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0 fim da poesia e/ou analfabetismo funcional

12 fevereiro, 2007

Ter que  explicar tudo o que se escreve e justificar-se a todo o momento para evitar mal-entendidos  além de ser algo extremamente patético é, certamente, o fim da poesia…

…ou seria da inteligência?

Será que fulano (a) não consegue transcender e pensar além, libertar-se das palavras e seus significados e simplesmente sentir o que está registrado ali, em forma de escrita?

Tem gente que definitivamente não consegue sentir nada. Mas aí  já deixou de ser gente.

Virou “coisa”

Eu fico aqui pensando…

“As únicas pessoas são as que querem tudo” – (J. Kerouac)

“A obediência à realidade significa debilidade no amor” – (Anaïs Nin)

9 comentários

  1. Gostei muito da frase do Jack.


  2. Se explicar seria o fim da poesia! Sim, nem me imagino buscar formas para minhas palavras, muito menos me vejo explicando o siguinificado de certa frase.


  3. Acho que deixei de ser gente. Não sinto vontade de explicar nada, pra quase ninguém, a não ser pra ti.

    Perdi muito da vontade de explicar as coisas há tempos, por conta da minha mãe, já que ela nunca fez questão de entender o que eu fazia questão de explicar. Depois ficou me cobrando para sempre a minha má vontade em falar sobre o que eu queria ou ia fazer.

    Nunca gostei de me explicar. Não tenho muita paciência, deve ser isso. Também devo ser um mau orador, já que pouca gente me entende.

    No tarbalho é pior, porque as pessoas a quem tenho que me reportar sabem menos que eu, então nunca tenho respaldo, explico as coisas de forma didática, mas elas entendem o que querem, ou o que lhes convém, não necessariamente nessa ordem.

    É. O analfabetismo funcional é mais forte que espada.

    :S


  4. Eu acho, na minha modesta opinião, que poesia está presente em tudo, nas palavras e nos espaços, nas fotos, nas respirações, nos suspiros e em qualquer coisa que te inspire um sentimento, seja ele qual for.

    Existe gente que escreve e é claro, preciso, que faz com que o leitor entenda e sinta de primeira. Existem escritores que trancam os significados do que querem dizer em jogos de palavras e o leitor precisa ir além do que está impresso para poder chegar à alguma conclusão. Gosto dos dois, não condeno nenhum gênero. Até poesia concreta ou práxis está valendo.

    O que não gosto é de gente que precisa que algo lhe diga uma coisa completamente lógica, que tenha algum sentido ou explicação. Eu acho que interpretações são pessoais e como cu, cada um tem a sua. Mas tem gente que não é assim e isso me estressa. Me estressa o cidadão que faz questão de matar a poesia para poder destrinchá-la para entender. Gosto daquele outro tipo de cidadão que abre a poesia para entender, mas que dá liberdade à mesma para adquirir qualquer significado tiver debaixo das lentes do seu microscópio.

    O mundo anda difícil, cada dia menos colorido, cada dia menos inspirador. Ruim mesmo, daquele jeito que dá vontade de chorar. Pelo menos algumas pessoas ainda cultivam a beleza dentro delas, que olham para qualquer coisinha besta e sorriem e é isso o que vale.

    Existem ocasiões em que temos que nos explicar sim, deixar tudo claro, tim-tim por tim-tim. Mas fazer a vida toda assim também já é um saco. Se continuar assim ninguém escreverá mais nada além de acordos pré-nupciais.

    Como vou estudar Letras agora, sossega. Vou dominar o mundo e mudar esse tipo de coisa.

