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Liberdade ainda que à tardinha

5 fevereiro, 2007

Sabe uma coisa que eu odeio? Gente que não se assume.

Puta que finge que é santa, santa que finge que é puta, ladrão que finge que é honesto, f.d.p que quer fazer o bom-caráter, invejosa (o) que quer pagar de simples admiradora (or), entre outros exemplos não menos escrotos e igualmente hipócritas.

Assumam-se! Tenham coragem de ser quem vocês são, ora bolas! Tenham ao menos algo de que se orgulhar.

Pior do que serem falsos com o mundo, essas pessoas são falsas consigo mesmas. E “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”, já diria o guru-de-araque, Renato Russo (tem que cantar a frase, senão não vale!)

Não sou nenhum exemplo de virtude, e o grande negócio é que nunca quis e não quero (-deus-me-livre-e-guarde) um dia vir a ser exemplo de alguma coisa, para alguém. Se a pessoa me toma ou tomou como exemplo, problema dela. Fazer o que? Afinal, gosto não se discute, se lamenta, certo?

Mas o que quero dizer com todo esse blábláblá é que não tenho a mínima intenção de ser nada, pra ninguém. Nunca tive.  Ok, talvez eu queira ser inesquecível. Por bem ou por mal. Mas, de resto, não tenho grandes pretensões, não. Sou quem sou. Gostem ou não. Amem-me ou deixem-me.

E se o caso for deixar, deixem-me MESMO. Deixem-me em paz, por favor.

Digamos que eu simplesmente tenha desistido de tentar agradar a quem quer que fosse há muito tempo. Porque vi logo cedo que se tratava de um trabalho inútil, vazio.

Sempre haveria de ter um insatisfeito e ele sempre iria te cobrar, te espinafrar e dizer-se decepcionado. No matter what.

É realmente ruim decepcionar quem se ama. Mas o pior de tudo é quando a pessoa não enxerga ou entende que você fez tudo o que pôde. Era seu limite. Não foi o bastante? Sorry. Não há nada que se possa fazer. Everybody hurts, sometimes (estou cheia das citações musicais, hj) Cada um que lide com as próprias frustrações e limites.

Nunca fui  inflexível, sempre tentei melhorar. E mudei muito, aprendi demais com as cabeçadas que dei na vida. E dei muitas, acreditem. Mas mudei, não porque queria agradar, mas porque achei que realmente pudesse ser alguém melhor.

As mudanças que fiz, sempre foram para mim e por mim. Porque me desagradavam certos medos, fobias, manias, traumas e trejeitos que eu tinha. Eu tenho o poder de me auto- irritar  Sou um carrasco de mim mesma.

Essas coisinhas me afastam de pessoas queridas, me impedem de amar e ser amada, de desfrutar a felicidade em sua totalidade, ainda que brevemente. Mas eu venço cada uma delas… à duras penas. Porque me respeito, porque não quero me auto-sabotar. Porque tenho direito de ser feliz.

 Sou sincera demais para viver sob o auto-engano, como se nada estivesse acontecendo. Não posso. Não consigo.

A sensação, quando me auto-engano, é a de que há uma outra cabeça ou membro nascendo em mim, por exemplo. Durante um tempo pode até passar despercebido, mas depois, fica impossível conviver com aquilo. Aquele cancro, aquela anomalia. Ele precisa ser extirpado. E isso dói.

Eu pareço uma pessoa fácil de se conviver, mas se você realmente me conhecer vai ver que sou difícil. A ponto de, às vezes, eu querer desistir de mim mesma. Eu me sufoco e muitas vezes não assumo sentimentos nada bonitos que tenho, nada cool ou legais. O  lado escuro da minha alma é mais assustador do que eu possa admitir. Muitas vezes me odeio por isso. Odeio gente quem não se assume como é, já disse. E eu sou desgraçadamente humana.

Eu sou uma mulher muito, muito complicada. Mas ninguém imagina isso. Meus demônios estão bem escondidos sob a armadura da garota sempre bem humorada e durona, pronta pra qualquer coisa, a Kate Mahoney tupiniquim. Com alguns bons centímetros a menos e muita safadeza e cara-de-pau a mais.

Mas, se tem alguma coisa que minha mãe me ensinou (talvez tenha sido a única)  foi: encare e arque com as consequências de suas próprias escolhas, tenham sido elas boas ou ruins. Não se lamente. O que se planta, se colhe. É algo lógico. Não busque ajuda, aguente até o fim, afinal, foi VOCÊ quem escolheu aquilo. Ninguém te coagiu, forçou, obrigou. Ninguém. Nem mesmo as circunstâncias ou a vida. Você é reponsável por TUDO o que faz, pensa ou escolhe. Você e mais ninguém. Sempre há escolha. Sempre.

Eu cumpri a ordem à risca. Encarei e assumi cada uma das boas e más escolhas que fiz nessa louca vida. Gargalhei, vibrei, comemorei, usufrui – ainda usufruo-… e sofri, penei, paguei – e ainda pago – por cada uma delas. Boas e ruins.

E quer saber?

