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Travessuras da Menina Má

8 janeiro, 2007

Sempre gostei de Vargas Lhosa. Aliás, descobri há alguns anos que a literatura latino-americana é, definitivamente, minha predileta. Nós temos mais “fogo nas entranhas” se é que você me entende…Adoro a narrativa fácil, ágil, descritiva e recheada de referências de Lhosa. Já havia lido “Pantaleão e as Visitadoras” e “La Fiesta del Chivo” e amado. Acontece que uma de minhas melhores amigas, que também adora ler, ia fazer aniversário. E eu  decidi lhe dar um livro.

Entrei na livraria sem saber o que comprar. E toda vez que entro numa livraria é o mesmo suplício. Você entra com uma dúvida: não sabe o que comprar e sai com uma única certeza: a de que ganha muito pouco.

Fiz uma pilha com 7 livros e já me dirigia  ao caixa para fazer o uni-duni-tê, quando passei por um display que exibia a nova obra do autor peruano.  Larguei todas as opções e apostei nele sem medo.

Acertei na mosca.

Travessuras da Menina Má (Travessuras de la Niña Mala) – Mario Varga Lhosa –  Ed Alfaguara, é delicioso.  Fala sobre as reviravoltas que a vida dá e conta a história de um grande e inusitado amor.

Mas não se engane. Esse amor não é piegas, a história não é um romance mela-cueca e previsível e não tem um final lá muito ortodoxo. 

Ele segue o ritmo da vida de duas pessoas interessantíssima e nada comuns. E a história reflete justamente isso: a deliciosa imprevisibilidade da vida e a certeza de que não temos o mínimo controle sobre esse monstro chamado destino. Tampouco sobre nossos sentimentos.

O percurso tem altos e baixos, encontros e desencontros, abraços e despedidas, mentiras e verdades, tragédias e alegrias, violência e doçura, monstruosidade e compaixão, sexo e amor. E ainda por cima é globalizado!

Narra a trajetória de duas pessoas através de 5 países ( Peru, França, Inglaterra, Japão e Espanha) ao longo de quatro décadas (anos 60,70,80 e 90) envoltas num relaciomento meio casual, meio obsessivo, e totalmente complicado.

 O mais legal é que Vargas Lhosa trata de contemporaneizar o leitor, apresentando-o aos costumes de cada lugar e ao período vigente, do ponto de vista social, histórico e cultural. É uma viagem. É rico. É um livro riquíssimo, em experiências e em informações. E eu pensando que fosse uma menina má! Perto da protagonista eu sou a Madre Teresa!

E ele é intenso, como só a literatura latino-americana consegue ser. Me desculpem os franceses e americanos, mas latinidade é fundamental.

Dei o livro pra minha amiga já pensando em pedir emprestado. Rá!

Comprem, vale a pena.

10 comentários

  1. Hummm, eu quero ler tb. Deve ser muito bom. Pelo que você me disse…beijos linda.


  2. Obrigado por inserir mais um item na minha lista de próximas compras….e com o dinheiro tremendamente escasso! PESTE!
    😉

    Seu blog sempre ótimo. Impressionante como consegue manter o ritmo. Bjinho e feliz dois mil e sete atrasado.


  3. Oi! Sou eu a sortuda que ganhou o livro de aniversário! Adorei-o, por sinal, e nunca vi paixão mais avassaladora e complexa quanto essa. Antes de tudo, ela é sincera (por parte do mocinho…). Ela é, definitivamente, uma menina má em busca de amor, mas não sabe muito bem o que é isso…


  4. Gostei do livro, mas fiquei deprimido com o final … Para quem gosta do Vargas Llosa, “Tia Júlia e o Escrevinhador” é imperdível.


  5. Oie, esse ainda não li. Mas Vargas Lhosa é maravilhoso. Já li dele: Pantaleão e as Visitadoras, Conversa na Catedral (belíssimo, considerado p/ mtos, a obra prima do autor) e Batismo de Fogo. Acho q isso de ser latino conta. Td fica mto familiar.


  6. Esse livro é mesmo sensacional … Daqueles que não dá para parar de ler e quando acaba dá uma sensação estranha …
    Um dos meus preferidos de Lhosa


  7. Eu simplesmente amei esse livro!
    Tão ardente é o relacionamente deles.
    Recomendo pra todos.😀


  8. Realmente, você enquadrou muito bem, acabei de ler e me identifiquei muito com essa história, a ponto de reviver emoções que já havia enterrado…rs.
    Mas sobre latinidade, eu acho que a cultura francesa é bem latina, historicamente devido a vitória romana sobre os gauleses e os séculos de imposição da igreja católica, e o tipo de cultura produzida, na música e literatura…Muito interessante esse livro.


  9. Llosa me surprendeu com seu romance sobre “a viagem” representando a busca de si mesmo, o encontro consigo mesmo, que se dá a partir do encontro com o outro por meio de visitas a vários paises, nos quais será sempre seduzido por uma uma mesma menina má. Aí aproveita para colocar questões sociais, autobiográficas, os deslizes do amor moderno, além de mostrar como a vida é fugídia.


  10. Nooosa amei a sinopse!! Tbm quero de presente buahhhh,de mais!! ainda mais qndo se trata de outras culturas,quem quiser me presentear…^^ bjoO galera!



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