Archive for dezembro \28\UTC 2007

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When I grow up

28 dezembro, 2007

Quando eu crescer, criar juízo, ser alguém assim, respeitável, distinta, aceita pela sociedade (rsrs) talvez eu pare de perder todas as coisas possíveis e imagináveis que tenho. Ou ao menos vou saber onde as deixei/guardei/pus. Vou conseguir ficar com um óculos escuro durante mais de um ou dois meses sem quebrá-lo. Vou parar de escrever telefones na palma da mão. De beber refrigerante no gargalo. De enfiar a colher que pus na boca no doce novamente. De passar o dedo na cobertura. De mascar chicletes todo o santo dia. De dançar na sala de calcinha. De trocar de bolsa todo o dia e esquecer os documentos em alguma delas sem nunca saber em qual. De comprar sapatos compulsivamente. De passar horas a fio baixando músicas na internet. De fofocar e dar risada no msn com minhas amigas. De falar merda com a Giseli na rua a ponto de ter de sentar na guia da calçada para dar risada. De só usar jeans, camiseta, all-star/mad rats, batom vermelho e lápis de olho beeem forte e cinto de tachinhas. De pintar e usar novos cortes de cabelos bizarros a cada 3 meses. De só ouvir música estranha. De gastar uma boa grana com gibis. De me tatuar também, compulsivamente. De ser tão boba, apaixonada e dedicada a quem amo. De ter essa síndrome de rock star que não me abandona de modo algum. De ser tão voluntariosa e fazer bico quando não consigo o que quero. De usar meias do batman e do bob esponja. De inventar coreografias malucas em frente ao espelho enquanto escuto Krafwerk. De gritar no meio do escritório, do nada, só pra quebrar o tédio. De achar meus chefes uns merdas completos. De adorar meu trabalho e odiar meu salário. De fazer bolas enormes de chiclete. De achar a vida uma vadia injusta, mas mesmo assim ser completamente louca por ela. De me comportar como se eu estivesse nos anos 80…ainda. De passar a noite bebendo e filosofando com amigos sobre a origem do universo e nosso papel nesta palhaçada toda, fazendo paralelos, claro, com as letras dos Smiths e do Death Cab For Cutie. De abraçar as pessoas que gosto, de tocá-las, de ser tão malditamente táctil. De discutir literatura com meu marido. De sempre interrompê-lo em nossos momentos de leitura para citar uma frase ou parágrafo do que estou lendo, com a famosa frase “amor, olha que legal….” De ser tão direta, sincera, sem filtro. De falar palavrão. De ver filmes tristes que já vi anteriormente e sempre chorar nas mesmas cenas. De ser tão apaixonada por cinema a ponto de ele ser minha droga à prova de realidades-chatas-entediantes-previsíveis. De inventar pratos malucos na cozinha e submeter minha família à tais experiências. De escrever bobeiras nesse blog.

De ser tão moleca, sem jeito, despojada, descolada…

Mas isso, só quando eu crescer….

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Mãos atadas

26 dezembro, 2007

Eu, hoje, me vejo nua, sozinha e fria amarrada com as mãos às costas num quarto escuro.

Eu, que sempre achei um meio pra tudo e em tudo, não vejo nada, me encontro sem jeito e não enxergo caminhos.

Eu, que sempre lutei pelos meus sonhos, hoje só os contemplo e espero, impotente e inerte. Como uma criança que pula e se estica em vão, tentando alcançar algo que está além de suas forças.

Esses sonhos, por sua vez, flutuam ao meu redor lentos e etéreos como bolhas de sabão ou como peças de um móbile sem graça que o destino me preparou. São como instantâneos pregados numa parede branca, alegrando-a por poucos minutos, mas que imediatamente perdem a cor, queimando-se num fragor prateado, fundindo-se numa só coisa alva, infinita e indefinida, me deixando sem ação, sem direção, sem solução, sem intenção.

Me sinto de mãos atadas. Presas às amarras e escolhas da vida.

Não sei quem sou agora, nem quem fui, nem quem serei daqui para frente… e isso me assusta.

Só sei que hoje sou crisálida, ninfa paralisada num casulo verde e viscoso sem saber se vai virar borboleta ou enfim morrer meio lagarta.

Logo eu, que sempre me bastei, me garanti, me satisfiz, me fiz e refiz em mim mesma…

Logo eu, sempre tão fiel a mim e a meus princípios, encontrei você e me achei em ser sua.

