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So help us blog

10 março, 2008

As pessoas são engraçadas.

Acho que elas transferem a necessidade de se relacionar com alguém, ou contigo, no caso, para seu blog. Caso você tenha um, obviamente. Se não, pode esperar, porque elas vão acabar transferindo para qualquer outra ferramenta que por acaso te exponha no mundo virtual: Orkut, MSN, Google Talk Twitter, Skype, Del.ici.ous, Limão…e-mail, qualquer coisa que possa te ligar a elas. Qualquer coisa.

Mesmo que sua exposição seja comedida, discreta e até mesmo ficcional. Tais indivíduos acabam criando um laço melodramático e pseudo-sólido contigo por meio dela. Uma espécie de casamento virtual. MEDO.

As pessoas são malucas.

No começo, elas elogiam seu blog, seu texto, sua pessoa, suas opiniões, chegam a ficar excitadas! Como num flerte, um começo de namoro. Só no xaveco. E aí, na cabeça delas, pra você aceitar a corte basta responder aos elogios. Um simples “obrigada”, soa, para os freaks, como um: “sim, eu aceito ser sua amiga/confidente/mulher/namorada/amante/puta virtual para todo o sempre!”

As pessoas são assustadoras.

Aí vem a parte realmente doentia e chata da coisa: como em qualquer outro relacionamento, começam as cobranças: “Porque você escreveu aquilo?” “Não gostei do que você falou”, “Você anda muito chata, sem criatividade e xoxa no blog” , “Você poderia ter sido um pouco mais assim/assado naquele texto”,”Esperava mais agressividade de você”, “Porque você precisa ser tão agressiva?, Você tem problemas psicológicos”, “eu esperava isso, isso e aquilo de você”, Você me decepcionou profundamente…” blábláblá.

Então, em suas mentes doentias, o “relacionamento” acaba porque eu “não correspondi às expectativas” e assim, elas “te abandonam”, vagando pela internet à caça de outros (as) parceiros (as) para preencher seu vazio emocional-existencial.

As pessoas são tristes. E rasas. E simplistas.

Não entendem que uma bosta de blog é só mais um espaço onde alguém pode escrever o que bem entender, do jeito que bem entender, como e quando bem entender. E que, o que se escreve não necessariamente precisa refletir a opinião do escritor sobre determinado assunto. É um lugar de liberdade. Ao menos o meu, é. Não escrevo para agradar/desagradar ninguém.

Escrevo o que eu quiser, merda! Já leu o meu “about me/ Who’s that girl?” Então leia.

Um escritor pode e deve assumir vários papéis quando está escrevendo. Como se “recebesse” um santo, criasse uma persona, se pusesse no lugar de outro para ter uma ótica diferenciada, para simplesmente SAIR DO COMUM, criar uma narrativa diferente, irregular, estilizada…

Pode querer escrever um texto para provocar, instigar, excitar, fazer chorar, questionar, fazer rir. Mil coisas, mil emoções. É com isso que o escritor mexe. Tal qual um pintor, um compositor, um dançarino, um escultor…

O artista não pode ser responsável pela reação que sua obra provoca. Isso é muito subjetivo. Depende da interpretação de cada um. E isso é realmente um tiro no escuro.

Mas as pessoas não entendem isso. Se eu escrever aqui algo como: eu quero que todo mundo morra – vou ser encarada como uma genocida em potencial, uma louca desvairada, apesar de nunca ter matado um mosquito em toda minha vida.

Mas eu vou estar apenas usando uma figura de linguagem. Posso estar com raiva, posso estar aflita. Ou posso apenas querer que as pessoas pensem qualquer outra coisa, apesar de eu estar perfeitamente sã e bem. Eu quero que todos vocês, que não entendem nada do que eu escrevo, morram.

Quero ter a liberdade de escrever o que eu quiser, sem ser taxada de porcaria nenhuma.

As pessoas não sabem o que é um CONTEXTO. – do Lat. contextu s. m. – encadeamento das ideias de um texto; contextura; entrecho;

Gram: enquadramento sintagmático de uma unidade do discurso;
situação de comunicação; argumento.

Interpretam (quando o fazem…) um texto de modo literal, sem pensar ou se preocupar com o que o escritor quis dizer nas entrelinhas, qual papel assumiu na narrativa, quais reações quis provocar.

