Archive for dezembro \30\UTC 2008

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Eu quero é menos

30 dezembro, 2008

Lembro me que quando pequena, a simples menção do ano de 2009 já trazia à minha mente a imagem de carros voadores, refeições completas em cápsulas e teletransportadores.

Acho que estava vendo muito desenho dos Jetsons.

Quem diria, cheguei até 2009, co-escrevi um livro, plantei uma árvore e tive uma filha… como de chavões o mundo já está cheio e de gente que acredita neles também, concluo que ainda falta MUITA coisa a ser feita…

sempre.

E sempre haverá.

Tenho muitos planos e decisões a serem tomadas em 2009, mas dentre todas elas eu decidi que em doismilenove eu quero é menos.

Menos estresse, menos trânsito, menos preocupações, menos tempo na frente do computador, menos desculpas para fazer as coisas, menos encheção de saco, menos postergação, menos cobranças em todos os sentidos, menos pressão, menos ansiedade, menos expectativas irreais, menos consumo, menos emissão de carbono, menos produção de lixo, menos desmatamento, menos brigas, menos desentendimentos, menos drama, menos choro, menos guerras, menos poluição, menos desenvolvimento a qualquer custo, menos intolerância, menos ganância, menos fome de poder, menos selvageria…

Menos.

Porque temos, somos, queremos, lutamos, brigamos trabalhamos, choramos, sofremos e machucamos demais.

Chega.

Que em doismilenove você tenha tempo e o use bem.

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PS:

Sei que a data onde costumamos trocar presentes é o natal e esse já passou, mas se tem um presente legal para você dar para alguém querido e que tem uma PUTA mensagem para o novo ano é uma série da Marvel, publicada em duas edições pela Panini, chamada – SURFISTA PRATEADO – RÈQUIEM, magistralmente escrito por J. Michael Strazinsky e não menos maravilhosamente ilustrado por Esad Ribic.

Sim, são os editores de quadrinhos novamente matando um outro super-herói, no caso, o Surfista Prateado, com o risco de trazê-lo de volta no mês que vem de um modo esdrúxulo, mas digo a vocês, mesmo se o fizerem, nada vai superar a edição que conta sua morte.

Não vou entrar em detalhes e análises nerds de colecionadora e jornalista de quadrinhos que sou, como por exemplo dizer que o Surfista é uma clara alusão a Jesus Cristo e que o argumento deste exemplar em particular flerta tanto com a ciência como com a fé, só sei que seu conteúdo é belíssimo e verdadeiro.

Vale a pena ler antes de começar o ano.

Feliz Ano Novo, esperem novidades no blog!

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I want to believe

24 dezembro, 2008

Um dia, numa conversa despretenciosa numa mesa de bar, acompanhada de muitos outros blogueiros, numa tarde animada na Paulista, meu amigo Alexandre Inagaki me perguntou se haveria Deus e onde ele estaria.

Eu, em clara inspiração etílicamente divina disse que Deus estava na nossa insistência (da humanidade) em acreditar no próximo, apesar do mundo como está.

Brincadeiras à parte, acho que Deus, ou A Força, ou Buda, ou Krishna ou otimismo, bondade ou qualquer nome que você queira dar a essa coisa divina que te faz, apesar de todos os atos hediondos, cruéis, destrutivos e incompreensíveis do ser humano, ainda  olhar para o horizonte, suspirar e ter fé de que nem tudo está perdido… é real.

Neste natal e fim de ano acho que o que nos falta é crer. Ter fé.

Em algo, em alguém, no mundo. Em si mesmo.

Que em 2009, você possa acreditar.

Feliz Natal!

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Eu e o cinema, o cinema e eu

17 dezembro, 2008

SENIL

Quando, num filme com Leonardo diCaprio (Rede de Mentiras), você acha o coadjuvante

extremamente MAIS INTERESSANTE, CHARMOSO E BONITO do que o mocinho

É um sinal CLARO de que a idade chegou, inevitavelmente.

CONCLUSÃO

Bem, que eu AMO Woody Allen, não é nenhuma novidade, e Vicky Cristina Barcelona só serviu para que eu renovasse meus votos.

O filme me tocou em diversos aspectos, mas principalmente porque o núcleo espanhol me lembrou muito minha família (que é de origem espanhola – o mesmo acontece quando assisto Almodóvar), Barcelona é mostrada como um local deslumbrante e despertou em mim uma vontade desesperada de visitá-la, os diálogos de Allen continuam afiadíssimos, principalmente os que comparam a sociedade americana e a européia em geral, fabulosos. E o roteiro do filme me fez chegar à conclusão de que, se uma relação à três fosse harmoniosa e necessária para o equilíbrio emocional do casal, eu toparia na maior tranquilidade.

Principalmente se “a outra” fosse a Penélope Cruz…hihihi

NOCAUTE

Beyoncè Knowles disse que quer viver a Mulher-Maravilha no cinema.

Bem, além de ser a primeira Mulher-Maravilha negra (lembrem-se de que, nos quadrinhos, Diana Prince é uma amazona da ilha grega de Themiscyra) ela vai ser a primeira Mulher-Maravilha a ser nocauteada pelos próprios peitos! Pow!

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Previsível

9 dezembro, 2008

O que? Minha musa?

Kat Von D.

Ela não é absolutamente LINDA?

