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Zeitgeist

29 abril, 2008

A idéia que permeia a mente da maioria dos jovens dos anos 00 que é casamento, filhos e velhice são as novas dez pragas do Egito sintetizadas em apenas três eficientíssimas maldições.

Pode reparar. Você tá no meio de uma festa, gente bonita, elegante e não tão sincera, bebida rolando, som bom, clima de azaração, de repente, numa rodinha de pessoas mais bem resolvidas e com objetivos maiores na vida do que apenas encher a cara e arrumar uma trepada para a noite, traz à baila os seguintes assuntos.

A música pára. Silêncio sepulcral. Grilos estrilam.

Tensão no ar. Pessoas começam a acender cigarros e correr atrás de bebidas compulsivamente. Uma garota finge que o celular toca, o leva ao ouvido, tampa o outro com o dedo indicador e começa a gritar “alou, alou”, afastando-se do grupo. Poucos se olham nos olhos, alguns lambem os lábios nervosamente, dedos estralam, sorrisos amarelos surgem. Até que amigão da vizinhança e famoso “deixa-disso” solta a clássica frase: “ai gente, que papo, não? Vamos mudar de assunto? E o Ronaldo, hein? Adora uns travecos!”.

E assim o povo vai deixando isso pra lá…com a idéia de que, realmente tratam-se de coisas medonhas.

O bom mesmo é ser “dono do próprio nariz” (é a nova nomenclatura para: ser terrivelmente SOZINHO (a) ) ser hype, ter cada noite uma pessoa diferente para transar, ser cheio da grana para gastar com coleções, viagens, roupas da moda, gadgets entre outros acessórios inúteis, para pagar operações plásticas e internações em clínicas de reabilitação (da moda, obviamente) encher a cara, se drogar, viver como se não houvesse amanhã e é claro: “UHÚUU, SER FELIZ, CARA!”.

Esse é o zeitgeist desta década. Ser doentemente EGOÍSTA.

Pois eu acho que quem espalhou essa idéia de que casar, ter filhos e envelhecer é uma merda, foi uma velha infeliz, (sim, porque pra influenciar gerações de um modo tão eficientemente amargo, HÁ DE TER SIDO UMA MULHER) que fez um péssimo (ou péssimos) casamentos, deixou de viver sua própria vida em função dos filhos (ou seja, uma frustrada) e não se cuidou, nem por dentro nem por fora, tornando-se doente, decrepta, hostil e rancorosa, incapaz de aproveitar sua vida como foi, incapaz de encarar suas próprias escolhas e tomar para si a responsabilidade de transformar a si mesma e o mundo ao seu redor.

Me vem à mente agora a imagem de Miss Havisham, de “Grandes Esperanças”, de Dickens. Eternamente amarga, castradora, incapaz de aceitar a felicidade alheia.

Eu, como sou do contra, faço questão de quebrar esse e qualquer outro tabu.

Num arroubo “global”, invento, tento e faço um casamento, a criação de filhos e o processo de envelhecimento, diferentes, divertidos, enriquecedores e nada, nada chatos. Crio minhas próprias regras e mando medos e idéias generalizadas para a puta que os pariu.

Ganho sempre, cresço cada vez mais. Não deixo de ser eu mesma nem de manter minha individualidade, algo importantíssimo para mim.

Ou você aprende a tomar as rédeas da sua vida, ou acredita nessas merdas e aceita ser profunda e irremediavelmente infeliz.

Esse texto vai para minha grande amiga Viva, com quem tenho sempre conversas maravilhosas no MSN e que essa semana veio me dizer que uma conhecida de trinta e poucos anos lhe perguntou porque deveria mudar sua vida que estava ótima, fácil e sem preocupações, e arrumar um filho. Como se isso fosse a morte…

Ora, querida…talvez porque justamente sua vida esteja ótima, fácil e sem preocupações, ou seja: entediante e sem desafios pessoais e emocionais.

Get a life. Parte do processo de envelhecer implica em AMADURECER…

A foto que postei indica bem o que quero dizer aqui. Você quer ser hype, ser radical, ser duro na queda, ser fodão?

Case (ou more com alguém) tenha filhos e encare as rugas do seu rosto com coragem e dignidade.