As pessoas se endureceram.

As pessoas perderam a poesia.

As pessoas levam tudo muito a sério.

As pessoas são um saco.

42 comentários

  1. LINDO! E, já tá na hora????


  2. Pois é. Algumas coisas que vc e eu escrevemos viraram até “prova” na justiça. Por sorte os Juízes sabem o que é uma crônica!

    As pessoas realmente levam crônicas a sério.Até a Veja é levada a sério. Aliás, alguns compram a Veja!!!!!

    :O

    Mas o que me surpreende é que eu pensei que vc fosse contra explicar categoricamente essas coisas… ¬¬
    😛


  3. amor: vai cagar, vai.


  4. Uau, eu acho que você escreve suuuuuper bem… nossa, muuuuuito bacanas as suas idéias… hiiiiper legal o que você disse…. você deve ser meeeeeeega orgulhosa da maneira como escreve… eu seria beeeeeeem orgulhoso se escrevesse assim…

    =)


  5. Bru, MEDA de te responder…huahahahhaa


  6. Você está falando de “eu nunca quis ser seu amigo”, “eu já te deletei do msn faz tempo”, “não quero fazer parte do feudo babaca de leitores do seu blog”?

    Sinal dos tempos.


  7. Concordo em gênero, número e grau.
    Tá dito!


  8. Clap, clap, clap!!! (de pé)
    Texto foda, moça!


  9. você me decepcionou com esse texto.

    bem, na verdade não, porque eu sou um paraquedista que chegou aqui via LLL. Mas acho que a net é realmente assim mesmo. As pessoas acham que você escreve para elas, que elas são o único público do universo. Umbigocentrismo total.

    a questão é: vale a pena perder tempo com quem assiste televisão e acha que o William Bonner deu boa-noite especialmente pra ele?


  10. hahahaha que ótimo! por vergonha não digo que sou bem esse tipo de gente maluca que você descreveu. eu acho que quem escreve escreve o que quer, sejam posts no blog, sejam comentários ou e-mails, cada um que pague seu mico como achar melhor.


  11. Alex, outro dia estava conversando com a escritora, blogueira e minha amiga pessoal (não é virtual não! Eu juro! haha) Olivia Maia (http://verbeat.org/blogs/forsit) sobre o assunto e ela me respondeu justamente isso: “que tipo de reação você espera de gente que acredita na cara de tristeza do William Bonner e da Fátima Bernardes depois de uma notícia trágica?” hehe

    E eu completo: essas mesmas caras que mudam segundos depois,para uma alegria estonteante ao reportar o nascimento de um bebê-foca no zoológico de Zurique, como se a notícia anterior não tivesse mais peso algum…

    Você tá certo. To hell with them.

    Beijos!


  12. Carol: eu não acho escrever pagar mico. A não ser que você escreva algo nada a ver…

    Bem, sei lá. Talvez eu ache que o que escrevi tenha a ver e na real não tem…

    Uh.

    Complicado. Desce mais uma cerveja!


  13. Voce leva essas pessoas a serio de demais. Pra que escrever um post inteiro sobre isso? tsc tsc🙂


  14. muito bom!
    e totalmente verdade.


  15. Ahhh…mas eu não vou mesmo perder a oportunidade de ser beeem piegas: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!”
    Se você entrou na roda, tem que aceitar todas as danças, ou só aquelas que lhe dão prazer?
    Leitor é assim mesmo, vampiro de idéias…acabou aqui ele vai buscar outro pescoço ou blog…


  16. Falou e disse…Blogar escraviza o blogueiro na constante luta pra agradar quem lê.
    Totaly agreed!


  17. Só pra complementar…

    O problema é quando um blogueiro começa a escrever pensando em como seus leitores vão encarar determinado assunto.

    Muitos blogs acabam perdendo totalmente a personalidade por causa disso.

    Óbvio que tem muita gente por aí que quer que seu blog cresca e, para isso, precisa ir se ajustando de acordo com os gostos do seu público
    Sim, meu blog – o do link – é um exemplo disso, ao contrário dos meus blogs pessoais, onde escrevo de mim para mim mesma, numa espécie de terapia.

    Excelente texto.

    Bjs,

    Ana


  18. Quero te dar um abraço

    :ó::::::::::(^^):::::::::ò:


  19. otimo texo. saos os males da vida moderna.


