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Promessas e/ou carta de uma chorona

26 fevereiro, 2008

Eu prometo.

Eu prometo ser eu mesma, sempre. E MESMO assim, ou apesar disso (rs) eu prometo ser tua companheira pra vida inteira, te amar estar do seu lado para o que der e vier. Ser sua ajudadora, ser protetora dos meus, ser guerreira na hora certa e mulher quando precisar.

Eu prometo tentar te entender, sempre, por mais difícil, confusa e estranha que seja a situação. Existirão coisas que inevitavelmente eu vou precisar de um tempo maior para assimilar e aí vai ser tua vez de me entender.

E quero que de uma vez por todas você entenda que existe diferença entre discutir e brigar. Discussão é debate de idéias, onde se chega a um ponto em comum e se resolve a questão. É saudável, é necessário e sim, demanda energia e dialética. Como tudo na vida.
Já briga é disputa e ninguém tá disputando porra nenhuma aqui. Ponto final.

Apesar de ser uma pessoa muito enérgica, de responder tudo na hora, na ponta da língua e de uma forma pouco amável, vão existir momentos em que eu vou estar sensível, cansada de brigar. Vou chorar.

Aliás, vou chorar muito por muitas razões diversas e você vai ter que saber lidar com isso. Porque às vezes choro sem motivo aparente. Choro porque estou feliz, ou porque vi uma borboleta e ela pousou no meu ombro na hora exata em que eu estava cantando “When Soul Meets Body” do Death Cab for Cutie e percebi a perfeição do momento, ou porque você me deu um orgasmo absurdo que fez meu corpo todo entrar em transe e você é o homem que eu amo e isso não poderia ser melhor do que qualquer outra coisa, afinal…

Ou posso chorar porque você por vezes poderá ser terrivelmente cruel, insensível, grosso, poderá vir a faltar com o respeito comigo e eu não quero isso, enfim.

Motivos diferentes para o mesmo choro. Eu posso olhar pra você e ver o quanto te amo. Tanto.
Às vezes fico pensando na gente e…nas voltas que a vida deu e onde estamos agora…e choro, de emoção, de medo, de alegria e de tristeza…de expectativa. Eu sou chorona. É dicotômico, uma baixinha durona e invocada como eu, ser assim… mas sou. Bem, eu sou toda paradoxos.

Choro porque lembranças ruins, da minha infância vêm à tona…fantasmas do meu passado, medos, traumas que insistem em querer me paralizar, me impedir de viver.

Eu venço a todos eles, mas às vezes eles me dão uma surra e depois que venci a luta eu simplesmente me dou o direito de chorar. Às vezes choro de cansaço de lutar.

Choro de indignação. Normal. Preciso extravasar e chorar é uma das formas.
Gostaria que entendesse isso.

Sinto, logo choro.

Mas…voltando ao início… eu prometo…eu prometo….eu…

Ah, eu ia escrever um texto completamente diferente do que tá saindo agora, sabe?

Era pra ser uma série de promessas de como eu vou ser uma ótima mulher e isso e aquilo, tudo de um jeito super bem humorado, engraçado, era pra te fazer rir… mas pensei, pensei… e cheguei à conclusão de que não quero isso. Não te fazer rir, isso eu quero. Eu não quero é fazer promessas…

Não quero prometer nada, eu quero viver, eu quero ser finalmente eu mesma, do lado do amor da minha vida. Chega de promessas. Eu prometi tanta coisa a mim mesma e aos outros e tudo deu tão, tão errado.

Não quero isso. Apesar de eu provavelmente SABER o que vou fazer e como vou ser, não quero verbalizar, sabe? Sabe quando você quer tanto uma coisa que tem medo de apenas falar sobre e tudo dar errado? Então, mais ou menos isso.

Meio supersticioso, mas é sério. Medo de “agourar” a coisa. E acho que, nós dois juntos, depois de tanto tempo, finalmente tendo nossa vida, nossa família nosso mundinho, nossas risadas, piadinhas, tiração de sarro particular, sacanagens gostosinhas, essa troca, essa comunicação de alma que a gente tem, essa coisa deliciosa que a gente sente quando tá um perto do outro, não importa como, mesmo que seja em silêncio…você desenhando e eu lendo um livro enquanto o CD player toca “By Your Side” do Love Spirals Downwards e a gente se olhando eventualmente e soltando um sorrisinho vez ou outra ou apenas balbuciando um “eu te amo”, essa paz que a gente vai sentir, depois de toda a tempestade que a vida fez a gente passar, essa bonança mais do que merecida, a coroação desse amor…isso… vai valer mais do que qualquer promessa que eu possa vir a fazer.

Porque simplesmente vai ser real. Porque já é real. É isso.

Bah… adivinha? Tô chorando….

(carta escrita para meu amor…em novembro de 2006)

6 comentários

  1. Caráleo, Gabriela!
    Isso vai passar, vida nova chegando, tudo muda. Creia.
    =)


  2. Quer saber!!?!?!? Também chorei!!! kkkkk…. Chorei nao de tristeza, mas porque te entendo e porque te admiro… Promessas sao levadas ao vento e o que fica mesmo sao as surpresas diarias e como lidamos com elas… só… nao importa se pareca certo ou errado, importa que dê resultado e que esse seja ao menos momentaneamente satisfatorio… sempre lembro da minha mae se repetindo: “Eu fiz aquilo tentando acertar, mas vejo que errei.” Acredito que todos passamos por isso e passaremos sempre… Isso é viver!


  3. Essa foi uma das cartas mais bonitas que ja li. Se não deu certo… foi uma pena.


  4. Oi “eu mesmo”.

    Deu certo sim, está dando. Estamos casados e eu estou grávida de 9 meses : )

    Beijos!!!


  5. Oi, é a primeira vez que venho aqui no seu blog e gostei muito!
    Essa carta… tô suspirando até agora! É o tipo da carta que eu gostaria de ter escrito para alguém que realmente merecesse lê-la; um dia eu chego lá – rs!


  6. simplesmente lindo e realmente da vontade de chorar,pois tudo que esta escrito ai bate com a minha vida e o que eu sempre quis dizer ao homem da minha vida…



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