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Para o alto e avante!

4 outubro, 2006


JLA por Ed Benes

O brasileiro Ed Benes, (nome artístico de José Edibenes) a exemplo de conterrâneos como Mike Deodato Jr. e Ivan Reis (esse eu conheço pessoalmente e é gente finíssima!) escalou a duras penas o caminho das pedras rumo ao mercado de HQs americano e finalmente alcançou o referente ao Everest do meio.

Esse cearense de 33 anos, natural da cidade de Limoeiro é o atual desenhista principal dos maiores ícones dos quadrinhos americanos e – porque não? – mundiais: Super – Homem, Mulher Maravilha e Batman – no título mensal Liga da Justiça, publicado lá fora pela DC Comics e aqui no Brasil pela Panini. Só para vocês terem uma idéia, em agosto Benes levou a revista ao primeiro lugar em vendas nos EUA, com mais de 200 exemplares vendidos. A DC está rindo à toa.

O talento de quadrinistas brasileiros é muito apreciado no mercado americano e abre uma porta enorme para possíveis e futuros artistas que, a exemplo de muitos outros segmentos da arte e cultura no Brasil, não teriam nunca, sequer, uma oportunidade de apostar e seguir tal carreira por aqui. Ed, na verdade, já faz parte de uma segunda geração de artistas que invadiu as principais revistas da Gringolândia.Tudo começou na década de 90 com Marcelo Campos (Mark Campos nos EUA) e Mike Deodato Jr., que começaram com pequenos títulos até chegarem a personagens chamados de “carros-chefe” de algumas publicações, caso de Homem-Aranha e Super-Homem, por exemplo.

Hoje os brasileiros estão em quase todas as editoras, das menores às gigantes como Marvel e DC e, muitas vezes, com contratos de exclusividade. Benes, por exemplo, está no fim do primeiro de três anos de contrato com a Detective Comics e já tem autonomia para efetuar algumas mudanças, como escolher ser o arte-finalista de seus próprios desenhos.

Como a maioria dos artistas do gênero, Ed começou a desenhar por puro hobby personagens dos quais era fã na infância, como He-Man e Thundercats. Por coincidência (ou não), um de seus primeiros trabalhos nos EUA foi justamente ilustrar a revista em quadrinhos dos Thundercats, oportunidade que ele agarrou com unhas e dentes, a realização de um verdadeiro sonho de infância.

A grande virada se deu, no entanto, quando ele pegou o badalado título X-Men, que acabou levando-o a trabalhar com um dos principais desenhistas americanos de hoje, o sul-coreano Jim Lee (que eu simplesmente ODEEEEIO) e daí pra frente foi rumo ao topo.

Hoje, Ed mostra seu trabalho em grande estilo e exibe o título de primeiro artista brasileiro a conquistar o topo da lista das revistas em quadrinhos mais vendidas dos EUA, nesta década.

Lamentável no entanto é a descrença, a falta de incentivo de editoras, escolas, governantes, formadores de opinião e quaisquer outros orgãos/pessoas que poderiam, de alguma forma, apoiar a produção e o crescimento da indústria de Quadrinhos no Brasil. Eu, como leitora assídua, fã, colecionadora e apaixonada pela arte seqüencial tenho vontade de chorar, por vezes. Fica aqui o meu protesto.

Enfim, vinte mil vivas para Benes. Muita força aos brasileiros desenhistas de HQ nos EUA ou onde quer que estejam. Sucesso, sempre. Para o alto e avante!

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6 comentários

  1. Esse preconceito, acredito eu, vai acabar por aqui (no Brasil). Os velhos babões vão morrer e seus filhos vão ditar a nova cultura (assim rezo).

    Essa história de que quadrinhos e animação é coisa para criança (e muitas vezes é, mas esse termo vai na cabeça deles como se fosse coisa para gente que ainda não pensa direito), vai acabar. Isso é uma manifestação, é uma arte e das mais belas! Long live talented brazilians in Uncle Sam’s land! E no Brasil também, em breve! Legal esse blog.


  2. Oi Guz, tudo bem? Quanto a história de que quadrinhos é coisa pra criança, isso foi uma idéia disseminada nos tempos de Getúlio Vargas e por alguns representantes da igreja católica, que combateram durante longos anos a publicação do famoso Suplemento Infantil, editado por Adolfo Aizen, o grande visionário responsável por trazer os quadrinhos dos EUA ao Brasil. É uma história muito interessante e indispensável a todos aqueles que gostam de HQ e cultura e está retratada na íntegra no ótimo livro de A. Gonçalo Junior “A Guerra dos Gibis”. Procure e adquira de alguma forma, vc vai adorar. Obrigada pela visita e volte sempre!


  3. Como tem sorte as pessoas que fazem uma carreira do seu sonho de infância!!

    É gata… nesse país qualquer trabalho sem carteira assinada é bico, é coisa de vagabundo, é sem futuro. Se você não está batendo cartão das 9 às 6, então está perdendo tempo, sonhando, adiando a realidade, essas merdas. Só saindo mesmo. Eu vejo a mesma coisa acontecer com instrumentistas, compositores, bailarinos… faz parte.


  4. Das 8 às 18, vc quer dizer!!! Trabalho semi-escravo, MESMO.

    Boa sorte para os ilustradores Brazucas e espero que isso abra espaço para outros cara talentosos.

    beijo


  5. completamente off-topic e atrasado: tu já escutou o Karmacode, do Lacuna Coil? se sim, achou quanto ruim? pouco? muito? hmm?

    (ps: te imaginei delirando com a versão de ‘enjoy the silence’. :-))


  6. Putz, valeu mesmo pela dica do livro. Já encomendei! =D



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