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Como Rocky salvou meu dia

16 fevereiro, 2007

Rocky Balboa (Rocky Balboa -Sylvester Stallone – EUA, 2006) em cartaz nos melhores cinemas da cidade, é ótimo. Sim, é um filme ótimo, maravilhoso.

Rocky é tão, mas tão clichê que está acima de qualquer análise ou crítica. Apesar da maioria dos críticos de cinema ser idiota, só um idiota assumido criticaria seriamente Rocky Balboa. E olha que nem na parte técnica ele faz feio. Não mesmo.

Edição, fotografia, direção, roteiro..tudo muito direitinho. Competente. Decentíssimo.

Rocky é tão piegas e lugar-comum, que a gente adora.

É tão cheio de personagens batidos e de filosofia barata e americanóide, que a gente adora.

É tão cheio de cenas repetidas e simples, que a gente adora.

A trilha-sonora é tão nostalgicamente brega e setentista, que a gente adora.

É a velha história de superação em todos os sentidos: da força de vontade, de coragem, de determinação, de nossa postura diante da vida em geral…e a gente simplesmente adora.

Assisti Rocky ontem, na tentativa de fugir de uma tarde especialmente turbulenta.

E foi terapêutico, providencial.

Ouvir Sylvester Stallone, com aquela sua boca milimetricamente torta e aquele sotaque ítalo-americano escroto, despender pérolas filosóficas sobre a vida e sobre como sobreviver aos golpes que ela te dá, usando a dedicação e a superação de limites que o esporte exige como analogia, foi uma injeção de ânimo pra mim.

Nunca algo tão estupidamente óbvio foi tão necessário e encorajador. Eu devia ter vergonha disso? Hahah…não, penso que não. As mensagens mais importantes e cruciais estão nas coisas óbvias.

Talvez pela sensibilidade do momento, eu tenha ficado especialmente suscetível às cenas mais sentimentais, mas assistir ao filme foi como ver um antigo vídeo de família, saca?

Tipo churrasco de aniversário do avô ou VHS de festa de fim-de-ano na chácara. A sensação era a de que conhecia todo mundo ali. De que se tratavam de antigos amigos que não via há muito tempo…engraçado. Conhecia a história daquele homem, os personagens que o cercam, a cidade onde ele vive…estranho!

E para a vergonha dos intelectuais e cinéfilos que convivem comigo, sempre tive Rocky I como um de meus filmes prediletos. Sempre. Tenho até o pôster : ) Isso sem falar que adoro rock farofa…Survivor e seu “Eye of the Tiger” são ótemos!

No filme, não falta nada: nem a cena de Rocky subindo as escadas e erguendo os punhos, nem ele treinando no açougue, socando enormes peças de carne, nem ele puxando um ferro desgracento, nem ele dando sermão pro filho, nem ele chamando pela Adrian e chorando e nem ele botando pra quebrar no ringue.

Na parte da luta fiquei realmente ansiosa, como se estivesse assistindo a uma luta de verdade, talvez pelo fato de eu AMAR boxe…me segurei na poltrona do cinema, sapateei, mordi os lábios, suei. Exatamente como em Rocky I. Exatamente como faço em qualquer luta real que valha a pena. Adorei.

Mas também fiquei com os olhos marejados em algumas cenas…especialmente com essa fala, onde ele explica para o filho porque quer voltar aos ringues:

“It will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me or nobody is going to hit as hard as life. But it ain’t about how hard you hit, it is about how hard you can get hit and keep moving forward, how much can you take and keep moving forward. That’s how winning is done!”

“Ela (a vida) vai te bater tanto que é capaz de te deixar de joelhos para sempre se você deixar. Não eu, ou você, ou qualquer outra pessoa vai te bater tão forte quanto a própria vida. Mas o segredo não é o quanto você apanha e sim o quão forte te batem e ainda assim você continua seguindo em frente, o quanto você aguenta e continua seguindo. É assim que se ganha de verdade.”

Bah. É pura filosofia! Rocky salvou o meu dia. Talvez, meu ano. “Lutadores, lutam”…ele diz no filme…é. É isso aí.

Nocaute.

12 comentários

  1. Sem dúvida é uma ótima filosofia de vida. Mas eu não vejo a menor graça em boxe. Duas pessoas se esmurrando com ódio e se esvaindo em sangue e ossos quebrados? Bah, e ainda chamam isso de esporte!


  2. Well… vou forçar a barra e assistir o Italian Stallion. Tb tô precisando de um gás. Depois eu volto prá comentar.


  3. Bem… Deixa pra lá. Todo tem seu lado brega. Até eu!


  4. Fiquei de cara… também sempre amei Rocky I e toda vez que revejo parece a primeira vez (o mesmo acontece com Karete Kid…hahaha)! É na simplicidade que moram as respostas! Levanta mulher!!!


  5. Veja voce, até os italianos mais brucutus são legais e filosóficos.


  6. Ok, moça… Me convenceu! Vou assistir.


  7. Engraçado, estava assistindo um programa amaricano chamado “TWO IN THE RING”(Dois na Lona), que trabalha o lado piegas do boxe…
    Mas o que me fez comentar aqui foi a frase, que eu também gostei muito e ela é assinada por:
    the U.S. Constitution. (a encontraram em um quase pergaminho, do tempo das Cruzadas…)
    O engraçado é que ela éde origem inglesa…


  8. :~]


  9. Bah, cheguei aqui por acaso, buscando no google pela exata parte do filme que tu traduziste ali em cima.

    Só para ser solidário, Rocky também salvou meu ano!


  10. você definitivamente me deixou com mais vontade de ver essa obra-prima no cinema… e porque será que o boxe é sempre mais legal nos filmes?


  11. Piegas mas tem gente que adora…pô, me lembrou Paulo Coelho isso.


  12. Tá. Mais um fisgado pelo comentário ululante. Louco pra ver. Right Now.
    Bjos



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