Archive for novembro \21\UTC 2006

h1

Encontros celulares I

21 novembro, 2006

08:30 – Academia. O celular de Ana toca:

-Alou…alou? Alooou? Ah..

Desliga.

-Que foi? – Pergunta ofegante a colega na esteira ao lado.

-Sei lá, acho que foi engano.

12:00 – Restaurante. O celular de Ana toca:

-Alou?

-Alô…quem é você?

-Como assim quem sou eu? Foi você quem me ligou!

-Você tá saindo com meu marido?

-Como é que é? Quem tá falando?

-Escuta, eu tava olhando o telefone do meu marido achei esse número e caiu no seu celular…você conhece ele?

-Sei lá! Quem é teu marido?

-Gilberto. Gibão.

-Gilberto? Não conheço nenhum Gilberto…o que ele faz?

-É advogado.

Silêncio.

-Olha, nem sei quem é, minha senhora, se você está desconfiada porque não conversa com ele e…

-Já conversei, já conversei…sabe como é homem, né? Nega tudo até a morte! Mas vem cá , você não conhece mesmo ele? Porque se conhecer ou mesmo tiver algo com ele, pode falar, viu? Nem vou me abalar, só queria tirar essa pulga detrás da orelha, sabe? Até porque eu gostaria de conhecer a corajosa que consegue sair com aquele traste…

– Minha senhora..er…qual seu nome mesmo?

-Telma…

-Telma, olha,eu vou te dizer: eu não gosto de homem, ok?

Silêncio.

– Ah..então você é sapata?

– Não,  sou homossexual.

-Ahhh…tá…

Silêncio.

-Vem cá…como é que você é, hein?

Anúncios
h1

Letargia

19 novembro, 2006

Há uma tempestade lá fora. Relâmpagos e trovões, telhas voando, gente correndo e gritando e uma chuva grossa e morna  que lava a cidade.

É noitinha e estou sozinha. As luzes apagadas. Sinto o vento gelado que invade o quarto pelas frestas da porta, ouço seu assovio sofrido e aspiro lenta e profundamente o cheiro da água que imediatamente evapora ao bater no asfalto quente de um dia inteiro.

Através da janela que treme avisto a rua e de repente me sinto num filme expressionista alemão. A refração da água escorrendo pelo vidro distorce as imagens e tudo ganha um tom acinzentado devido à força da chuva. Sorrio e me imagino trajando um figurino dos anos 20/30…  Estou em paz. E é tão bom ter consciência disso.

Estou em paz. Estou em outro momento. As coisas mudaram, o vento mudou… e talvez tenha trazido essa tempestade. Mas só lá fora. Aqui dentro, está tudo calmo. Pela primeira vez em muitos anos…está tudo calmo. E sou grata, finalmente.

Estou pronta.

Tenho sono. Meus olhos pesam. Pisco demoradamente e uma melodia emerge de minha memória…queria que você estivesse aqui, agora. Talvez esta seja minha única inquietação no momento…mas a melodia…você a conhece: sing me to sleep…sing me to sleep..I don’t want to wake up on my own anymore…Não quero. Não mais. Mas eu espero…

Me deito, junto as palmas das mãos e as levo junto ao rosto. Fecho os olhos e as notas do piano ficam cada vez mais audíveis, como se alguém as estivesse tocando bem ali, no quarto…balbucio a letra e repito seu nome….respiro fundo…

Não vejo a hora de acordar a seu lado.

********************************************************************************

A música? É essa.

A melhor banda do mundo… e eu tinha até esquecido que hoje era dia de música….

Asleep – The Smiths

Cante para eu dormir
Cante para eu dormir
Estou cansado e quero ir para cama…

Cante para eu dormir
Cante para eu dormir
E então, me deixe sóNão tente me acordar de manhã porque eu já terei partido
Não se sinta mal por mim
Quero que você saiba, do fundo do meu coração, que eu estarei muito feliz em ter ido

Cante para eu dormir
Cante para eu dormir
Não quero mais acordar sozinho
Não se sinta mal por mim
Quero que você saiba, do fundo do meu coração, que quis realmente ir

Existe um outro mundo
Existe um mundo melhor
Bem, deve haver….deve haver

h1

Dura lex sed Panex

15 novembro, 2006

 

Eu odeio televisão. Sério, odeio. E esse ódio tem raízes justamente no fato de eu ter trabalhado no meio, como produtora, tradutora e legendadora de séries e filmes e diretora de dublagem durante um tempo razoável de minha vida.

