Archive for março \30\UTC 2007

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Constatações

30 março, 2007

Você tem certeza absoluta de que está ficando velha quando:

-Tem de ir ao médico com certa frequëncia

-Deixa mais de 60 paus na farmácia

-Tem que tomar duas vitaminas por dia

-Não aguenta mais jogar uma partida de qualquer esporte que seja,  inteira

-Não atravessa mais a piscina olímpica com a mesma rapidez, isso, quando atravessa

-Não consegue (nem tem mais vontade) de dançar até o sol raiar e ir direto para o trabalho depois

-Prefere um choppinho clássico e um fleumático e inofensivo bate-papo com amigos num boteco qualquer a uma balada monstro com música ensurdecedora, lugar abarrotado, sem ar-condicionado, cheio de freaks com bebida e comida caras

-Certos gêneros musicais começam a te irritar profundamente (e antes vc até os tolerava)

-Certas pessoas começam a te irritar profundamente (e antes vc até as tolerava…)

– Você olha para os adolescentes de hoje e os acha estranhíssimos (isso pq vc foi gótica nessa idade…)

– Se você extrapola o horário e vai dormir um pouco mais tarde que o habitual, acorda podre no dia seguinte

-Você baixa sempre o último disco da melhor banda da última semana e acaba sempre ouvindo as velharias de sua tão adorada coleção

-Você começa a fazer listas inúteis. Tipo essa.

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10 frases

29 março, 2007

Tô copiando meu namorado. Só  que no post dele são sete. No meu são dez. Porque eu falo pra caraca. 10 frases que eu falo sempre:

-Me passa por e-mail porque se eu anotar vou perder o papel…

-Mas como pode ser verdade uma porra dessas, Bátimã?

-Caralho!! – (ok, não é frase. Mas eu falo MUITO)

-Eu tinha uma coisa tão legal pra te falar, mas esqueci…

-Não aguento mais esta merda!

-Tem de chocolate?

-Socorro

– Ai, tô com uma vontade de…(sou cheia das vontades. Na maioria das vezes, esdrúxulas)

-Que absurdo! (estado de indignação constante)

-Não dá, tô sem grana

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A hora da zona morta

28 março, 2007

[Dia da Síndrome de Greta Garbo: I vânt to bi alôune]

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

(Alberto Caiero/Fernando Pessoa)

….Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe

E cala. O mais é nada.

(Ricardo Reis/Fernando Pessoa)

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Sude el jamón!

23 março, 2007

Tá pensando em fazer plástica, filhinha?

Vai dançar pra queimar calorias, vai…

* (sude el jamón – literalmente “ponha o presunto para suar”- ou o nosso bom e velho: mexa essa bunda gorda!)

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Abunda

22 março, 2007

 Eu tenho uma relação estranha com minha bunda.

É que, às vezes, sinto um ciuminho dela.

 Isso mesmo. Tenho ciúme da minha própria bunda.

Não me acho assim, uma beldade, mas, tenho… vejamos: um rosto agradável e um corpo harmonioso, é isso. Juntando a aparência “ok” à minha personalidade, a conclusão é que, pelo conjunto da obra, talvez eu não seja de se jogar fora.

Nunca tive problemas com homens, digo, em arranjar namorado, mas  houve algumas vezes em que me perguntei se o cara estava apaixonado por mim ou pela minha bunda, tamanha a fixação masculina por essa parte do meu corpo em particular.

Pra mim, ela não tem nada de anormal. É proporcional, levemente arrebitada e tem uma racha no meio, como todas as outras. Algumas até, acho infinitamente mais bonitas que a minha, sem dúvida. (como a da foto acima. benzadeus)

Mas para eles, a minha bunda é quase uma outra pessoa. Um ser à parte de minha existência.

Já tive namorado que conversava com a minha bunda. Pode?

-Oi minha linda, tudo bem? Que saudades eu tive de você!

