Archive for novembro \18\UTC 2009

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Vida de baixo impacto

18 novembro, 2009

Colin Beaven é um cara corajoso. Cansado de engordar as estatísticas e fazer parte da população que mais polui o mundo (a saber: os americanos) propôs à sua família viver um ano de “baixo impacto” ao meio ambiente.

Não usou elevador, nem carro, nem táxi nem avião, não viu televisão e só fez refeições em casa, com alimentos comprados na feira local.

Beaven acabou escrevendo um blog que acabou virando um livro e, finalmente um documentário – No Impact Man

Sacrifícios à parte, a mudança radical de habitos fez o americano perder 9 (!) kgs sem ginastica alguma.

Sem falar do relacionamento em família, já que longe da TV tornou-se um pai muito mais participativo.

Acho digno e estou pensando seriamente em fazer igual.

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Acampamento do orgasmo

15 novembro, 2009

angelina

Se você não é chegada à vida selvagem, insetos, barracas e banho frio talvez mude de idéia com relação a acampamentos depois de ler esta breve nota.

Nos EUA, terra que dá origem aos maiores loucos e freaks do planeta, existe um acampamento focado em orgasmo, o Pussy Willow Ranch. Isso mesmo: um acampamento do orgasmo.

Mas não pense você que a equipe deste peculiar rancho é formada por atores pornô com barriga tanquinho que andam nus e livres pela floresta, de pau duro e gravatas borboleta, prontos a atender aos apelos carnais das acampantes.

Não, é tudo “muito profissional”. O acampamento foi desenvolvido por sexólogos para atender mulheres que tem dificuldade de alcançar o orgasmo.

Assistentes e auxiliares, chamados no acampamento de “deliberadores de orgasmo” munidos de luvas de borracha e muita boa vontade  “dão uma mãozinha” às mulheres que, desesperadas para aprender mais sobre si mesmas e seus corpos, sujeitam-se a sessões de masturbação assistida.

Os deliberadores garantem satisfação a toda prova: eles fazem as clientes do acampamento gozarem de uma a oito vezes por dia.

Meudeus, me fala se o mundo não tá acabando? A mulherada frígida tá se inscrevendo em acampamentos aonde aprendem a se masturbar? E para isso aceitam abrir as pernas para um total desconhecido vestido de branco, com luvas de borracha e dedo indicador besuntado de KY, numa ação totalmente automática, orgasmo on demand?

Ahhh shoot me and do it NOW!

Fiquei sabendo sobre esse tal rancho ao ler a entrevista da jornalista Mara Altman, a caçadora de orgasmo, na Marie Claire deste mês.

Eu, que ODEIO revista feminina, me interessei pelo exemplar de novembro porque já havia ouvido falar de seu livro “Thanks for Coming” e sua busca pelo orgasmo. Resumindo: a autora, então com 26 anos e transando há 10, de repente se deu conta de que nunca havia gozado na vida e partiu em busca do santo graal: o verdadeiro orgasmo.

Interessante, mas acabou descobrindo o óbvio: o orgasmo depende, em grande parte, de você e não só do outro.

Muito menos de se matricular em um acampamento de masturbação assistida.

Socorro.

A entrevista é tragicômica e você pode lê-la aqui:

http://tinyurl.com/ykwu3uo

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Arremedo de vida

15 novembro, 2009

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A cada dia que passa, eu, uma pobre e leiga observadora da natureza humana, ao invés de me surpreender fico cada dia mais…cínica e entediada com relação a nossa sociedade.

O mundo, que já era velho e sem porteira, agora está chato de galochas…e fedendo. Um lugar sacal de se viver. Implacável,  intolerante. Hipócrita, com essa onda interesseira e egoísta de politicamente correto que deixa todo mundo com medo de ser mal-interpretado e morto por conta de um comentário impulsivo e verdadeiro, o mundo está cada vez mais homogêneo, higienizado, pasteurizado, asséptico, enfadonho.

Foi imaginando  um futuro não muito brilhante para a humanidade que acabei me deparando com o filme “Os Substitutos”  (Surrogates- 2009) do diretor Jonathan Mostow ( O Exterminador do Futuro 3 – a Revolta das Máquinas). O filme foi baseado em uma história em quadrinhos em 5 edições, homônima, escrita por Robert Vinditti e ilustrada (muito bem ilustrada, aliás) por Brett Weldele, publicada pela Tops Shelf Productions , nos EUA em 2005/2006  e que conta com a participação do canastrão Bruce Willis em sua adaptação para as telonas.

Ao ler a sinopse, tive mais vontade de fazer o DVD de freesbie do que de assistí-lo, mas, como se tratava de uma HQ adaptada, eu, colecionadora e fã, não resisti e acabei assistindo.

The Surrogates tem como inegáveis referências demais obras da ficção científica que tem como prerrogativa um futuro distópico e surrel, tal como  1985 de George Orwell, Eu, Robô de Isaac Asimov, Blade Runner de Philip K. Dick, até o doce Wall-e da Disney/Pixar e Minority Report (também de K. Dick, adaptado para o cinema e dirigido por Steven Spielberg, em 2002).

A premissa é interessantíssima: No anos de 2025, os andróides já substituem os humanos em praticamente tudo. Ele funcionam como um tipo de “avatar”, corpos robóticos controlados mentalmente por humanos que, por medo de exposição aos perigos da vida real, trancafiaram-se em suas casas e através de um software controlam as ações e pensamentos de seus andróides “substitutos”, numa espécie de um live action de “Second Life”.

Por conta disso, os substitutos são perfeitos em tudo, aparência e comportamento. Ao andar na rua, você só se depara com super modelos e galãs de cinema, invencíveis, ilimitados, todos educadíssimos e com atitudes e comportamento totalmente premeditados por seus “players”. É o império da ordem e da perfeição. É um jogo, onde perdedores não existem. 

Os grandes traumas que assolam a raça humana estão todos resolvidos: simplesmente não existem. O sexo flui. Com a autoestima elevada, todo mundo se dá bem, pois ninguém mais corre o risco de fazer feio com um pretendente, que aliás, pode não ser o retrato fiel de seu andróide. Um homem velho, gordo e feio pode ter como “substituta” uma deliciosa modelo e conquistar um bonitão na noite, numa espécie de ilusão em massa, consentida. E quem vai ser o louco de querer saber a verdade?

Ignorância é felicidade.

Enquanto isso, humanos contrários à onda de substitutos vivem em guetos, do velho modo: reproduzindo-se e expondo seus corpos às agruras da vida. Vivendo a vida de verdade, e lutando contra a ameaça de coexistir com super-seres.

Mas (porque sempre existe um mas) a utopía da vida perfeita começa a ruir quando um terrorista humano desenvolve uma arma que quando disparada sobrecarrega o andróide, fritando o cérebro de seu comandante humano respectivamente. Ou seja: os humanos não estão mais a salvo no refúgio de suas casas.

Cabe ao agente do FBI interpretado por Bruce Willis, para variar, salvar a humanidade ao se deparar com problemas muito mais complexos  do que descrevia a vã filosofia da sinopse da película.

Recomendo fortemente.

O filme.

E a viver a vida também, claro : )