Archive for the ‘Biblioteca de Babel’ Category

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Memices

2 fevereiro, 2009

Danilão, meu grande amigo de tempos góticos (um dos poucos que sobraram) tem um blog delicioso sobre música (assunto no qual ele é versado e que nos rende ótimas e acaloradas discussões), além de manter, junto o um sócio o grande projeto MOJO BOOKS, o qual já mencionei aqui e com o qual permaneço em eterna dívida, por nunca terminar um texto que já prometi há décadas, mas enfim…

Danilo Corsi, mon ami, me passou um meme e as regras são as seguintes:

1– Agarrar o livro mais próximo; (não vale escolher)
2– Abrir na página 161; (tb não vale escolher)
3– Procurar a quinta frase completa;
4– Colocar a frase no blog;
5– Repassar para cinco pessoas.

Bem, primeiramente fui até minha estante, agarrei “A última casa de ópio” de Nick Tosches (ótimo, ótimo) mas o dito não chegava nem à página 100, portanto, tive que agarrar outro e foi….

1- O Elogio ao Ócio – Bertrand Russel
2 – abri na pág 161 e procurei a quinta frase, que era essa:

3- “Se em sua fúria contra seus inimigos os seres humanos  invocarem a ajuda de insetos e microorganismos, como certamente hão de fazer, no caso de uma nova grande guerra, não é absolutamente improvável que, no final, os insetos sejam os grande vitoriosos”

uia. Não é que foi uma frase de efeito?

Repasso para os seguintes:

Társis, Giseli, Juju, Raq e Beta

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Sexo no Cativeiro

10 abril, 2007


(*Foto do meu adorado – Helmut Newton)

É sabido que, biologicamente, a paixão nada mais é do que resultado de uma reação química e que, por conta disso, tem um tempo curto de vida.

Ultimamente (o que não indica necessariamente que a situação tenha sido diferente em outras épocas, enfim) tenho recebido inúmeras notícias de que casais amigos meus, casados ou namorados de longa data, se separaram, por várias razões, entre elas a temível “perda da paixão”. E isso me entristece. Muito.

Por mais que eu aceite numa boa que certas coisas e pessoas sejam transitórias em nossa vida, fico me perguntando se a falta de paixão é o bastante para terminar com uma relação duradoura (só quem já passou por uma separação sabe o quanto ela é dolorosa) já que paixão e amor são coisas distintas, e se não vale a pena tentar se “re-apaixonar” pelo parceiro ou estender o tempo de sobrevida da paixão.

Vamos pela lógica: já que se trata de uma reação química, devem existir catalisadores capazes de reativar os componentes e fazê-los reagir, certo?

Por outro lado, isso dependeria da concentração e quantidade dos mesmos. E às vezes, a relação está tão desgastada que há consumo total. Não sobra nada para reagir.

Observando pessoas, reparei que quando se trata de discutir paixão, existem praticamente dois times: os românticos e idealistas, que acham que sem paixão é impossível viver e conviver com alguém e os realistas e complacentes, que se conformam com o esfriamento dela e prezam mais pela segurança e a constância do que pela intensidade num relacionamento.

É aquele velho discurso de nossos pais e avós:  “o que vale é o companheirismo, ter alguém com quem contar no fim da vida, a paixão é efêmera”.

E aí, com o passar dos anos, você se pergunta se não teria sido melhor ter dividido a vida com um amigo do peito ou contratado um enfermeiro particular  do que ter  passado por todo aquele perrengue e devastação que só os relacionamentos amorosos têm o poder de proporcionar…

Eu, como sou questionadora e tinhosa, fundo e fico no time do meio: o dos que acham que é possível sim, manter a paixão. Sim, pela mesma pessoa. E ser companheira dela, sem desenvolver um relacionamento meramente fraternal e deserotizado.

Deve haver um jeito de manter aquele erotismo saudável que gera o “fogo nas entranhas” e aquele brilho nos olhos essencial a todos nós. (E a pele! Ah, a pele fica linda!).

Eu quero acreditar no “pra sempre”. Só que sei que ele não vem naturalmente. Como tudo na vida, é preciso lutar. E estou disposta a isso. Já fui romântica e lancei sobre o parceiro uma tonelada de expectativas. Já fui realista e vivi relacionamentos rasos e inúteis. Hoje, quero apenas ser feliz.

Estou lendo um livro que fala sobre tudo isso, que tem me agradado MUITO e que mostra que eu não estou querendo demais, afinal, como sempre pensei. Existem de fato catalisadores para estender a sobrevida da paixão e fazê-la queimar durante muito, muito tempo.

