Archive for fevereiro \27\UTC 2009

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Eu me lembro

27 fevereiro, 2009

Quando me lembro da gente, tudo rescende à adolescência.

Nós, debruçadas na sacada da Galeria, fumando, tirando sarro das roupas das patricinhas e maldizendo a vida por puro esporte…ou porque éramos mais criativas e engraçadas, ferinas, desdenhando de algo do que elogiando, talvez. Exaltar (e praticar) virtudes nunca foi o nosso forte…

Nossos problemas iam do vestibular a namorados escrotos que não sabiam transar, de flertes inconsequentes capazes de colocar nossas poucas amizades femininas em risco à dificuldade em guardar dinheiro para comprar a próxima coletânea do X-Mal Deutshland, passando por nossos pais, a política, esse país, essa vida besta, a falta de perspectivas, a revolta…  essa espiral descendente de pirações, roubadas e experimentações que tanto testou nossos limites, quanto explicitou nossas fragilidades….e nos ensinou, e nos  moldou… e fez de nós as mulheres que somos hoje.

Seja isso algo bom ou ruim….

Me lembro de como, apesar de tudo ou talvez por isso tudo, o riso era fácil e de como todo sábado à noite sempre guardava a próxima “melhor festa de nossas vidas” que, no final, era igual a qualquer outra festa que custumávamos frequentar: vinho barato, bizarrices, sexo, drogas e rock’n roll, a trindade infame padroeira dos condenados à prisão e ao peso da própria existência.

Me lembro de nossos corpos girando no ar, em êxtase, alheios a tudo e a todos, longe de nós mesmas e da realidade tediosa que nos cercava. Dervixes sombrios capazes de devastar qualquer resquício de adolescência saudável, feliz e completa.

Corpos negros, que, negros que eram, absorviam completamente qualquer tipo de radiação que neles incidia.

Tão bom saber que você me completava (completa). E lia minha mente, e sentia essa fome. Tão bom saber que “você terminava onde eu começo completamente pelo lado do avesso”. E sentíamos tudo, juntas.

Éramos tão felizes em nossa própria tragédia!

E agora, graduadas, na vida e nas artes, perfeitamente inseridas nessa tal de sociedade que tanto xíngávamos e que teve nosso mais profundo desprezo e ódio durante tanto tempo (e ainda os tem, de certa forma, em certos assuntos), atarefadas, responsáveis, cidadãs de bem, com carteira de trabalho assinada e comprovante de residência, ora veja…

Simplesmente não conseguimos mais nos encontrar.

Somos tão trágicas em nossa própria felicidade!

E o riso não é mais tão fácil, na verdade precisa ser cultivado sob o risco de se extinguir, e o amanhã não guarda mais a “melhor festa do resto de nossas vidas”, aliás,  fugimos delas e preferimos pétite comitèes, poucos, bons e perenes amigos, não mais com vinho barato, mas com garrafas que custam muito mais do que sonhávamos jamais poder pagar…e o sexo? ah sim, esse continua, mas não mais em festas…drogas? bem, paramos porque comprometem nosso rendimento “na firma” e o salário no fim do mês …

da torpe trindade só sobrou o rock’n roll cultivado agora nesses malditos Ipods, a válvula de escape aceita pelo coletivo,  que possui a assombrosa capacidade de emprestar uma trilha sonora à nossa vida, tornando-a malditamente lírica e saudosista…causando rompantes… e textos como esse.

Simplesmente porque ouvi uma música que me lembrou de nossa adolescência, enquanto passava pelo local onde constumávamos nos encontrar…e o tempo parou.

Tenho saudades de você.

(ouvindo – I’ll make it clear – Teenage Fanclub)

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The next BIG thing

19 fevereiro, 2009

Não sei se vocês conhecem a Beth Ditto, vocalista da banda indie americana The Gossip. Se você nunca ouviu falar dessa figuraça prepare-se pois ela vai invadir a mídia daqui a pouco e vai repetir o fenômeno Amy Winehouse: desconhecida do grande público num dia e super exposta pela mídia causando cansaço nesse mesmo público,  no outro.

A The Gossip já tem 10 anos de shows em porões malcheirosos, festivais mambembes e bares mal frequentados dos EUA e do mundo, mas só há cerca de dois ou três anos é que saíram do limbo indie e ganharam as capas das revistas especializadas como a Mojo, Q e a NME.