8 comentários

  1. Pãtz,,,coincidência, eu escrevi um post sobre envelhecer também. Sim, é incrível, mas eu aceito.


  2. Uma vez entrei eu, meu então marido e meus filhos num “café super hype” aqui de São Paulo e a frase dele foi: “Ella, nós estamos fora da moda… rs”
    Realmente nós atraímos a atenção como se fossemos uma trupe circense. Enfim, sei o que é isso.

    Concordo com você com relação à questão do amadurecimento. Estamos vivenciando um geração balzaca-adolescente. Homens e mulheres de 30 que se portam como jovens de 20 anos recém formados.

    Acho que é resultado da compreensão, algo meio inconsciente, de que podemos viver até os 100 e queremos esticar a adolescência, porque ser adulto não é mole não… rs. Acho que somos de uma geração que foi muito preservada.

    Mas cada um tem a sua hora e nada como ter filhos para se conhecer e mudar. Filhos fazem com que a gente viva o lúdico de novo. De outro lado, filhos representam mais responsabilidade.

    Minha médica diz que a mulher que é mãe é menos chata, porque sabe o que é realmente importante.

    É isso.

    Bjs

    PS. Obvio, que tem mãe que é louca, mas aí a moça é louca independentemente de ser mãe…


  3. nossa seu blog é muito bom,um amigo eu que me passou…gostei muito.
    E a vida é pra ser custida e vivida cada momento e cada fase,a adolescencia e inclusive a velhice,agente tem que viver toda a vida e usufluir de todas essas fases que ela nos proporciona.
    :*


  4. ah!!visitarei seu blog mas vezes.


  5. envelhecer deve ser dificil mesmo mais como tudo…deve ter dois lados.

    beijos chuchu


  6. Gabs, beijos pra você. Esse texto me fez lembrar de uma mulher que eu admiro muito, que é a Soninha. Jornalista, ex-VJ, política, comentadora de futebol, casada e mãe de alguns filhos. Pode ser que o tempo passe pela gente e a gente nem perceba. Admiro quem tomou as decisões certas na vida na hora que apareceram. Quem teve coragem, como você falou. Admiro quem consegue tomar conta de tudo ao mesmo tempo. Quem sabe os hypes gostariam de estar conversando sobre os filhos numa festa ao invés de estar procurando por um mal sexo. Quem tem família em casa tem um motivo a mais para não ficar bêbado tão facilmente. Até mais senhora!!!!!


  7. Eu quero casar, e sempre foi assim.
    Quero casar pra ter casa, fazer comida e ter um filho. Adotar, se isso não for possivel.
    Meus pais são separados, e casaram-se de novo com pessoas maravilhosas, me provando que casamentos felizes existem. Então vale a pena tentar.

    Não acho brega sonhar em dividir as alegrias, as tristezas e as contas com alguém. E a possibilidade amar é sempre bem vinda na minha vida.

    Tenho 23 anos. E envelhecer é preocupação pra mais tarde. Porhora contento-me em imaginar que serei uma velhinha “chiquetosa”, de pensamentos modernos, saudável, de cabelos enroladinhos e de vestidinho florido.

    O melhor da vida é poder escolher. Inclusive qual o caminho a tomar pra ser feliz além das aparências…

    (Adorei o texto)


  8. Oi, acabei de conhecer seu blog, acho que esse texto está o máximo, tenho 25 anos, sou divorciada, tenho um filho de 2 anos, e falo para as minhas amigas, mãe recentes, A GENTE CONTINUA VIVA!!!Claro, que vc não pode mais sair por aí, solitária, enchendo a cara, transando loucamente com um cara que vc só vai ver de novo tvlz no Orkut, enfim…..mas oq é isso?Até quando as pessoas acham que a “fase” adulto/adolescente vai durar??Com certeza um bando de ingratos que ainda vivem as custas dos pais e por isso gastam uma fortuna nas baladas…..Daqui a alguns anos, quando forem mais velhos, vao ver os amigos que tem filhos e família rindo e fazendo programas saudáveis, se divertindo, curtindo a vida….e sentirao inveja, sentimento desprezível de quem achava que estava no TOPO…..demora, mas um dia cai a ficha….não que seja fácil, mas não que seja extremamente sofrível como alguns querem que seja!!!beijo!parabéns!!



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