Quando me deparei com ele na prateleira pela primeira vez, pensei que fosse outra pataquada d o tipo auto-ajuda e, como tenho um preconceito fodido com esse tipo de literatura, nem liguei. Pouco tempo depois, por coincidência li um artigo sobre ele no The New York Times e resolvi dar uma segunda olhadela. Adorei, cobicei e acabei ganhando-o de presente do meu amor.

Sexo no Cativeiro- Driblando  as armadilhas do casamento –  É um livro fascinante. É escrito pela terapeuta familiar Esther Perel, PhD em  psiquiatria, que é Belga, estudou em Israel mas mora e clinica em Nova York, além de ser casada com o diretor do Programa Internacional de Estudos do Trauma da Universidade de Columbia, (do qual também faz parte) que dá assitência a refugiados de guerra. Ela brinca que o marido lida com a dor e ela com o prazer.

Como se não bastasse, a doutora é lindíssima, a cara da Michelle Pffeifer. Creio que isso deva ser um problema pra ela..ou para seus pacientes…enfim…

O livro tenta dar algumas respostas baseadas em dados científicos e casos clínicos à perguntas como:

-Porque o sexo já não é tão bom quanto no ínicio? Porque a chegada do primeiro filho pode significar um desastre erótico? É possível  desejar o que já temos? A boa intimidade ou intimidade demais sempre leva ao bom sexo?

Para quem quer saber e se interessa pelo assunto, é um banquete. Você vai se surpreender, porque as respostas são tão contraditórias à cultura do “casamento moderno” que às vezes chega a dar raiva. 

Ao mesmo tempo em que você se choca, acaba admitindo a legitimidade da coisa. É um livro sem fórmulas ou respostas prontas, (odeio isso!) do contrário, ele te faz pensar.

Só não vale encher o saco do cara querendo “discutir a relação” (eu juro que mato o idiota que inventou esse termo) a toda hora porque aí você vai praticamente assassinar a paixão, minha filha! Leia e ponha em prática…de outra forma. Garanto que ambos vão adorar.

Sexo no Cativeiro – Driblando as armadilhas do casamento-

Autor: Esther Perel

Ed Objetiva

R$ 34,00

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Travessuras da Menina Má

8 janeiro, 2007

Sempre gostei de Vargas Lhosa. Aliás, descobri há alguns anos que a literatura latino-americana é, definitivamente, minha predileta. Nós temos mais “fogo nas entranhas” se é que você me entende…Adoro a narrativa fácil, ágil, descritiva e recheada de referências de Lhosa. Já havia lido “Pantaleão e as Visitadoras” e “La Fiesta del Chivo” e amado. Acontece que uma de minhas melhores amigas, que também adora ler, ia fazer aniversário. E eu  decidi lhe dar um livro.

Entrei na livraria sem saber o que comprar. E toda vez que entro numa livraria é o mesmo suplício. Você entra com uma dúvida: não sabe o que comprar e sai com uma única certeza: a de que ganha muito pouco.

Fiz uma pilha com 7 livros e já me dirigia  ao caixa para fazer o uni-duni-tê, quando passei por um display que exibia a nova obra do autor peruano.  Larguei todas as opções e apostei nele sem medo.

Acertei na mosca.

Travessuras da Menina Má (Travessuras de la Niña Mala) – Mario Varga Lhosa –  Ed Alfaguara, é delicioso.  Fala sobre as reviravoltas que a vida dá e conta a história de um grande e inusitado amor.

Mas não se engane. Esse amor não é piegas, a história não é um romance mela-cueca e previsível e não tem um final lá muito ortodoxo. 

Ele segue o ritmo da vida de duas pessoas interessantíssima e nada comuns. E a história reflete justamente isso: a deliciosa imprevisibilidade da vida e a certeza de que não temos o mínimo controle sobre esse monstro chamado destino. Tampouco sobre nossos sentimentos.

O percurso tem altos e baixos, encontros e desencontros, abraços e despedidas, mentiras e verdades, tragédias e alegrias, violência e doçura, monstruosidade e compaixão, sexo e amor. E ainda por cima é globalizado!

Narra a trajetória de duas pessoas através de 5 países ( Peru, França, Inglaterra, Japão e Espanha) ao longo de quatro décadas (anos 60,70,80 e 90) envoltas num relaciomento meio casual, meio obsessivo, e totalmente complicado.

 O mais legal é que Vargas Lhosa trata de contemporaneizar o leitor, apresentando-o aos costumes de cada lugar e ao período vigente, do ponto de vista social, histórico e cultural. É uma viagem. É rico. É um livro riquíssimo, em experiências e em informações. E eu pensando que fosse uma menina má! Perto da protagonista eu sou a Madre Teresa!

