que seja uma lata daquelas onde se guardam rolos de filmes 35mm. Ou uma lata de bombom. Vou me sentir confortável nas duas. Ok, pode ser uma lata de Pringles, vai. Sour Cream ‘n Onion. Aceito sugestões de outras latas igualmente originais.

O fato é que quero ser cremada. Sempre quis. Portanto, guardem bem, que esse texto sirva de documento: quero que todos os meus órgãos sejam doados e quero ser cremada. Burned. Incendiada. Tostada. E durante o ritual não quero choro (no sentido de lamentações superficiais) nem vela, tampouco uma fita amarela.

Socorro, me poupem de desgostos ao menos na hora da morte, vá! Não quero flores também. Não aquelas fedidas e de pobre, tipo margaridas e crisântemos. Só aceito rosas vermelhas. Ou orquídeas púrpuras. Pode ser orquídeas negras também. Se alguém me amar o bastante para conseguir encontrá-las…A Alê Archenar pode cuidar disso. Confio no bom gosto dela. Sempre confiei.

Não quero chatice nem silêncio. Façam silêncio depois, seguido de um sorriso, toda vez que se lembrarem de mim. Quero música e bebida. Quero que “bebam a morta” em grande estilo. Mas bebam mesmo. Chapem o coco. Saiam trançando as pernas, abracem-se e aí sim, chorem minha partida. Não vou dizer que não quero que chorem, seria hipocrisia. Chorem, mas chorem bêbados. Porque aí eu vou saber que foram sinceros. In vino veritas.

O Ian pode preparar caipirinhas e o famoso “Celebração Tropical”. Perfecto. Performances também seriam bem vindas. O Helder ou a Alê Souza poderiam cuidar disso.

E atenção: nada de comida. Quem quiser comer que coma em casa. Vê se eu tenho cara de quem serve buffet em cremação? Uóh. Not-chic at all. “Cocrete”, empadinha e coxinha é o caralho, minha cremação não é boteco de esquina. É um evento. Sei que vai ficar todo mundo com fome por conta do cheiro de churrasco, sei também que outras lembranças hão de aflorar a medida que imaginarem meu corpitcho sendo lambido pelas labaredas… mesmo assim, contenham-se e cada qual que coma o que/quem quiser em vossa residência e venha de bucho cheio para aguentar a bebedeira.

E tratem de não transformar a porra do cerimonial numa discoteca xumbrega e barata, peloamordedeus. Só quero músicas temáticas. “It’s a Fire”, “Fever”, “Burn” ou qualquer outra música que lembre a minha pessoa, a tal altura já devidamente pulverizada.

Mas nada de coisas ordinárias e manjadas como “Born to Be Wild”, “Easy Livin’” ou “Real Wild Child”…quero coisa boa…. DAVID BOWIE, por favor. Adoraria ser queimada ao som de sua voz…. “Ashes to Ashes”, “Rebel Rebel”… podem abrir uma exceção sobre o tema e tocar “Space Oddity”….que tal? – “Now it’s time to leave the capstule if you daaaare…. Am I sitting in a tin can… faaaar above the world, Planet Earth is blue and there’s nothing I can do….” LINDO. Pode ser música clássica também. Essa fica por conta do Miltão. Deixem sugestões nos comments…

O Bia, o Tailão, o Társis ou o Doni podem ficar responsáveis pelo repertório. E se o Biajoni, aquele brega, escolher alguma música folk eu volto do pó e o asfixio. O discurso eu quero que seja escrito pelo Ina, pelo Nelsão ou pelo Rafa. E meu epitáfio, no jazigo (vou ter jazigo só pra constar que morri, vai que alguém duvida? Meus credores, por exemplo) tem que ser o seguinte: “Morreu tal como viveu: em chamas”. Coisa assim. Ou algo escrito pelo Flávio Prada. Tenho certeza de que ele vai acertar em cheio.

Minhas cinzas vão ficar com a Giseli. Minha marida. O amor da minha vida. A única que foi capaz de me agüentar e que tenho certeza de que não vai me decepcionar no final. Já combinamos tudo. E eu vou falar pra vocês, porque vou demorar pra morrer (vaso ruim…) e vocês nem vão se lembrar do que escrevi, portanto vou falar mesmo.

Ela vai esperar um ou dois meses depois da cremação e vai chamar a todos para um grande jantar, em memória de minha morte. Este vai ser num lugar chiquerrérrimo, com uma mesa longa, enorme e todos vocês ali. Lugares serão separados pela Beta. No centro da mesa, claro, candelabros e rosas vermelhas. Bem gothz. A Viva pode cuidar da decoração, (mas nada de rosinha!)a Sandra e a Maira, da organização. A Gi TAMBÉM vai coordenar o menu, que não vai ter nada que se coma com a mão ou sopas, porque eu ODEIO. Odeio sopas. Já disse isso pra vocês? Não? Pois então. Odeio. Coisa mais sem graça do mundo, sopa. IRRRC. Comida de gente DOENTE e banguela.

