Archive for março \29\UTC 2008

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Killing drops

29 março, 2008

– É mais fácil encaixar as pessoas em categorias do que enxergá-las de verdade.

– Você enxerga realmente as pessoas? Você já olhou para alguém alguma vez na sua vida, olhou em seus olhos e viu como esse alguém realmente é, sem depositar nesse olhar todo o peso de seus anseios, expectativas e limitações?

Você já viu uma pessoa como ela é de verdade? Ou tudo que você vê são sempre reflexos, Narciso?

-É interessante observar que, apesar da busca desenfreada por liberdade e descompromisso que dita o cotidiano moderno, o comportamento da grande massa continua idêntico: o não questionamento do que a mídia prega, o desprezo pelo diferente, e o medo de pensar sozinho, refletir e tirar conclusões diferentes do socialmente aceitável.

Triste.

-Os liberais são os novos nazistas, os conservadores são os velhos nazistas.
Resista a ambos e seja você.

-Se você faz questão de só se cercar de pessoas “inteligentes”, “modernas” e “interessantes” e TUDO que você faz é perfeitamente aceitável e admirado por todas eles, então você é só mais um cego manipulado, tanto quanto a beata mais carola daquela paróquia perdida do interior.

Só muda o público; o teatro é o mesmo.

(By Toni Santos – texto modificado por mim)

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Pero sin perder la ternura…

25 março, 2008

Não vou deixar essa vida me endurecer. Não posso, não vou.

Novamente a mesma história. O ritmo frenético imposto pelo cotidiano nos engolfa e sem perceber somos levados no redemoinho, assim, facilmente, quase sem querer. Isso me preocupa deveras.

Hoje em dia não há mais tempo para a contemplação, para o refletir, para o pensar. E isso é triste. Se não pensamos, deixamos de existir. É cartesiano, mas é verdade. Se não existimos, não estamos aqui, estamos em qualquer outro lugar…mas nunca no momento em que estamos vivendo. Somos zumbis, manequins, bonecos. Sempre além, sempre ausentes. Frios.

Manipuláveis e manipulados.

Não quero. Não vou. Não posso.

Não vou me deixar ensurdecer pelo barulho intermitente dessa vida infrene. Preciso constantemente me exercitar e me lembrar de fechar os olhos para o mundo a fim de enxergar a poesia das coisas. A fim de ouvir a música dos dias. A melodia das horas. De admirar a dança das cores, odores, sabores e amores que permeiam nossa vida.

Ainda existe luz em alguns sorrisos. Ainda encontramos conforto em certos abraços. Ainda é possível sentir doçura em algumas palavras. Ainda há felicidade nos encontros.

Ainda há esperança nos olhares. Ainda tem gente que procura genuinamente ser feliz.

Não ser mais rico, mais bem sucedido, mais bem relacionado, mais bonito, mais magro, mais qualquer outro valor que porventura esteja na moda por aí…mas total e simplesmente feliz.

E é malditamente clichè – mas eu sempre digo que a verdade está nos clichès – a felicidade está tão próxima, tão escondida em pequenas coisas que simplesmente não notamos…

Eu ainda paro para sentir o vento. E reparo na luz difusa do outono. Eu converso com flores, gatos e crianças. Eu recito poesias enquanto cozinho e escrevo letras de música apaixonadas para meu marido durante o expediente. E eu digo “eu te amo”, antes de desligar o telefone quando falo com minhas amigas. Eu danço Belle & Sebastian com minha filha e minha enteada no meio da sala, à tarde.

Eu reconheço algumas pessoas pelo cheiro. Não o cheiro de CC, obviamente. : ) Mas pelo cheiro característico delas.

Eu sei quando meus chegados estão chateados pelo seu tom de voz.

Eu ainda toco as pessoas. As abraço, seguro em suas mãos, as beijo e faço questão de demonstrar a elas o quanto são importantes para mim.

Pra mim, isso é viver e sentir, é trocar. É ser total e completamente humano.

Não vou deixar essa vida me endurecer. Porque quando endurecemos, quebramos.

Quero ser fluida, flexível, mutável, líquida.

E preencher cada reentrância que essa vida me reservar…

Para então, um dia, quem sabe…

…transbordar.

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7 dias

24 março, 2008

Sou mãe há exatamente 7 dias.