Eu faria…em duas viagens, mas faria : )

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Diga não às drogas

4 dezembro, 2008

Eu não acho aquela pirralha, essa tal de Malu Magalhães, lá grandes coisas. A mídia baba-ovo compulsivamente em cima da garota (ela tem 15 aninhos) que é filha de algum pica-grossa aí que achou que pondo a menina para tomar aulas de violão aos 4 anos de idade e obrigando-a a ouvir Neil Young e Bob Dylan ao invés de Xuxa estava criando o mais novo gênio da música folk mundial, ou o equivalente a um Mozart do Séc XXI.

A galinha dos ovos de ouro do papai. (Com o perdão do trocadilho usado com a pobre e inocente Malu)

Se isso não é projetar as próprias expectativas e desejos em cima dos filhos, eu sou um picolé de morango.

Maluzita faz shows lotadíssimos, suas músicas são baixadíssimas na internet, os neo-folk-hippies-hypes-motherfuckers-baby só falam nela e seu álbum virou até conteúdo exclusivo de celular mas eu não  acho nada, absolutamente nada de mais na menininha. Sei que minha pobre opinião de nada fala, no entanto…

Só acho que ela tem talento sim, mas até aí os meninos de São Caetano, no Recife (que inspiraram o longa “A Orquestra dos Meninos”) também tem, oras. Michael Jackson também tinha, Shirley Temple idem, e por aí vai.

Bem, IMHO, a garota não passa disso: uma menina (não ouso colocar o adjetivo “normal” aqui) que teve referências e estímulos culturais diferenciados com relação a outras garotas de sua faixa etária, com tempo ocioso de sobra, criatividade à toda e conhecimento musical. Ah, e é branca. E bonitinha. Porque se ela fosse uma negra com obesidade mórbida, cara cheia de pereba, óculos de grau e aparelho, iria morrer no ostracismo.

O pior é que a coitada da garota está sendo assediada sem dó pela mídia e o que antes era admirável já tá virando um show de horror.

Sei lá, posso estar sendo terribly mean, mas vai que faz parte do “contrato” passar uma imagem de garota-cabeça, não é mesmo?

Malu é tão lacônica, conceitual do mal e intelectualóide que beira o nonsense. Ou o retardamento mental.

Das duas uma: Ou ela é mucho lôca mesmo e isso faz parte do pacote “referências culturais variadas” ou anda fumando um. Do bom.

Olha só a resposta que ela deu à simples pergunta “Malu, o que você queria ser quando crescesse?” feita por um jornal de SP.

“Eu sempre quis fugir com o circo, mas nunca pude fugir. É, entrar em um ônibus e fugir com o circo. Queria poder pintar, fazer os cenários, as roupas, colocar o coração deles ali. Eu nunca pensei que fosse ser artista. Achei que fosse ser veterinária ou assistente social. Ou motorista de ambulância.

Por isso eu sempre quis ser jornalista. Queria fugir com o circo para entrevistar as pessoas na viagem.”

Malu, você sai pra dançar? “Dentro de mim, lógico.”

“Nasci num contexto e não posso relutar contra ele – ainda que dentro de mim eu relute.”

“Eu era uma criança triste. Ou melhor, era uma criança feliz dentro de uma vida de criança.”

“A gente estava ensaiando num estúdio novo e eu fiz um acorde torto no violão. Senti que ele resumia exatamente o grito que eu estava dando dentro de mim.”

Christ! O que havia de errado com crianças feito o Jordy, por exemplo!??? A gente era feliz e não sabia!

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Restos de mim

1 dezembro, 2008

Em todas as vidas que vivi, trilhei deixando restos de mim pelo caminho, para que eu pudesse achar o trajeto de volta. Nem que fosse de volta para mim mesma.

Em todas as vidas que vivi eu amei e fui amada. Ao menos quem eu era na época, essa foi amada. A imagem que vendi, a imagem que idealizaram de mim, foi plenamente amada. Fui amada até a raiz de meus cabelos tingidos.

Em todas as vidas que vivi eu deixei e fui deixada. Lamentei e fui lamentada. Inda que por poucos segundos, porque, sabem como é… a vida continuou. A cada dia uma nova vida. Uma nova pele, uma nova lágrima.

Em todas as vidas que vivi eu traí e fui traída. Enganei e fui enganada. Nem que tenha sido por mim mesma ou pelos outros. Eu amaldiçoei e fui amaldiçoada. Eu paguei pra ver e fui à falência, mas também quebrei a banca. Eu testei meus limites, me queimei, mas ressurgi das cinzas.

Em todas as vidas que vivi eu quebrei e fui quebrada. Promessas, juras, confiança, janelas, vasos e pratos. Me arrastei, chorei, borrei a maquiagem, descolei o salto, rasguei a meia, fumei, bebi, me embriaguei e vomitei: minha moral, meus traumas, minhas verdades, minhas paranóias, meus próprios dogmas. E nunca acordei de ressaca.

Em todas as vidas que vivi eu aproveitei cada segundo como se fosse a última vez. E foram mesmo. Porque cada vez de alguma coisa é uma nova vez e a coisa não é nunca a mesma, e cada pessoa é um universo à parte, uma nova viagem intergalatica e eu sou apenas uma supernova, uma estrela (de) cadente, um corpo celeste orbitando a esmo pela eternidade afora.

Em todas as vidas que eu vivi, eu ensinei e aprendi. Mais um do que o outro e eles variaram de pessoas, situações, intensidades, lugares e paixões. Em todas as vidas que vivi, eu vivi e morri. E renasci a cada constatação, a cada final, que na verdade foram novos começos, a cada porta fechada, a cada beco sem saída. A cada sorriso perdido.

E assim eu sigo, rainha e prisioneira de meu próprio mundo. Um vento que sopra sem direção certa, propositalmente perdida, conscientemente instintiva.

E extremamente feliz.