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Means to an end

18 maio, 2009

 

Há 29 anos um jovem inglês, natural de Manchester, se enforcou na cozinha de sua casa em Macclesfield.

Encontraram-no pendurado ao lustre, junto com um bilhete suicida: “Neste exato momento, espero estar morto. Não aguento mais”, enquanto o álbum The Idiot, the Iggy Pop girava, já sem som, no toca-discos.

Ian Kevin Curtis, nasceu em Old Trafford, Manchester, em 1956 e embora tenha sido um aluno brilhante, com grande talento para as línguas e poesia, não demonstrou muito interesse no sucesso acadêmico e planejou ser músico desde a mais tenra idade.

Até alcançar seu objetivo, fez alguns bicos como vendedor de loja de discos e como  funcionário público. Casou-se muito jovem e teve filhos ainda muito cedo, o que, de certa forma também lhe causou muita pressão e culpa posteriormente.

Foi depois de ver uma apresentação dos Sex Pistols em 1976, que Ian decidiu de uma vez por todas que ia ter uma banda a qualquer custo. Foi então que chamou os colegas  Bernard Sumner e Peter Hook, já que os dois já estavam há tempos procurando um vocalista, fez um teste e ganhou o posto e admiração dos colegas por sua voz baixo-barítono.

Os três recrutaram (e rejeitaram) uma sucessão de bateristas até a decisão de aceitar Stephen Morris como o quarto membro da banda, que a princípio se chamou Warsaw, até mudar seu nome para Joy Division, em menção à “Divisão da Alegria”, uma divisão de prostitutas judias que os nazistas mantinham durante a II Guerra, para seu deleite. 

 Ian era francamente germanófilo e no começo a banda enfrentou muita resistência e gerou polêmica devido à acusações de flerte com o nazismo.

Dizem as lendas do rock que foi a persistência de Curtis que garantiu à banda um contrato de gravação com a hoje lendária Factory Records, que na época era uma gravadora de fundo de quintal, pertencente a Tony Wilson.

  Ian convenceu Tony a deixar a banda a tocar “Shadowplay” no Granada Reports — um programa regional de televisão apresentado por Tony que eventualmente apresentava bandas de sucesso na Inglaterra.

 Ao ver a apresentação do Joy Division, Wilson tratou de fechar o melhor contrato de sua vida, que garantiu dinheiro e fama à Factory.

A marca de Ian, além de seu vozeirão grave e retumbante, era sua estranha maneira de dançar, onde na verdade ele reproduzia os movimentos espasmódicos do corpo durante um ataque epilético, já que sofria da doença. 

Aliás, o cantor teve vários ataques durante apresentações. Alguns leves, em que o público não conseguia distinguir epilepsia de esquisitice, e outros, mais graves, onde o show precisou ser interrompido e Curtis levado ao hospital ou ser atendido no palco mesmo, o que aumentou ainda mais a polêmica e a atmosfera soturna que rondava a banda.

A rotina de shows começou a deixá-lo cada vez mais frágil e suscetivel a ataques. Ele começou a tomar medicação pesada para conseguir seguir adiante com seu sonho, sem que a doença o impedisse.

Muitos desses remédios tinham como efeitos colaterais depressão, fobias, perturbações e até dor física.  Eis o porque da maioria das canções de Curtis serem terrivelmente deprimentes, falando de morte, violência, alienação e decadência, em todos os sentidos.

Ian Curtis foi fortemente influenciado pelos escritores William Burroughs, J G Ballard e Joseph Conrad — os títulos das canções “Interzone”, “Atrocity Exhibition” e “Colony” vieram dos três autores, respectivamente.

Ian também foi influenciado por músicos, não menos icônicos como: Lou Reed, Jim Morrison, Iggy Pop e David Bowie.

Joy Division é uma das minhas bandas favoritas e fez parte de momentos importantíssimos de minha vida.

Eu entendo Ian, às vezes. E lamento, por ele não ter aguentado mais.

Lá se foi mais um gênio.

Caminhe em silêncio
Não partas, em silêncio
Veja o perigo,
Sempre o perigo
Falação sem fim
Reconstrução da vida
Não partas

Caminhe, em silêncio
Não vire as costas, em silêncio,
Sua confusão, minha ilusão.
Emoldurando-se em uma mascara de ódio-próprio.
Confronta-se e morre…
Não partas

Pessoas como você acham fácil
Despido para enxergar
Caminhando pelo ar
Caçando pelos rios
Através das ruas
Em cada esquina abandonada tão rápido
Resignado com o devido cuidado
Não partas, em silêncio
Não partas

*Atmosphere

2 comentários

  1. A música, no caso de Ian, parece que o condenou… Mas, de certa forma, foi uma condenação gloriosa…


  2. É estranho mas ouvindo ele e lendo as letras, dá para sentir, e, como, a tristeza e a sombra da morte rondando, é quase inebriante, e magnético.



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