Archive for abril \24\UTC 2009

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O jornalismo subiu no telhado

24 abril, 2009

O Estado de S.Paulo – Link – 06/04/2009 – Pág. L2

Na verdade, o filósofo Jonathan Mann não é jornalista por formação. Faz parte de uma geração privilegiada que terá assistido a duas mudanças fundamentais na forma de se produzir e distribuir notícias. Uma é a profissionalizaçã o e a massificação do século 20.

Outra é a que está a pleno vapor hoje, quando jornais impressos precisam se reinventar sob o impacto da internet e dos novos hábitos digitais. Em visita ao Brasil, Mann foi enfático: “A hierarquia morreu”.

No Brasil, diferentemente dos EUA, há cursos de graduação em jornalismo e obrigatoriedade de cursá-los para exercer a profissão. Você é filósofo. Qual geração está mais preparada para a função?

 Antigamente eram jornalistas os bêbados, boêmios, aventureiros, pessoas que gostariam de ser escritores, gente que não encontrava outro emprego. Depois, em muitos países o jornalismo virou profissão.

E então jornalistas passaram a ser mais parecidos com médicos do que com carpinteiros. A parte boa é que empresas começaram a investir em comunicação como negócio e a qualidade aumentou. Mas a parte ruim é que só estar formado basta. Grandes jornalistas, na verdade, precisam ser pessoas curiosas e atentas.

Por outro lado, todos os meus erros como profissional foram cometidos em jornais e na TV. Os estudantes têm a vantagem de cometer esses erros na escola.

Que tipo de jornalistas serão as crianças de hoje?

O jornalismo estará irreconhecível. Estamos passando por mudanças dramáticas causadas pela internet e por redes como o Twitter e o Facebook. Nas comunidades de antigamente só havia o padre e o médico que sabiam ler e, portanto, podiam compartilhar conhecimento. Depois, as pessoas tiveram acesso a livros, jornais, televisão e o conhecimento passou a ser mais bem distribuído. Mas, mesmo assim, os jornalistas, escritores, produtores dos programas de TV eram os mais poderosos. Hoje cada um pode ter seu próprio site, sua própria televisão.

A hierarquia morreu. Acabou e a ideia de que o jornalismo é uma centena de pessoas inteligentes reunidas num prédio informando milhões de idiotas.

O iReport, site de “jornalismo cidadão” da CNN, é um exemplo de nova economia?

É o começo de algo que a gente não sabe onde vai dar. O monopólio está encerrado. Qualquer um pode ser jornalista.

Os jornais americanos estão em crise. Na Europa há medo, como no Brasil. É um problema só da mídia impressa? As emissoras de TV também estão em perigo? (Pausa longa). Sei que os jornais estão (em perigo)… Acho que a crise é dos jornais, não das notícias. O New York Times, o Times (de Londres), o Liberation (Paris), todos ainda podem existir como sites. O papel não será mais necessário. A TV também não será. Ela está na internet, no celular. A questão está em como as notícias serão distribuídas, é uma crise de distribuição.

Televisão é o principal meio da sociedade de massas, em que vivíamos antes da internet. Há espaço para a padronização total na era de hoje, caracterizada pelas pequenas comunidades, pelos nichos e interesses específicos? Boa questão. A televisão precisará seguir o caminho da indústria de cinema. Há determinados programas de nicho que são vistos em todo mundo, é uma audiência global dentro dos interesses específicos. Isso determina um novo modo de

Ao mesmo tempo que o mercado se tornará mais fragmentado, sem o monopólio de grandes grupos de mídia, não haverá uma quebra completa de modelo.

Pesquisa recente da PewResearch mostrou que 57% dos americanos não ligariam caso os jornais de suas cidades fechassem. O que acha disso? Não creio. Já fiz jornalismo local, nacional e internacional e as notícias pelas quais as pessoas mais se interessam são o preço do estacionamento, crimes na vizinhança, clima, preço da comida no supermercado e os jogos do time local. Elas se importam com o que acontece ao redor. O desafio dos jornalistas é identificar e penetrar nesse mundo.

Mas as pessoas precisam mesmo de jornalistas profissionais para trazer essas informações?

Acho que não. Havia o tempo em que, para falar com Deus, as pessoas precisavam recorrer aos padres da Igreja Católica. Eles tinham o conhecimento, eram os únicos autorizados. Com o tempo e o avançar da História, todos perceberam que podiam falar com Deus diretamente. Os jornalistas tradicionais seriam os novos padres. Pela internet, no Twitter, no Facebook, as pessoas podem falar com Deus sem intermediários. A História mostra que esses jornais e jornalistas serão atropelados.

