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É TUDO VERDADE!

1 junho, 2007

Olha, eu não sou de fazer isso, mas como para tudo tem uma primeira vez,  quero que minha estréia seja com estilo, é claro.

Vou reproduzir aqui um texto anônimo que recebi por e-mail. O texto é ÓTEMO, muito bem escrito e, modéstia à putaqueapariu, devido ao sarcasmo, linguajar chulo e bom humor, te juro que poderia ter sido perfeitamente escrito por mim … : )

Mas não foi. E como sou uma pessoa ética, estética e patética  não me aposso de textos alheios. Portanto, você, amiga “depiladjinha” que escreveu essa obra-prima, apareça!

Você merece nosso apoio e admiração.

updêite – Sandroca me mandou as autoras: Valéria Semeraro e da Elisa Quadros do Redatoras de Merda:

http://redatorasdemerda.blogspot.com/

—————————————————————————————–

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à
depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas
acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar,
que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque
elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por
trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria
pornô-ginecológica-estética.

– Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
– Vai depilar o quê?
– Virilha.
– Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada? Mas já que era pra
fazer, quis fazer direito.

– Cavada mesmo.
– Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
– Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia
lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique.

Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope
estava
esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal.
Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a
parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos,
gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com “O Albergue”. Já senti um
frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao
nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

– Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a
Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma
mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma
panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era “O Albergue”
mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e
sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a
cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

– Quer bem cavada?
– é… é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail,
nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

– Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais
ainda.
– Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De
repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um
líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

– Pode abrir as pernas.
– Assim?
– Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada
perna pra um lado.
– Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, “Pê” passou a primeira camada de cera quente
em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que
apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei
que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos,
já cogitando a possibilidade de ligar para o SAMU. Tudo isso buscando me
concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia
esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

– Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter
aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval
continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de
minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande
sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam
de sofrer sozinhas.

– Quer que tire dos lábios?
– Não, eu quero só virilha, bigode não.
– Não, querida, os lábios “dela” aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas
topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

– Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de
Penélope e dá uma conferida na Abigail.

– Olha, tá ficando linda essa depilação.
– Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração
das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um
pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando
entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

– Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
– Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da puta arrancar
cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia
que o motivo para isso ainda estava por vir.

– Vamos ficar de lado agora?
– Hein?
– Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei
esperando novas ordens.
– Segura sua bunda aqui?
– Hein?
– Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de
cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia,
aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara
dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite
com um pesadelo. O marido perguntaria:

– Tudo bem, Pê?
– Sim… sonhei de novo com o cu de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego
falso da cera quente besuntando meu “Twin Peaks”. Não sabia se ficava com
mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil
cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria
justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem
cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei
que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer
coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a
história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais,
xingamentos, preces, tudo junto.

– Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a
bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a
cortina.

– Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais,
vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?

Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E
agora a vizinha inconveniente.

– Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
– Máquina de quê?!
– Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
– Dói?
– Dói nada.
– Tá, passa essa merda…
– Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala
isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total
redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E
essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

– Prontinha. Posso passar um talco?
– Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
– Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado
é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas
amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o
domínio www.preserveasbucetaspeludas.com.br.

13 comentários

  1. muuuuuito bom!!!!

    eu tb gostaria de saber quem e a autora dessa perola. deu vontade de colar no meu blog tb! hihihi

    parabens!!!

    beijos


  2. Te mandei por e-mail… Texto e donas.

    Beijos


  3. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
    (…)
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
    Quando me recuperar comento alguma coisa.
    =)

    Ps: eu sou sádico? Não, não…será?
    (pensando).
    rs.


  4. [crise de riso]


  5. ahahhaahhaa
    putaqueopariu!

    isso é nossa vida.. assim.. nua e crua!
    e ninguém se manifesta?!
    quem escreveu isso, gente!? quem foi a deusa, musa, buda?

    demais!
    ahahahahahaaa


  6. Chorei de rir!


  7. Ahahahahahahahhaha!!! Pára tudo. Esta moça deve ter presenciado a MINHA primeira e única sessão de depilação com cera (sim, voltei pra boa, velha e ineficaz gilette). Até porque não tem como uma experiência destas ser diferente pra alguém (eu acho). Incrível, ótimo texto. E ainda estou tentando me recuperar enquanto o chefinho me olha meio que de lado, neste plantão tão monótono de domingo… Thanks!


  8. eu tô gargalhando que nem maluca, as duas da manhã, numa residência em que outras pessoas dormem pesadamente (menos mal). sen-sa-cio-nal!
    e, de fato, isto poderia tranqüilamente ser escrito por você. quem é essa gênia, meu deus?

    beijoca.


  9. Adorei! Se fizer a passeata, pode ter certeza que eu apareço… Mas por enquanto, vou passando esse sofrimento todo quinzenalmente! rsrs
    Beijos


  10. depilar é doloroso de fato… ainda mais nos dias frios qdo os poros tão completamente retraídos…
    mas pêlo…
    vixi não dá…
    qto menos mais ‘limpa’ a área acho mais bacana visualmente além de higiênico (na minha opinião!)
    de jeito nenhum apoiaria o lance feminista e virar uma macaca… mas como falei é questão de gosto!
    sou anti-pêlo-excessivo!
    p.s. lembro uma vez que vi uma conhecida se trocando e foi inevitável reparar a peruca que a menina ostentava no meio da perna…tinha mais cabelo que na cabeça… acho que daria pra fazer uns dreads ali! hehehehe…!
    bjs!


  11. É nessas horas que dá aquele alívio de ser homem.
    Em todo caso isso me lembrou uma piada… 😛


  12. Minha nossa. Nunca mais reclamo de periquitas mal aparadas.


  13. O pior disso tudo é o cara apagar a luz na hora H !



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