Foi o álbum “Standing in the Way of Control” de 2006 – cuja canção título é uma forte crítica ao governo Bush e sua política de proibição do casamento homossexual –  e é claro, sua curiosa crooner, que fez o The Gossip cair na boca do povo descolado e ganhar o mundo.

E  ouso dizer que tanta atenção assim não se deve tanto à  qualidade de suas músicas  (que não são ruins de modo algum, Beth aliás, canta MUITO BEM, mas a banda não tem nada de novo)  mas sim à figura controversa de Beth, uma ótima “peça de marketing”.

Em um exemplar da NME de 2006, aliás, a roliça garota saiu nua na capa seguida dos dizeres: “The Coolest Person in Rock” – onde a vocalista ocupa o primeiro lugar na “cool list” do famoso semanário inglês, um lugar disputadíssimo por personalidadezinhas wannabe da indústria da música.

Em 2007 também foi nomeada “a garota mais sexy” da NME e  em 2008 também, mas perdeu para Kate Moss.

Mas porque afinal ela faz tanto barulho?  Ora, porque é a antítese do que a mídia dita que é moda.

Ela é gorda, feia, lésbica, árdua defensora dos direitos homossexuais, namorada de um traveco, junkie, punk, exibicionista – (ela adora tirar a roupa nos shows da banda e já posou nua para as revistas dirigidas ao publico homossexual feminino Curve e On Your Back), encrenqueira, mal-educada, sem papas na língua e é ótima no que faz, uma cantora de mão (e corpo, diga-se de passagem) cheia, uma ótima frontwoman, que consegue segurar um show do começo ao fim, mantendo o público animado, satisfeito e envolvido, tudo que se espera de um show de rock.

Beth ganhou tanta projeção nos últimos anos que mantém uma coluna semanal no jornal inglês The Guardian, entitulada “What Would Beth Ditto Do?” (o que Beth Ditto faria?), regravou canções famosas do brit pop como “Temptation” do Pulp, sob a benção, supervisão e produção do próprio Jarvis Cocker e já está gravando um disco solo.

O que eu penso de tudo isso? Acho o MAIOR BARATO.

Acho legal. Não, não acho Beth bonita, mas acho legal alguém totalmente fora dos padrões vigentes ganhar a atenção do público desse jeito.

Se bem que isso “é uma faca de dois legumes” o alternativo ganha o mainstream e acaba tornando-se mainstream, o que é algo que ABOMINO, mas acho legal isso da Beth porque dá à muitas gordinhas, recalcadas, envergonhadas, infelizes, doentes, com uma auto-estima destruída pela mídia e pelo preconceito, a chance de finalmente sairem da concha e acreditarem em si.

Muitas são talentosas como ela, tem uma personalidade marcante, são sexies e foram talhadas para o showbizz, como Ditto e só precisavam de um modelo.

Habemos Beth Ditto. Uma modelo de peso.

Preparem-se. Daqui a pouco as modelos serão roliças…vai saber?

E se você nunca ouviu The Gossip, ouça.

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Novo do Tarantino

13 fevereiro, 2009

Tarantino e nazis: Tenham medo.

httpv://br.youtube.com/watch?v=pel3GE97evA

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I’m afraid of americans

13 fevereiro, 2009

Eu reclamo pra cacete do Brasil, mas sabe uma coisa que eu tenho que admitir?

Ao menos aqui, puta assume que é puta e professora do jardim da infância também…

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Ora, fatos que só acontecem na terra dos hipócritas… ops, desculpem…na  “terra da liberdade e lar dos corajosos”

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O grande post dos por ques: filmes pornô

12 fevereiro, 2009

Nunca gostei de filme pornô. Sério, apesar de adorar sexo, aquilo nunca me excitou.

Talvez seja pelo fato de ser produtora de cinema/TV e conhecer a rotina de uma filmagem, por saber que não existe glamour algum ali, que dezenas de pessoas acompanham a cena, que eventualmente ela precisa ser interrompida para ajustes (muitas vezes na hora “H”, no caso) que as caras e bocas das atrizes são ridículas e caricatas e que os caras ficam de pau duro por conta da pílula azul ou devido ao “trabalho” de um (uma) contra regra contratado (a) somente para garantir tal “efeito” e não porque está com tesão.

Sei lá, acho aquilo tudo muito fake, não consigo me  isentar de minha função de “detalhista profissional” e deixar de reparar na locação, na iluminação, no corpo dos atores, na atuação na maquiagem…em tudo.