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Eu acho bom e ruim. Vamos ter que repensar toda a teoria da informação, notícia e jornalismo.

E do jeito que o povo anda sem noção, eu tenho medo.

Ainda bem que meu lado produtora está estável e em franca ascenção.

Mas meu sonho, eu confesso, é vender coco em alguma praia da Bahia.

Eu chego lá.

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Rogai por nós

23 abril, 2009

 

 

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

Medalha de São Jorge

Moacyr Luz e Aldir Blanc

Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram a Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebrando de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão

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X-Men Origens – Wolverine

21 abril, 2009

Bem, vocês estão cansados de saber que sou colecionadora ávida de quadrinhos, desde os meus 8 anos de idade, sou repórter e colaboradora do programa – Banca de Quadrinhos e colaboradora da revista Mundo dos Super-Heróis, ganhadora por dois anos consecutivos do prêmio HQMIX de melhor publicação sobre Quadrinhos no Brasil.

Não que isso signifique muita coisa, mas alguma coisa deve significar quando, por exemplo, eu postar aqui algum texto referente a quadrinhos (dê um search em “comics” ou “Quadrinhos” lá embaixo, na ferramenta de search do blog).

Espero que haja portanto, alguma credibilidade, ao menos na abordagem desse assunto em especial.

Passei esse feriado de 21 de abril em SP mesmo e aproveitei para curtir o gostoso do Hugh Jackman: Vi Australia e X-Men – Origens: Wolverine.

Sobre o primeiro, me abstenho de maiores comentários. É aquela coisa Baz Luhrman: história de amor, tragédia, música e final feliz, tudo isso acompanhado de uma produção de cair o queixo. The End.

Mas é claro que eu estava ansiosíssima para assistir X-Men Origins, que conta a história de um de meus heróis prediletos: Logan, codinome: Wolverine e que foi devidamente BAIXADO da internet, of course.

Sou uma marvete declarada, sempre preferi os personagens e histórias da Marvel às de sua concorrente, DC Comics, justamente porque eles parecem mais próximos dos leitores do que os super aliens vindos de galáxias distantes propostos pela DC.

Bem amigos, eu vou dizer: a Marvel é bem mais poderosa do que eu pensava.

Ela tem o poder absoluto de FODER com os filmes dos meus personagens prediletos, a saber: Demolidor, Elektra e agora, Wolverine.

AINDA BEM, que o Batman é da DC, se livrou de figurar tal lista. Aliás, costumo dizer que Batman é o personagem mais Marvel da DC, mas enfim…

Acho que o diretor de X-Men Origins levou o termo “arte sequencial” muito a sério ao dirigir tal película.

Sim, porque o filme é um amontoado de cenas de ação que deveriam de alguma forma contar a origem de Wolverine, mas não existe fato relevante e elucidativo que ligue uma cena à outra.

Depois parei e pensei: “será que não estou sendo nerd xiita, por saber exatamente toda a história do Wolverine, inclusive suas reviravoltas e histórias que não fazem parte da cronologia oficial do personagem?”  

Sendo assim, tentei enxergar a coisa do ponto de vista do espectador leigo, que não faz a mínima idéia de onde surgiu aquele cara maluco, peludo, que quer passar a faca (ui!) em todo mundo no filme dos X-MEN.

E aí percebi uma coisa mais grave ainda.

Quando começou nos quadrinhos, Wolverine não passava de um sidekick (ou coadjuvante) criado por Len Wein, que estrou em uma história do Hulk em 1974.

Anos mais tarde, foi integrado aos X-Men pelo roteirista David Cockrum e ganhou vida e uma história interessantíssima nas mãos de um dos grandes roteiristas do grupo mutante: Chris Claremont.

Segundo a cronologia oficial, Wolverine é um mutante que, além de grande força física,  possui um fator de cura poderosíssimo, por conta disso não envelhece e não adoece, além de um faro e instintos apurados como os de um animal e que ainda garras ejetáveis, provenientes de seu próprio sistema ósseo.

Seu passado é obscuro, mas existem registros de que se tratava de um cidadão canadense e que foi um grande soldado que lutou em inúmeras batalhas, desde a 1ª Grande Guerra.

Depois de sofrer algumas perdas e agruras da vida, decidiu ser ermitão, isolar-se do mundo, de tudo e de todos. Sendo assim, suas poucas aparições sociais se davam em algum boteco de lenhadores onde gastava praticamente todo o seu dinheiro ganho em algum bico onde atuava como trabalhador braçal.

