h1

Morte: o preço da vida

15 maio, 2007

Estive à beira da morte por três vezes nesta minha vida.

Da primeira vez eu a procurei. E é claro que ela veio ao meu encontro, solícita. Como disse o grande Cazuza – “olhei para a cara da morte e ela estava viva”.

Da segunda vez eu estava feliz  e ela me abordou com um cano cromado de uma automática. Estranhamente fui salva porque o farol de trânsito demorou a abrir. Quem diria. Nunca mais reclamei da demora dos faróis de trânsito em São Paulo

Da terceira vez eu atravessei o pára-brisas de um carro, bati a cabeça na coluna de outro, voei uns 3 metros, ganhei 80 pontos na testa, um traumatismo craniano escoriações no corpo inteiro e fiquei em coma.

As marcas desse último encontro ficaram no meu corpo e na minh’alma. A cicatriz ainda marca minha carne. Não é feia, diminuiu bastante. Eu poderia ter feito uma plástica, mas não quis. É. Não quis. Sabe porquê?

Porque naqueles dias onde tudo dá errado, onde o trabalho atrasa, o pneu fura, o trânsito não anda, você briga com seus entes queridos, o dinheiro acaba, chove, venta, tudo é uma merda e você tem vontade de sumir, enfim, naqueles dias em que você pensa que nunca deveria ter saído da cama…eu encaro essa cicatriz.

E penso que poderia não estar mais aqui para viver tudo isso.

Mas eu tive mais uma chance.

E vou fazer valer a pena.

Sejam felizes agora. O amanhã pode não chegar.

10 comentários

  1. Caramba!!!


  2. Lindo texto, Gabs.🙂

    Ah, e tô super feliz por vocês!! Um brinde à casa nova! Tim-tim!😀


  3. Sim, é o tipo da coisa que devemos ter SEMPRE em Mente! Obrigada por nos lembrar. Beijo, querida🙂.


  4. Voce é linda, fantástica e simples.


  5. menina! quanta história pra contar!
    que bom, né? como diria o babaca do roberto, “o importante é que emoções eu vivi”.
    bjks!


  6. Lindíssimo post. Que bom que ainda estás aqui.


  7. adoro vc pequena.
    que bom que está aqui!
    bjs


  8. Nunca tive nenhum encontro marcante com a morte, embora já a tenha desafiado algumas vezes, mas coincidentemente um amigo de infância acaba de morrer e, com tudo isso, eu ainda passo a língua no meu dente incisivo superior esquerdo e sinto uma pequena falha que ficou pra lembrar-me da concretude de certas verdades.


  9. “Quando a morte resvala por nós, a vida se torna grandiosa…”, dizia o Oswald de Andrade. Acho q esse teu post diz bem isso: o qto a gente só aprende a valorizar a vida de verdade qdo chegou pertinho de perdê-la… Engraçado que eu também quase agradeço por já ter tido revólver apontado pra mim durante um assalto – aquilo pelo menos chaqualha sua vida de um modo que nenhuma outra coisa faria… bjos! E reitero meus parabéns por esse excelente blog! =)


  10. Gabs, entrei aqui para contar algum search engine term absurdo – que não lembro agora o que foi. Enfim, sempre lembro de você quando eles aparecem. Também lembro quando se fala no Richard Clayderman (well, well, well).

    Lindo texto sobre a vida, notícias boas essas da mudança. Toda a sorte e todo o sucesso para vocês dois. E aproveite enquanto sua mãe traz potinhos. Adoro potinhos de mãe, mesmo quando eles me engordam.

    É isso, querida. Tenho saudades de vocês e não vou ficar falando “ah, eu vou visitar vocês em breve” porque eu não sei se isso é verdade. Mas eu queria, ah, eu queria.

    Sucesso na empreitada. Juízo pouco e boa semana!



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: