Archive for julho \31\UTC 2008

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Looney people

31 julho, 2008

O ministério de quem tem mais o que fazer adverte:

“Não alimente os loucos”

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O avesso das coisas

29 julho, 2008

Semanas atrás estava à toa num lugar que odeio: shopping center (sim, acreditem se quiser, eu odeio shoppings) e me pus a divagar.

Engraçado como o consumo tomou proporções literalmente monstruosas hoje em dia.

Antigamente -muito antigamente, diga-se de passagem – o consumo se restringia à necessidade: quando se precisava de algo, se comprava algo.

O superficial era considerado luxo, coisa de rico.

Hoje em dia a mulherada surta e gasta três mil reais em sapatos porque o dia no trabalho foi uma merda, ou porque o casamento está em crise. E não me venham com a saída clássica: ” ah, se ela pode (leia-se: se ela tem grana) fazer isso, sorte dela!”, porque essa justificativa é capenga por uma série de fatores que não vou enumerar aqui porque não estou defendendo a porra de uma tese, porque não sou comunistinha-chinelo-de-couro e porque não estou com a mínima paciência para tal.

Mas me pergunto: Porque a tal fulana compulsiva não gasta a mesma quantia numa viagem, por exemplo?

Ou num curso? Num hobby? No clube das mulheres? Ou com um bom advogado, para se separar do inútil do marido?

Vocês sabiam que um americano produz  em média 1,7 Kg de lixo por dia e consome 20 vezes mais que um indiano?

Sabiam que uma boa parte desse lixo é produzido devido ao vício de se comprar coisas sem necessidade?

Eu sou mulher, adoro sapatos, bolsas, maquiagem, roupas e demais quinquilharias femininas, mas tenho noção e bom senso em notar que existe um número saudável de bugigangas que uma mulher pode possuir.

Mais do que o normal é exagero e desperdício puro e simples.

E vamos combinar? O mundo tá se acabando em desperdício e a galera tá simplesmente cagando e andando pra isso. O negócio é estar “bonito no fim do mundo”.

Existem milhões de desculpas para se consumir desenfreadamente e no uso delas se arrasta a humanidade.

A do “eu mereço” é a mais recorrente.

Merece por que, ô sua louca?

Porque ganha 100 chibatadas todos os dias de manhã? Porque é genial, brilhante, linda, estupenda e glamourosa mas ainda não foi descoberta pelo show business? Porque precisa estar sempre produzida para chamar a atenção porque quando abre a boca é um desastre? Porque tua vida é simplesmente uma merda completa e portanto você precisa achar satisfação em alguma coisa, nem que seja em estourar o cartão de crédito comprando cílios postiços?

Que tal gastar com um analista, hum? Fica aqui a dica.

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Bitter End

28 julho, 2008

Para Carla

Já que estamos anestesiados, em nossa zona de conforto…isso me lembra a segunda vez que segui você até sua casa…

Estamos fugindo dos álibis desde o dia 2 de maio…isso me faz pensar nos dias de verão…mesmo estando no inverno.

Vejo você no amargo final…

Cada passo que demos pareceu ser sincronizado, cada osso quebrado…isso me lembra a segunda vez que…enfim…já não importa.

Você me banha entoando canções de ninar…enquanto vai embora…isso me lembra que é total perda de tempo…este dia tão fatídico.

Vejo você no amargo final

Desde a hora em que nossos olhares se cruzaram…foi suicídio.

Te vejo no amargo final

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Tudo isso porque não queremos ser a mãe, ta psicanalista, a guru, a nutricionista, a médica, a babá, , a puta, a santa, a escrava, a empregada, a cozinheira, a professora, a chefe, a personal trainer, nem a ouvinte passiva ou uma espécie de oráculo.

Queremos apenas ser a mulher.

Companheira, amiga, confidente, ajudadora, parceira, amante.

Mas somos limitadas.

Humanas.

Dá pra entender isso ou a compreensão também precisa ser uma qualidade única e exclusivamente feminina??

Enough is enough.

Voltem para as cavernas, you guys.

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Imagine

23 julho, 2008

O sonho começou assim:

-Era um galpão grande, cheio de discos (isso, LP’s, vinil mesmo, bolachões) espalhados, pôsteres de ídolos do rock decorando as paredes de concreto queimado, uma jukebox, uma cozinha americana bem chique e mais um badulaques que eu não consigo definir ou me lembrar

Era um loft. Bagunçado, mas era cool.

John Lennon dormia ao meu lado. Não, eu não tinha um cabelo ridiculamente emaranhado, nem uma cara de bolacha, nem um corpo de tábua, voz horrorosa, tampouco olhos puxados, portanto, não era a Yoko Ono.

Era eu mesma. Só que com um cabelitcho chanel a lá anos 60 e usando uma camisa de botões do John, uma coisa assim, revelando uma intimidade inda que hollywoodiana.

De repente, minha mãe entrou (Freud explica?). Nos levantamos esbaforidos, arrumei o cabelo, olhei para John, olhei para minha mãe:

-Mãe, este é John Lennon…estou grávida dele.

Minha mãe fez uma cara de espanto, depois mediu John Lennon, que a olhava com aquela empáfia típica dele.

Minha mãe virou para John e falou:

-Vocês astros do rock andam com todo mundo, você não tem aquela doença…

Enquanto Lennon, sarcástico, respondeu:

-Qual? Dinheiro?