-Ah, mais ou menos, acordei com dor de cabeça hoje, acredita?

-Er…mas eu tava falando com ela – Paf! – e lascava um tapa na minha bunda…

E quando a gente se arruma toda e espera um elogio do nibelungo?

-Tô bonita? – Me empinando toda, com as mãos na cintura e dando uma leve piscadela.

-Humm..deixa eu ver…dá uma viradinha…

Me viro.

-Ah, tá LINDA! – Paf! – Outro tapa. Terrível.

Por conta disso, por achar que o cara estava sempre mais interessado na minha bunda do que em mim, nunca fui de mostrar o corpo. Não gosto de calças jeans muito apertadas, nem abuso de saias curtinhas. Já abusei, claro, mas na medida em que fui ficando mais velha, minhas saias foram aumentando de comprimento. Assim sendo, já aconteceu de eu ficar com garotos que nem se deram conta da existência da minha bunda. Ficava feliz quando isso acontecia, me sentia realmente valorizada como ser humano (rá!)

 Até que uma ida à praia ou um dia de carinhos mais ardentes punha tudo a perder:

-Minha nossa, eu não tinha me dado conta! Mas que bela bunda você tem, hein?!

Fim de relacionamento.

Me lembro de um aluno meu, de uns 14 anos, no máximo. Idade terrível, que se prolonga por uns 20 anos nos homens… Certa vez ele levou para aula um amiguinho:

-Oi teacher, trouxe o Rogério porque ele quer entrar no inglês e queria saber se você era boa mesmo…

Até aí, normal. Como eu estava entretida com o conteúdo da aula, não tinha percebido nenhuma conotação estranha na frase. Mas foi só me virar para escrever algo na lousa que peguei o “espírito da coisa”:

-Olhaí…não falei que ela era boa? – Disse ele, na maior, cutucando o amigo com o cotovelo.

Degradante.

Já me perguntei se no dia do meu casamento meu noivo iria querer que eu entrasse de “carrinho de mão”, derrière a mostra…véu e grinalda na bunda e tal… Ok, dispenso idéias sobre como teria que carregar o buquê…

Isso me dá um pouquinho de raiva, sabe? Porque a maioria das brasileiras é meio “raimunda” (vulgo: feia de cara, boa de bunda) me entristece a idéia de ser mais uma.

Bem, me entristece a idéia de ser “mais uma” qualquer coisa que seja. No entanto…

Mas tento ver o lado bom de tudo isso. Ela já me ajudou bastante também. Mas deixo claro aqui que só em casos emergenciais… : p

Mas acho que tenho um rostinho legal, com covinhas e tudo e que merece atenção, poxa vida! Tenho até uma pintinha do lado direito da boca da qual tenho um baita orgulho….

Bah. Pra me deixar com mais raiva eu tenho uma, do mesmo lado, adivinhem onde? Incrível!

Enfim, esse é um problema que tenho. Preciso procurar um analista antes que  minha bunda assuma o controle da minha vida…bem, quem sabe ela não faz um trabalho melhor, não é mesmo?

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Ah, o frio…

19 março, 2007

Eu adoro o frio. Não desgosto do calor, só prefiro o frio.

Sei que ele vai ser raro daqui pra frente, nesse ritmo de aquecimento global…  por isso, preciso aproveitar cada mísero grau abaixo de 20 que fizer por aqui…

E usar minhas meias coloridas e minhas botas

E usar minhas blusas de gola-olímpica (ou gola roullet) e minhas luvas sem dedos

E usar minhas roupas de cores escuras, que adoro: cinza, preto, roxo, verde musgo…

E usar minhas boinas e chapéus! Um luxo!