Não consigo, não dá. É mais forte do que eu. Não me excita em nada ver um casal ou um bando de gente (às vezes gente beeem feia, dependendo da produção) trepando e fazendo de conta que tudo aconteceu por acaso…

Eu me excito com “live action”, se pegar a coisa no flagra, de verdade, em algum lugar. Mas aí é outra história.

Agora, vocês já repararam nos grandes clichès de filmes pornô? Por que? repito, por que diabos as locações de filmes pornô precisam ser coisas do tipo:

-Borracharia

-Cassino

-Clube de tênis

-Bar com mesa de sinuca

-Piscina

-Mansão abandonada (especialmente a sala de jogos)

-Escritório

-Campo gramado

-Varandas

-Carros (interior)

-Barco

-Garagem

-Cozinha

– Quartos de motéis (esse nos mais xumbregas…)

Por que a abordagem, os diálogos e a “história”  precisam ser a coisa mais tosca na face da Terra ?

 Do tipo: a mulher entra no açougue, faz o tipo “dona-de-casa-gostosa-e-fogosa”, saia de chita curtíssima, top de cor clara (deixando aparecer os mamilos), maquiagem pesada, cara de coroa que “ainda dá um caldo”.

Ela olha bem pro açougueiro (este por sua vez é um cara bombadaço, moreno de bronzeamento artificial, um coroa também, com UM BIGODINHO INFAME e tatuagem de águia em um dos braços que afia a faca enquanto “devora a mulher com o olhar”)  e pergunta, com voz melosa, enquanto passa a língua nos lábios  cor de pêssego flamejante e cheios de botox:

-O senhor tem maminha? – ela pergunta, enquanto passa as mãos pelo próprio corpo, fingindo volúpia.

No que ele, todo animadinho responde, lambendo os lábios e debruçando-se no balcão:

– Não, mas se a senhora quiser levar linguiça tem umas ótimas aqui…

Putz…sério que é pra se excitar com um troço infame desses?

– Por que os atores pornôs SEMPRE são mais feios que as mulheres, se grande parte do público consumidor desse tipo de filme, (acreditem ou não) é feminino?

-Por que são feitas versões absurdas de filmes conhecidos do cinema tais como: “Foda de Elite”, “Branca de Neve e os Sete Anões” o “O Senhor do seu Anel”…e quetais?

– Por que eles usam cabelos e bigodes à moda dos anos 70? Homenagem à Era de Ouro do cinema pornô?

– Por que seus pintos são sempre cheios de veias saltadas?

– Por que eles tem que ser sempre bombados e estão com os corpos sempre brilhantes?

-Por que eles tem que fazer aquela cara de “lobo faminto dos desenhos do Pica-Pau” sempre que veem uma mulher?

– Por que a trilha sonora tem que ser ridiculamente broxante? Algo instrumental, em MIDI ainda por cima; semelhante à música de elevador, de consultório de dentista ou de churrascaria?

– Por que a maquiagem tem que ser tenebrosa, do tipo: “é sempre carnaval” ou “eu sou puta mesmo e daí?”  Sombra verde-pena-de-pavão, com blush marrom e batom vinho cintilante?

– Porque a maioria das atrizes pornô usam unhas ENORMES e postiças em cores esdrúxulas? Elas róem as unhas de estresse? Será que as unhas não descolam durante “rala e rola” e vão parar em algum lugar pouco usual?

– Por que as atrizes tem que gritar como se estivessem parindo um porco-espinho e reviram os olhos como a Linda Blair em “O Exorcista”?

– Por que elas tem que olhar para a câmera e fazer caras e bocas? Não é pra “fazer de conta que eles estão sozinhos?”

-Por que os ângulos e enquadramentos precisam ser sempre ginecológicos? Juram que vocês homens ficam de pau duro ao ver nossas trompas de falópio?

– Por que, além dos paus alheios (às vezes mais de um) elas tem que introduzir objetos, comidas e todo tipo de parafernália, tais como: garrafas, mandiocas, dildos, cenouras, pepinos, controles-remoto….e (o pior de todos) animais como: COBRAS? ( oh  god…por que? Por quêêê?)

– Por fim, por que os caras não encontram um outro local para gozar, além de na cara das atrizes?

Fico aqui pensando…

 

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Dos casais perfeitos:

11 fevereiro, 2009

Mickey Rourke e Courtney Love

 

                                                                                  

 O amor não é realmente LINDO?

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A lot

10 fevereiro, 2009

Ouvindo muito, sem parar, incessantemente: