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Let’s do it…let’s fall in love!

28 setembro, 2007

Eu preciso MESMO dizer que sou apaixonada por Anaïs Nin, Henry Miller, Georges Battaille, Sade, Hilda Hilst, Boccacio, D.H Lawrence e todos os outros pervertidos que graças à Eros deixaram as mais preciosas pérolas da literatura erótica para nosso deleite? Preciso?

Pois então,  sou apaixonada por eles. E outro dia, me peguei lendo a declaração de Anaïs, dirigida ao “colecionador”, que nada mais era do que o rico comprador de suas histórias e de Henry Miller, em tempos de vacas anoréxicas. Eles vendiam os contos por apenas 1 dólar por página ao velho, cuja única exigência era uma descrição seca e clínica do ato sexual, desprovida de total poesia. “Corte a poesia”, era a ordem do ricaço.

Como pedir isso a gênios da literatura, inda mais se tratando de literatura erótica? Impossível.

“Caro Colecionador: odiamos você. O sexo perde todo os eu poder e magia quando se torna explícito, mecânico, exagerado, quando se torna uma obcessão mecanicista. Torna-se uma chatice. Você nos ensinou mais do que qualquer pessoa que conheço, o quanto é errado privá-lo de emoção, ânsia ,desejo,  luxúria, lampejos de pensamento, caprichos e laços pessoais, relacionamentos mais profundos que mudam sua cor, seu ritmo, sua intensidade.”

“Você não sabe o que está perdendo com esse exame microscópico da atividade sexual e a exclusão dos aspectos que são o combustível que a inflama. O aspecto intelectual, imaginativo, romântico, emocional. É isso que dá ao sexo texturas surpreendentes, transformações sutis, elementos afrodisíacos. Você está reduzindo seu mundo de sensações. Você o está fazendo definhar, murchar, está drenando todo o seu sangue.”

“Se você nutrisse sua vida sexual com todas as excitações e aventuras que o amor injeta na sensualidade, seria o homem mais potente do mundo. A fonte de vigor sexual é a curiosidade, a paixão. Você está assistindo essa pequena chama morrer por asfixia. O sexo não floresce na monotonia. Sem sentimento, invenções, variações, misturado com lágrimas, risadas, palavras, promessas, ciúme, inveja e todos os condimentos do medo, novos rostos, romances , histórias, sonhos, fantasias, música, dança e ópio.”

“Quanto você perde com esse periscópio na ponta do seu sexo, quando poderia desfrutar de um harém de maravilhas distintas e nunca repetidas? Não existem dois cabelos iguais, mas você não nos deixa gastar palavras na descrição do cabelo; não existem dois odores iguais, mas se nos estendermos nisso você gritará: corte a poesia.
Não há duas peles com a mesma textura, e nunca a mesma luz, temperatura, sombras, nunca o mesmo gesto, porque um amante, quando estimulado por um amor verdadeiro, pode percorrer um conjuntos de séculos de doutrina amorosa. Somente o pulsar unido do sexo e do coração pode criar o êxtase.”

putz. Eu comeria Anaïs Nin.

9 comentários

  1. Isso me lembrou o Sarau Eléqtrico Luxúria, onde lemos Anaïs Nin, Sade, Hilda Hilst e o poderoso Pierre Louÿs… Ah, temos que retomar os Saraus…


  2. Bonita… Preciso falar contigo. Quando tiver um tempo, neste findis, me manda um e-mail.


  3. São duas e pouco da manhã, eu devia estar dormindo pq tenho aula amanhã cedo, mas estou me matando naquelas traduções que vc sabe muito bem quais são.

    Fora estas ainda peguei outras a respeito de TV digital, o que é completamente o contrário de mim, que sou antiquada e totalmente analógica. Meu cérebro é movido a vela. De navio, não é nem de TV, não.

    Estou escrevendo para dizer que estou com saudades, que penso em vc, que penso no seu cônjuge e na prole toda, que queria poder ter mais tempo, que queria poder sentar e jogar conversa fora e te abraçar e conversar como a gente fazia antigamente mas…

    mudei e não arrumei nada ainda. aliás, metade da minha mudança ainda está na casa da minha mãe, que, por mais que seja aqui do lado, ainda não é a minha e ainda assim é longe quando se tem um monte de coisas para carregar.

    o Adalbert está isolado no meio da amazônia, então não tenho nem como respirar direito pq tenho tanta coisa para fazer que já abdiquei do sono. vou começar a comprar este tal sono que desconheço no supermercado e ver se dá para injetar na veia.

    como afirmei acima, estou trabalhando tanto que não tenho tempo nem para dormir. e isso é a mais pura verdade. desde que comecei estas traducoes, devido ao fator faculdade+aulas de inglês+tradução, não tenho dormido mais que 4 horas por dia, então estou só o fio da rabiola.

    para terminar a sessão reclamação, digo que faço minhas as suas palavras. tenho predileção por esses caras que vc citou, em especial a dupla dinâmica henry+anaïs.

    e eu também comeria a própria.

    tendo dito tudo isso, aproveito para me retirar. e, é, estou comentando no seu blog do meu computador, na minha casa, depois de passar mais de 9 horas no telefone com a merda da Telefonica, tentando descolar um speedy para a minha casa.

    como disse, ninguém merece. ah, fiquei até trancada para o lado de fora da minha casa pq o portão emperrou. tive que chamar o chaveiro, enfim, uma barbaridade. mas isso é uma outra história, para um outro por do sol.

    beijo para todo mundo aí, espero que esteja tudo bem. quando eu conseguir ser um ser humano 32.7984% normal — mais ou menos o nível que eu era antes de ser atropelada pela falta de tempo — eu volto a comentar aqui. e a postar no meu blog. e a ter algum contato com o mundo.

    pff. só reclamo. e vou dormir. :-***************


  4. Eu como a Anaïs há muito tempo. Este texto dela, por exemplo, eu comi quando era adolescente ainda.
    E o elhor é perceber que, hoje, ele tem um outro sabor, um outro significado para mim.


  5. […] de coisa boa Leiam isto aqui, publicado no Fogo nas […]


  6. oi, amei este post!

    Sou fanzoca da Anaïs, ela é demais mesmo. Genial, sensível, retada!!!
    Qualquer dia vou transcrever este texto lá no meu blog … Vc pode me dizer a fonte??

    um Xêro!

    ps.: ah, gostei muito do seu “about me” …rsss 😉


  7. Ai, meudeus, lá vou eu ser do contra. Coisas do destino, talvez. Pois: eu não comia a Anaïs. Depois que li os Diários dela, entendi melhor o ricaço. Ela é prolixa, tagarela e autoreferente à exaustão. O resultado do texto erótico dela depois da depilação do ricaço está condensado em Pequenos Pássaros e Delta de Vênus. São duas obras deliciosas, arrepiantes, eróticas de dar câimbra. Por nada não, mas acho que o tal do ricaço fez um bem danado para a prosa dela .. rsrsrs


  8. Oi Carmen (sexy e belo nome).

    Todo escritor tem seus altos e baixos e vamos combinar: todo talento precisa ser lapidado, por mais genial que se seja.

    Algumas peças pequenas de Shakespeare são um saco, por exemplo.

    Talvez a prosa de Anaïs tenha ficado muito melhor depois da “edição” do Colecionador, mas eu concordo com ela no quesito de que “sexo não combina com monotonia”

    Tudo bem ser selvagem e bestial (aliás, adooooro) mas também ficar SÓ NISSO, acaba enjoando.

    O gostoso é variar. E disso, a mulher entendia : )

    Eu comeria Anaïs não só pelo que ela escrevia, porque palavras enganam. Vivo disso e sei bem disso.

    Eu a comeria pela mulher que ela foi: interessante, inteligente, charmosa, instigante, apaixonante.

    Uma legítima “Fogo nas Entranhas”

    Se é que vc me entende.

    Beijos!


  9. Oi Gabs,
    Eu devia ter desconfiado que você é profissional .. rsrs E isso é um elogio, tá? Bom, eu sou apenas uma amadora das palavras. Mas é como amante mesmo que acho que a Anaïs é ótima nos eróticos e malíssima (de mala) nos Diários, o que me leva a supor que alguém editou muito bem os textos dela … se é que você me entende .. rssssss
    Mas deixa pra lá. O que importa é que o seus textos são muito bons. Vou lincar o Fogo, posso?
    beijo sem filtro
    da Carmen



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