Valentina nasceu dia 17 de março às 19h30 horas e está tomando toda a minha atenção, minhas horas, minh’alma, minha vida.

Estou extremamente feliz. E apaixonada (por ela e por minha família linda) e completamente insone.

É provável que eu me ausente do blog, até os horários se ajustarem aqui em casa.

Enquanto isso, novidades no http://www.superbebe.wordpress.com

See ya. Semper fi.

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Nunca diga nunca. Mesmo.

13 março, 2008

(Queridos: não sei o que está acontecendo o youtube, ele simplesmente não direciona o video. Mas ele está disponível sim. Copie e cole na tua barra: http://www.youtube.com/watch?v=89oS4SN4mNg )

Pois é…o tempo passa, as coisas mudam. E você se contradiz e acaba fazendo as loucuras mais inimagináveis na sua vida.

Não, não estou falando de sexo, drogas, crimes e outras atividades não-ortodoxas.

Aqui estou eu, baixando o CD da BRITNEY BITCH para minha enteada de 8 anos que simplesmente ADORA a coitada.

Eu tentei, eu tentei…faze-la ouvir Pixies, Le Tigre, Smiths, Cure, Depeche… Bowie!!!

Em vão.

Como ela gosta de música dançante, acabei introduzindo Madonna. Ela A-DO-ROU.

Ufa. Ponto pra mim. O Társis baixou o show “Confessions Tour” e ela copia até as coreografias…coisa mais fofa. Tenho o maior orgulho e acho super luxo.

Mas junto com as músicas da grande diva pop, acabei enfiando no mesmo CD Ladytron, Vive La Fête, Groove Armada, Chemical Brothers…e: Britney (Toxic, Gimme More, You Drive me Crazy).

Não é que em meio a tanta coisa boa ela foi gostar justo de…Britney?

Fazer o que, não é mesmo? Só lamentar. E fazer a vontade da pequena.

(Post publicado orginalmente no meu blog de gravidez, maternidade e afins )

Piece of Me – Britney Spears (essa música me faz ter dó dela. Sério)

Eu sou a senhorita “Sonho Americano” desde os meus 17 anos
Não importa se eu estou em cena ou fugindo para as Filipinas
Eles continuam colocando fotos da minha bunda nas revistas.

Vocês querem um pedaço de mim? Você querem um pedaço de mim…
Eu sou a senhorita carma da mídia a cada dia um novo drama
Acredite eu não vejo problema em trabalhar e ser mãe
tendo meus filhos nos braços.

Eu continuo sendo uma exceção
E vocês querem um pedaço de mim

(refrão)

Eu sou a senhorita estilo de vida “ricos e famosos”
(vocês querem um pedaço de mim)
Eu sou a senhorita “Oh meu Deus como a Britney é sem vergonha!”
(vocês querem um pedaço de mim)
Eu sou a senhorita “Extra! Extra! Essa é quente”
(vocês querem um pedaço de mim)
Eu sou a senhorita “ela está tão gorda, agora magra demais”
(vocês querem um pedaço de mim)

Eu sou a senhorita “você quer um pedaço de mim?”
Tente me aborrecer? Bem, faça como o paparazzi
Que me aborreceu é só esperar eu começar um “barraco”
E acabar nos tribunais.

Agora, você quer um pedaço de mim?

Eu sou a senhorita “A que mais aparece na TV por aprontar na rua”
Quando estou indo ao mercado… não, na real
Você esta brincando comigo?
Causando pânico no show business, eu quero dizer, vocês querem um pedaço de mim.

(Refrão)

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So help us blog

10 março, 2008

As pessoas são engraçadas.

Acho que elas transferem a necessidade de se relacionar com alguém, ou contigo, no caso, para seu blog. Caso você tenha um, obviamente. Se não, pode esperar, porque elas vão acabar transferindo para qualquer outra ferramenta que por acaso te exponha no mundo virtual: Orkut, MSN, Google Talk Twitter, Skype, Del.ici.ous, Limão…e-mail, qualquer coisa que possa te ligar a elas. Qualquer coisa.

Mesmo que sua exposição seja comedida, discreta e até mesmo ficcional. Tais indivíduos acabam criando um laço melodramático e pseudo-sólido contigo por meio dela. Uma espécie de casamento virtual. MEDO.

As pessoas são malucas.

