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Pero sin perder la ternura…

25 março, 2008

Não vou deixar essa vida me endurecer. Não posso, não vou.

Novamente a mesma história. O ritmo frenético imposto pelo cotidiano nos engolfa e sem perceber somos levados no redemoinho, assim, facilmente, quase sem querer. Isso me preocupa deveras.

Hoje em dia não há mais tempo para a contemplação, para o refletir, para o pensar. E isso é triste. Se não pensamos, deixamos de existir. É cartesiano, mas é verdade. Se não existimos, não estamos aqui, estamos em qualquer outro lugar…mas nunca no momento em que estamos vivendo. Somos zumbis, manequins, bonecos. Sempre além, sempre ausentes. Frios.

Manipuláveis e manipulados.

Não quero. Não vou. Não posso.

Não vou me deixar ensurdecer pelo barulho intermitente dessa vida infrene. Preciso constantemente me exercitar e me lembrar de fechar os olhos para o mundo a fim de enxergar a poesia das coisas. A fim de ouvir a música dos dias. A melodia das horas. De admirar a dança das cores, odores, sabores e amores que permeiam nossa vida.

Ainda existe luz em alguns sorrisos. Ainda encontramos conforto em certos abraços. Ainda é possível sentir doçura em algumas palavras. Ainda há felicidade nos encontros.

Ainda há esperança nos olhares. Ainda tem gente que procura genuinamente ser feliz.

Não ser mais rico, mais bem sucedido, mais bem relacionado, mais bonito, mais magro, mais qualquer outro valor que porventura esteja na moda por aí…mas total e simplesmente feliz.

E é malditamente clichè – mas eu sempre digo que a verdade está nos clichès – a felicidade está tão próxima, tão escondida em pequenas coisas que simplesmente não notamos…

Eu ainda paro para sentir o vento. E reparo na luz difusa do outono. Eu converso com flores, gatos e crianças. Eu recito poesias enquanto cozinho e escrevo letras de música apaixonadas para meu marido durante o expediente. E eu digo “eu te amo”, antes de desligar o telefone quando falo com minhas amigas. Eu danço Belle & Sebastian com minha filha e minha enteada no meio da sala, à tarde.

Eu reconheço algumas pessoas pelo cheiro. Não o cheiro de CC, obviamente. : ) Mas pelo cheiro característico delas.

Eu sei quando meus chegados estão chateados pelo seu tom de voz.

Eu ainda toco as pessoas. As abraço, seguro em suas mãos, as beijo e faço questão de demonstrar a elas o quanto são importantes para mim.

Pra mim, isso é viver e sentir, é trocar. É ser total e completamente humano.

Não vou deixar essa vida me endurecer. Porque quando endurecemos, quebramos.

Quero ser fluida, flexível, mutável, líquida.

E preencher cada reentrância que essa vida me reservar…

Para então, um dia, quem sabe…

…transbordar.

3 comentários

  1. […] Fogo nas Entranhas […]


  2. Estava procurando coisas sobre os Smiths e achei um texto lindo que você escreveu sobre “The queen is dead”. Curto muito este disco também. Li outras coisas do blog e achei tudo muito claro, organizado, apesar dos assuntos dos posts serem sempre sobre a bizarra vida humana. Te achei muito corajosa e me admirou a longividade do blog. Parabéns.


  3. lindo, isso.
    ainda tento ser assim, também.



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