Ao descobrir seu dom, um coronel do exército que tinha a idéia de transformá-lo em um super-soldado o SEQUESTRA e o submete à uma experiência inédita: reveste seu esqueleto com a liga metálica mais poderosa e dura da face da Terra, o Adamantium (tal substância é ficctícia).

Durante o processo, dolorosíssimo e feito à sangue-frio, a memória de Logan (nome que consta em sua plaqueta de identidade do exército) é total e completamente apagada. E ele desperta do processo uma criatura ainda mais raivosa, angustiada, perdida, violenta e obscura do que quando foi pego.

Em um acesso animalesco de raiva ele dizima a equipe de médicos que o tomou como cobaia e sai pelas estradas gélidas do Canadá e…bem, a partir daí vocês já conhecem.

Esse é, na verdade, o charme e o brilhantismo de Wolverine. Ele não sabe quem ele é, de onde veio, como se transformou no que é e nem porque está aqui. Ele é um homem que precisa controlar seus instintos animalescos a todo momento e a qualquer custo, porque é uma máquina de matar. “É o melhor no que faz, e o que ele faz não é nada bonito”.

Anos mais tarde, nos anos 90, a Marvel lança o encadernado ORIGINS que fez um tremendo sucesso quando foi lançado, mas não convenceu os fãs do carcaju*, onde conta a origem verdadeira de Logan, que na verdade se chama James Howlett e remonta ao séc XVII com algumas revelações surpreendentes e outras completamente indiferentes para a cronologia do herói.

Bem, depois desta breve explicação sobre a história de Wolverine, agora faz sentido o que vou dizer.

No filme, ele NÃO PERDE a memória. E isso, convenhamos, muda com-ple-ta-men-te a essência do personagem. E o faz parecer um babaca com crises de identidade.

Na boa, eu não sou aquele tipo de nerd que espinafra todo e qualquer adaptação dos quadrinhos para as telonas, muito pelo contrário, até incentivo e compreendo que muita coisa precisa ser adaptada na transição de uma mídia para outra, mas, falando como produtora, jornalista e colecionadora de quadrinhos: mudar a essência de um personagem NÃO é, de forma alguma, uma dessas coisas.

O mesmo aconteceu com Demolidor, que nos gibis foi treinado em suas habilidades especiais e nas artes marciais por um mentor, que por acaso foi o mesmo de Elektra, um velho cego chamado Stick. E isso  é crucial para sua história.

Ainda falando de Elektra e tomando a adaptação cinematográfica como (mau) exemplo, praticamente toda sua história foi alterada. Mas um ponto culminante em sua cronologia e que define a personalidade e motivação da personagem como a morte de seu pai, por exemplo foi total e completamente corrompida, não tendo nada sido mantido da versão original.

Coisas assim, me chateiam.

Porque o público que por acaso se interessar pelo personagem e resolver adquirir os gibis com suas histórias, vai se decepcionar deveras, além de ficar completamente perdido em todos os sentidos.

Muito, muito ruim a Marvel concordar com tais adaptações e não entender que, não basta divulgar e difundir seu personagem, é preciso divulgar o personagem VERDADEIRO.

Porque este  sim, terá apelo junto aos fãs o que consequentemente aumentará venda de merchandising, o que parece ser o real motivo de lucro da empresa, pelo visto.

Mas, acima de qualquer  margem de lucro deveria haver ao menos respeito. Pelos criadores, ilustradores, mas principalmente, pelos fãs.

Por essas e outras coisas que X-Men Origens: Wolverine é uma MERDA total.

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Perto do coração selvagem

20 abril, 2009

Eu sou um pulsar.  Sou um quasi stelaris objectus. Sou um cometa.  Sou um corpo celeste, incandescente em franca colisão com algum planeta desconhecido de uma galáxia distante. Uma tragédia iminente.

Eu sou uma grande bola de fogo, eu sou um torpedo, uma bola de canhão, uma ogiva nuclear em ponto de fissão sou matéria em combustão e preciso queimar, queimar, queimar, até a última molécula de minha existência.

Eu pensei que com o tempo esse fogo fosse diminuir, com o passar dos anos  minha luz fosse enfraquecer, minha velocidade fosse se fixar, minha sanha cessar.

Mas não. Eu ainda latejo à deriva no espaço, pronta para engolir um universo qualquer.