E beber meus cafés (capuccino, chocolate quente, vanilla expresso) papeando com a Gi

E dormir agarradinho ouvindo a chuva bater na vidraça

E tomar banho quente, quase pelando, depois encher o corpo de creme hidratante com cheirinho de neném, me enfiar no meu pijama do Homem-Aranha e nas minhas pantufas da Docinho (Powerpuff Girls)

E ter preguiça de sair de casa

E só sair de casa se for para a casa de algum amigo…fazer fondue e beber vinho

E tomar sopa. Só tomo sopa no frio

E fazer exercícios. Tenho mais disposição no frio

Ahhh, eu ADORO o frio.

Viva o outono! Quero aproveitá-lo enquanto ainda existe… Vai chegar um dia em que vamos ter saudade das quatro estações…

Frase para começar a semana:

[As bandas de rock nacional de hoje são tão ruins que eu tô curtindo Engenheiros do Hawaii.]

                                                       meu cunhadinho…na mesa do bar, quinta passada.

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Loosing my religion

16 março, 2007

Tô fazendo estágio no inferno. E tudo leva a crer que vou ser efetivada.

Entrei na Catedral da Sé hoje. Aproveitei, já que passo por lá quase todas as manhãs.

Sentei sozinha em um dos longos bancos de madeira escura, no meio da nave confortavelmente penumbrosa, onde os vitrais multicoloridos filtram as luz do sol transformando-a em difusos fachos furta-cor, criando um efeito mágico. 

Esses caras manjavam de cenografia.

Olhei para cima, para aquele teto infinito de arquitetura esquizofrenicamente indefinida, semi-gótica que tenta nos remeter à amplitude dos céus, na tentativa de nos fazer sentir mais próximos do divino. Rá.

O ar rescendia a parafina queimada e flores, misturado a um cheiro asséptico, cânfora ou naftalina, não sei direito. Devia ser o cheiro do incenso queimado horas atrás, na primeira missa do dia. Típico.

Observei os poucos presentes. Alguns oravam ardentemente, olhos cerrados, boca em frenesi, dedos fortemente entrelaçados junto ao peito. Outros só se mantinham em silêncio, impassíveis. Outros tiravam fotos do lugar, alheios.

Conjecturei sobre os prováveis motivos que os levaram aquele templo. Desespero? Busca por uma saída, um conforto? Agradecimento? Pura devoção?

E aí pensei no motivo que havia me levado até ali. Não sei. Não sabia porque estava ali.

Já que não posso te ver, queria olhar para algum ícone seu, sei lá. Alguma imagem que possuísse olhos. Queria estar onde supostamente tua presença é mais forte, já que não a sinto mais ao meu lado há um bom tempo, já.

Fiquei ali, olhando pra tua cara mal-representada, subvertida, conveniente aos olhos da humanidade. Dei risada e balancei a cabeça. Não consigo te imaginar com essa cara de gay.

Fiquei pensando no que te falar. Senti um misto de indignação, raiva, dúvida, confusão e… saudade.

E aí, só consegui pensar nisso. E então falei baixo, olhando pros teus olhos…como numa oração:

Eu escalei as montanhas mais altas
Eu corri através dos campos
Só para estar com você…só para estar com você

Eu corri, eu rastejei
Eu escalei os muros desta cidade
Os muros desta cidade
Só para estar com você…

Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando

 Eu beijei lábios de mel, eu senti a cura na ponta dos dedos dela
Queimava como fogo esse desejo ardente

Eu falei na língua dos anjos
Eu segurei a mão do demônio
Era quente à noite
Eu estava fria como uma pedra…

Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando

 Eu acredito na vinda do Reino, onde todas as cores irão se fundir em apenas uma, em  apenas uma…. mas sim, eu continuo correndo Você quebrou os grilhões, você afrouxou as correntes
Você carregou a cruz da minha vergonha, da minha vergonha…
Você sabe que eu acredito…

Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando
Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando…*

E aí, depois de ter dito o que queria te olhando nos olhos, enxuguei o rosto, saí e fui pra casa.

*I Still Haven’t Found What I’m looking for – U2