Como legendadora, eu era obrigada a assistir ao aparelho por mais de 10 horas por dia. E a época que trabalhei como produtora foi, de longe, o período mais workaholic sem noção que já experimentei, mais até do que trabalho em jornal diário. E olha que esse último é MUITA pauleira. Não tinha tempo para absolutamente nada além de trabalhar. Comprometi minha saúde e minha sanidade mental (essa eu nunca possui em grande quantidade, mas, enfim) e talvez por isso eu associe televisão à escravidão, afinal. Até rima, olha aí.

Escravidão, indução, persuasão, manipulação, imposição, coação, obrigação, sujeição…tudo isso eu associo à televisão. É claro que poderia incluir na lista palavras como “diversão” e “informação”, mas consigo me divertir e me informar por outros meios, e no entanto…Adoro séries e filmes, claro, mas por isso mesmo evito me deixar dominar por eles. Séries eu vejo de vez em nunca (sim, eu não fui contaminada por LOST…a última vez que fiquei fatalmente viciada foi com X-Files e Millenium dos quais sou fã até hoje) e  quanto a filmes, prefiro alugar DVD ou ir ao cinema, minha grande paixão (se bem que Telecine Cult é tudo de bom…) mas, chega de filosofia de boteco.

Toda essa introdução foi só pra falar que, em meio a um intervalo necessário de trabalho, para aliviar minha cabeça e pôr meu cérebro de molho, resolvi sair da frente do computador e me jogar no sofá por 15 minutos para assistir televisão. Mal sabia eu que ao invés de me relaxar tal decisão teria o efeito contrário.

Primeiro, porque minha mãe está sincera e tristemente adicta em programas de culinária. Não aguento mais. Preciso ter minha casa novamente…NOW!, Como bem diria Jack Bouer. Segundo, porque a maioria dos programas sobre o assunto na TV aberta ( pior, ela estava assistindo TV abertaaaa!) são grosseiramente MAL-FEITOS e eu, como cri-cri perfeccionista e profissional do meio, inevitavelmente presto atenção a TODOS OS ERROS e até no que não é necessariamente erro… trocando em miúdos, é um inferno.

E terceiro, porque essa merda de País é extramente machista. As mulheres aqui são machistas…O que tem a ver uma coisa com outra? Explico.

Tudo começou com um comercial de panelas. Até ai, tudo bem, intervalo de programa de culinária, nada mais marketeiro e conveniente do que um comercial de panelas, mas o problema não foi esse. Abre: o dito cujo mostrava cenas de várias donas de casa frustradas usando frigideiras velhas com teflon vencido. Num rompante de revolta, todas elas saem de casa e lançam as frigideiras na caçamba de um caminhão de lixo que eventualmente cruzava as ruas do condomínio fechado e perfeitinho onde moravam, no melhor estilo Desperate Housewives. Corta: Inserts de cenas demonstrando a performance de frigideiras da marca em questão, com seu teflon perfeito e duradouro. Corta: logotipo da marca, uma menininha em plano aberto, usando um vestidinho e trancinhas e segurando uma frigideira, seguido do grand finale, em off: “Panex, uma nova geração de panelas para uma nova geração de mulheres”. Fim.

Fiquei revoltada. E olha que não sou feminista, já falei: o feminismo é coisa de mulher mal-comida. Mas fiquei revoltada porque o comercial está simplesmente fora da realidade das grandes metrópoles brasileiras do séc XXI que, creio eu, seja o público-alvo do produto. 

No comercial só havia mulheres. Hoje em dia sabemos que a coisa não é bem assim. Os homens também cozinham, também compram panelas, também se revoltam por essas panelas serem de má-qualidade, também decidem se tal marca é melhor do que outra, também são donos de casa, criam filhos sozinhos e mais uma série de outros papéis que antigamente cabiam só às mulheres.  Mas o mais revoltante, pra mim, no caso, foi o slogan escancarado e paradoxal: Uma nova geração de panelas para uma nova geração de mulheres? Que porra é essa? Nova geração de mulheres que continua fazendo exatamente o que a geração passada fazia? É o fim da picada, vai dizer? E pior é que um filme desses passa por uma equipe enorme para ser aprovado e veiculado…será que ninguém atentou pra isso? Burrice, incompetência profissional, preconceito e falta de criatividade, tudo em dois minutos, só pra você!