No começo, elas elogiam seu blog, seu texto, sua pessoa, suas opiniões, chegam a ficar excitadas! Como num flerte, um começo de namoro. Só no xaveco. E aí, na cabeça delas, pra você aceitar a corte basta responder aos elogios. Um simples “obrigada”, soa, para os freaks, como um: “sim, eu aceito ser sua amiga/confidente/mulher/namorada/amante/puta virtual para todo o sempre!”

As pessoas são assustadoras.

Aí vem a parte realmente doentia e chata da coisa: como em qualquer outro relacionamento, começam as cobranças: “Porque você escreveu aquilo?” “Não gostei do que você falou”, “Você anda muito chata, sem criatividade e xoxa no blog” , “Você poderia ter sido um pouco mais assim/assado naquele texto”,”Esperava mais agressividade de você”, “Porque você precisa ser tão agressiva?, Você tem problemas psicológicos”, “eu esperava isso, isso e aquilo de você”, Você me decepcionou profundamente…” blábláblá.

Então, em suas mentes doentias, o “relacionamento” acaba porque eu “não correspondi às expectativas” e assim, elas “te abandonam”, vagando pela internet à caça de outros (as) parceiros (as) para preencher seu vazio emocional-existencial.

As pessoas são tristes. E rasas. E simplistas.

Não entendem que uma bosta de blog é só mais um espaço onde alguém pode escrever o que bem entender, do jeito que bem entender, como e quando bem entender. E que, o que se escreve não necessariamente precisa refletir a opinião do escritor sobre determinado assunto. É um lugar de liberdade. Ao menos o meu, é. Não escrevo para agradar/desagradar ninguém.

Escrevo o que eu quiser, merda! Já leu o meu “about me/ Who’s that girl?” Então leia.

Um escritor pode e deve assumir vários papéis quando está escrevendo. Como se “recebesse” um santo, criasse uma persona, se pusesse no lugar de outro para ter uma ótica diferenciada, para simplesmente SAIR DO COMUM, criar uma narrativa diferente, irregular, estilizada…

Pode querer escrever um texto para provocar, instigar, excitar, fazer chorar, questionar, fazer rir. Mil coisas, mil emoções. É com isso que o escritor mexe. Tal qual um pintor, um compositor, um dançarino, um escultor…

O artista não pode ser responsável pela reação que sua obra provoca. Isso é muito subjetivo. Depende da interpretação de cada um. E isso é realmente um tiro no escuro.

Mas as pessoas não entendem isso. Se eu escrever aqui algo como: eu quero que todo mundo morra – vou ser encarada como uma genocida em potencial, uma louca desvairada, apesar de nunca ter matado um mosquito em toda minha vida.

Mas eu vou estar apenas usando uma figura de linguagem. Posso estar com raiva, posso estar aflita. Ou posso apenas querer que as pessoas pensem qualquer outra coisa, apesar de eu estar perfeitamente sã e bem. Eu quero que todos vocês, que não entendem nada do que eu escrevo, morram.

Quero ter a liberdade de escrever o que eu quiser, sem ser taxada de porcaria nenhuma.

As pessoas não sabem o que é um CONTEXTO. – do Lat. contextu s. m. – encadeamento das ideias de um texto; contextura; entrecho;

Gram: enquadramento sintagmático de uma unidade do discurso;
situação de comunicação; argumento.

Interpretam (quando o fazem…) um texto de modo literal, sem pensar ou se preocupar com o que o escritor quis dizer nas entrelinhas, qual papel assumiu na narrativa, quais reações quis provocar.

As pessoas se endureceram.

As pessoas perderam a poesia.

As pessoas levam tudo muito a sério.

As pessoas são um saco.

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Ser mulher é…

7 março, 2008

…um paradoxo. E como todo paradoxo, é indefinível.

Eu odeio o dia internacional da mulher. Na verdade, como a maioria das datas comemorativas, justas ou não, ela foi desvirtuada de seu sentido original e virou mais uma desculpa comercial e pro-forma.

Hoje ela é só mais um dia onde o homem, ao invés de dar porrada na mulher, dá-lhe uma rosa e um sorriso amarelo. Ou dá-lhe porrada, com uma rosa amarela, sorrindo.

Whatever.

Todo ano eu torço o nariz para tal data. Já fiz posts denúncia contra a violência doméstica, contra a prática da mutilação genital na África, contra o machismo em geral e até contra a postura da mulher de hoje, querendo se equiparar ao homem sendo que a graça da coisa toda está justamente em nossas diferenças… Pois bem.

