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A cachaça, a propaganda e o sentido da vida

21 dezembro, 2006

Fui correr no parque outro dia e ouvi a nova música do Seu Jorge. Eu, que nem gosto taaanto de MPB,  gosto do negão. Acho ele charmosão, dono de uma voz gostosa e penso que suas músicas são diferentes (ou eram…).  Mesmo depois da merda que ele fez com as músicas do sagrado Bowie na trilha sonora de “A vida marinha com Steve Zissou” , mas enfim…Talvez por todas essas coisas ele seja o queridinho dos modernéts-ultra-mega-nacionalistas-adoradores-de-MPB, e  dos franceses baba-ovos de brasileiros, claro.

Achei a música curiosa. Se chama “Eterna Busca” e nela  Seu Jorge fica repetindo, ao longo de toda a canção, a palavra “sagatiba”. E eu pensando que havia descoberto a pólvora e finalmente encontrado o significado dessa porra de palavra, mas qual! Não é que é MESMO uma propaganda descarada da cachaça Sagatiba?

A cachaça fez um contrato com Seu Jorge numa peça de marketing que tem o intuito de juntar a marca a conteúdos de entretenimento. A vodka Absolut parece que fez o mesmo com alguns artistas lá na gringolândia e lançou um CD exclusivo com faixas desses cantores, entre eles, Lenny Kravitz, tempos atrás.

O que você acha disso? Eu achei péssimo. Quer dizer que agora tem propaganda até em letra de música? Mas música não era pra ser arte? Não só a música em si, mas também a poesia de suas letras? Onde estão as músicas impactantes e relevantes, mesmo que digam “Beat on the brat” o tempo todo, mas que ao menos carreguem em si a “marca de uma geração” (huahah… eu me supero!). Agora eu sou obrigada e engolir propaganda assim, subliminarmente, pensando que estou ouvindo uma música? Cadê meu poder de escolha? Isso é enganação!

Fiquei sem saber o que pensar…sinceramente: é um jingle? É uma música? O que é Sagatiba? Qual o sentido da vida? PRA QUÊ DIABOS SERVE O CARTÃO MAIS DO PÃO DE AÇUCAR? Enfim, essas perguntas que não querem calar…

Falem, falem. O que vocês acham?

(PS: ESTAVA EU ESCREVENDO ESSE POST QUANDO GOOGLEI “ETERNA BUSCA” E CAI NO BLOG DO INA…E VI QUE ELE TINHA ESCRITO EXATAMENTE SOBRE A MESMA COISA…COM MUITO MAIS SERIEDADE, É CLARO… E PESQUISA, E COMPETÊNCIA… E…ENFIM…AGORA JÁ TÁ ESCRITO. FODA-SE, NÃO VOU APAGAR. HUNF.)

5 comentários

  1. O que você acha disso?

    – Uma prática promíscua, já que tu não sabes que é uma propaganda.

    Quer dizer que agora tem propaganda até em letra de música?

    – É um jingle disfarçado.

    Mas música não era pra ser arte? Não só a música em si, mas também a poesia de suas letras?

    – Em tese, devia.

    Onde estão as músicas impactantes e relevantes, mesmo que digam “Beat on the brat” o tempo todo, mas que ao menos carreguem em si a “marca de uma geração” (huahah… eu me supero!)

    – Bem, as pessoas só querem saber da grana, com raras exceções.

    Fiquei sem saber o que pensar…sinceramente: é um jingle?

    – É.

    É uma música?

    – jingle.

    O que é Sagatiba?

    – Uma novela dos anos 80 que o SBT exibe, narrando a luta pela sobrevivência de uma família humilde em Itatiba.

    Qual o sentido da vida?

    – eheheh

    PRA QUÊ DIABOS SERVE O CARTÃO MAIS DO PÃO DE AÇUCAR?

    – Para parcelar sua comida em até 11 vezes sem juros?


  2. Hahahaha! Gabi, eu comentei no Ina mas comento aqui também. rs

    Bom, eu já fui mais fã do Seu Jorge do que sou hoje, mas a responsável por isso foi a parceria medonha com a Ana Carolina (da mesma forma que já gostei mais dela do que gosto hoje, pelo mesmo motivo. Aliás,no caso dela tem um agravante: as versões PAVOROSAS de algumas músicas românticas gringas, feitas em carreira solo antes daquela do Rice, com o Seu Jorge).

    Confesso que, mesmo que digam que o artista pode fazer o que bem quiser com sua música e sua voz, não vejo com bons olhos (ou melhor seria dizer “não ouço com bons ouvidos”? :P) este jeito de fazer propaganda. Se quiser isso, eu ligo a TV, caceta. Comprar CD pra escutar este tipo de coisa num dá. Se bem que eu adooooro a W/Brasil, do Jorge Benjor, então rola uma contradição.😛
    Mas acho que, no caso desta música, ele pouco fala ali sobre a agência, e na verdade eu demorei séculos pra enteder a letra (sim, o jeito que eu cantava era um puta dum virundun, e te faria rir ainda mais do que aquela “Analisando esta cadeira, ela é de palha”… hahaha).
    Beijo!


  3. Pati, penso EXATAMENTE o mesmo.

    Eu ainda tenho o direito de escolha. Eu preciso ter esse direito. Preciso poder escolher entre ver/ouvir/aceitar uma propaganda ou o que quer que seja.

    A coisa não pode ser imposta ou subliminar desse jeito isso é invasão, isso é enganação.

    Terrível.

    E eu ODEIO a Ana Carolina, cruzes. Sempre ODIEI. Queria que ela morresse engasgada.

    No caso de W/Brasil, não foi uma propaganda Patsy. O Benjor tava fazendo uma festa de encerramento de ano na agência do Olivetto e improvisou a letra da música. Ficou tão boa que ele quis gravar. Totalmente diferente.


  4. Pombas, achei absurdo. Putz, quando ouvi a música a primeira vez, pensei nisso, mas imaginei que eu é que fosse ignorante e não soubesse o que era Sagatiba…sei lá. confiei no talento do negão charmoso…putz…entaum..afe que decepção.

    eu curto a Ana Carolina, sem medo..rs. Acho que ela tem seus altos e baixos…normal. o Seu Jorge eu tava gostando muito, esse tropeço foi foda.

    Mas fazer o quê? a porra da grana move nosso mundo. Eu que o diga.

    Saudades de papos assim…


  5. o cartão mais do pão de açúcar nada mais é que uma ferramenta de marketing para que saibam exatamente tudo sobre a sua vida.

    já ouviu falar que o lixo de uma pessoa diz tudo sobre a sua vida? pois bem, o cartão mais se antecipa a isso e registra tudo aquilo que vai se transformar em lixo.

    por isso eles têm a noção exata de qual pasta de dente você mais gosta, qual sua marca de sabonetes preferida, qual o horário que costuma fazer compras, quanto gasta em média, qual a cor da sua calcinha, enfim… vc nem imagina o poder do cartão mais.

    por isso, nunca aceite esse pequeno pedaço de plástico que te promete milhares de vantagens. vantagem e correr do pão de açúcar e qualquer estabelecimento de propriedade da aristacrática família DINIZ.

    é isso.
    aquele [abraço]
    fabrício



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