Isso é liberdade. Liberdade é poder olhar à sua volta e, não importa o que você encontrar, dizer para si mesmo: Fui EU quem quis isso.

Liberdade é só  fazer o que se quer. E arcar com isso. Seja como for.

A liberdade é meu último refúgio. “forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre”

Eu sou livre.

E você, é?

10 comentários

  1. Eu acho que hoje posso dizer que sou livre. Algumas vezes, eu me livrei, outras vezes se livraram de mim. E acho que se aconteceu assim, é assim que tinha de ser.

    Acho que isso deveria ser algo comum. Se não é, talvez deva ser assim para as pessoas tentarem ser cada vez mais originais, e lutarem pelo seu próprio eu.

    Gi


  2. Talvez eu esteja trilhando o caminho da Liberdade.
    Ou talvez eu simplesmente tenha dormido e descido na Vergueiro ahahah..

    Só os dragões são livre de verdade, Gabi. Porque eles podem voar além deste mundo.

    Tudo tem um preço e ele é bem caro. O que me consola é que é melhor amostra de liberdade é a felicidade.

    😉

    Beijo sempre.


  3. Tô longe de ser, Gabs… Mas esse seu texto tão bonito me fez bem. 🙂


  4. A primeira parte é tipo tudo que eu deveria dizer a uma pessoa – e já disse e sinto o mesmo que vc em relação à isso – mas nao surtiu efeito nenhum. Whatever. Pq as vezes é tão difícil termos um pouco de paz né?

    “Mas mudei, não porque queria agradar, mas porque achei que realmente pudesse ser alguém melhor.

    As mudanças que fiz, sempre foram para mim e por mim. Porque me desagradavam certos medos, fobias, manias, traumas e trejeitos que eu tinha. Eu tenho o poder de me auto- irritar Sou um carrasco de mim mesma.”

    De fato, o ego é uma das coisas mais bonitas que existem. Já dizia num texto antigo que egocentrismo salva – com todas as ressalvas, bom senso e contextualização filosófica q a afirmação propõe.
    Droga, q diabos me deu para reproduzir aquilo aqui agora? Bom, aí vai o trecho de um devaneio literário que tive há muito, muito tempo:

    “- Não faço isso por ninguém, apenas por mim mesmo. Sou meu próprio eu, tudo que faço é direcionado a mim, para satisfazer ao meu ego, aos meus desejos. O faço para conquistar meus objetivos. Não estou preocupado com a salvação da humanidade, com o resgate de transeuntes nauseabundos. Que apodreçam em sua ignorância. Toda minha epopéia (se é que Homero me permite usar esta palavra) originou-se, guiou-se e termina em mim. Não temo pela minha alma, pelo juízo que farão da minha pessoa no futuro, ele certamente será errôneo e distorcido. Não obstante, os reduzo às suas próprias limitações, limitações humanas, portanto inescapáveis. Sempre tentei ser o mais inumano que pude e fracassei, fracassei miseravelmente. Sabia que isto iria acontecer, ainda assim não posso deixar de me desapontar com tal coisa. Empreendi a última jornada que acreditava ser a saída para a raça humana: fazer tudo ao contrário de sua natureza, que é o que mais de benéfico podemos fazer por nós mesmos. Mas sempre que via-me apaixonado, faminto, indisposto, com raiva, preocupado com frivolidades, entendia que estava preso ao que sou e ao que queria não ser. Em suma: somos o reú e o juiz, o alfa e o ômega, nosso Lúcifer e nosso Deus pessoais. Quem de nós não pratica a egolatria? Nosso ego é o que temos de mais importante, de mais verdadeiro e íntimo. Sufocá-lo, negá-lo, tentar se dissociar dele por meras convenções sociais configura-se como um erro inadmissível e fatal. Aplicar esta mudança desnecessária de epicentro, tentar achar algo que não está em nós para só aí darmos sequencia a existência é a base de toda ruína individual. Nossa idiossincrasia deve ser nosso bem mais valoroso, cultivado com mais carinho e atenção.”

    Bjos


  5. Estou pensando até agora.


  6. putz… agora fiquei pensativo de verdade… será que eu sou livre mesmo? =/


  7. Sensacional teu texto, ainda não atingi este grau de liberdade, mas já aprendi que agradar o mundo é impossível, que me agrade então. Adorei!


  8. Eh Realmente sou livre.. acho.

    Abraços!


  9. muitas dessas coisas vc já tinha me dito antes, em um momento que eu precisava muito ouvir, e muitas dessas coisas me fizeram pensar, entender umas coisas, ter paciência com outras, e por fim, mandar o resto se foder. esses dias tive que pensar em todas essas coisas de novo, e me lembrei de você, e lembrar de você, e de todas as coisas que você me disse me fez bem. esse comentário é pra agradecer. beijo.


  10. Sei não Gabi, não se sou livre, mas o quanto. Como tudo na vida, creio que liberdade tb seja “dinâmica”, o significa que não necessariamente eu seja livre em e para tudo. De qualquer forma, sou livre para achar o que quiser, não é? Inclusive pra me esconder atrás de qualquer pretexto pra (não) fazer o que tenho vontade. A gente é complicada mesmo.



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