E ele é intenso, como só a literatura latino-americana consegue ser. Me desculpem os franceses e americanos, mas latinidade é fundamental.

Dei o livro pra minha amiga já pensando em pedir emprestado. Rá!

Comprem, vale a pena.

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A História do Amor

6 setembro, 2006

Tenho um amigo querido que, além de ser brilhante, culto e engraçadíssimo sofre da terrível mania de ser exagerado. Isso pode até ser encarado como defeito em alguns casos, mas, no que vou relatar abaixo, com certeza não : )

Por ocasião de meu aniversário este ano, ele me deu não um, mas três livros. Os Filhos de Anansi (pq ambos somos fanáticos pelo Gaiman), A História do Mundo em 6 Copos (pq ambos somos bebuns e gostamos de História) e A História do Amor (pq ambos somos apaixonados. Não um pelo outro… também, mas como amigos…enfim…)

Li Os Filhos de Anansi com sofreguidão e vou te contar, me decepcionei. Não é tão profundo quanto Sandman, nem tão fantasioso quanto Stardust tampouco detalhista como Neverwhere e nem tão cheio de ação e bem amarrado como Deuses Americanos. Gaiman usa justamente um dos personagens coadjuvantes deste último (o deus-aranha, Anansi) e conta sua história, cheia de episódios interessantes e engraçados, mas longe de ser tão enérgico e intenso quanto D.A.

Voltando aos livros que ganhei: Não li a História do Mundo em 6 Copos (ainda – estou lendo Reações Psicóticas de Lester Bangs) e passei direto para A História do Amor, de Nicole Krauss. (Cia das Letras – 320 páginas) O que se deu foi que não consegui largar e o terminei em dois dias. Há muito tempo, talvez desde a primeira vez que li…sei lá, Garcia Marquez, não havia me deparado com assuntos tão densos narrados com tanta poesia, simplicidade e bom humor.

A História do Amor fala de juventude e suas descobertas, da velhice e suas decepções, dos horrores da guerra, da infância, de sonhos perdidos, paixões esquecidas e do amor de um modo geral, é claro. Tudo isso de uma forma deliciosa e nada piegas. Lembra um pouco Paul Auster, mas…com um toque feminino. Tem citações geniais, filosóficas e divertidíssimas. É capaz de te fazer rir e chorar ao longo de suas 320 páginas. Ás vezes você se pega fazendo as duas coisas juntas, aliás. Te comove, te toca. Te marca. Muda tua vida. Como só um bom livro é capaz de fazer.

O livro conta basicamente a história de um jovem polonês que, inspirado pelo sentimento que nutre por uma garota de seu vilarejo, escreve um relato sobre o amor e a existência. Quando seu país é tomado pelos nazistas, ele é obrigado a deixar para trás o manuscrito e consequentemente a paixão que o inspirou.

Ao longo do tempo, o manuscrito perdido tomará rumos surpreendentes e marcará a vida de diversos refugiados espalhados no exílio e mesmo daqueles que nasceram após a II Grande Guerra, interligando, na história, a vida de todos. Léo Gursky, um velho imigrante morador de NY, Litvinoff, um professor de literatura no Chile, Alma Singer, a filha adolescente de uma tradutora de livros, Isaac Moritz, um escritor americano de grande prestígio e Bird o irmão de 7 anos de Alma.

Com essa diversidade de ritmos, culturas, vozes e sintaxes A História do Amor torna-se praticamente um estudo sobre memória, sobre esse monstro chamado destino e principalmente sobre o poder da arte (no caso, da literatura) na vida das pessoas.

O melhor de tudo é que a autora, Nicole Krauss é uma americana linda de 33 anos e este é apenas seu segundo livro. O primeiro – Man Walks Into a Room (ainda sem título em português) foi lançado em 2002 sem muito buxixo. Ao contrário do último, que já foi traduzido para mais de 20 línguas e inclusive teve seus direitos vendidos para o cinema.

Gostaria de transcrever alguns trechos aqui, mas infelizmente fiquei indecisa sobre qual deveria, pois são todos geniais. Então fica uma frase de Leo Gursky com a qual me identifiquei deveras – “Gosto de pensar que o mundo não estava preparado para mim, mas talvez a verdade seja que eu não estava preparado para o mundo”

Fica aqui então a dica de uma leitura inesquecível, digna de ser colocada no seu perfil de “livros preferidos” no Orkut : )

Hey…obrigada, Bru, pelo livro!