Eu não tenho nada a acrescentar nesse dia. Sorry. A não ser que, na minha opinião, a maioria das mulheres de hoje, salvo raríssimas exceções, são muito mais do que eram antigamente.

Mais burras, mais doentes (em todos os sentidos, mas principal e notoriamente mais doentes emocionalmente) mais fúteis, mais alienadas, mais incompetentes, mais infelizes e mais perdoras do que jamais foram em toda a história da humanidade, desde Lilith. A começar com Eva.

Por que? Ora, porque a mulher que não consegue impor limites a si própria, não dá limites aos outros e portanto não consegue ser feliz e ainda continua sendo dominada, sendo escrava.

Escrava da aprovação, compreensão e reconhecimento alheios e isso, baby, pra mim é praticamente a raiz da infelicidade. E o sinal claro de que todos esses anos de luta pela igualdade e o caralho a quatro, não foram de proveito algum.

Novamente, isso em MINHA POBRE E HUMILDE opinião… (aham..)

Agora, se você, como a maioria, não consegue enxergar isso e novamente, como a grande massa, só consegue ver as “grandes conquistas” que a mulher obteve ao longo dos anos, blábláblá e não O PREÇO QUE ELA ESTÁ TENDO QUE PAGAR POR ISSO…então:

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Afinal, ignorância é felicidade, não é mesmo?

ai, ai.

“Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave” -Antoine de Saint-Exupèry
“A mulher que se acha inteligente reclama igualdade de direitos com os homens. Mas a mulher que é realmente inteligente não o faz, porque sabe que é melhor do que eles em muitos aspectos” – Sidonie Collete.

“A humanidade masculina divide-se em dois grupos: areia ou falésia. A mulher é sempre o oceano” – Claude Avelline

“Uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um farrapo humano e tenta salvá-lo. Às vezes consegue. Porém, uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um homem são e reduze-o a um farrapo. Sempre consegue” -Cesare Pavese.

“Há homens. Há uma mulher” – Jules Goncourt

“Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas” – Sêneca

“É uma espécie de encanto numa mulher. Se tem charme, não precisa de mais nada; se não o tem, tudo o resto não serve para muita coisa” – James Barrie

“Assim são as mulheres: antes de se casar, querem que o marido seja um génio. Depois que se casam, querem que seja um idiota” – Oscar Wilde

“A mulher que se preocupa em evidenciar a sua beleza anuncia ela própria que não tem outro maior mérito” – Julie Lespinasse

“Tendo em vista como algumas mulheres passam a vida, dir-se-ia que lhes foi proibido ter razão e bom senso e que estão no mundo para dormirem, serem gordas, belas, para não fazerem nada e dizerem tolices” – Madeleina Scudéry

“Terrível é que não é possível viver com as mulheres, nem sem elas ” – Lord Byron

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I love Marla

6 março, 2008

Narrador: Vamos fazer assim: vamos dividir a semana, certo? Você fica com o de linfoma e tuberculose…

Marla Singer: Você fica com tuberculose. Não posso fumar lá.

Narrador: Tá certo, bem… Creio que não precisamos brigar pelo de câncer de testiculos, certo?

Marla Singer: Bem, tecnicamente eu tenho mais chances de frequentá-lo do que você. Afinal, você ainda tem suas bolas.

Narrador: Tá brincando, nè?

Marla Singer: Não sei…estou?

Narrador: Não..não! Vamos, diga o que você quer!

Marla Singer: Eu fico com o de parasitas.

Narrador:
Você não pode ficar com os dois de parasitas, uma vez que já tem o de parasitas no sangue…

Marla Singer: Eu quero o de parasitas do cérebro

Narrador: Então eu fico com o de parasitas no sangue. Mas eu também vou ficar com o de demência orgânica cerebral, ok?

Marla Singer: Eu também quero esse.

Narrador: Você não pode ficar com todos os de doenças cerebrais, isso é…

Marla Singer: Até agora você tem quatro e eu só dois!

Narrador: Ok. Fique com os dois de parasitas. São seus. Pronto, agora ambos temos três…

Narrador: Porque você frequenta esses grupos de apoio a doentes, afinal?

Marla Singer: É mais barato do que ir ao cinema e eles dão café de graça…

(Fight Club – David Fincher/1999)