Archive for novembro \28\UTC 2008

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A melhor banda do mundo da última semana

28 novembro, 2008

Não sei se já falei sobre eles antes, já devo ter falado porque a banda não é novidade, nem mesmo pra mim.

Sabe quando você baixa uma porrada de discografias e algumas se perdem em meio a tantas dantes baixadas? Digo, eu sou desorganizada, mas nem tanto assim a ponto de perder arquivos no próprio computador, com isso quero dizer que, em meio a tantos dowloads, a gente acaba dando prioridade para uns e ignorando outros, que foi o caso do The Duke Spirit.

Este quinteto formado em 2002 em Londres é minha mais nova banda predileta da última semana.

Mais uma banda formada por uma vocalista mulher, Liela (pronuncia-se “Leeela”) Moss, (linda, maravilhosa e com uma voz estupenda, aliás) que junto com Yeah Yeah Yeahs e Siouxsie and The Banchees (entre outras milhares) entra no panteão de minhas bandas favoritas ever com vocais femininos.

O Duke começou em Londres, como eu disse acima, quando Liela conheceu o tecladista/guitarrista/cantor Luke Ford, na faculdade de artes em 2002. Ela estudando fotografia e ele, pintura. Os demais membros, todos colegas de quarto de um e de outro, também se juntaram ao projeto (que inicialmente se chamava Solomon) e a banda estava completa.

O EP “Roll Spirit, Roll” (2004) chamou a atenção da crítica e rendeu um bom review na NME e pronto, os caras estouraram.

Fazia tempo que não ouvia um som que causasse pequenas explosões dentro de mim.

O Yeah, Yeah, Yeahs consegue. O Duke Spirit também.

Junte: Portishead+Siouxsie (na fase punk)+Velvet+Sonic Youth e você terá Duke Spirit.

Seus dois únicos álbuns são de matar: Cuts Across The Land (2005) e Neptune (2008)

A música “Fades The Sun” é simplesmente docaralho.

Se algum DJ abençoado tocar essa música em um lugar onde por acaso eu esteja, não sobra nada.

Nem de mim, nem do lugar.

Escutem. Por favor.

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Punheta do vizinho

25 novembro, 2008

Eu e meu amigo Bran, no msn:

Gabi: Cara, tô desconfiada que meu vizinho adolescente passe as tardes batendo punheta. Todos os dias no mesmo horário ele ouve a mesma música no repeat durante um tempo. Depois pára. TODOS OS DIAS!

Bran: Como? explica isso. você acha que ele põe a mesma música sempre que quer bater punheta?

Gabi: isso

Gabi: Todos os dias, mais ou menos por esse horário (15h/16h) eu ouço ele ligar o computador (aquele barulhinho infame do Windows)

Bran: tenho medo de perguntar como você chegou a essa conclusão… e qual é a música?

Gabi: aí dá uns 15 minutos…ele põe a MALDITA música do SnoopDog, “Beautiful” maior musiquinha de sacanagem adolescente, manja?…

Bran: hahahhaa

Bran : mas então vc não tem evidências claras

Gabi: claro que não, pura especulação..rsrsrsr. E er…prefiro não ter evidências claras…

Gabi: mas não é possível o cara gostar tanto da música assim e ouvir todos os dias, no mesmo bat-horário dando repeat!

Gabi
: acho que ele põe no repeat até conseguir gozar..hahaha

Gabi: ô tristeza desses adolescentes espinhudos com pêlo na mão! rsrsr

Bran: mas é possível ele colocar a música no repeat todo dia no mesmo horário para bater punheta…a
lógica é simplesmente irretocável

Gabi: pq, vc fazia (ou faz) isso? hauahahha

Bran: Tsc…

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Manual do pé na bunda

18 novembro, 2008

Uma amiga queridíssima, uma das mais queridas entre as queridas está lendo o livro – “Ele simplesmente não está a fim de você” – e comentou comigo dia desses via msn, me questionando ao mesmo tempo sobre a razão de eu nunca ter feito um post semelhante.

Fui sincera a e disse que nunca havia feito nada parecido porque achava simplesmente que a mulherada SABIA quando um homem NÃO ESTAVA a fim delas, oras, ao que ela me rebateu de pronto:

-NÃO!!!! Não sabemos! –

O que me surpreendeu. Sério. Pensei que isso já fosse assunto antigo e resolvido, afinal, somos mulheres modernas, descoladas, atentas, informadas e que já se adaptaram às mudanças comportamentais  pelas quais que nós mesmas lutamos para estabelecer, certo? CERTO? Ahnmnn..ok. Deixa pra lá.

Bem, isso me  acontece com frequência…eu acabo superestimando este ser possuidor de vagina e guiado quase que exclusivamente pelas emoções (“o quase” fica por conta dos hormônios que também tem sua culpa parte no processo) e deixo de abordar uma série de temas interessantes para o universo feminino, (apesar de escrever sobre outros, mas sob outra ótica…enfim) mas atendendo a pedidos, lá vai a minha versão do livro, rebatizada de:  “Acorda, garota…o cara só quis te comer”.