Nego ao meu ego e me apego a ti.

Logo eu, que nunca fui frágil, agora me vejo escrava da sorte… e assim enfraqueço.

O que faço agora? Estou de olhos vendados na contramão de uma auto-estrada.

Porque ousei trilhar esse caminho e pago por isso.

Porque escolhi me perder de mim mesma para me achar em ti.

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Não desista

19 dezembro, 2007

Eu não tenho belas mensagens, nem citações, nem poemas, nem histórias com um fundo de moral, nem imagens do Papai Noel com suas renas ou de Jesus Cristo numa manjedora com a sagrada família reluzindo a sua volta, tampouco palavras doces e reconfortantes para este fim de ano.

Aliás, até tenho, mas não vou deixar nada aqui, visto que todo mundo está fazendo isso e é um saco. O mundo tá uma bosta e na época das festas nossa consciência moral tira férias e de repente fica tudo lindo e maravilhoso. Pelo menos até o carnaval. Ridículo.

Não adianta muito ler essas coisas quando a gente tá com a lama da amargura até o pescoço e o efeito também não é lá grande coisa quando a gente tá bem. No máximo faz brotar um sorriso no rosto. Mas até aí um comercial de sorvete também faz, portanto, não vejo muita serventia…

Esse ano foi de muitas mudanças, enormes e significativas pra mim. Todas boas, mas doloridas e difíceis de serem encaradas. O que me faz pensar que por mais que eu tente me convencer de que estou preparada e de que sou dura na queda, na hora da onça beber água é que são elas (viu? Evite lugares comuns quando for escrever…). Levei um choque e ainda estou me recuperando. Mas sobrevivi.

O que eu tenho pra dizer nesse final de ano é só uma frase: não desista.

Tente mais um pouco. Eu sei, está difícil, vai contra um monte de coisas que você quis pra você, tá tudo acontecendo de um jeito diferente do que você imaginou que fosse acontecer, em momentos diferentes, em situações diferentes com pessoas diferentes, você olha para a (as) situação (ões) e ainda não está satisfeito com ela (s), muita coisa te revolta, te indigna, te machuca, tanta injustiça, tanta impunidade, tanta mesquinharia, tanta falta de bom senso, tanta insensibilidade, você não ganha pelo tanto que trabalha, você se sacrifica e nunca é reconhecido ou recompensado devidamente, você ama e não é amado, você paga e não é ressarcido, você é roubado, usurpado, usado, estuprado moral e financeiramente, você aposta corrida contra o tempo e sempre perde, você luta, luta, luta e já está no 10° round, está no corner, sangrando e pensando em entregar os pontos, mas…

…não desista.

Isso sim é uma novidade. Eu aconselhando alguém a não desistir. Talvez seja a maturidade, talvez seja o amor finalmente, talvez seja a posição dos astros, talvez seja efeito do frango ao curry que comi ontem mas, enfim… não desista. Ao menos durante o próximo ano, tente mais uma vez. Dê-se um prazo. Mas não desista. Dê mais uma chance.

A você, ao seu (sua) companheiro (a), ao seu (s) filho (s), ao seu emprego, a sua família, ao seus sonhos, aos seus amigos, ao seu bolso, ao seu País… eu sei lá mais pra que. Mas não desista.

Muita gente fala que esse blog é de auto-ajuda, (entre outras coisas) algo que me faz rir, até porque tenho ojeriza ao conceito. A vida inteira eu mais me auto sabotei do que ajudei. Nunca fiz nada para ser exemplo de porcaria nenhuma pra ninguém, aliás, isso sempre me assustou. Cruzes! A idéia de ser exemplo ou ter algum poder de influenciar pessoas ou situações é assustadora para mim. Sempre evitei. Mas se este pobre blog ajuda alguém a fazer alguma coisa (que preste) que seja, oras.

Que seja de auto-ajuda, de bobeira, de porcarias, que seja qualquer coisa. I don’t fucking mind.

Estou na verdade escrevendo isso aqui mais para mim do que para qualquer um. Aliás, tudo que escrevo nesse blog é pra mim. Nunca é para vocês, sorry.

Me desculpem se fiz vocês se sentirem lisonjeados, com raiva ou se despertei qualquer outro tipo de sentimento em meus leitores.

Esse blog é um espaço de desabafo informal e pessoal, não um lugar para eu exercitar minha verve jornalísitica e porcamente literária ou meu humor ácido e corrosivo com notícias, pensamentos, matérias, opiniões, poesias, clipes blábláblá.