    Muwahahaha…


  5. Explicar não tem que ser patético, na verdade não é.
    Quando alguém explica é por que é solicitado por um outro que está à disposição, despendendo seu tempo e energia. Está ouvindo o que vc tem a dizer. Isso não é, em si, poético?
    Seria, então, falta de inteligência? Acredito que não, acredito que solicitar aproximação do pensamento e da alma do outro não configure falta de inteligência. Na verdade questionar deveria designar inteligência e não o contrário. Contrário fosse deveríamos carimbar a testa de TODOS os jornalistas com um “QIR”(Quociente de inteligência rebaixado), afinal, essa é uma profissão de “perguntadeiros”.
    Sabe… quando há falta entendimento pode-se viver o caos. Explicar aplaca, suaviza. Há poesia na paz, não? Poesia é ter os olhos brilhando, com algo que enganchou em nossa alma e nos fez percebê-la de modo mais iluminado, não é?
    Quando se tem que explicar muito é por que:- ou temos uma fala mal falada ou um ouvido mal treinado. Talvez falar muito comprometa, deixe rastros indesejados, a fala é traiçoeira. Acho que é isso,e talvez por isso vc não goste de se explicar e eu fale tão pouco – para não mostrar o que, de fato, passa por dentro, talvez tenhamos virado “coisa” e não tenhamos nada a dizer. Seria “0 fim da poesia e/ou analfabetismo funcional” ou a FALTA DE POESIA INTERIOR E/OU UMA PEDAGOGIA DISFUNCIONAL????


  6. Xine.

    Não gosto do fato de que para tudo deva haver uma explicação. Há razões que a própria razão desconhece e esse modo lógico e pragmático de ver a vida não funciona para mim.

    Prefiro acreditar que sim, talvez deva haver uma razão mas que eu não precise saber qual.

    Eu sou uma jornalista e sou perguntadeira. Mas aí estamos falando de fatos, não de sentimentos.

    Por mais que eu escreva num texto: “Fulano disse ter arrastado o menino de 6 anos por 4 km porque não queria correr o risco de parar o carro que havia roubado e ser pego” – Estarei retratando a razão do assassino, mas isso REALMENTE explica alguma coisa?

    Não sou tão simplista, desculpe.

    Eu sou a pessoa mais questionadora que conheço e o fato de ter questionado o fato de alguém não conseguir ler “nas entrelinhas” e sentir o texto é a prova disso. Ou não?

    O caos é o contraponto da ordem e tão necessário quanto esse para o equilíbrio do Universo.

    É necessário saber conviver tanto com um quanto com outro. E eu sei viver assim. Vc sabe? Ou tem uma obsessão pela ordem?

    Não me preocupo em ter nada aplacado nem suavizado. Gosto das coisas cruas e fortes, intensas.

    E eu não gosto de me explicar porque simplesmente não tenho paciência e não porque não tenho nada a dizer.

    Não tenho paciência com as pessoas que precisam de explicação. Só isso. Pessoas obcecadas pela razão das coisas.

    Muitas coisas simplesmente não tem explicação e precisamos TAMBÉM saber conviver com isso.


  7. Só estava fazendo um contraponto…
    Mas agora estou aqui pensando:- “Já pensou se ela gostasse de se explicar????” (hihihi– desculpe, mas não resisti…)
    Sabe, acho que as explicações são necessárias. São luz. Não, necessariamente, explicações com essa estrutura:- causa – efeito. Acho extremamente construtivo pensar no para onde as coisas se encaminham. Gosto mais de voltar os olhos para frente, que ficar olhando para trás. Por isso, te respondendo, com essa bússola, navego sim pelo caos, e talvez até melhor que pela ordem. Obcecada por ordem? Não, isso não se configura como obsessão, mas como necessidade de conhecimento. Não acho isso simplista, simplista é viver sem se questionar, sem se explicar. Isso é vulgar, apenas mais um autômato entre tantos.
    E concordo com vc, há coisas que, simplesmente, não têm explicação, e é assim que é.


  8. hehe… mas não foi uma explicação. Foi minha opinião.

    De qq modo, achei que valia a pena te responder, você parece ser uma pessoa inteligente, sei que me entenderia.

    Do contrário, nem me daria ao trabalho.

    Não acho que todo o questionamento implique numa explicação e sim numa atitude, independente de qq razão. Talvez pela essência do questionamento em si.

    As coisas caminharem para algum lugar também não é necessariamente uma exlicação. É um caminho. Pode não elucidar nada..só seguir.

    Também gosto de voltar os olhos para frente, sempre.

    E novamente, EMHO questionar-se ou questionar algo/alguém não me obriga ter que encontrar explicação para isso e sim, a achar uma alternativa ao que está sendo questionado. Independente de eu vir a saber o porque ou não.

    Abçs!


  9. Pois é, eu também. Mas ainda insisto em lecionar. Lecionar tornou-se minha missão especial, minha tentativa de melhorar um pouco o quanto as pessoas estão enbrutecendo.



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