Sutil, vá?

1 – Primeira de todas, a golden rule: – HOMENS NÃO SABEM TERMINAR RELACIONAMENTOS.

Tudo bem, se aconteceu com você sinta-se privilegiada , ou não, pois se ele terminou, foi porque estava de saco cheio MESMO, já que a tática mais comum é a do golpe da barriga. O que? Pensou que só mulher dava golpe da barriga? Não! Homem também dá, querida, é assim:

-Ele vai empurrando o relacionamento com a barriga até este ficar INSUPORTÁVEL a ponto de fazer VOCÊ tomar uma providência e terminar tudo. Simples.

Covardia? Canalhice? Mau-caratismo? Falsidade? Preguiça? Acomodação? Nada disso. Ou tudo isso junto, MAIS a  irritante inclinação masculina de EVITAR CONFLITOS a qualquer custo, nem que o custo, no caso, seja uma má-reputação entre as mulheres.

Eles não terminam porque simplesmente não sabem como fazer, darling. Não sabem ser sensíveis o bastante, ou objetivos o bastante, ou sinceros o bastante. Simplesmente porque não são bons com esse tipo de coisa. A natureza reservou a desenvoltura e inteligência emocionais para nós, não para eles.

(existem exceções às regras, ok? Sempre! E a vida vale a pena por causa delas!)

Se bem que, as exceções, no caso, acabam confirmando a regra. Porque quando os coitados tentam entrar em conflito benéfico e finalmente tomar uma atitude e terminam o relacionamento a mulherada PIRA O CABEÇÃO, se descontrola total, se descabela, faz uma chantagem emocional digna de novela mexicana e eles acabam voltando por DÓ. E eu já disse isso aqui e repito: não tem nada pior do que sentir DÓ de alguém. Dó é a confirmação de que o outro não vale absolutamente nada, nem esforço algum.

Bem, dito isso, se você já terminou seu namoro/relacionamento, quer começar outro mas está mais perdida do que azeitona em boca de banguela com o novo “Dating code”, aqui vão algumas dicas:

-Se um cara mentalmente saudável realmente gostar de você, nada vai poder impedí-lo (de te encontrar) (tire dessa lista: acidentes e imprevistos, porque isso acontece, ok? NEURÓTICA!)

É isso aí. Esqueça as desculpas e pare de ser sempre compreensiva. Quando um cara quer, ele QUER. Agora, se na quinta vez que vocês marcam de sairem juntos , o cara não vai e depois diz que trabalhou demais, saiu tarde do escritório e no caminho do cinema atropelou um cachorro de um velhinho que teve um ataque cardíaco e enquanto isso acontecia um guarda o multou a carteira foi apreendida e o carro guinchado e  de repente apareceu um disco voador e…ah, peloamordedeus! Manda pastar!

-Os homens não se importam de estragar uma amizade se isso pode significar sexo, seja por meio de uma amizade colorida ou de um namoro sério

Precisa de comentário? Acorda, Alice, pare de romantizar a coisa toda. Se ele estiver a fim de você esse papo de “tenho medo de estragar a amizade” NÃO COLA! Ele VAI QUERER trepar com você. Não importa se vocês fizeram maternal juntos e as famílias se conhecem desde a Era Cenozóica, não importa se você tomou banho com ele quando tinha 5 anos e vocês se deram apelidos carinhosos e cafonas do tipo: “Déco e Tica”, não importa se ele te defendia dos valentões do colégio e nem se ficou vigiando para ver se alguém vinha atrapalhar o beijo que você deu no amigo dele atrás da igreja quando vocês tinham 13 anos.

Se ele estiver a fim, amizade de cu é rola! (com o perdão do trocadilho). Ele pode até forjar um namorinho pra ver se te come mais vezes! Ou então propor uma bela de uma amizade colorida, o que, ao meu ver é a melhor opção, mas, se você é uma relationship-freak, doida-varrida, maluca, é óbvio que não vai topar, vai pegar no pé do moço e vai arrumar toda aquela encrenca da qual os caras fogem como o diabo da cruz, ao anunciar as palavras malditas em aramaico inca-venusiano: “eu quero um relacionamento sério!” –

Depois não se pergunte porque nem “amizade colorida” os caras querem ter com você…

-O famoso “eu te ligo!” que acabou virando um: “te mando um e-mail”

Hahaha, na boa, vocês AINDA esperam ouvir isso?  Ou pior: que eles realmente FAÇAM ISSO? Ou seja, procurem você? Bem, se você espera e ele não faz, qual o diagnóstico, baby? Ele não está nem aí.

E não aceite desculpas, porque com o advento do botão redial, internet wi-fi, lan houses, Blueberries e I-Phones ou ainda o bom e velho POMBO-CORREIO é praticamente impossível alguém não conseguir entrar em contato, a não ser que ele seja um retardado mental, bem…nunca se sabe, né?