Ao contrário disso, quero pratos suculentos, que vocês possam morder, apetitosos e exóticos, tal como eu fui. Carnes mal passadas e de caça. Pode ser frutos do mar também. Adoro! Lagostas! Oh, que delícia! Arroz…iguarias diversas, de várias culturas, ricas em especiarias.

Quero um verdadeiro banquete. A Pat Köhler vai levantar um brinde. A Juju vai escolher as bebidas. E todos vão beber e comer até se fartar e vão voltar para casa perguntando-se o que havia de tão especial naquela comida que alterou os ânimos, despertou o apetite, alegrou, satisfez e deixou um gosto apimentado, inesquecível e indescritível na boca de todos os presentes…

Só não vale passar mal, pô!

Heheh….

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Sempre é tempo de voltar

18 outubro, 2006

Assistir Almodóvar, pra mim, é como estar na casa da vovó num domingo à tarde e um tio meu, já meio alto de vinho, resolver, pela qüinquagésima vez, rever a fita VHS da festa de fim de ano de 1999/2000…a mais divertida que a família passou.

Assistir Almodóvar, pra mim, é sentir em cada poro e imprimir em cada neurônio todas as particularidades e idiossincrasias inerentes aos relacionamentos humanos e perceber como somos únicos, complicados, adoráveis, monstruosos, bondosos, doentes… é ver que minha família, que é totalmente almodovariana, como disse em algum texto abaixo, apesar de todas as rusgas, dificuldades, estranhamentos e tragédias, não é tãããão estranha assim.

Volver, seu novo filme, fala novamente sobre relacionamentos. Mas nunca de um jeito piegas, convencional ou moralista e sim de uma forma densa, sem ser pedante, divertida, sem ser leviana. O homem tem o dom. Sinceramente.

Volver, como a palavra já diz, fala exatamente sobre voltar. Voltar para reparar erros. Voltar daquele lugar pra onde a vida acabou te levando, por uma coisa ou outra, por escolhas feitas, por palavras ditas, mal ditas e não ditas, por mágoas, mal-entendidos e tragédias e tentar arrumar tudo. Reatar os laços.

A história focaliza novamente a relação mãe-filha, o que pra mim é muito importante pois tenho GRANDES dificuldades nessa área. Talvez por isso mesmo o filme tenha me feito imensamente bem.

Nele estão: Penélope Cruz: lindíssima com alguns quilinhos a mais, voluptosa, exuberante, vibrante e magnética, a sempre ótima Carmen Maura, Lola Dueñas: admiravelmente cômica e Blanca Portillo.

O enredo parece meio esdrúxulo mas é maravilhoso: Depois de sua morte, a mãe (Carmen Maura) retorna à sua cidade natal para tentar consertar situações que não pôde resolver em vida e isso acaba revelando certos “esqueletos no armário” de todos os envolvidos.

Nem é preciso dizer que a fantasminha camarada causa um alvoroço na vida das filhas Raimunda (Penélope) e Sole (Lola Dueñas) que vivem entre o povoado interiorano e hiper supersticioso onde moravam (e para onde a mãe volta) e Madrid, uma analogia à dicotomia e a dificuldade de aceitação entre o místico (o vilarejo) e o real (Madrid, a vida corrida na cidade grande).

Mas, além do plot principal, o filme é permeado por historietas paralelas, engraçadíssimas, trágicas, reveladoras, supreendentes e incrivelmente poéticas, no melhor estilo Almodóvar.

O final é consolador e convida à reflexão, mas você não vai sair, de modo algum, pesado ou triste da sala de cinema mas sim com aquela sensação que descrevi acima: de identificação e de que “de perto nenhuma família é normal.” A não ser que sua seja realmente DOENTE e não tenha nenhum problema…vai saber, né?

Eu e a Viva (minha grande, grande, grande amiga) saímos simplesmente extasiadas. Ahh sim! Ele está na 30ª Mostra Internacional de Cinema de SP.

Não deixe de ver. É um filme delicioso. A trilha sonora também é apaixonante. Por falar nisso, a escola onde fiz flamenco durante muito tempo vai se apresentar no Café Piu Piu dia desses. Vejam o flyer aqui. Não, eu não vou dançar. Não dessa vez…aguardem.

Miltão está com um quiz ÓTEMO

Giseli deixou aflorar seu lado Bette Davis

Társis postou algo tragicômico, eu diria assustador

Bia cedeu à pressão das más-companhias e virou ladrão

UPDÊITE: Bruno me deu um orgasmo virtual, com isso!

É isso aí : )