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A volta dos que não foram

7 dezembro, 2006

Não sei, mas parece que depois do último episódio do garoto gótico de Franca (terra do Roger, ou seja, lugar de gente doida) que tentou roubar um caixão pra fazer de cama a atenção da mídia se voltou para os urugóticos e o assunto vira e mexe volta à baila.

Eu fui gótica. Fui gotiquinha dos 14 aos 20 anos, acho. Na verdade eu ainda sou porque ser gótico é um estado de espírito. Não se trata só de vestir preto, ouvir Sisters of Mercy e fazer coisas estúpidas como roubar caixões, pular muro de cemitérios e dançar com a parede. Mas sim ter uma leve queda pelo lado obscuro das coisas. Pelo oculto, pelos mistérios insondáveis da vida e da morte e principalmente pelo lado negro da estética e da arte. E ainda gosto disso…com 30 nas costas….gostos são difíceis de mudar. Acredito que seja possível apurar seus gostos e até romper preconceitos, mas dificilmente se perde um gosto adquirido.

Não me lembro a data exata em que “virei” gótica. Até porque nunca me considerei uma (parte de ser gótico está em nunca admitir que se é um) 

Não foi uma coisa tipo “Poderosa Isís” em que se dá uma voltinha e bum! De repente se está vestida como a Noiva Cadáver. Foi aos poucos. Começou com literatura, creio eu. Na escola. Sempre me refugiei nos livros e sempre fui muito amiga de todos os meus professores de português, a quem constantemente pedia recomendações de leitura. Algum deles, em certo momento da minha turbulenta e revoltada adolescência, me recomendou Edgard Allan Poe. Decerto deve ter sido um que identificou minha melancolia inata e achou que eu fosse gostar. Bingo.

Daí pra ler o resto da “gangue do mal” (Baudelaire, Lovecraft, Byron, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, etc, etc…) foi um pulo. Devorei todos e me empregnei daquela tragédia e ultra- romantismo impossíveis e insuportáveis. Aí a coisa passou pra arte. Giger era meu ídolo. Isso em se tratando de modernismo… Aí comecei a mudar meu guarda-roupa para cores escuras: marrom, roxo, azul marinho, até chegar finalmente no preto, que eu amava (amo até hj!). Não que eu não usasse outras cores, mas tinham que ser todas escuras. Sempre. Nada de tons pastéis. Socorro. Coturnos, tachinhas, couro, rendas e tule. Cabelos coloridos também faziam parte da indumentária. Quase fiquei careca inúmeras vezes…

E, como não podia deixar de ser, a coisa também influenciou meu gosto por música. Eu sempre gostei de música triste, melancólica, em tons menores, com piano ou arranjo de cordas, bem melodiosa. Era isso ou guitarreira ensurdecedora, grunhidos e efeitinhos eletrônicos. 8 ou 80. Pronto. Estava completa a transformação. Só me restava encontrar com outros zumbis e viver triste para sempre.

Mas eu tô brincando, claro. Essa coisa de ser triste, adorar a morte, querer ser vampiro e toda a lenda que envolve a tribo é coisa de gente idiota. É estereótipo. Em todos esses anos nessa indústria macabra, mesmo nos meus dias de ápice de delírio adolescente,  nunca fui capaz de babaquices do tipo. Ou qualquer outra semelhante. Tampouco meus amigos.

Já expliquei aqui (ou foi no Grandona? Num lembro) que os anos nos quais me relacionei com esse povo e mergulhei na cultura gótica/obscura foram os mais esclarecedores e transformadores em termos de cultura geral e pop pra mim. Conheci muita, muita coisa em termos músicais, cinematográficos, artísticos, comportamentais, sexuais, políticos, religiosos naquela época…descobri a vida. Irônico, não?

Éramos tão porraloucas quanto qualquer outro adolescente, dávamos risada de tudo e de todos, brincávamos, tomávamos porre, íamos para as baladas…com a diferença de que talvez tenhamos sido sérios demais por certas vezes. Refletíamos, filosofávamos sobre as coisas, éramos engajados politica e socialmente, começamos a trabalhar cedo a pagar contas, não éramos riquinhos. A vida era dura desde aquela época. Não tínhamos tempo para boçalidades como roubar caixões e tentar beber sangue. Quem faz ou fazia isso era porque não tinha mais nada pra inventar. Era doente, era motivo de sarro.