-Se ele só quer ficar com você quando está bêbado ou doidão, isso não é amor, simplesmente faz parte do pacote “curtição”

Custei a acreditar, mas ainda existem mulheres que se contentam com migalhas. Migalhas de tudo: da vida, de amor, de amizade, de sexo… Preferem se submeter a isso (ficar com os caras só nessas condições) do que nunca tê-los (sic). O que dizer para essa coitadas além de: valorizem-se? Bah. Perco até o tesão de falar alguma coisa…

-Namoro iô-iô

Se você e o cara vivem “enrolados” ou seja, ele termina e você vive querendo voltar e ele aceita, não quer dizer que ele te ama, está dividido, tem saudades ou qualquer coisa romântica que você insiste em inventar. Saiba que ele volta só porque você é garantia de sexo fácil. Ou seja: só pra te comer. Até aí, nada contra se você aceitar isso e curtir, ao invés de ficar se enganando achando que numa bela manhã de sábado ele vai te levar café na cama e te pedir em casamento…rsrsr

Apenas lembre que a pessoa para quem você está voltando é a mesma que, pouco tempo antes, olhou bem para o seu lindo rosto , avaliou você inteira  e mesmo assim disse que não precisava mais de sua companhia.

-Sobre caras que somem

Ele sumiu porque só queria te comer e nada mais. Tá ficando repetitivo, eu sei…mas é que o assunto é recorrente e só se resume a isso! APRENDAM, CACETE!

E por fim:

Um bom relacionamento é muito melhor que um relacionamento ruim.

E você nunca terá um bom relacionamento se ficar insistindo no Mr. Big Shit. Se liberta, minha filha e trate de se valorizar mais, a velha história é totalmente clichè e verdadeira: se você não se gostar, ninguém vai e blábláblá

Resumindo: você sofre porque quer.  Já ouviu aquela máxima de que quanto mais a gente força a barra para conseguir algo na vida mais a gente se estressa e nada rola?

A mesma coisa acontece com namoros e relacionamentos, honey. Ainda mais nessa área, onde forçação de barra não tem vez MESMO.

Se tudo isso aconteceu com você, esquece e bola pra frente. Deixe o cara (ou os caras) em paz e siga tua vida.

Deixe a coisa rolar, viva sua vida, preocupe-se consigo mesma, com sua aparência, com suas amigas, com sua vida profissional, com sua vida espiritual, intelectual (opa, principalmente…) com o mundo, com o aquecimento global, com os pobres na Malásia, com as vítimas da Guerra no Iraque, enfim…esquece isso um pouco. Relaxa e goza, como diria a grande sexóloga Marta Chuplicy.

E aliás, alguém pode por favor me explicar porque essa necessidade compulsiva da mulherada por casar? Qual o problema de você namorar alguém a vida inteira se isso estiver te fazendo feliz? Qual o problema de vocês, sei lá, terem um relacionamento aberto? Qual o problema de vocês casarem e, enfim, morarem em casas separadas?

Quem foi que disse que o casamento é o único e derradeiro objetivo de todo relacionamento, meu deus?

E quem disse que, um relacionamento de 20 anos, por exemplo, que chega ao fim (contanto que o término tenha sido civilizado e pacífico) foi um relacionamento que “não deu certo?”

Claro que deu certo! Vocês conviveram por 20 anos, caramba! Deu certo durante esse tempo todo, agora chegou a hora de mudar, objetivos mudaram, vocês mudaram, sentimentos mudaram…assim é a vida!

Amiguinha (agora baixou a Palmirinha..rsrsrs) Pare de sofrer! Procure uma das Igrejas…aham, enfim, compra um vibrador e voilá, seja feliz!!

(huaha, não pude deixar de notar no link que pus, do livro…há um banner com o sagrado coração de Jesus e a frase : “ele cumpre o que promete”…hahuahaha, desculpem, mas…huajaahhahaha…enfim, talvez seja uma solução, sei lá! )

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Vai para o trono ou não vai?

7 novembro, 2008

Olha, quando eu digo que tailandeses, taiwaneses e circunvizinhos são total e completamente lunáticos, a polícia da boa-vizinhança, da globalização e do politicamente correto (leia-se “chatos pra caráleo”) vem me encher o saco,  mas é a mais pura verdade, gente, vide o post abaixo.

Um morador de Taipei, em Taiwan, ao invés de gastar uma grana com análise resolveu ganhar dinheiro com suas manias bizarras e abriu o Modern Toilet, um restaurante cuja ambientação imita nada mais, nada menos que um banheiro.

Sim, nele as pessoas sentam-se em vasos sanitários para fazer suas refeições, as mesas são banheiras com tampos de vidro e o pior de tudo: a comida tem aspecto de dejetos humanos e são servidas em “mini-privadinhas”…ai, que cuti-cuti!

O pior de tudo é que o restaurante acabou virando febre por lá e o preço foi às alturas.

Agora, me diz…cara…depois eu é que sou louca? Tsc.

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Será que virou realidade?

5 novembro, 2008

EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “Quando vocês estarão satisfeitos?”

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

“Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!”

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

“Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.”