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Pânico em SP*

24 janeiro, 2009

Eu sempre fui muito urbana. Sempre. Fui gótica durante toda a minha adolescência e parte da juventude, convivi com outras tribos urbanas e frequentava os locais mais insólitos de minha cidade, a maior e mais insana da América Latina.

Eu amava São Paulo com todas as minhas forças e para mim só existiam duas cidades que a superavam : Nova Iorque e Londres.

Essa urbanidade se fazia clara em meu modo de vestir, portar, falar e agir. De viver.

Sempre estive mais para uma Replicante do que para Dorothy.

Mas, de uns anos para cá, essa paixão e esse comensalismo urbanos foram diminuindo, a medida que foram  pendendo para o exagero, o vício e afã desenfreados. Minha relação comigo mesma, com a vida, amigos e com a cidade tornou-se doentia. Cansei de mim, cansei daqui. Cansei de quem era e de onde estava. Cansei de tudo. É o que acontece quando vivemos uma relação obsessiva e intensa. Ficamos intoxicados.

Desde então tenho pensado seriamente em sair daqui e faço planos. Que pretendo realizar, obviamente.

Sei que no começo, como em todo processo de desintoxicação, não vou conseguir deixar SP por completo. Vou precisar estar por perto, a poucas horas de distância. Vou fazer questão de manter algumas atividades  para ter o pretexto de voltar constantemente…mas sei que, como na maioria dos casos, vou me distanciar, aos poucos.

Mas, mais do que tudo isso, eu quero poder voltar, se tiver saudades de toda essa loucura.

As vezes você também tem essa vontade? De sair correndo? As vezes você sente que por mais que descanse, nunca está totalmente recomposto?

Pois saiba que isso é totalmente normal e explicado pela ciência.

 Um estudo liderado pelo psicologo Marc Berman, da Universidade de Michigan, indica que a vida na cidade é exaustiva para o cérebro humano.

Bastam poucos minutos numa rua cheia de gente para que o cérebro seja menos capaz de guardar coisas na memoria. O que ocorre é que o ambiente urbano é tao cheio de estímulos que precisamos o tempo todo redirecionar nossa atençao para que coisas irrelevantes nao nos distraiam (por exemplo, um desconhecido ao lado falando no celular). Esse esforço constante de concentraçao consome energia – na comparaçao entre o cérebro e um supercomputador, é como se o esforço para prestar atençao ocupasse a maior parte da capacidade de processamento.

Por outro lado, o estudo diz que o cultivo à natureza não exige o mesmo esforço e ainda exerce benefício sobre o cérebro. Sugere que plantar mais arvores nas cidades e criar parques com grande variedade de plantas são providências que podem reduzir significativamente os efeitos colaterais da vida urbana.

Bem, me sinto menos velha agora.

Mas não menos paulistana.

Feliz Aniversário, São Paulo. Se não matarmos uma à outra, talvez cheguemos lá.

(Música do Inocentes, banda punk paulistana)

Sem São Paulo, o meu nome é solidão, diga sim, que eu digo não…


Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão

Sem São Paulo O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão

Sem São Paulo ÔÔÔ O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo ÔÔÔ O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Quem é seu dono? ninguém São Paulo
Quem é seu dono? ninguém São Paulo

Tem dias que eu digo não, inverno no meu coração
Meu mundo está em tuas mãos
Frio e garoa na escuridão

Sem São Paulo ÔÔÔ O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não
Sem São Paulo ÔÔÔ O meu dono é a solidão
Diga sim, que eu digo não

Desperta São Paulo
Desperta São Paulo.

(Sem São Paulo – Inocentes)

3 comentários

  1. Ah, e eu que fui à Sampa por 2 vezes (fora as passagens por aeroportos) e nunca conseguiria morar aí. É simplesmente muito. Demais. Minha cabeça daria um nó completo em poucos meses.

    Preciso de verde e tranqüilidade, como esta passarinhada que grita aí fora enquanto teclo, cantoria animada que vem dos 4 cantos da casa, gratuitamente oferecida pela senhora Natureza.


  2. Eu não conheço São Paulo, mas imagino como deve ser exaustivo morar ai…
    sou do interior da Paraiba, minha cidade não chega nem perto do que SP é mas tem dias q é impossivel ir na rua tranquila, tudo cheio de gente… afff
    fico totalmente agoniada, detesto lugar cheio d+… Sobre ta cansada, eu to passando por isso, to abusada da cidade, das pessoas, dos lugares… querendo algo novo…


  3. … Eu continuo incondicionalmente apaixonado por Sampa… e gosto disso.🙂



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