Os velhos góticos estão por aí. E os novos também Há um bom tempo tá rolando na cultura pop um tipo de “revival” gótico. Essa coisa de EMO, por exemplo, é uma versão BEM MAIS aviadada do gótico. Assim como o gótico era uma versão light da Dark Wave do final dos anos 70, começo dos 80.

A música atual também traz reminiscências góticas. Não consigo deixar de comparar Yeah Yeah Yeahs com Siouxsie, The National com Joy Division e Ladytron com Red Lowry, Yellow Lowry, por exemplo. Isso sem citar outros. Essa moda meio vitoriana, romântica, com rendas, babados e botas de couro por cima da calça, por exemplo. Acham que isso vem da onde? Fico feliz em observar essas coisas. Não sou saudosista, acho que as coisas precisam se transformar, mas fico feliz em saber que fiz parte da raiz do movimento…sei lá. Isso é saudosismo, né? Bah.

Aproveitando o ensejo, quer ver como você se chamaria caso fosse um VAMPIRO?

CLICA AQUI

Eu me chamaria Agnes Fey, conhecida em algumas partes do mundo como “Lilith, a Cruel”.

“Um ser de hábitos pecaminosos que se diverte em atacar inocentes” (ué…mas não é isso que TODOS os vampiros fazem?)

Vai lá e R.I.P. 

9 comentários

  1. Realmente esse negocio de Emo é beeem
    gayzinho…
    meu nome seria: Ethel Drown
    conhecida tambem como: Venus of Vermin
    Feeds upon the creatures shunned by man.

    ;DD


  2. Mais uma aula de cultura pop! E emos são chatinhos mesmo. Vou colocar veneno para emo perto do ralo do banheiro, assim talvez eles não comecem a invadir a casa. Já chega o metrossexual que se escondeu embaixo da pia da cozinha e eu demorei quase um mês para matar.

    Eu fiz o teste também e estou assustada. Meu nome vampiro seria Angelique Spenser, seria conhecida também como Afrodite da Carne (que medo!!), um ser sensual que conhece a carne – e o sangue.

    Ou seja, eu seria a biscate dos vampiros.


  3. É o progresso chegando. Teve bão.


  4. Eu acho que yeah Yeah yeah lembra por demais siouxsie mesmo!!
    eu assim como vc, até os 18/19 era uma gotiquinha😀
    Gotinha entre aspas, frequentava o madame satã e ouvia sisters horas e horas, mas odiava quando alguem me chamava de gotica. ficava possessa.

    Lilith, A Cruel??
    Uau…
    Não vejo lilith como “vampira” ou demonio… enfim…😀

    Eu sou: Gwendolyn du Coudray


  5. Bons tempos que felizmente não voltam mais. Só tenho saudades do pessoALL e do Stale Bread, afinal de contas, era uma boa banda.

    Essas bandas novas versão 80´s são bacanas.
    E o que dizer do She Wants Revenge? Ou BRMC?

    Agora esse Vampirizador é bacana DEMAIS. Olha o que deu meu nome:

    The Great Archives determine you to have gone by the identity:
    Count of Moldovia (AHAHAHAHAH) O Bauhaus devia fazer uma música dessas!

    Known in some parts of the world as:
    Thanatos of Bucharest (AHAHAHAHAH)

    The Great Archives Record:
    A youth seduced by darkness and cults (huuuummmm…. AHAHAHAHAH)

    undead.. undead..


  6. Jacques Blanchard te saúda diretamente das profundas.


  7. Eu nunca fui gótica. Mas descobri que sempre fui e não sabia. Concordo que Emo é modinha, passa…já o coração gótico…

    Bejos
    Mi amor


  8. É, bem essa coisa de nome de vampiro deu esse nome ae, Samuel Maundrell, bem eu gostaria apenas de saber o que significa a outra parte que é:

    Known in some parts of the world as:
    Thanatos of Bucharest

    The Great Archives Record:
    A youth seduced by darkness and cults.

    apesar da segunda parte eu ja souber mais entao fica a dica…. (thiago sampaio)

    Ah, bem tenho que concordar com vc, os goticos nao precisam se vestir de preto para serem e tambem devo acrescentar q nao precisam aparentar tristes, bem estou falando apenas de min na frente das pessoas, sinceramente, os humanos sao seres egoistas…. ate mais…


  9. brincadeira nao levem a mal… ^^”



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