E aí eu acordei de madrugada, morrendo de rir, com a Valentina chorando para mamar e eu chacoalhando o Társis para contar o sonho.

Afe.

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Shine on

22 julho, 2008

Essa música vai para a Sophia, minha enteada que mora conosco. Nove aninhos…praticamente uma mocinha.

Um futuro lindo, brilhante, luminoso…como seu sorriso.

Parabéns, linda!

In a garden in the house of
love, sitting lonely on a
plastic chair

No jardim da casa do amor,
sentado sozinho numa cadeira de plástico

The sun is cruel when he
hides away, I need a sister
– I’ll just stay
A little girl, a little guy
– in a little church or in
a school

O sol é cruel quando se esconde
preciso de uma irmã…vou só dizer
uma garotinha, um garotinho
em uma pequena igreja, ou na escola

Little Jesus are you
watching me, I’m so young –
just eighteen

Jesys menino, você olha por mim?
Sou tão jovem…só dezoito…

She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On

Ela, ele, ela brilha…
Brilha
Brilha

In a garden in a house of
love, there’s nothing real
just a coat of arms

No jardim da casa do amor
não há nada real, só restos de guerra

I’m not the pleasure that I used to be – so young – just
eighteen

Não tenho mais o frescor que eu tinha – tão jovem –
só dezoito…

She, she, she, she Shine On
Shine On
Shine On

Ela, ela, ela brilha
Brilha
Brilha

I don’t know why I dream this way
The sky is purple and things
are right every day

Eu não sei se sonhei tudo isso
O céu é roxo e as coisas dão certo todos os dias

I don’t know, it’s just this
world’s so far away
But I won’t fight, and I won’t hate
Well not today

Eu não sei se só isso
O mundo está tão longe
Mas eu não vou lutar, não vou odiar
ao menos não hoje

In a garden in the house of love
Sitting lonely on a plastic chair
The sun is cruel when he hides away

Shine On…
Shine On
Shine On
….and on…and on…
Shine
Shine On
Shine
Shine
Shine

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Why so serious?

16 julho, 2008

Pois é, fui na cabine de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, de Christopher Nolan, que estréia nos cinemas nesta sexta-feira (18/07) e …pirei.

Como vocês vão sofrer praticamente uma enxurrada de críticas sobre o filme (a net já está lotada delas) vou deixar aqui só minha leve opinião.

Se quiserem mais infos sobre enquadramentos, luz, trilha-sonora, figurino e blábláblá, leiam por aí. Se é que alguém dá importância a essas coisas num blockbuster, enfim…

Bem, como direi? São duas horas e meia de pura adrenalina, sem encheção de lingüiça. É right to the point, um soco no baço. No escuro, ainda.

Pra vocês terem idéia, saí do cinema pilhada, transtornada mesmo, devido ao ritmo frenético e às cenas de ação completamente loucas do filme. Levei algumas horas para me acalmar. Não me lembro de ter saído de um filme assim, tão nervosa, desde Seven, os Sete Pecados Capitais, de David Fincher, um de meus diretores prediletos.

Em Batman as cenas são absurdas. Absurdas no bom sentido. São tantos elementos em um mesmo take que você fica meio baratinado, não consegue prestar atenção em todos os detalhes, o jeito é tentar pegar a idéia geral (do tipo: “Batman está ali tentando salvar fulano de tal e derrubar os planos do Coringa, por exemplo) pra não se perder, porque vc fica tonto, facinho, facinho.

O roteiro é cheio de meandros, reviravoltas e sutilezas, muito, muito bom. Tem pitadas de graphic novels clássicas como: “Cavaleiro das Trevas”, “Batman, Ano Um” , “Batman Asilo Arkham” e “A Piada Mortal”, visíveis em algumas falas, retiradas ipsis literis dos quadrinhos (só quem é fã mesmo vai reconhecê-las).

O Coringa rouba totalmente a cena. Aliás, o filme deveria se chamar: “Batman meets the Joker”, porque, é inegável o magnetismo e a interpretação sublime do finado Heath Ledger na pele do melhor vilão de quadrinhos de todos os tempos. Sua personalidade exuberantemente doentia sobrepuja o espírito taciturno e contido de Batman e o relega a um mero papel coadjuvante. Crucial, mas secundário.

A catarse de Heath Ledger chega a ser tocante, digna de palmas, tive vontade de me levantar e gritar “BRAVO!” no cinema. Como fâ inveterada de quadrinhos, tive muito orgulho e lamentei terrivelmente pela morte de alguém tão, tão talentoso. Aliás, isso já havia ficado bem claro em “O Segredo de Brokeback Mountain”. O cara era bom.

Se depois de ter visto a interpretação de Ledger ,Jack Nicholson ainda insistir em dizer que a sua é insuperável, trata-se de sinal latente de esclerose múltipla o que faz da declaração (e do declarante) algo digno de pena.

O Coringa de Ledger É o Coringa. É o personagem encarnado em seu mais profundo grau de insanidade e demência. A caracterização, os trejeitos, a risada nervosa, a maquiagem, o raciocínio capenga, tá tudo ali.

Incomparável.

Bem, o resto…o resto fecha toda a trama num filme de ação delicioso e um baita de um tributo a um dos maiores heróis de quadrinhos do mundo.

Simplesmente obrigatório para quem gosta do gênero.

Vai lá.


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Freud explica

16 julho, 2008