Para isso eu tenho meu trabalho, onde ganho (muito mal, é verdade) mas ganho.
Isso aqui não tem a pretensão de ser merda nenhuma. É só pra ser um mísero blog, minha gente… relaxem. Aqui não tenho compromisso com nada nem com ninguém. Só comigo mesma, com meu humor, com meu gosto, com minhas particularidades.

Mas ao contrário do que muita gente pensa, eu não vou desistir.
Nem disso, nem de mim mesma…. nem de lutar pelo que desejo, sonho e acredito.

Se não quiser seguir esse qualquer outro conselho que dou, então foda-se e boas festas anyway. Ao menos não desista de si próprio. Porque isso eu também não faço. Mas procuro melhorar, sempre.

Boas festas.

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Ike coisa

13 dezembro, 2007

Ike Turner, o ex- marido de Tina que enchia a cara dela de bolacha, bateu as botas.
Tina deve estar sapateando sobre sua sepultura e cantando: “What’s Love Got Do With It?”

Uhú!

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Desconstruindo-me

11 dezembro, 2007

Estou estranha. Estou me repartindo, desconstruindo, desmanchando, derretendo… me espalhando, transformando, me quebrando, em mil pedaços que se juntam a cada momento em diferentes formas e ângulos que refletem meus valores, humores, jeitos e gostos de diversos modos num caleidoscópio emocional em constante movimento.

Estou me recriando. É como renascer. E como todo nascimento é dolorido.

Estou me tornando uma nova pessoa. Talvez seja isso o tão almejado amadurecimento…talvez.

acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido

***

nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

***

lembrem de mim como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça

***

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

***

en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
moches
poemas

***

nada me demove
ainda vou ser
o pai dos irmãos Karamazov

***

se
nem
for
terra

se
trans
for
mar

Paulo Leminsky

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Amor de sexta

7 dezembro, 2007

Que tal uma declaração de amor gótica ultraromântica nesta sexta-feira?

Depeche Mode – One Caress (adoro!)

Martin Gore, além de ser um PUTA produtor, músico e arranjador é um ótimo cantor. Deu folga pro David Gahan, vestiu seu chapeuzinho de colonizador puritano chamou os bichos escrotos para fazer um clip em azul profundo com uma letra sombria e sofredora carregada de arranjos de cordas e voilá!

Não precisa de mais nada. Perfeito.

Essa música é do ÓTIMO – Songs of Faith and Devotion, de 1993 e pra quem não sabe, o Depeche é uma de minhas bandas favoritas évah.

Bom fim de semana cheio de amor melodramático.

Por que às vezes é bom.

Só às vezes.

Bj

“Bem, estou de joelhos novamente

e rezo para a única

que tem o poder de aliviar minha dor

e de perdoar tudo o que fiz.

ah, garota…me absorva em sua escuridão

quando o máximo que esse mundo faz é me deixar entediado

basta um carinho seu

e serei abençoado

Quando você pensa que tentou todas as estradas

todas as avenidas, dê mais uma olhada no que você julga já ter tentado

e você achará um caminho novo

ah, garota…me absorva em sua escuridão

quando o máximo que esse mundo faz é me deixar entediado

basta um carinho seu

e serei abençoado

Estou cansado da luz

sempre amei a noite

e agora você me oferece

escuridão eterna

Preciso que acreditar que o pecado

faz um homem melhor

ou talvez seja o estado em que me encontro

que nos leva novamente ao começo.

ah, garota…me absorva em sua escuridão

quando o máximo que esse mundo faz é me deixar entediado

basta um carinho seu

e serei abençoado…”

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Taí…

5 dezembro, 2007

Sabe o que eu nunca vi e que provavelmente nunca verei?

Um aviso do Ministério da Saúde dizendo “Trabalhar demais causa estresse, infarto do miocárdio, AVC, infelicidade crônica e depressão – Trabalhar demais é prejudicial à saúde” Você já viu? Não, né?

Mas é verdade. E devia vir impresso no verso dos talões de seu vale alimentação, por exemplo. No mesmo modelo dos usados nos maços de cigarro. Só que ao invés de imagens de fetos natimortos ou pessoas amputadas, deveriam ostentar engravatados roxos, babando e com olhos revirados.

Pense nisso.

Ou não.

Faça melhor, não pense em nada…