Conclusão: decidi desligar a televisão e voltar pro trabalho.

Updêite: Quer ver outro exemplo de idiotice em massa? O comercial das Tintas Coral.

Ele mostra um casal, em seu quarto, com um bebezinho que brinca com um controle remoto em cima da cama. Sem querer, de repente o bebê aperta um botão do controle e o quarto escurece, cortinas se fecham, uma música de motel começa a tocar e a cama (redonda) começa a girar. O bebê morre de rir, claro, e os pais fazem aquela cara de “Ihh e agora?” – Aí o narrador diz que mudanças são necessárias na vida e as Tintas Coral fazem parte dessas mudanças. De repente o quarto ganha tons pastéis, uma cama normal (retangular) e os pais brincam candidamente com o bebê sobre ela.

Razão da revolta: Sim, eu sei que quando os filhos nascem muita coisa muda na vida do casal, inclusive a a rotina sexual, mas porque deixar a coisa descambar? A “peteca cair”? Não vejo relação alguma, sério.

Moral da peça: Quando os filhos nascem fica-se assexuado não se pensa nunca mais em sacanagem e vira-se um careta porque não se transa mais, agora somos “pais” = gente chata e estressada. Ponto.

É ou não é lavagem cerebral de falso moralismo? Depois a galera se pergunta o que deu errado na vida, no  relacionamento, na criação dos filhos…  de repente, me surgiu uma outra idéia de frase célebre para estampar camisetas:

“Dá pra fazer diferente”  É uma máxima. Serve pra tudo.

h1

O que há velhinho?

13 novembro, 2006

Tô sem tempo  PRA NADA…nada, nada. Nem pra escrever…

Agora, que tal esse coelhinho da Alice hein?

By Helmut Newton, baby…Adoro o trabalho desse cara. 

É tarde..é tarde, é tarde, é tarde, é tarde…! 

h1

Como uma criança novamente

12 novembro, 2006

Ser como uma criança. Deveria ser nossa meta.

Hoje é dia de música. E essa é minha predileta do The Mission (pq eu ainda sou gótica…uma criança gótica)

A única coisa que não gosto no clipe é desse palhaço freak tocando violino. Odeio palhaços! Aliás, o arranjo de cordas dessa música é fenomenal, atentem…

E a letra…ahh a letra. É uma daquelas que a gente queria ter escrito, manja. Eu queria MUITO ter escrito essa letra. Mas o Wayne chegou primeiro…

“O grande homem é aquele que não perde o coração de criança.”  – Confúcio

Enjoy.

Like a Child Again – The Mission

I‘m not scared anymore
I‘m not scared of the dark when I sleep with you

(Eu não tenho mais medo
Não tenho mais medo do escuro quando durmo com você)

And I‘m feeling alive
And I‘m feeling strong again when I‘m with you

(E eu me sinto vivo, eu me sinto forte novamente quando estou com você)

And it hits me
Just like a runaway train

(E esse sentimento me atinge
Como um trem desgovernado)

And it blows me away
Just like a hurricane

(E isso me deixa atônita, me golpeia
Como se fossse um furacão)

You make me happy and I hope you feel the same
You make me feel just like a child, a child again

(Você me faz feliz e eu espero que você sinta o mesmo
Você me faz sentir como uma criança, uma criança novamente)

I‘m not trapped anymore
Between Madonna and the whore when I lay with you

(Não me sinto mais acuada entre a santa e a puta quando me deito com você)
And the days run away
Like wild horses run away when I‘m with you

(E os dias correm como cavalos selvagens quando estou com você)

And I‘m breathing you in
Just like the morning air

(E eu te respiro como ao  ar da manhã)

wrapping you around
Just like a skin to wear

(E eu me envolvo em você, como se vestisse uma segunda pele)

Oh sweet thing
I‘m born once again
For you sweet thing
Just like a baby again
You make me happy and I hope you feel the same
You make me feel just like a child, a child again

(Oh, que coisa mais doce
Eu nasci novamente
Por você, doçura
Sou como um bebê novamente
Você me faz feliz, e eu espero que sinta o mesmo
Você me faz sentir como uma criança, uma criança novamente)

h1

Veneninhosssss…

10 novembro, 2006

Conversa entre eu e minha marida…no MSN

Gabi diz:
Me dá uma roupa peruística de presente de Natal…algo tipo assim: oncinha! Ui!