Eu preciso de fruição. Preciso respirar toda espécie de arte, preciso estimular todos os meus sentidos, de preferência, ao mesmo tempo. Preciso de sinestesia, melodia, anestesia, alegria.

Preciso tocar, provar, cheirar, engolir, ouvir, enxergar e transcender.

Preciso de plantas, de música, de certas substâncias que tenham o poder de alterar minha consciência: seu beijo, seu cheiro, preciso de bichos,  preciso de troca: de idéias, de carinhos, de palavras,de fluidos, de insultos, de elogios, de identidade.

Preciso alterar a ordem das coisas, preciso quebrar regras, preciso correr, preciso me consumir, preciso contemplar o caos e me deixar ser tragada por ele.

Preciso de corpos, preciso de suor, preciso beber, preciso me alimentar do mundo.

Preciso aprender, preciso absorver, preciso reter, preciso segurar, viver.

Para depois ceder.

Expelir, emanar, desprender, desmanchar.

E então, deixar de brilhar.


 – Eu realmente adoro quando você se vira pra mim e diz: “Você é um espírito livre”. Nada me dá mais contentamento do que saber que vivo em sintonia e compreensão contigo. Te amo –

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Uma mulher

17 abril, 2009

Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora

o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora

(Bruna Lombardi)

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Felicidade old school

16 abril, 2009

Eu adoro filosofar. E não me considero filósofa. Apesar de ser pimentinha, tenho profundos, silenciosos e intermináveis momentos de reflexão. E durante esses momentos, leio, mergulho em mim, estudo, aprendo, filosofo. Essa semana li sobre Epicuro.

Tem gente que acha que filosofar é ser capaz de erguer um sólido edifício de pensamentos coerentes e únicos.

Outros, acham que basta ler filósofos consagrados e esmiuçar seus sistemas de pensamento para então torná-los claros para outras pessoas, ou pior, há quem acredite que filosofia é só seguir a palavras de tais filósofos.

Mas filosofar e seguir a filosofia é simplesmente “viver bem” , não por acaso, um dos grande filósofos helenisticos chamado Epicuro – o pai do “epicurismo” e vá lá, do “hedonismo” – a comparava com a medicina, por exemplo. “Não se deve aparentar estar filosofando, mas deve-se sim, filosofar de fato, assim como de nada adianta fingir ser saudável, é preciso ser realmente saudável”, disse ele.

A filosofia para Epicuro era uma intervenção terapêutica, uma maneira de tratar o padecimento da alma.

E a meta de sua filosofia era sentir prazer em si mesmo.

A filosofia de Epicuro não é engessada e teórica, pelo contrário é descomplicada, acessível, apesar de repudiar o conhecimento supérfluo.

Malabarismos intelectuais são para ele, meros exibicionismos vaidosos, tagalerices vazias e inócuas, incapazes de transformar vidas. E ele queria fazer isso. Afinal para que serve uma filosofia que não trata de vida?

Para ele, a filosofia era quase uma religião, tanto que ele criou sua própria prece, que acho que serve pra gente hoje em dia:

“Os quatro remédios devem estar sempre à mão:

-das divindades não precisamos ter medo
– Não há dor na morte
– O bom é fácil de se realizar
– O ruim é fácil de suportar

Vai dizer que não é uma filosofia acessível? Podemos até decorá-la como um poema. Um colega de Epicuro, 2 mil anos depois resumiu sua filosofia: “Não há nada para entender, trata-se de algo para fazer” – (Gilles Deleuze)

– Das divindades não precisamos ter medo

Obviamente Epicuro estava falando de Zeus, seu deus, que nem de longe tinha sobre si o peso que o deus judeu-cristão que conhecemos, carrega. Para ele, Zeus existia para estimular os seres humanos ao atrevimento. Zeus permitia a seus filhos serem independentes das opiniões alheias  e desenvolver um estilo pessoal de vida e adoração a ele.

Esse deus definitivamente não é um juiz, que se diverte turturando a humanidade com culpa e remorso, ao contrário, é um deus passional que entende nossas falhas no pensar e agir.

Não é um deus doentio que exige nossa contrição, que nos obriga à disciplina sob a promessa do paraíso no porvir, ou caso contrário, à danação eterna. Chega desse deus de medo.

– Não há dor na morte

Todo mal e todo bem vem da sensibilidade: a morte é a privação dessa sensibilidade (Epicuro)

Na minha o pinião, pior do que a iminência da morte é a conclusão de que não se viveu.

