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Farofa – fa ou “antes da chapinha”

28 outubro, 2008

No final dos anos 80, comecinho dos noventa, eu tropecei em meus complexos e caí na infinita espiral descendente que foi minha longa, difícil e revoltada adolescência e acabei me agarrando ao goticismo e suas obscuras vertentes culturais e musicais, as quais nunca mais abandonei, diga-se de passagem.

Mas é claro, eu tinha apenas uns treze anos e ainda flertava com o lado negro da força e como qualquer garota de minha idade durante grande parte do dia meu senso estético e meu repertório pop eram constantemente bombardeados com calças clochard,  gel para cabelo com glitter, corte de cabelo a la “Chitãozinho e Xororó” (também conhecido como “franja-samambaia”), cores flúor, Madonna, Michael Jackson e comerciais da Hollywood com suas indefectíveis trilhas sonoras“farofa rock”.

Eu adoro farofa rock. E antes que qualquer remanescente das trevas me pinche uma maldição, tenho que dizer que esse gênero musical não pode ser por mim friamente analisado porque tenho por ele um apego emocional enorme, portanto, não sou possuidora do distanciamento necessário dos críticos, já que ele está ligado, para mim, à uma época despreocupada, pré-adolescente, praticamente sonorizando o final de minha infância.

Mas como alguém que gosta de, sei lá… Einsturzende Neubauten, Freiburger Spielleyt, Yo La Tengo entre outros vai gostar de…Poison? Bem, idiossincrasias e paradoxos de minha pessoa à parte, acho que gosto de farofa rock PRINCIPALMENTE porque não enxergo o estilo como algo sério.

Aquilo pra mim não é música, é pura tiração de sarro, é puro estilismo, é exagero proposital, é metalinguagem pura e simples, a indústria musical tirando sarro de si mesma, ou vai me dizer que é pra levar a sério a letra de um Dr. Love, do Kiss por exemplo? – “Oh, fique de joelhos, baby…eu sei do que você precisa…o primeiro passo do tratamento é um beijo”…Putamerda, não dá.

É a mesma coisa que querer analisar Mamonas Assassinas, Calypso ou funk. Apesar de sociólogos e antropólogos defenderem seu valor cultural, a coisa toda é pra ser relevada. É pra ouvir e dar risada,  é música feita por encomenda pra curtir, não é à toa que o gênero também é chamado de “arena rock”…é música pra show, pra ser tocada em grandes estádios, tomados de fãs enfurecidos, suados, bêbados, tatuados e barbudos e mulheres de shortinho jeans mostrando os peitos. É pra se divertir e servir de fundo musical para comerciais de cigarros com esportes radicais e só. Como se cigarro combinasse com esporte… viu como tudo NÃO faz sentido?

Os trajes, (ou a falta deles…) os cabelos enormes (e permanentados), as calças apertadíssimas e as guitarras empunhadas como símbolos fálicos são emblemáticos do gênero. Inesquecível, vai dizer?
O farofa rock, surgiu na verdade na rabeira do glam rock e do new wave, tendo como precursores bandas como Kansas, NY Dolls (que na verdade eram punks) T-Rex e Gary Glitter, e por exemplo. Depois disso, no final dos anos 70 a mistureba com a disco music e uma espécie de soft metal (ou seria EMO metal? Rsrs) deu origem à bandas como Cinderella, Heart, Journey, Winger, Asia Phenomena II, Twisted Sisters, Kiss Poison, Whitesnake, Survivor e bandinhas com nomes de estados e cidades americanas…fear them!

Farofa rock tem gosto de fim de infância, primeiros goles de cerveja, hormônios e risadas.

E quem nunca assoviou a melodia de “Love Ain’t no Stranger” que atire o primeiro maço de Hollywood…o sucesso!

Abaixo uma “seleçãozinha crasse A” do melhor do farofa rock of all times!

6 comentários

  1. rá! é minha cara isso! eu fui muuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiitttooooo “farofeira”, hahahahahaha
    adoooooorrrrooooo!
    excelente post! amocê!


  2. amei.
    sou apaixonada até hoje pelo “farofa rock”…
    excelente post.


  3. cara, isso e emo é a mesma coisa. hehe


  4. oba! rock farofa, amo! =D
    😉


  5. hard as a rock!😉


  6. […] e caí na infinita espiral descendente que foi minha longa, difícil e revoltada. fique por dentro clique aqui. Fonte: […]



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