Giseli diz:
tb quero presente…quero um manual de funcionamento dos homens

Gabi diz:
Te dou o mundo, baby…mas olha, isso eu não vou te dar não…

Gabi diz:
Porque o legal é fazer como a gente faz com qualquer outro eletrodoméstico inútil e que vem com manual…

Gabi diz:
Ignora o manual… fuça, fuça, fuça…erra, erra, erra…até quebrar e foder com tudo. Daí  joga fora e compra outro… simples.

Giseli diz:
Huahhaahaha…perfeito!

************************************************************************

 A banda Luxúria

A bandinha Luxúria, de pop rock óbvio e que conta com a crooner Meg Stock (que é linda, aliás) como principal e único chamariz, é uma  bosta de proporções apocalípticas. A começar pelo nome  isca-de-adolescente-punheteiro…

Bandinha ordinária, com composições fracas, letras raquíticas metidas a pseudo-poéticas e visualzinho podre, oscilando entre o emo, o gothic e o punk… pura carcaça. Um horror. Filhotinho com defeito de outras lástimas como Pity e quetais. Porque será que mulheres que se prezam a cantar rock nesse País têm que viver à sombra de Rita Lee? Cristo…. nada contra Rita, mas….FAÇAM ALGO NOVO! Peloamordedeus…

Sem falar na voz de Meg, que é linda, como já disse, mas de boca fechada.

Você grita demais, minha filha.  Demais. E dá aquelas esganiçadinhas agudas que penetram os ouvidos feito garfo de churrasco, manja? Sem contar as tentativas de “scats” a lá Janis Joplin…terrível, terrível.  Nem em seus momentos mais trêbados Pearl faria algo tão ruim…

Odeio gritos. Ainda mais em músicas que NÃO PEDEM gritos. Se for um punk, eletro-punk e variáveis aí é outra coisa…mas rockzinho-pop-trilha-sonora-de-bailinho-da-vassoura? Ahh não dá!

Só existem 3 mulheres de quem aguento ouvir gritos e trata-se e dos gritos mais perfeitos e oportunos do mundo:

-Björk
-Siouxsie Sioux
-Karen O

O resto precisa aprender a gritar de verdade, na hora certa..e no estilo de música certo, por favor.

ARGHHHHHHHHHHHHHHHH!

Updêite: Foto minha e da ALÊ no Zombie Walk 

h1

O Império dos Sentidos

8 novembro, 2006

Os dias pra mim têm cores. Sim.

Segunda-feira é cinza (óbvio)
Terça-feira é verde
Quarta-feira é roxa
Quinta-feira é amarela
Sexta-feira é laranja
Sábado é vermelho
Domingo é azul celeste

5 cheiros que eu adoro:

-Café
-Manga
-Erva-Cidreira (ou capim limão)
-Chuva
-Lavanda

5 cheiros que eu odeio:

-Dobradinha sendo cozida (cheira a cachorro molhado)
-Plástico ou borracha queimada
-Dama-da Noite (aquela flor com cheiro horroroso)
-Cigarro
-Naftalina

5 sabores que eu adoro:

-Chocolate
-Carne
-Morango
-Menta
-Pimenta

5 sabores que eu odeio:

-Jiló
-Sal de fruta
-Ricota
-Dobradinha
-Óleo de Fígado de Bacalhau

5 texturas que eu adoro

-Casca de pêssego
-Barba por fazer
-Madeira (polida ou não)
-Grama
-Água (líquidos)

-5 texturas que odeio

-Metal
-Plástico (menos o bolha, desse eu gosto)
-Mamona
-Gesso
-Jérsey

5 coisas que adoro ver

-Pessoas que amo
-O mar
– Minha gata caçando
-Pôr-do-Sol
-Estrelas

5 coisas que odeio ver

-Multidão
-Lixo/miséria
-Pessoas sofrendo
– A cara do Lula
-Minha conta bancária

5 sons que eu adoro:

-Cello
-Risada de criança
-Piano
-Gemidos de prazer
-Vento assoviando

5 sons que eu odeio:

-Buzina
-Porta batendo
-Sax Alto
-Minha mãe gritando
-Qualquer som agudo demais

Por que eu fiz esse post? Ahhh sei lá!