Por isso, Epicuro, já adiantando o budismo, aconselhava “viva cada dia como se fosse o último ou considere um só dia como sendo sua vida inteira”

Viver não é especular sobre a hora da morte ou sobre a vida após a morte mas o constante exercício de aproveitar o momento.

Não alimente medos inúteis.

-O bom é fácil de realizar

Aqui o bicho pega. Epicuro defende a idéia de que para ser feliz o homem precisa de pouco. O que vai de encontro à filosofia de vida de nossa sociedade atual, ávida por consumo, carente de valores, destemperada, desequilibrada quando se trata de reais necessidades humanas. O engraçado é que ele também bate de frente com a doutrina cristã no combate das “paixões da carne”. Para ele, essas paixões são fundamentais para a felicidade do ser humano. ” A voz da carne diz: não se deve sofrer, ter fome ou frio. Quem sacia essas necessidades pode competir com Zeus em matéria de alegria.”

Muito poucos se contentam somente com essa idéia simples de felicidade.  O espírito não está separado da carne e com alegria, dor, desejo e outras paixões, nossa consciência se mantém sempre alerta. Desejo e carne estão portanto, sempre ligados.

Mas para Epicuro existem três tipos de desejo: naturais e necessários, naturais e não necessários e não-necessários.

E com isso, quem diria, Epicuro já era “verde”, carbon-free e avant-garde: ele nos estimula a sempre questionar se, de fato, vale a pena possuir mais coisas ou se queremos possuir só para satisfazer nosso desejo de status.

Por outro lado, Epicuro era bastante descontraído quanto à matéria sexo. Se para excitar e satisfazer uma mulher ou homem for necessário fazer piruetas, se humilhar ou ferir o amor próprio, para ele ficava claro que não se tratava de uma vida sexual saudável e não-natural. Fora isso, ele diz: vale tudo, desde que se preserve o necessário à vida.

 – O ruim é fácil de suportar

 Como um claro defensor do hedonismo, da felicidade e da vida, aqui, Epicuro falava sobre o “ruim” em termos de morte. Assim sendo, ele esperou o final de sua vida com vinho e banhos quentes. Nas termas, bebendo vinho cercado de amigos e discípulos, acabou reafirmando sua filosofia com a própria vida.

Ele não temeu a morte mas se habituou a pensar nela. Assim como Sêneca, que dizia: ” Quem faz assim pratica a liberdade de pensamento, pois quem aprendeu a morrer, desaprende a ser escravo”.

Grande cara, esse Epicuro. Sabia o que era ter Fogo nas Entranhas.

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O passarinho me contou…

13 abril, 2009

A cada dia que passa sinto menos necessidade de blogar.

Tem muita gente reclamando pq eu estou meio que trocando o blog pelo Twitter – sim, dei o braço a torcer depois de praticamente quase todos os meus amigos me encherem o saco por quase dois anos – e vou te dizer, malandro, é outra coisa.

Me identifiquei muito mais mais com o twitter do que com um blog: Twitter é muito mais dinâmico, muito mais desafiador (140 caracteres para alguém verborrágico como eu, não é mole não), muito mais “social” – é como um msn gigante, com a vantagem de poder debater e trocar idéias com pessoas com quem você nunca imaginaria que pudesse um dia chegar a conversar – Fora que é uma troca de informações tão grande, tão grande, é descomunal, é animal. Em 5 minutos de twittadas você é capaz de receber uma média de 10 links diferentes, que talvez demorassem meses para te alcançar por vias comuns como e-mail ou algum amigo do msn. E são links diversos. Tanto utilíssimos quanto nonsense.

Twittar é estar em sintonia com minha linha de pensamento: é ser rápido, ágil, sarcástico, informativo, objetivo, sem muitas papas na língua (ou na ponta dos dedos) é trocar idéias improváveis, com desconhecidos, é ouvir opiniões diversas é conectar-se à Matrix.

Como meu objetivo nunca foi ser uma starlet da blogosfera (nem de mídia alguma, diga-se de passagem) não estou lá muito preocupada com  pageviews, leitores desolados, prestígio virtual (eu adoro Prestígio, aquele da Nestlè… é meu predileto!) ou qq coisa que o valha (ou que não valha nada) nesta world wide web.

Portanto, daqui por diante, só vou postar neste ínfimo espaço em último caso, se não conseguir exprimir minhas idéias com apenas 140 caracteres.

Fora isso, meet me at Tweeter.

Pra dizer a verdade a internet anda me cansando deveras, então, tudo o que for capaz de diminuir o tempo que gasto presa à ela, vai ganhar minha simpatia imediata : )

Au revoir!