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Regra é meu ovo

7 janeiro, 2008

…que eu não tenho, aliás.

Hoje pela manhã, na redação, me deparei com o novo exemplar da maldita revista Veja, um dos maiores agentes emburrecedores da mixa classe média brasileira, depois da Rede Globo e da religião.

A capa contém a seguinte manchete: Regras – Como e porque a vida passou a ser regulada por elas e então, numa tentativa imatura e tosca, a matéria discorre sobre o porque da vida moderna ser regida por regras e indica (observem o nível estratosférico de pretensão!) quais funcionam realmente e quais são pura balela marketeira de manuais de auto-ajuda.

Olha, o ensaio até que foi válido, mas o desejo megalomaníaco e simplista de tornar objetivo e prático algo tão particular e subjetivo como valores e normas estruturais de bom-caratismo e convivência em sociedade (mais conhecido como bom-senso) é de matar. (rá!)

É o atestado puro e cabal da estupidez brasileira, aquela mesma que inspirou o hino “A gente somos inútel” da banda paulista Ultraje a Rigor, a descrição mais perfeita de nosso povo até então, que há muito tempo substituiu a idílica “Aquarela do Brasil”… bons tempos aqueles. Ignorância é felicidade, com certeza.

Que eu saiba, desde que o mundo é mundo a vida em sociedade é pautada por regras e valores e não é de agora que essa tal de “vida moderna” nos cobra isso. Que eu saiba, o ensino de tais valores é dever primordial da família, da escola e comunidade em que vivemos e não do computador, da televisão, da babá-erótica ou do video-game, como vemos hoje em dia. Muito menos de uma revistinha de segunda que agora deu para escrever matérias completamente irrelevantes, (er… agora??) que pensa que só porque abocanha grande parte do mercado de publicações semanais (que é formado em sua grande maioria pela mesma classe média que se acotovela feito baratas tontas à procura de uma tábua de salvação em meio ao caos atual resultante de sua burrice galopante) pode servir de oráculo para a sociedade brasileira do século XXI.

Me desculpem, mas não é citando J.D. Salinger, Orson Welles, Renoir e o caralho a quatro, como contraponto, na tentativa de explicar que “toda regra tem sua exceção” que vão me fazer levar uma matéria dessas a sério. Isso é pseudo-intelectualismo barato, fora de contexto, é simplismo.

E seres humanos pensantes não são simplistas.

Já repararam que a Veja tem respostas para tudo? Não sei como ela ainda não deu jeito no Brasil…

Me desculpem, eu sei que falar mal da Veja é hors concours, mas não me contive.

Achei um acinte, um desprezo à inteligência, pura manipulação, longe de ser jornalismo. Tô cheia dessa merda.

Meu desejo era queimar pilhas de Veja em praça pública….assim, além de ser culpada pelo emburrecimento geral da nação ela também colaboraria para o aumento do aquecimento global.

Falta de pauta no começo do ano é terrível mesmo…. Ih! Mas a Veja é assim o ano inteiro! Que merda!

8 comentários

  1. A capa da Veja desta semana é uma típica matéria pra aumentar as vendas, com chamada apelativa pra atrair leitores de livros (sic) do Paulo Coelho. É o tipo de reportagem que faz a gente lembrar que jornalismo tornou-se business, e notícias viraram meras mercadorias a serem anunciadas, feito feirantes berrando ofertas no ouvido das freguesas incautas.


  2. “Meu desejo era queimar pilhas de Veja em praça pública….assim, além de ser culpada pelo emburrecimento geral da nação ela também colaboraria para o aumento do aquecimento global”…

    Ahaha.. to rindo até agora. Mas vai me dizer que se eles não te pagasse 5 mil pra chutar cachorro morto e fazer matérias malhando o fds do Lula vc não iria pra lá?

    Bom, já te falei, vamos escrever os 10 motivos para VEJA ser uma merda fedida:

    1. Ela pensa que é o Times terceiromundista;
    2. Ela finge que o Brasil é os EUA;
    3. Ela quer instituir o maniqueísmo político;
    4. Ela é tem um caderno de “cultura”;
    5. Ela queria que o Lula parasse de dar grana em troca de votos para os pobres do sertão e usasse a grana para construir campos de concentração para retirante;
    6. Ela edita a VEJINHA, uma espécie de realidade paralela de Rio e São Paulo;
    7. Ela tem um projeto gráfico feio;
    8. Ela faz paralelos totalmente distorcidos;
    9. Ela tem o Diogo Mainardi, refugo do Paulo Francis;
    10. Ela não absorve bem o cocô dos passarinhos!!


  3. É o verão derretendo os neurônios já totalmente gastos, e carimbando o atestado de incopetência de profissionais dos quais se espera algo bem melhor.
    E tenho dito.

    música de fundo: quebra nozes! UUUUIIIII!


  4. ahahahahahaha

    eu gostava da veja. há uns 10 anos. o brasil tinha o fhc, a veja parecia menos pior e eu tinha 14 anos.

    tudo faz sentido, certo?

    mas o pior foi q eu pensei exatamente td isso ae q vc escreveu antes msm de ver a capa da revista dessa semana. só precisei do meu pai dizendo “a veja… matéria… regras… comportamento… mto bom… vc deve ler…”. pronto. suficiente pra eu detestar um pouco mais.


  5. Concordo com seu texto e com os comentarios dos amigos acima…
    falar mais pra quê??


  6. Você tocou num ponto interessantíssimo, falou sobre “familia e educação”, é onde ocorre o começo da anomalia em que vivemos… E acredito que uma sociedade só se muda, a longo prazo, é claro, com educação.
    Sobre a “Veja”, em Portugal tem a “Olhe”. Não sei quem copiou quem, mas sei que as duas tem a mesma função: controlar uma boa parcela da sociedade, parcela que está, como vc mesma disse, como barata tonta, procurando respostas em Prozac.
    Amei o texto..Parabéns! add vc em meu blog


  7. Te juro !

    Se você conseguir um descampado eu começo uma campanha para coletarmos milhares de revistas Veja e queimarmos num Ato-Público … Com direito a discursos inflamados e tudo.

    Topa ?


  8. Olha, dizer o quê? Eu moro no Tocantins, fora desse eixão rio-sampa, a Veja me proporciona umas duas horas de leitura semanal que geralmente passo no banheiro. As críticas de cinema da Veja na década passada costumavam ser um horror, deram uma melhoradinha e tal, coisa pouca. A Lia Luft me dá engulhos, carece de sentido, o Mainardi sei lá, parece que ele se protege fazendo questão que no fim das contas a gente não leve ele a sério. Quanto ao mercado editorial brasileiro, se eu entrar na única livraria da cidade e ver mais um título sobre uma conspiração Católica para ocultar os fundamentos gnosticistas primordiais do cristianismo eu me enforco. Mas o fato de que o governo agora é de um descamisado, traz algo de maior franqueza a Veja, faz com que ela assuma-se em definitivo, sob o manto de uma pseudo-nova ética, de defensora dessa aberração que é a classe média brasileira. Aliás, qualquer classe social no Brasil é Bizarra, na acepção anglo saxonica do termo, ou seja, pejorativa. Eu não me enquadro nisso tudo, mas afinal de contas, tenho de suprir minha necessidade de leitura, acabo ter de nadar nestes meandros vernaculares da imprensa e do mercado editorial para ver se interpreto algo e me mantenho “atualizado”, algo que me sustente meia hora em uma roda de conversa em uma cidade ae do sul. Abraço a todos.



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