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ÔXE!

26 dezembro, 2006

Não sou Cravo & Canela, mas escrevi um texto igualzinho aos de Jorge Amado:

De quando Oxóssi novamente escutou Deusdete.

A lavoura de cacau pedia trégua. A fazenda Moinho Velho já não agüentava mais tanta devastação e pedia clemência da vassoura de bruxa. Da mesma forma que a cidade inteira pedia alguma solução. Enquanto coronel Ramiro especulava na capital alguma forma lucrativa de negociar a venda da sua propriedade, Deusdete apelava para que Oxóssi mandasse embora aquela maldição. Com os homens sem dinheiro, ela e suas cabritas não tinham futuro. O atrevimento estava sendo substituido pelo desânimo. As carolas seriam as únicas felizes, porque só elas dão valor para a tristeza.

Até o paciente Marrakesh foi visto chutando um sapato e gritando para a poeira que se levantava na frente da venda:

– O que eu fiz para merecer isso?

O cabra tinha enlouquecido. Não havia mais o cheiro de strogonoff saindo das janelas. A praga extinguiu também a possibilidade de possuir batata nas despensas. Não havia lugar nem mais para o tesão. Foi assim até o dia em que viram Deusdete cuspir. Era o sinal. Sempre que Oxóssi a ouvia, isso se repetia. Dito e feito. Em um mês a praga abandonava a cidade, a fazenda Moinho Velho e os pesadelos de Deusdete, que – depois de ser ouvida -, resolveu toda noite em total atrevimento, dançar e exibir sua obscena xavaska na frente da igreja, sem ligar para a oculta ameaça de uma faca.

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2 comentários

  1. HAHAHA que excelente!!
    Eu dei mta risada com esse treco!


  2. Da primeira vez que a língua de Marilene encontrou as mãos de Saddan

    Saddan não agüentava mais as provocações de Marilene. A mulher do Coronel Argemiro Furtado todo dia arrumava uma desculpa para aparecer no armarinho. Sempre com a saia curta e o descaramento menor ainda. Falava do marasmo de viver na fazenda Santa Genoveva, dos suores noturnos, do tesão estancado em seu coração. O turco tentava mudar de assunto.

    – Me deixa, mulé do cão!

    Mas quem disse que adiantava? A mulher sempre arrumava um jeito de voltar ao ataque. Usava técnicas de baixeza inomináveis. Chegou até a preparar um prato de macarrão (inegável afrodisíaco), ainda caprichado na mostarda , só para Saddan não ter como recusar o agrado.

    Orientado pela negra Juventina, o dono da armarinho resolveu a fazer um despacho para EXU, na tentativa de se livrar da fazendeira e da perspectiva de ser atravessado por uma faca. Até cacarejar o turco fez, para ver se passava por louco e espantava a insistente. Mas ela tinha o corpo fechado para despacho e aberto para teimosia. Num dia de calor retado, Marilene entrou no armarinho com a desculpa de comprar um cueca amarela. Saddan não tinha cueca amarela a venda. Nem como resistir à língua de Marilene exposta daquela forma formosa. Danou-se.



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