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Divagando…

12 julho, 2008

Já dizia Shirley Manson, em uma de minhas músicas prediletas do Garbage: “o truque é continuar respirando” e talvez ela tenha razão, o segredo é esse, não esquentar muito a cabeça, ir vivendo a vida, ao sabor do acaso. Eu sei, eu sei…esse é um daqueles mantras de auto-ajuda que ficamos repetindo pra nós mesmos em tempos de crise, saca? Pois é. “Não esquente a cabeça, não esquente a cabeça”… milhares de pessoas, pseudo-gurus, sua mãe, sua avó, seu marido, o pastor, o padre, o pai-de-santo, o Silvio Santos e o caralho a quatro já falaram isso. Mas na real o bicho pega. Não gosto de ioga ou meditação, nada disso me mantém tranqüila e despreocupada. Olha que eu já tentei, juro. O que me distrai, me entretém e me acalma é escrever, ler e ver filmes…

Os de casa (ou seja:amigos íntimos e família) já sabem: se passo muitas horas quieta, escrevendo (mais do que o normal), se leio cerca de 4 livros simultaneamente e surto na locadora (alugo mais de 7 filmes…) é porque estou elocubrando, interiorizando, planejando, conjecturando, ponderando…meditando à minha maneira. Procurando uma saída, que não seja a óbvia, a imposta, a esperada, a mais fácil.

Mudanças. Engraçado, curioso e profundo: o mesmo ideograma usado para definir a palavra “crise” em chinês é também usado para a palavra “oportunidade”. Espertos mesmo esses chineses, não? Pena que eles são capazes de comer qualquer coisa que se mova debaixo do sol…seja por necessidade ou maldade mesmo…rsrsrs. Mas também, se eu morasse no país com mais cabeças por metro quadrado da face da Terra e sem tanta comida para atender a todos, talvez eu também comesse lacraias, escorpiões, dentre outros insetos…”a necessidade põe a lebre a caminho”. Talvez o segredo da sabedoria esteja em comer tais iguarias…vai saber? Corre lá e mastiga um bezouro se você for capaz!

Tudo se move, a gravidade parece estar ausente na minha sala. Vejo minha filha, minha família, amigos queridos, outros nem tão queridos assim, minha vida profissional, roupas, sapatos, meus móveis, meus gibis,…orbitando lentamente ao meu redor, esperando uma decisão, um rumo, uma constatação.

Mas por enquanto, lá dentro, sinto que a hora não é chegada ainda, Gafanhoto…

Incrível como somos mutantes. Acho isso bárbaro, essa capacidade de adaptação do ser humano às diversas situações, lugares, culturas… Incrível como nosso ritmo, interesses, idéias, valores mudam conforme as fases e épocas de nossa vida…

Incrível também como seu fim de semana rende quando você não vai para a balada na sexta, volta às 7 da manhã, capota e acorda às 8 da noite do sábado…pronta pra sair de novo…tô descobrindo isso agora, que tenho um neném de 4 meses em casa…

Incrível como é gostoso ir ao parque no sábado de manhã, caminhar observar pessoas, animais, mostrar para sua filha o que é um gato, uma flor, um pato, uma pessoa porca e mal educada que joga papel de sorvete no chão, e o papai tentando se lembrar como se anda de skate…

Sabe, a cada dia que passa eu tenho menos vontade de trabalhar num lugar “formal”. Te juro, não tenho mais saco para trabalhar em escritoriozinho daqueles com mobília “neutra”, báias dividindo as mesas, papinhos ridículos de corredor, gente escrota, invejosa, sacana, mal-educada, workaholics, zumbis, recalcados sexuais sem joie de vivre.

E olha que eu SEMPRE trabalhei com comunicação, hein! Nunca pisei numa repartição pública…rsrsrs

Tô cheia desse metier corporativo de merda. Todo lugar é a mesma bosta, nada muda. Os comportamentos mesquinhos, doentios e desmedidos são iguais, a sanha e a ganância são iguais, a exploração e a falta de tato e compreensão, de humanidade são indefectivelmente iguais em todos os fuckin lugares desse  mercado de trabalho!

Não quero mais trabalhar com vídeo convencional, nem escrever em lugares convencionais, matérias convencionais para pessoas convencionais com vidas convencionais Chega.

Quero pirar, saca? Fazer algo muito louco. Sei lá o que, ainda não tenho idéia… nem sei se na minha área…talvez eu surte volte para a faculdade e faça um curso inominável, talvez eu saia correndo pelada na marginal Pinheiros e tenha uma revelação, talvez eu venda coco na praia e ache a paz interior, talvez eu abra uma loja de roupas, talvez eu me mude para um barco, talvez eu abra um salão de cabeleireiros, um studio de tatuagem, um curso para cegos ou um restaurante de raw food…sei lá, entende? Quero mudar meu rumo profissional.

Socorro, eu quero trabalhar com arte.

Ai…era isso que eu temia.

(respiro fundo, passo a mão no rosto)

Vou esperar passar, quem sabe?

Beijos. Bom findi.

4 comentários

  1. Olha, estou tentando me preparar para estar num escritório novamente. O ideal é fazer o que nos faz feliz. Mas há momentos em que não temos escolhas de coração, somente as práticas…

    não sei…


  2. Cara, também acho fantástica essa capacidade que nós temos de mudar e nos adaptar..
    esses trabalhos normais demais são um saco mesmo.
    beijos,
    e que passe…


  3. Ai dona Gabi, esse post resume o que tenho pensado ultimamente. Só uma coisinha: quando for “pirar” e trabalhar com “outra coisa”, se precisar de uma sócia, estamos aí..Hehe

    Bjks.


  4. Espera passar não!
    Vai que é isso mesmo?
    Olhe para mim: sou Bióloga, faço Engenharia e além de trabalhar com Biologia, trabalho com Moda. Se eu estou feliz? Sabe aquele sorriso do Cheshire? É meu!

    beijos



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