  20. Gostei do texto. Serumanos são um problema.


  21. Oi Ana!

    Cadê o link do seu blog? Não tá ativo : (

    Bem, como sou jornalista e totalmente obrigada a escrever o que o povo quer ler, me dou o direito de chutar o balde no blog.

    E não estou nem um pouco preocupada com o fato de ele crescer ou não : )

    Sou mignon. E low profile.


  22. Eu também sou jornalista!
    Bom, na verdade eu sou estudante de jornalismo, mas nem sei bem o porquê. Ah, sim: é que eu gosto de escrever.

    Quem bom que você tem esse espaço para desencanar de lides, regrinhas e do público.

    O meu blog é http://www.semata.wordpress.com

    Beijos


  23. Bem, não quero ser pessimista com relação ao jornalismo, inda mais com uma estudante.

    Mas se vc gosta de escrever (leia-se: criar) não devia ter feito esse curso…nele você só segue regras. Digo, isso se quiser ser uma “jornalista de destaque”

    Por isso eu sou uma gonza : )

    Bem, mas eu disse que não queria ser pessimista, certo? rsrsrs

    Beijos, vou fuçar seu brógue.


  24. Puuuuuxa, eu eu que pensei que você era minha amiga de verdade! Huahuahuaua.

    Você está certíssima: as pessoas são malucas, egocêntricas, assutadoras. Mas não todas, né baby?


  25. Gabs… Esse blog é só pra vender mesmo, não se assuste com o conteúdo inútil! Hahaha

    Eu faço jornalismo só pq gosto de escrever… Mas não pretendo ser jornalista, não.

    Sei lá, ano de tcc e eu tô com crises existenciais hahaha

    Beijos.


  26. Gostei bastante da sua forma de escrita. Vou te linkar pra voltar aqui mais vezes.

    Beijos!

    Ana.

    http://www.semata.wordpress.com


  27. É isso aí!


  28. você não matou nem pernilongo? =p


  29. Como é chato isso nas pessoas. Essa mania de achar que te conhece por causa de um blog.
    Eu tive um em que escrevia coisas da minha vida no estilo “diarinho”, mas de repente virou um inferno; as pessoas arbitravam sobre a minha vida como se fosse a novela das 8!
    Daí fechei aquele e criei um outro blog, só pra falar mal, pra mostrar o pior de mim e, óbvio, zuar com a cara de muitos. Daí o povo acha que sou só aquilo.
    Mas quer saber? Foda-se. Eu tenho muitos amigos e eles entendem a graça da coisa, o resto eu nem ligo.
    Belo texto!
    bjones


  30. É complicado, muito complicado. Por um lado concordo com o Antonio Ferro, ali em cima. “Você é responsável pelo que cativas.”
    Porém, o que está de “vampiros” por aí, não é brincadeira!
    Por outro lado também, quando vc faz um post sobre isso acaba dando uma importância a essas pessoas que elas não deveriam ter.
    Bjs.


  31. Oi Silvia

    Desculpe, mas não concordo com nada do que você disse.

    Primeiro, sou completamente aversa a essa teoria saint-exupéryana. Não acho que somos responsáveis por aquilo que cativamos porcaria nenhuma pq muitas vezes acabamos cativando sem querer.

    O responsável é sempre o receptor. É ele quem se deixa cativar.

    E outra, eu não dei importância a ninguém. Eu só desabafei. E era sobre isso mesmo o texto: liberdade de poder escrever sobre o que se quer.

    Abraços!


  32. Oi Gabs,
    Acho que eu não fui muito clara ou você não leu a segunda frase: “Porém, o que está de “vampiros” por aí, não é brincadeira!”
    Ou ainda, eu que não lhe entendi agora. “Oi Silvia
    Desculpe, mas não concordo com nada do que você disse.”
    Você não concorda com nada?
    Eu concordei com vc e vc não concorda com o que eu disse, hahaha
    Beijossss

    Em tempo: cheguei aqui pelo LLL e ainda não li seu blog inteiro, mas já coloquei ele no meu agregador de feeds.


