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Sick of it all

22 outubro, 2008

Tenho uma confissão a fazer. Várias, aliás.

Não que vocês se interessem pelo que eu tenho a dizer e não que sejam confissões em termos religiosos, até porque cago e ando pra isso e até porque ninguém aí do outro lado paga minhas continhas ou está em posição de me absolver de algo…no entanto…

Me vejo em falta  com os leitores desse blog, já que outrora ele vivia cheio de novidades, textos, memes e afins e hoje, por falta de tempo e… – confesso – vontade, tenho deixado ele de lado,  quase que entrando em concorrência (imagine! só figura de linguagem…) com o Escrúpulos Precários, devido a quantidade de imagens que posto.

Várias coisas tem acontecido em minha vida, mudanças externas e internas, sempre boas, mas mudanças são mudanças e envolvem tempo de adaptação, novamente, em ambos os aspectos.

A verdade verdadeira é que ando meio cansada de muita coisa, principalmente do mundo virtual.

Estou cansada dessa tal de blogosfera e seus famosos e..já repararam que essa  ânsia do povo pela fama é algo completamente doentio? Até em Quibrobró d’Oeste você encontra alguém famoso, nem que seja  para os habitantes do local:

“Ai, não acredito!’

“-Não acredita no que? O que foi?”

“-Ai, alí!”

-“Alí aonde? O que foi, peloamordedeus?”

-“Aquele cara! Ele é o mais famoso da cidade! É pentacampeão de gamão-nos-dias-de-chuva de Quibrobró d’Oeste! Ai, vou lá pedir um autógrafo!”

Enfim, parece que todo microcosmo necessita de um representante de renome e boa reputação, que reflita os anseios e sonhos da maioria…engraçado que, na mitologia romana, Fama é uma espécie de “auditora dos deuses”, é uma mensageira de Júpiter responsável por revelar aos humanos os crimes das divindades…meio antagônico, não? Enfim, tô cansada desse frisson constante em torno dos pseudo-famosos, em qualquer contexto, no trabalho, na blogosfera, na vida real..blábláblá. Tô cansada também de ter esse compromisso, inda que velado, com o blog. Tem dias em que eu simplesmente não quero escrever, foda-se.

Tô cansada do computador. Da cara dele, do jeito dele, dos bugs dele, do ritual de sentar na frente dele, checar e-mails, mandar e-mails, ver tarefas…eu gastei grande parte da minha vida na frente dessa máquina, tô esgotada. Chega.

E a cada dia inventam mais uma armadilha pra te prender a ele: comunidades sociais, programas, blogs, sites novos. jogos. Através dele você pode até ter uma Second Life, ora vejam.

Que coisa de perdedor, putaquelamerda.

Tô cansada também do meu trabalho (suspiro). Tô cansada de seu falso glamour e falsa boa remuneração. Muita gente cresce o olho quando digo que sou jornalista e produtora e eu digo – grande bosta – não pelo que eu faço, porque sempre adorei o que fiz, mas pela idéia que o povo tem do que faço, ou das vantagens que tenho.

Na boa, já passei da idade de trabalhar 20 horas por dia, de pé, correndo pra lá e pra cá, apagando incêndio,  de ter que aguentar diretores com o ego maior que o cérebro (e muitas vezes maior que a verba disponível) de ter que enfrentar festas à noite, coquetéis-da-putaqueopariu – conhecer famosinhos e famosinhas, conviver com gente fútil elevada ao cubo, voltar cansada, voltar pra casa e pegar toda a minha família dormindo e no final ter uma conta bancária não tão gorda assim.

Quanto ao jornalismo…bem, o que dizer? O jornalismo no Brasil praticamente não existe. É um meio corrupto, podre, hermético, intelectualóide, mentiroso, entre outros adjetivos que estou com preguiça de procurar. Vou continuar a fazer free-las, obviamente. Mas dos assuntos que gosto e com pessoas que conheço…aliás…

Também estou cheia de encontrar gente trambiqueira pelo caminho. Free-las que não cumprem acordos, não pagam o combinado nem na data certa. Em menos de sete meses, saí da empresa em que estava contratada, entrei em outra, peguei dois free-las e digo a vocês: TODOS esses jobs me deram trabalho na hora do pagamento. Eu tive que praticamente pedir “por favor” para me pagarem o que me era de direito e na data certa. Um absurdo.

Tô cansada desse meio que é rico em glamour e pobre em benefícios. Digo e repito: quero meu hype em dinheiro.

Vou mudar radicalmente de profissão. Já tenho meus planos. Começo esse ano ainda. Vamos ver.

Tô cansada de viver nesse país e pensando seriamente em ir embora. Depois dessa eleição eu meio que entrei em depressão política..rsrs. Não que não tivesse motivo para ter entrado antes, mas essa campanha da Marta contra o Kassab, a do – “ele é casado? Tem filhos?” – foi simplesmente a gota d’água.

A sociedade brasileira (no momento me atenho à paulistana, mas é geral) é retrógrada, preconceituosa, tacanha, infeliz, triste e estéril. É uma república de bananas, uma província do Séc XVIII onde poucos, em vão, tentam agir como se morassem um país de primeiro mundo do Séc XXI. É patético, inútil, lastimoso.

Não que apoie Kassab, longe disso (tampouco apóio a Marta) mas desde quando um fulano ser casado e com filhos garante que ele vá fazer um bom governo, peloamordedeus?

Mussolini era casado e tinha filhos. Francisco Franco também. Se formos chutar o pau da barraca, devemos lembrar que até Nero foi casado…

Enfim, não vou gastar meu latim (rá? entendeu?) pra discorrer sobre um absurdo desses, a mídia já caiu matando, é chutar cachorro morto.

Pra completar o pensamento de que o povo é completamente sem noção, vou citar uma experiência que tive esse final de semana.

Fui convidada para discotecar na festa de aniversário um amigo num lugar, digamos, exótico e quando fui convidar grande parte de outros amigos para prestigiassem minha performance como DJ, obtive um grandíssimo e pudico “não”, da maioria deles, devido ao local da festa, sim,  dos mesmos que gritavam aos quatro ventos o quanto eram modernos, descolados e arrojados. E todos eles jovens, digamos, na minha faixa etária, 30+, uma idade onde ao menos grande parte das nóias e problemas morais já deviam ter sido resolvidos, vamos combinar?

A juventude do Brasil é careta. De nada adiantou tropicalismo, sexo livre, feminismo, flower power, diretas já e o caralho, tudo, todos os movimentos pelos quais nossos pais lutaram.

O povo gosta MESMO é de uma boa e velha prisão de estimação. É confortável. Ao menos do ponto de vista existencial, não é mesmo?

Isso me lembra A Náusea, de Sartre.

Me dá náuseas também, obviamente.

I’m sick of it all.

3 comentários

  1. Bomm…. mudar é algo crucial pra sobreviviência de qualquer ex-primata ! Acho que vc tha certa em querer mudar…etc e tal… mandar tudo e o mundo pra PQR…
    O importante é se sentir feliz… Agora…cá entre nós… teu blog vai fazer um faltazinha hem…!
    rsrsrsrs ^^


  2. Olha, é no estado de nervos que as coisas funcionam, é assim que fala o que se sente e o que se deve. Mas, quanto à internet, eu adoro, quase como com farinha, mas para tudo há limites. Acho, por exemplo, que fazer as coisas para os outros é um saco, como também aprendi que não adianta nada pensar só em dinheiro, quando tudo que se faz para ganhá-lo se transforma numa atividade medíocre.

    “tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá, tudo uma pó-pórcaria!”
    Gaguinha de Ilhéus, muié arretada pra carai…


  3. Apesar de concordar com quase tudo que escreveste – pelo menos apreciar que há uma boa dose de verdade em muitas de suas generalizações (não posso comentar aspectos particulares seus) – ainda não cansei. Sim, o povo quer conforto e quer sua prisão particular, mas vou lhes dar mais uma chance (Óhhhhh! – “the almighty” vai lhes dar mais uma chance!). Talvez seja depois dessa que eu entregue os pontos. Ou então, como outros tantos, morra tentando.



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