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Tudo o que é sólido…

12 novembro, 2007

Sabe do que eu tenho dó? Eu tenho dó de gente que não consegue aceitar o final de ciclos na vida. Meu coração realmente se enternece por pessoas assim, que são dignas de minha completa  e total compaixão.

Sinto pena, pois tais indivíduos são escravos de seu próprio passado, obcecados por idéias, sonhos, pessoas, momentos que se foram… situações e etapas da vida que chegaram ao fim.

Não estou fazendo apologia ao total desapego, longe disso. Quem me conhece sabe que sou alguém que não desiste facilmente das coisas. Mas também tenho dignidade e sensibilidade o bastante para entender quando uma etapa se finda. Quando é hora de mudar.

É preciso ter sabedoria e sangue frio para saber a hora certa de jogar a toalha, pendurar as chuteiras, dar um basta. Se insistirmos em permanecer numa certa etapa da vida mais do que o tempo necessário, acabamos perdendo a alegria de viver e  boicotando coisas boas e novidades positivas oriundas de outras fases que precisamos viver.

Tudo se renova, se transforma. O tempo todo. Não é diferente com a vida.

Pessoas vem e vão, se acidentam gravemente, adoecem… pessoas morrem.  Relacionamentos chegam ao fim, casamentos se desfazem, famílias se diluem, se separam. Boas empresas despedem seus funcionários, vão à falência, mudam de setor, de cidade, de país. Amizades se transformam, esfriam, se distanciam, acabam.

É preciso respirar fundo e despedir-se. Saber encerrar ciclos, fechar portas, virar a página. Não importa muito o nome que damos, o que importa é como lidamos com o processo todo. É preciso vencer etapas, superar a perda, seguir em frente.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender certas coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, doar objetos, cortar contatos, dar fim às lembranças materiais.  Desfazer-se do passado  significa também abrir espaço para que coisas novas tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. C’est la vie.

Não espere que lhe devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram sua  genialidade, seu potencial, que entendam e retribuam seu amor. Ame a faça tudo na vida com paixão e tesão, sem esperar nada em troca. Viva e deixe viver.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em prol do “momento ideal”. Muitas vezes o momento ideal é o agora. Ele pode passar a qualquer instante.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou foi bom, mas jamais voltará. E que outros momentos igualmente bons virão.

Lembre-se de que houve uma época em que você podia viver sem aquele objeto, aquela pessoa, aquele emprego…e ora vejam, você até que era feliz! – Nada é insubstituível, um hábito não precisa ser uma necessidade.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem você pode e quer ser. E é sempre possível ser alguém melhor.

Esse texto vai para algumas pessoas que abdicaram de suas vidas por conta do passado.

Espero realmente que elas encontrem o “caminho da luz”…rsrsrs e deixem quem está feliz viver a vida.

5 comentários

  1. Espero que vc tenha paciência, maturidade e sabedoria para lidar com gentinha, ex-mulheres rancorosas (que é praticamente a mesma coisa), invejosos, pobres de espírito, coitados (as) e afins.

    Nem tudo mundo quer ser feliz. E afinal de contas, nem todo mundo merece!

    E lembre-se: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão… Eu passarinho! (Mário quintana)

    Te amo


  2. Este post me lembrou a música Milagrimas, do Itamar Assumpção com a Alice Ruiz, que eu adoro!
    Vou te mandar!
    Bj.


  3. A carapuça serviu. E eu estou orgulhosa por conseguir passar de fase resignada e sem sofrer (muito).

    Um beijo, furona! 😛


  4. um texto na medida, pra muitas pessoas e muitas situações. beijos pra vc querida.
    saudades.


  5. […] Tudo que é sólido…>>por Gabriela Franco, no Fogo nas Entranhas: normalmente eu não gosto de conselhos. Nem de […]



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