  33. Escrevi há uma hora que acho estúpida a idéia do Saint-Exupéry…rs
    Deve ser um saco ficar justificando o que se escreve. Será que as pessoas escrevem para o Saramago dizendo “puxa, achei seu último livro maçante… ”
    Se eu soubesse mexer neste negócio da internet (leia-se layout do blog), colocaria uma tecla “foda-se” no lado da caixa de comment, para os comentários que merecessem a resposta… Ou um carimbo, sei lá… rs…


  34. Oi Silvia.

    Ok, vamos lá:

    Sim, sobre os vampiros, é uma conclusão óbvia. Concordo. Taí o texto que escrevi que não me deixa mentir.

    Agora:

    -Não concordo que somos responsáveis pelo que cativamos, conforme expliquei.

    -Não concordo com o fato de que eu ter escrito um texto sobre o assunto signifique eu esteja me importando com tais pessoas.

    E foi justamente o que vc escreveu no seu comment. Ou tô errada?

    Com isso que não concodei.

    Abraços!


  35. Amor, caguei e estou voltando…
    Pensei o seguinte. Acho que SIM, somos responsáveis pelo que cativamos, PORÉM, é imposível entender o que cada leitor pensa ao ler as bobagens sérias de um Blog.

    Portanto, usando isso com base na teoria da comunicação.. (O que eu estava dizendo mesmo?)

    :O


  36. “Não acho que somos responsáveis por aquilo que cativamos porcaria nenhuma pq muitas vezes acabamos cativando sem querer.”
    Menina, somos duas.

    Ótimo post e muito boa sua caixa de comentários (cada vez mais acho que blog bom tem caixa de comentários viva). Grande garota!


  37. Oi, eu sempre venho por aqui, mas quase nunca deixo comentários.Ao ler este texto, não resisti. Comecei a escrever um blog sem pretensão nenhuma, assim como se fosse uma brincadeira e não tinha me dado conta de como as pessoas tomam conta da sua vida, se sentem donas de vc, só porque te acompanham feito uma novelae ainda querem mudar o final! Tive que abrir outro blog, a coisa foi ficando séria, ganhei muitos amigos virtuais, namorado e afins. Mas, o mais engraçado foi quando meus amigos da vida real descobriam meu blog e pediam posts, pois eles queriam ser lidos por ali. O cúmulo foi quando meu pai abriu conta de orkut e passou a ler meu blog! Aí, eu quase morri de vergonha…
    Agora tenho um blog lado B para falar das sacangens com mais liberdade, se é que a gente pode fazer tudo isso num simples blog.

    Beijos.


  38. Bem, eu te achei nessas andanças de clicar em links de blogs que visito e leio.
    A primeria coisa que fiz quando cheguei na sua página foi ler “who´s that girl”. Achei o texto, de cara, muito bom e esclarecedor.
    Quando li o post todo, fui lembrando de toda a minha trajetória em blogs e vi que vc foi bem fiel – na escrita – com o que acontece na realidade (virtual).

    Eu sempre digo duas coisas (e pareço bem antipática por isso): 1 – tenho preguiça de algumas pessoas. 2 – a gente só se decepciona com os outros pq enfia nossas frustrações no que esperamos deles.

    beijos e sucesso sempre.

    (em tempo: estás nos meus favoritos. Virei aqui sempre que puder)🙂


  39. Parabéns!!! Resumiu, de forma muito bem escrita, o fado de ser escritor/blogueiro…rs. Nem sempre é só alegria! Bjs e parabéns pela baby!!!


  40. Ah, putz, eu babo nos seus textos. Te admiro pra burro. E me identifico com essa meleca toda. Hehehehe.

    O “cerumano” é bizarro. Lembra?

    =]

    Bjitos pra ti, mamãe!😉


  41. Achei seu texto agressivo, feroz e ácido. Ou seria sádico? Saído direto de suas entranhas para a nossa mesa, ou seria “nossa net”. No fundo, no fundo, acho que todo escritor pensa um pouquinho em seu leitor. Senão, seria como morar sozinho numa ilha e escrever para outra civilização noutro canto do planeta. Admiro a sua liberdade de expressão e acho que vc tem muito bom gosto.


  42. […] O bom mesmo, mas o verdadeiro privilégio de se possuir um blog razoavelmente popular, é ter pessoas doentes que se acham no direito de agir feito verdadeiros Grilos Falantes virtuais frente a certos posts seus, mesmo que você os ignore ou já tenha dispensado veementemente seus serviços anteriormente. […]



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